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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Desempenho escolar pode ser prejudicado por problemas auditivos não diagnosticados

Com a volta às aulas, especialistas fazem alerta aos pais e educadores para que fiquem atentos aos sinais de perda auditiva na infância
 

Uma criança pode tirar notas baixas, ter dificuldade para ler e escrever ou ser considerada “desatenta” simplesmente porque não escuta bem. A perda auditiva, mesmo que leve, pode comprometer o rendimento escolar e muitos pais e professores podem não relacionar esses sinais com a saúde auditiva. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 34 milhões de crianças no mundo vivem com perda auditiva incapacitante, ou seja, com limitação auditiva superior a 30 decibéis. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia apontam que, de cada mil crianças nascidas no Brasil, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva. 

As principais causas da perda auditiva incluem fatores genéticos, algumas doenças infecciosas, uso de medicamentos ototóxicos, exposição a ruídos intensos e o envelhecimento. No entanto, de acordo com a OMS, 60% dos casos de perda auditiva infantil são evitáveis e 1,1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos estão em risco, devido à exposição prolongada a sons altos em fones de ouvido, shows e outros ambientes recreativos. 

A fonoaudióloga e especialista em reabilitação auditiva, Dra. Vanessa Gardini, explica que a perda auditiva não diagnosticada é uma causa muito comum para o atraso do desenvolvimento cognitivo infantil. “Muitas crianças são encaminhadas para acompanhamento pedagógico, psicológico ou neurológico, quando, na verdade, o problema está na audição. Uma avaliação auditiva simples pode mudar completamente a trajetória escolar de um aluno”, afirma a especialista, da clínica Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).
 

Fones de ouvido: um risco à audição infantil 

O uso precoce e prolongado de fones de ouvido é um fator de risco crescente para perdas auditivas na infância, segundo a própria OMS. “As crianças passam horas conectadas a tablets e celulares com fones no ouvido, muitas vezes em volume inadequado. O som direto e constante próximo ao tímpano pode causar lesões cumulativas e irreversíveis”, alerta a especialista. 

Segundo Dra. Vanessa Gardini, o ideal é que os pais limitem o tempo de uso e sempre supervisionem o volume. “Existem fones com limitador de som, mas a supervisão é indispensável. O que parece inofensivo pode trazer consequências graves para o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”, adverte.
 

Quando desconfiar de um problema auditivo? 

Alguns sinais de alerta que merecem atenção, segundo a especialista: 

  • A criança demora a responder quando é chamada;
  • Fala alto ou aumenta muito o volume da TV;
  • Pede para repetir informações com frequência;
  • Tem dificuldades na alfabetização ou para seguir instruções simples;
  • Apresenta atrasos na fala ou na leitura.
     

Volta às aulas: atenção com a audição 

Com o retorno às aulas, é fundamental que pais e professores fiquem atentos a eventuais sinais de dificuldade auditiva. “Este é o momento ideal para observar o desempenho da criança em sala, sua interação com os colegas e a capacidade de compreender instruções. Se houver qualquer suspeita, a avaliação auditiva deve ser realizada, o quanto antes”, orienta a fonoaudióloga Vanessa Gardini. 

O tratamento, entretanto, não termina com o uso do aparelho auditivo, se essa for a opção indicada, acrescenta a especialista. Após a realização de uma série de exames específicos para diagnóstico – como a audiometria tonal e vocal, a imitanciometria e testes de triagem auditiva –, a reabilitação auditiva avança para esta etapa fundamental, que é quando a criança é ensinada a decodificar os sons de forma eficiente. 

“Se a criança for diagnosticada com perda auditiva, ela vai precisar usar um aparelho, ou implante coclear, dependendo do caso. Às vezes, a terapia fonoaudiológica também é indicada, com o trabalho de treinar o cérebro para entender o que os ouvidos voltaram a captar. Só assim, garantimos que o paciente compreenda os sons ao seu redor, melhore a comunicação e volte a se comunicar plenamente”, completa. 

Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.


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