Confira uma seleção de livros essenciais, de autores
nacionais e internacionais, para estimular o repertório, o pensamento crítico e
o prazer da leitura em todas as idades
Freepik
Em 7 de janeiro é comemorado o Dia do Leitor, data que reforça o poder
transformador que a leitura exerce na formação intelectual, emocional e crítica
dos indivíduos. Ler amplia repertórios, fortalece a compreensão do mundo e cria
oportunidades de conexão com diferentes culturas, épocas e perspectivas.
|
|
AUTORES
BRASILEIROS
A Hora da Estrela (1977)
Uma
das obras mais célebres de Clarice Lispector (Ucrânia, 1920 – Rio de Janeiro,
1977), A hora da estrela conta a história da nordestina Macabéa, uma
mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu
único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um
quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio.
Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo
a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma
cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.
As Três Marias (1939)
A
obra de Rachel de Queiroz (Fortaleza, 1910 – Rio de Janeiro, 2003) conta a
história de três amigas inseparáveis, da infância em um colégio de freiras à
vida adulta. Maria da Glória dedicou-se à maternidade e à família; Maria José,
sempre devota, voltou a morar com a mãe e virou professora; e Maria Augusta,
diferente das amigas, determinou-se a construir o próprio caminho: trabalhou
como datilógrafa em Fortaleza e, lá, apaixonou-se. As Três Marias
retrata o processo de ajustamento ao mundo pelos olhos das meninas e convida o
leitor a acompanhá-las desde os medos e as incertezas da juventude até o
amadurecimento. Assim, a autora vai mais fundo na perspectiva social e na
agudeza da observação psicológica.
Capitães da Areia (1937)
Capitães
da Areia é talvez o romance mais
influente de Jorge Amado (Itabuna, 1912 – Salvador, 2001). Obra clássica sobre
a infância abandonada, conta a história crua e comovente de meninos pobres que
moram num trapiche abandonado em Salvador. O livro torna o leitor íntimo dos
personagens, cada um deles com suas carências e suas ambições: do líder Pedro
Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de
cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força
envolvente da sua prosa, o autor nos aproxima desses garotos e nos contagia com
seu intenso desejo de liberdade.
Grande Sertão: Veredas (1956)
Obra
de João Guimarães Rosa (Minas Gerais, 1908 – Rio de Janeiro, 1967), Grande
sertão: veredas é um mergulho profundo na alma humana. Neste clássico
arrebatador, as paisagens percorridas pelos jagunços ganham uma dimensão
universal e profundamente humana. Ao narrar o mundo através dos olhos de
Riobaldo, o autor constrói um romance fascinante, que mescla sofrimento, luta,
alegria, violência, amor e morte em uma prosa extremamente inventiva –
reinventando a língua e elevando o sertão ao contexto da literatura universal,
compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e
valorização do homem.
Iracema (1865)
Obra
da fase indianista de José de Alencar (Fortaleza, 1829 – Rio de Janeiro, 1877),
Iracema é um texto básico da cultura brasileira, romance que construiu
uma representação mítica do Brasil. O livro retrata a expressão nacionalista
que estava em voga no século XIX, época em que os escritores buscavam construir
o nativo brasileiro sob a ótica do ideal romântico. Assim, Alencar mostra o
encontro da natureza, personificada pela índia Iracema, a "virgem dos
lábios de mel", com a civilização europeia, representada pelo navegante
Martim, resultando no “nascimento do primeiro cearense”. A história do amor dos
protagonistas é uma metáfora do encontro entre civilização e cultura autóctone.
Macunaíma (1928)
Macunaíma, de Mário de Andrade (São Paulo, 1893 – São Paulo,
1945), apresenta o herói sem nenhum caráter. O protagonista, que ora é índio
negro ora é branco, até hoje é considerado símbolo do brasileiro em vários
sentidos: o do malandro esperto, amoral, que sempre consegue o que quer, e o do
povo perdido diante de suas múltiplas identidades. Macunaíma foi forjado a
partir de lendas indígenas e populares, colagens de histórias, mitos e modos de
vida que, nele somados, deram existência a um tipo brasileiro ideal. Um ser
mágico, debochado e zombeteiro, que viaja pelo país de Roraima a São Paulo,
descendo o rio Araguaia, do Paraná aos pampas, até chegar ao Rio de Janeiro,
acompanhado de seus irmãos, Jiguê e Maanape, numa aventura para recuperar seu
amuleto perdido: a muiraquitã. A obra surge no contexto da primeira geração do
modernismo, que buscava uma identidade nacional, rompendo com os padrões
artísticos europeus ao valorizar a cultura popular brasileira.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Na obra de Machado de Assis (Rio de Janeiro, 1839 – Rio de Janeiro, 1908), o finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que viveu, o defunto-autor narra as suas desventuras e revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, por meio de uma análise aprofundada de seus personagens. Memórias Póstumas de Brás Cubas retrata o período do Brasil Império, especialmente a elite burguesa do Rio de Janeiro, marcada por mudanças sociais e ascensão de novos valores.
