Resolução cria novo padrão nacional de rastreabilidade e
segurança para medicamentos controlados e marca um avanço estrutural da saúde
digital no Brasil
pixaby
A Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa)
aprovou, por unanimidade, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) que
regulamenta a emissão de receituários controlados em meio eletrônico,
estabelecendo um novo padrão nacional de segurança, rastreabilidade e controle
para a prescrição e dispensação de medicamentos sujeitos a controle especial. A
norma representa um marco para a saúde no país e é resultado de anos de diálogo
técnico e contribuição institucional da Saúde Digital
Brasil (SDB) e outras entidades junto à Anvisa.
A
SDB esteve diretamente envolvida nas discussões técnicas que subsidiaram a
construção da norma, atuando de forma contínua na articulação com a equipe da
Gerência de Produtos Controlados (GPCON) da Anvisa. Entre as contribuições, a
entidade realizou e apresentou à agência uma pesquisa nacional, realizada em
2024, sobre a percepção de profissionais prescritores em relação às limitações
do modelo físico de prescrição, especialmente no caso das notificações de
receita e no contexto da telessaúde.
O
estudo, revelou que mais de 88% dos prescritores defendem a necessidade da
emissão digital das notificações de receita, 60% afirmaram que o formato eletrônico
aprimora o controle e a segurança, e 35% apontaram que a exigência do papel
físico impede a continuidade do cuidado. Os profissionais também destacaram
dificuldades práticas do modelo tradicional, como perda de talonários,
preocupações com segurança e inviabilidade no atendimento remoto.
“A
pesquisa que realizamos mostrou claramente que o modelo em papel já não atende
às necessidades dos profissionais e nem dos pacientes. A Anvisa teve
sensibilidade técnica para ouvir o setor e construir uma norma moderna,
compatível com a realidade da telessaúde e da transformação digital”, comenta
Michele Alves, gerente executiva da Saúde Digital Brasil.
A
RDC aprovada permite, pela primeira vez, a emissão eletrônica de todos os tipos
de receituários controlados, incluindo notificações de receita dos tipos A, B,
B2, Talidomida e Retinoides, além das receitas de controle especial e das
receitas sujeitas à retenção, que já podem ser emitidas eletronicamente desde
2020. As prescrições deverão ser emitidas exclusivamente por plataformas
integradas ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), com
numeração única obtida via API, garantindo rastreabilidade de ponta a ponta.
A
norma também elimina a exigência de duas vias físicas para receitas de controle
especial e receitas sujeitas à retenção, substituindo o arquivamento em papel
pelo registro eletrônico de utilização no SNCR. No que se refere à segurança
jurídica, a regulamentação define critérios claros para assinaturas
eletrônicas, onde as notificações de receita e receitas de controle especial
exigirão assinatura com certificado digital ICP-Brasil, enquanto receitas
sujeitas à retenção (como antimicrobianos e análogos de GLP1) poderão utilizar
assinaturas qualificadas ou avançadas, conforme previsto em lei.
A
resolução entra em vigor 60 dias após sua publicação no Diário Oficial, mas a
implementação será gradual ao longo de 2026. A Anvisa tem prazo até o dia 01 de
junho de 2026 para disponibilizar o SNCR plenamente integrado para requisição
de numeração e registro de utilização, período em que plataformas, prescritores
e farmácias deverão se preparar tecnicamente para a transição.
Para
a Saúde Digital Brasil, a aprovação da RDC consolida um avanço estrutural para
o sistema de saúde, indo além da simples substituição do papel. A digitalização
da prescrição contribui diretamente para a redução de erros, combate a fraudes,
melhoria da continuidade do tratamento e ampliação do acesso qualificado ao
cuidado.
A
entidade, possui um Grupo de Trabalho de Documentos Eletrônicos composto por
especialistas do setor e que puderam ao longo dos anos promover discussões e
articulações. A Coordenadora do Grupo, Julia Cestari, reforça “A aprovação da
RDC coroa um trabalho técnico da agência que tivemos a oportunidade colaborar longo
dos últimos anos com a visão e experiência dos membros do Grupo de Trabalho –
seja em reuniões, audiências públicas. Agora seguimos comprometidos em apoiar a
implementação para que esse avanço se traduza em benefícios reais para
profissionais e pacientes.”
Para
Marília Ximenes, vice-coordenadora do GT, “É gratificante ver que nossa
contribuição ajudou a construir um modelo moderno, robusto e alinhado ao que o
país precisa para avançar em segurança e digitalização”. “A SDB também
reconhece e agradece o trabalho técnico da Anvisa, em especial da equipe da
GPCON. Continuamos à disposição para colaborar na fase de implementação,
apoiando o ecossistema na adoção segura e eficaz da prescrição eletrônica no
Brasil”, finaliza a Michele Alves.
Sobre
a Saúde Digital Brasil
Criada
em 2020, a Saúde Digital Brasil (SDB) é a entidade que representa o setor
empresarial de saúde digital no país. Reúne empresas que desenvolvem
tecnologias e prestam serviços em telessaúde, atuando para que a inovação no
cuidado em saúde avance com segurança, ética, qualidade e inclusão, sempre
orientada ao interesse público e à responsabilidade social.
A
SDB conecta sociedade civil, governo e mercado em torno de um propósito comum:
ampliar o acesso a uma saúde digital responsável e centrada no paciente,
contribuindo para que a transformação digital da saúde seja sustentável e
baseada em evidências.
Com
legitimidade institucional e protagonismo técnico, a SDB fortalece o
ecossistema por meio de promoção de boas práticas, grupos de trabalho ativos,
produção de conhecimento de referência, articulação regulatória e iniciativas
de impacto, como o Painel de Indicadores Setoriais, que dá visibilidade aos
dados reais do setor, impulsiona boas práticas e apoia decisões mais efetivas
na gestão da saúde no Brasil.
Guiada
pelos valores de inovação, qualidade assistencial, colaboração, ética,
segurança e privacidade, a SDB representa empresas que estão moldando o
presente e o futuro da assistência em saúde no país.
Seu
compromisso é promover uma saúde mais moderna, eficiente e humana, assegurando
que a transformação digital beneficie toda a população brasileira.
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