Pandemia e isolamento trouxeram desafios para os casais com
a convivência constante, mas também a oportunidade de criar a “bolha do
relacionamento” com autoconhecimento e conexão
Será
que a pandemia afetou o romantismo? Ou simplesmente trouxe à tona problemas que
antes eram ignorados pelos casais? Para a psicóloga Michelle Branquinho,
a pandemia gerou facilidade na convivência, o que pode melhorar o romantismo,
mas isso exige enfrentar questões pessoais e problemas existentes no
relacionamento. “A verdade é que as pessoas agora enxergam o outro no
cotidiano, e os pequenos problemas ou grandes problemas estão aparecendo. Mas
relações são feitas de acordos e precisamos entender as necessidades do outro
também”, incentiva.
Segundo
ela, a maioria das pessoas oferece ao outro o que gostaria de receber. Isso
pode criar discordâncias sobre romantismo, limites da individualidade e outros
ruídos no relacionamento. A dica da psicóloga é começar a perceber o que o
outro tem necessidade de receber. “Muitas vezes nós achamos que estamos
construindo o melhor, mas é o melhor para nós e não para o parceiro. Como é o
carinho, atenção, afeto, amor e, até nas práticas diárias nas situações do dia
a dia, o que o outro quer que você faça por ele? Comunique
ao outro o que você gostaria de receber e pergunte. Podemos
manter a conexão da relação através da comunicação”, explica Michelle.
“Muitas
vezes enxergamos a vida com as lentes da nossa vivência e se nós temos
vivências traumáticas ou dolorosas, vou enxergar pela lente traumática também.
Temos que saber o que é pesado para nós, o que aguentamos ou não. A relação é
um contrato e os dois lados precisam ter seu bônus e seu ônus. No consultório,
oriento a fazer os ‘diálogos que conectam’, um outro
nome pra DR porque o termo discutir é pejorativo popularmente. Temos que
aprender a ter diálogos que conectam e não diálogos que trazem discussão,
desentendimento ou dificuldade”, explica.
Bolha
do relacionamento
“Uma
dica que dou é criar a bolha do relacionamento, ou seja, momentos para
tirar tudo do caminho e focar no relacionamento para conversar sobre o que está
bom ou não, sobre a vida sexual porque a relação amorosa precisa de intimidade
e a comunicação mais íntima do casal é o sexo”, diz a psicóloga. As regras são
feitas de acordo com o que cada casal acha válido como frequência
(semanalmente, mensalmente), se pode ter celular, se pode entrar em contato com
os filhos, se vai ser um fim de semana em uma viagem ou uma noite apenas em
casa.
“Minha sugestão é que nesse Dia dos
Namorados os casais possam fazer isso, exercitar esse movimento, ainda mais que
não temos muitas opções. Mas é importante falar de coisas positivas, do que faz
você se sentir bem na relação. Construir uma bolha positiva que,
ao longo do tempo, vai se tornando mais forte, fazendo com que o relacionamento
se consolide de tempos em tempos que você para, esquece do mundo e se fecha
para vocês. Isso dá resultado”, finaliza a psicóloga Michelle Branquinho.
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