Os Sertões (1902)
A
partir do trabalho jornalístico de Euclides da Cunha (Rio de Janeiro, 1866 –
Rio de Janeiro, 1909) sobre a rebelião de Canudos, surge esta obra sobre o
sertão, as injustiças sociais do Brasil e a violência que marcou o País. Ao
narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio
Conselheiro, o autor narra também a formação do homem sertanejo. Os Sertões
denuncia os crimes cometidos por uma sociedade eurocêntrica, violenta,
autoritária, desigual e excludente, além de desafiar qualquer resposta fácil
para as questões sertanejas.
Quarto de Despejo (1960)
Do
diário de Carolina Maria de Jesus (Minas Gerais, 1914 – São Paulo, 1977) surgiu
este autêntico exemplo de literatura-verdade. Quarto de Despejo é o
retrato do cotidiano triste e cruel de uma mulher que sobrevive como catadora
de papel e faz de tudo para espantar a fome e criar seus filhos na favela do
Canindé. Em meio a um ambiente de extrema pobreza e desigualdade de classe, de
gênero e de raça, o leitor se depara com o duro dia a dia de quem não tem
amanhã, mas que ainda assim resiste diante da miséria, da violência e da fome.
Vidas secas (1938)
Vidas
secas conta a história de uma
família de retirantes que, na planície avermelhada do sertão, enfrenta a seca,
a fome, o desamparo e a violência das instituições, em busca de vida nova.
Fabiano, sinha Vitória, o menino mais novo, o menino mais velho e a cachorra
Baleia caminham dias inteiros, à procura de água, comida e pouso. No trajeto,
encontram com figuras essenciais para compreender o contexto histórico e social
da obra-prima de Graciliano Ramos (Alagoas, 1892 – Rio de Janeiro, 1953), marco
da segunda fase do modernismo, que se tornou registro da identidade de um povo.
AUTORES ESTRANGEIROS
A Casa dos Espíritos (1982)
A
Casa dos Espíritos é tanto uma
emblemática saga familiar quanto um relato acerca de um período turbulento na
história de um país latino-americano indefinido, com uma narrativa instigante
que costura passado, presente e futuro de maneira fluida e elegante. As
paixões, lutas e segredos da família Trueba abrangem três gerações e um século
de transformações violentas, que culminaram em uma crise que leva o patriarca e
sua amada neta para lados opostos das barricadas. Em um pano de fundo de
revolução e contrarrevolução, a autora Isabel Allende (Peru, 1942) traz à vida
uma família cujos laços privados de amor e ódio são mais complexos e duradouros
do que as lealdades políticas que os colocam uns contra os outros.
A Metamorfose (1915)
A
Metamorfose é a mais célebre
novela de Franz Kafka (República Tcheca, 1883 – Áustria, 1924), um mestre da
ficção universal, e uma das mais importantes de toda a história da literatura.
Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante,
o homem comum Gregor Samsa, transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a
história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil, absurdo
e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana. Tudo
narrado no tom preciso, frio e lógico do autor, capaz de integrar naturalmente
o pesadelo ao cotidiano.
A Revolução dos Bichos (1945)
Concebido
por um dos mais influentes escritores do século XX, George Orwell (Índia, 1903
– Reino Unido, 1950), A Revolução dos Bichos é uma fábula sobre o poder.
Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos.
Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva
que a dos humanos. A narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a
ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do
Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Mais de sessenta anos depois de
escrita, a obra se mantém como uma alegoria sobre as fraquezas humanas que
levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política.
Cem Anos de Solidão (1967)
No
clássico romance Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez (Colômbia,
1927 – México, 2014) narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe
de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a
terra” - e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa
o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a
ascensão e a queda do vilarejo, com seus milagres, fantasias e dramas que
representam famílias do mundo inteiro. Uma obra grandiosa e atemporal, sobre a
qual é possível construir diversos paralelos com a nossa própria existência.
