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| Em recente pesquisa promovida pela Thomas Case & Associados , 70,3% dos profissionais disseram que se sentem preparados para a volta ao trabalho presencial. Para 76,3%, o modelo híbrido é o ideal Business photo created by pressfoto - www.freepik.com |
As áreas de recursos humanos precisarão mais uma
vez se adaptar ao novo, de novo. São profissionais mais abalados, novas rotinas
e cuidados para que o retorno seja seguro. Especialistas da Thomas Case &
Associados dão dicas para tornar a adaptação mais saudável para todos
Com o avanço da vacinação, a expectativa da volta
ao trabalho presencial, mesmo em modelo híbrido, se tornou também um desafio
para os profissionais de recursos humanos, afinal, os colaboradores passarão
por mais uma fase de adaptação pós pandemia. O comum entre eles: os abalos de
saúde mental desenvolvidos durante os quase dois anos de trabalho em casa,
divididos entre o pessoal e o profissional.
Em recente pesquisa promovida pela Thomas Case
& Associados em maio, 70,3% dos profissionais disseram que se sentem
preparados para a volta ao trabalho presencial. Para 76,3%, o modelo híbrido é
o ideal. 61,9% relataram estafa emocional em algum momento do home office.
Mas quais serão os desafios do RH para adaptar os colaboradores
ao novo de novo, quando o assunto é a saúde mental e a adaptação dos mesmos? O
modelo híbrido será o mais adotado pelas empresas e visto com bons olhos por
profissionais e gestores “Vejo que teremos pessoas muito ansiosas pelo retorno
ao presencial, pessoas que estarão indiferentes e pessoas que realmente se
encaixaram no home office. Essas últimas podem apresentar certa dificuldade a
voltar ao modelo antigo, totalmente presencial. O RH precisará aplicar boa dose
de inteligência emocional para lidar com tudo isso”, revela Deise Gomes,
gerente de transição de carreira da Thomas Case & Associados.
Quando o assunto é saúde mental, os desafios dos
departamentos de RH são ainda maiores, visto que, os abalos são inúmeros,
principalmente queixas relativas a estresse e ansiedade. Segundo Deise, a
pandemia trouxe uma série de demandas pessoais e profissionais que são
importantes. A dificuldade será o apoio para equilibrar as duas faces dessa
transição na volta, assim como aconteceu no começo de 2020 e a chave de tudo
será a acolhida. “É o novo de novo. Toda mudança pode implicar em estresse e
ansiedade. Vivenciamos isso no começo da pandemia e vivenciaremos outra vez no
retorno ao ‘normal’, que na verdade, não é mais o ‘normal’ há quase dois anos.
Ter sensibilidade e acolhida será essencial”, ressalta a especialista.
Recursos humanos como ponto de estratégia
Com a pandemia, o RH precisou sair do lugar operacional e se tornou, mais do que nunca, estratégico, de apoio aos gestores e equipes, com a realidade do home office. “Dentre as mudanças podemos destacar: incentivo a produtividade; acompanhamento comportamental e manutenção do diálogo, mas agora de forma online, explorando ferramentas tecnológicas”, ressalta Deise.
E sobre as ferramentas tecnológicas, que
aproximaram as relações à distância elas continuam aliadas, em outras funções,
como por exemplo: receber os colaboradores de maneira mais humanizada. “Com a
distância física, as tecnologias disponíveis para melhorar a comunicação e
diminuir a sensação de estar sozinho foram bem importantes. Podemos salientar,
ainda, os sistemas que colaboram para disponibilizar informações e, assim,
minimizar a ansiedade dos colaboradores continuarão importantes nos processos
de volta. As ferramentas são aliadas em mostrar um RH disponível e acessível.
Canais diretos e digitais já implementados precisam continuar, por exemplo.
Esse será um legado pós pandemia”, explica Deise.
Outra dica importante da especialista é a busca por
ajuda especializada, como de psicólogos e terapeutas. “O apoio interno para a
saúde mental do colaborador será essencial. Algumas empresas já oferecem esse
benefício, outras não. O ideal é conversar com os colaboradores e até mesmo
indicar ajuda especializada, se necessário. O apoio da empresa neste sentido
será fundamental”.
Cuidados na integração
A volta, mesmo que gradual, precisará de
integração. A equipe sairá de uma estrutura home office para o presencial
novamente. Segundo a especialista, o ideal é o retorno gradual das equipes, em
períodos escalonados.
Além disso, deixar claro na comunicação os cuidados
e reforços que precisam ser seguidos para evitar contágios, para que todos
trabalhem com mais confiança e segurança. Manter a utilização das ferramentas
tecnológicas que já estão adaptadas é uma outra maneira de deixar o colaborador
a vontade, “afinal, mais mudanças de novo tendem a atrapalhar o que já está
funcionando”, ressalta a especialista.
A dica de ouro é a promoção de espaços abertos de
conversas e ideias. “Todos voltam com ideias e com novas perspectivas.
Dinâmicas neste sentido são importantes para começar os relacionamentos que se
perderam nos dois anos que os profissionais ficaram afastados”, revela Deise.
Prepare a mente em casa para voltar
Uma das formas de começar a adaptar os
colaboradores está em casa. Afinar a rotina como se já estivesse no escritório
é uma boa forma de sentir menos o impacto no retorno, para que a ansiedade seja
diminuída quando à ida ao escritório acontecer. “Caso ainda não tenha feito, o
colaborador pode começar a estipular horários na sua rotina parecidos com
aqueles que pratica no modelo presencial de trabalho. Organizar uma agenda
contemplando todas as suas atividades pessoais e profissionais para que,
entendendo ser possível dar conta de todas elas, a ansiedade diminua”, diz a
especialista.
Para quem tem filhos, iniciar as conversas também é
importante. “Mães e pais ficaram mais tempo em casa com os filhos. Esses laços
também sofrerão abalos com o retorno ao presencial. A saída é sempre a conversa
e a preparação dos filhos para que essa volta aconteça de maneira saudável para
a família, até mesmo adaptando a rotina à nova realidade, antes dela
acontecer”, conclui Deise.

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