Mês de Conscientização sobre o câncer de pulmão destaca impacto da poluição no aumento da doença e avanços no tratamento com participação brasileira em estudo internacional
O mês de agosto ganha um tom de alerta com a campanha Agosto
Branco, dedicada à conscientização, prevenção e combate ao câncer de pulmão.
Neste ano, a vigilância é ainda mais urgente diante das descobertas recentes
sobre o impacto da poluição atmosférica na saúde respiratória e os avanços
promissores no tratamento da doença.
Um estudo publicado no início de julho de 2025 pelo periódico Nature
revelou que a poluição do ar pode causar mutações no DNA que levam ao
desenvolvimento do câncer de pulmão, mesmo em pessoas que nunca fumaram. A
pesquisa demonstrou que partículas finas (PM2,5), presentes na poluição urbana,
não apenas agravam doenças respiratórias, mas também ativam mutações
adormecidas no gene EGFR, especialmente perigosas para não fumantes.
“Essa descoberta reforça a importância de políticas públicas de
controle da qualidade do ar e amplia o foco da prevenção para além do cigarro”,
afirma o Dr. Carlos Teixeira, oncologista e chefe do Núcleo de Tumores
Torácicos do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
“A poluição se torna agora um fator de risco comprovado e alarmante”.
O cenário de alerta vem acompanhado de esperança. O Hospital
Alemão Oswaldo Cruz foi destaque na edição de 2025 do maior congresso de
oncologia do mundo, a ASCO (American Society of Clinical Oncology), ao liderar
a participação brasileira em um estudo clínico internacional que pode mudar
paradigmas no tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC)
com mutações no gene EGFR.
O estudo, apresentado em sessão oral na ASCO e publicado no Journal
of Clinical Oncology, avaliou três abordagens terapêuticas neoadjuvantes:
Osimertinibe isoladamente, sua combinação com quimioterapia e o uso exclusivo
da quimioterapia. Os resultados indicaram que, entre os pacientes que receberam
a terapia-alvo antes da cirurgia, houve um aumento de 23% na taxa de resposta
patológica maior em relação aos que foram submetidos apenas ao tratamento
quimioterápico “Trata-se de um estudo robusto, com potencial de mudar condutas
clínicas e beneficiar diretamente pacientes oncológicos com perfis genéticos
específicos”, explica o Dr. Carlos Teixeira, que é também coautor da pesquisa.
“É um avanço significativo, especialmente para países como o Brasil, onde já
conseguimos testar esses pacientes antes da cirurgia””.
O Brasil participou do estudo com 11 pacientes, sendo quatro deles
tratados integralmente no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que foi a instituição
nacional com maior número de pacientes recrutados.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de
pulmão é o terceiro mais frequente no Brasil e o líder em mortalidade entre os
tipos de câncer, com mais de 30 mil mortes por ano. Estima-se que 15% dos casos
estejam relacionados a fatores ambientais, como a poluição atmosférica, um dado
que ganha novo peso com a confirmação dos mecanismos moleculares envolvidos.
Durante o Agosto Branco, especialistas alertam para a importância
do diagnóstico precoce, especialmente com o uso de exames de imagem de baixa
dose para pessoas em grupos de risco como fumantes e ex-fumantes, indivíduos
com doenças pulmonares crônicas, pessoas com histórico familiar de câncer de
pulmão, trabalhadores expostos a agentes químicos e aqueles que vivem em áreas
com alta poluição atmosférica. Eles também reforçam a necessidade de ações
intersetoriais para redução da poluição nas grandes cidades. “A luta contra o
câncer de pulmão exige vigilância ambiental, acesso à inovação terapêutica e
educação da população. Esse mês é uma oportunidade de unir ciência, sociedade e
política pública em torno dessa causa”, conclui o Dr. Carlos Teixeira.
É essencial olhar para o câncer de pulmão com a seriedade e
urgência que ele exige. Os avanços científicos e as novas evidências sobre os
riscos ambientais reforçam que o combate à doença não depende apenas de
escolhas individuais, mas também de políticas eficazes, acesso equitativo à
saúde e investimentos contínuos em pesquisa. Somente com informação, prevenção
e tratamento personalizado poderemos transformar a realidade dos pacientes e
reduzir o impacto dessa doença que, embora silenciosa, ainda é uma das mais
devastadoras no Brasil e no mundo.
TOP 10 PULMÃO
Nesse contexto, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça seu compromisso
com a educação médica e a atualização científica ao promover o TOP 10 Pulmão,
que acontece em 23 de agosto, em São Paulo. O evento reunirá especialistas para
analisar os dez artigos científicos mais relevantes publicados no último ano
sobre oncologia torácica, trazendo reflexões sobre novas estratégias
terapêuticas e prevenção do câncer de pulmão. Voltado a oncologistas,
residentes e demais profissionais de saúde, o encontro representa uma
oportunidade única de atualização frente aos avanços da ciência e aos desafios
impostos pela poluição atmosférica e pelas mudanças no perfil da doença. LINK
Dra. Carlos Teixeira CRM 108-859 – RQE 30484
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