Dom Quixote (1605)
Em
Dom Quixote, Miguel de Cervantes traz elementos que iriam dar início à
tradição do romance moderno, como o humor, as digressões e reflexões de toda
ordem, a oralidade nas falas e a metalinguagem, e que marcariam o fim da Idade
Média na literatura. Paródia das famosas novelas de cavalaria, um gênero muito
cultuado na Espanha do início do século XVII, a obra conta a história de um
fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça. O
Cavaleiro da Triste Figura representa a capacidade de transformação do ser
humano em busca de seus ideais, por mais obstinada, infrutífera e patética que
essa luta possa parecer.
Ensaio sobre a cegueira (1995)
Ensaio
sobre a cegueira, escrito por José
Saramago (Portugal, 1922 – Espanha, 2010), é uma verdadeira viagem às trevas da
humanidade. Neste clássico moderno da literatura em língua portuguesa, o leitor
é dragado para um cenário devastador, onde uma "treva branca" passa a
assolar a sociedade, espalhando-se incontrolavelmente. Toda a população deixa
de enxergar, exceto por uma mulher, que se passa por cega para acompanhar o
marido na quarentena compulsória a que todos foram submetidos. Presos à nova
realidade, os cegos se descobrem reduzidos à essência humana.
Frankenstein (1818)
Frankenstein
é o clássico gótico que inaugurou a ficção
científica, escrito por Mary Shelley (Reino Unido, 1797 – Reino Unido, 1851)
quando tinha apenas 18 anos. Conta a história de Victor Frankenstein, um homem
obcecado pela criação, que saqueia cemitérios em busca de materiais para
construir um novo ser, buscando conquistar a fama dando vida ao inanimado. Mas,
quando sua estranha criatura ganha vida, Frankenstein a rejeita. Então, o
monstro lança-se com afinco à destruição de seu criador. Frankenstein começa
uma dança perturbadora e violenta com sua criação, levando o leitor a indagar
quem é o monstro, de fato. O livro conjuga pela primeira vez uma narrativa de
ficção com a ideia de ciência e prenuncia várias perguntas sem respostas
fáceis, justificando por que sua criatura emblemática se espraia pelo
imaginário popular há mais de dois séculos.
O Diário de Anne Frank (1947)
O
Diário de Anne Frank é o depoimento da
pequena Annelies Marie Frank (Alemanha, 1929 – Alemanha, 1945). Suas anotações
narram os sentimentos, os medos e as pequenas alegrias de uma menina judia que,
como sua família, lutou em vão para sobreviver ao Holocausto – sendo morta
pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã.
Isolados do mundo exterior, os Frank enfrentaram a fome, o tédio e a terrível
realidade do confinamento, além da ameaça constante de serem descobertos.
Alternando momentos de medo e alegria, as anotações se mostram um fascinante
relato sobre a coragem e a fraqueza humanas. O relato tocante e impressionante
das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus faz deste livro um
precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.
O Pequeno Príncipe (1943)
O
Pequeno Príncipe é um clássico da
literatura infantil, escrito por Antoine de Saint-Exupéry (França, 1900 –
Mediterrâneo, 1944). Narra as aventuras de um inocente menino que vive em um
pequeníssimo planeta, até o momento em que vai parar na Terra. Ali, ele
encontra um piloto que tenta consertar o seu avião para poder sair do deserto,
onde caiu. O Pequeno Príncipe vai contar como abandonou a sua rosa, que lhe era
preciosa, e como passou por outros planetas, conhecendo estranhas pessoas grandes.
De uma forma sensível e poética, a narrativa conduz o leitor a muitas reflexões
pertinentes sobre a felicidade, a beleza da vida e o que abandonamos ao
crescer.
Orgulho e preconceito (1813)
Orgulho
e preconceito se passa na
Inglaterra do final do século XVIII, quando as possibilidades de ascensão
social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte
anos, é uma espécie de Cinderela esclarecida. Uma das cinco filhas de um
espirituoso mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína; que
não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam
Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da
província. No livro, Jane Austen (Reino Unido, 1775 – Reino Unido, 1847) constrói
alguns dos mais perfeitos diálogos sobre a moral e os valores sociais da
pseudoaristocracia inglesa; além de criticar a futilidade das mulheres na voz
da heroína - recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia
possível na classe em que nasceu.
A especialista
Renata Lima é
coordenadora do Ensino Médio, leitora ávida e entusiasta da cultura, com mais
de 20 anos de experiência na educação básica e internacional. Ao longo de sua
trajetória, liderou projetos acadêmicos que articulam currículo, competências
socioemocionais e experiências de aprendizagem de excelência conectadas à vida
real, à cultura popular e ao território. Atuou em instituições de renome, nas
quais desenhou e implementou programas inovadores voltados ao protagonismo juvenil,
à dupla certificação e à formação integral.
ISP – International Schools Partnership
Nenhum comentário:
Postar um comentário