Com a volta às aulas, especialistas fazem alerta
aos pais e educadores para que fiquem atentos aos sinais de perda auditiva na
infância
Uma criança pode
tirar notas baixas, ter dificuldade para ler e escrever ou ser considerada
“desatenta” simplesmente porque não escuta bem. A perda auditiva, mesmo que
leve, pode comprometer o rendimento escolar e muitos pais e professores podem
não relacionar esses sinais com a saúde auditiva.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 34 milhões de crianças no mundo
vivem com perda auditiva incapacitante, ou seja, com limitação auditiva
superior a 30 decibéis. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde e da
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia apontam que, de cada mil crianças
nascidas no Brasil, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva.
As principais
causas da perda auditiva incluem fatores genéticos, algumas doenças
infecciosas, uso de medicamentos ototóxicos, exposição a ruídos intensos e o
envelhecimento. No entanto, de acordo com a OMS, 60% dos casos de perda
auditiva infantil são evitáveis e 1,1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos estão
em risco, devido à exposição prolongada a sons altos em fones de ouvido, shows
e outros ambientes recreativos.
A fonoaudióloga e
especialista em reabilitação auditiva, Dra. Vanessa Gardini, explica que a
perda auditiva não diagnosticada é uma causa muito comum para o atraso do
desenvolvimento cognitivo infantil. “Muitas crianças são encaminhadas para
acompanhamento pedagógico, psicológico ou neurológico, quando, na verdade, o
problema está na audição. Uma avaliação auditiva simples pode mudar completamente
a trajetória escolar de um aluno”, afirma a especialista, da clínica Pró-Ouvir
Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).
Fones de
ouvido: um risco à audição infantil
O uso precoce e
prolongado de fones de ouvido é um fator de risco crescente para perdas
auditivas na infância, segundo a própria OMS. “As crianças passam horas
conectadas a tablets e celulares com fones no ouvido, muitas vezes em volume
inadequado. O som direto e constante próximo ao tímpano pode causar lesões
cumulativas e irreversíveis”, alerta a especialista.
Segundo Dra.
Vanessa Gardini, o ideal é que os pais limitem o tempo de uso e sempre
supervisionem o volume. “Existem fones com limitador de som, mas a supervisão é
indispensável. O que parece inofensivo pode trazer consequências graves para o
aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”, adverte.
Quando
desconfiar de um problema auditivo?
Alguns sinais de
alerta que merecem atenção, segundo a especialista:
- A
criança demora a responder quando é chamada;
- Fala
alto ou aumenta muito o volume da TV;
- Pede para repetir informações com frequência;
- Tem
dificuldades na alfabetização ou para seguir instruções simples;
- Apresenta
atrasos na fala ou na leitura.
Volta às
aulas: atenção com a audição
Com o retorno às
aulas, é fundamental que pais e professores fiquem atentos a eventuais sinais
de dificuldade auditiva. “Este é o momento ideal para observar o desempenho da
criança em sala, sua interação com os colegas e a capacidade de compreender
instruções. Se houver qualquer suspeita, a avaliação auditiva deve ser
realizada, o quanto antes”, orienta a fonoaudióloga Vanessa Gardini.
O tratamento,
entretanto, não termina com o uso do aparelho auditivo, se essa for a opção
indicada, acrescenta a especialista. Após a realização de uma série de exames
específicos para diagnóstico – como a audiometria tonal e vocal, a
imitanciometria e testes de triagem auditiva –, a reabilitação auditiva avança
para esta etapa fundamental, que é quando a criança é ensinada a decodificar os
sons de forma eficiente.
“Se a criança for diagnosticada com perda auditiva, ela vai precisar usar um aparelho, ou implante coclear, dependendo do caso. Às vezes, a terapia fonoaudiológica também é indicada, com o trabalho de treinar o cérebro para entender o que os ouvidos voltaram a captar. Só assim, garantimos que o paciente compreenda os sons ao seu redor, melhore a comunicação e volte a se comunicar plenamente”, completa.
Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.
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