O PCDT de asma foi
atualizado em 2013, e desde então, novos medicamentos chegaram ao Brasil. No
entanto, eles não podem ser prescritos pois não fazem parte do protocolo de
tratamento do SUS
Os
pacientes com asma, doença crônica que atinge cerca de 20 milhões de pessoas no
Brasil1 e é responsável pelo óbito de cerca de 3 mil pessoas2
ao ano, que recorrem ao SUS (Sistema Único de Saúde) não estão sendo submetidos
ao tratamento mais atualizado. Isso porque o Protocolo Clínico e Diretrizes
Terapêuticas (PCDT), que determina as melhores estratégias para diagnóstico,
tratamento e monitoramento da doença, não é revisado desde 2013.
A ausência de novas diretrizes para a asma,
sobretudo a grave – que é, inclusive, fator de risco para a Covid19 – impacta
de forma significativa a saúde pública. Isso por que pacientes com asma grave
não controlada procuram seis vezes mais a unidade de emergência médica e são
dez vezes mais hospitalizados que os pacientes com asma grave controlada.2,3
A ausência de atualização do PCDT significa que,
desde 2013, os novos medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), entre eles terapias biológicas, ainda estão de fora da
linha de tratamento oferecida pelo SUS. Por isso, a Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) está avaliando a atualização deste
PCDT e convida a sociedade civil para contribuir por meio da consulta pública
nº 39, aberta entre 27 de maio a 15 de junho de 20213.
Para que os pacientes tenham acesso gratuito a um
novo medicamento, ele precisa estar incorporado ao SUS. No entanto, a inclusão
de um novo medicamento no sistema público de saúde não garante sua inserção
automática no protocolo de tratamento. Para isso, o PCDT da doença precisa ser
atualizado com certa frequência, para que as novas terapias não fiquem de fora
do protocolo de tratamento e o médico tenha mais opções na hora de decidir o
melhor caminho a seguir com cada paciente.
A Dra. Zuleid Mattar, pediatra, membro fundador e
atual presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA), explica por que
o PCDT da asma precisa ser atualizado. “Nos últimos sete anos, já tivemos a
aprovação de terapias avançadas que beneficiariam muitos pacientes do SUS que
sofrem com a dificuldade de controlar os sintomas da asma, especialmente, os
que têm asma alérgica grave”, afirma a médica. Quando um medicamento não faz
parte do PCDT, os médicos do SUS não podem prescrevê-los. “É complicado saber
que existem terapias mais novas e mais avançadas que não podem ser incluídas no
plano de tratamento de pacientes atendidos pelo SUS”, completa.
A asma é uma doença que atinge adultos e crianças,
impactando na qualidade de vida dos pacientes quando não controlada1.
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), as complicações provocadas pela
doença causam cerca de 350 mil internações por ano, via SUS4. Por
isso, é importante procurar ajuda médica especializada ao perceber sintomas
como falta de ar, tosse, chiado, despertar noturno e cansaço1. O
pneumologista é o profissional que cuida dos casos de asma e poderá orientar o
paciente quanto ao melhor tratamento para cada caso.
Como participar da consulta pública
- Acesse o site da CONITEC, no
menu Consultas Públicas (conitec.gov.br/consultas-publicas);
- Localize a Consulta Pública
Nº 39 “Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica (PCDT) de Asma” e clicar
em contribuições;
- Preencher com seus dados
pessoais (atenção para campos obrigatórios e formato);
- Dê sua opinião com relação à
proposta de PCDT;
- Clique em ‘Enviar’ para
concluir a contribuição.
Novartis
Referências
- Bras
Pneumol. v.38, Suplemento 1, p.S1-S46 Abril 2012 – Diretrizes da Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma – 2012.
- “Esclarecendo
Equívocos sobre a Asma”: 04/5 - Dia Mundial de Combate à Asma. Disponível
em http://bvsms.saude.gov.br/component/content/article?id=3484#:~:text=Em%202021%20a%20celebra%C3%A7%C3%A3o%20ocorre,Esclarecendo%20Equ%C3%ADvocos%20sobre%20a%20Asma%E2%80%9D.
Acesso em 28/5/2021
- Jardim
Jr. Pharmacological Economics and Asthma Treatment. J Bras Pneumol 2007; 3
(Issues IV-VI).
- Asma:
Perguntas e Respostas. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/publico-geral/doencas/asma-perguntas-e-respostas/.
Acesso em 10/12/2020.
- Bras
Pneumol. v.38, Suplemento 1, p.S1-S46 Abril 2012 – Diretrizes da Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma – 2012.
- Ponte
E., et al. Brasileiro Pneumol 2007; 33:1.
- Ministério
da Saúde. Disponível em: https://www.saude.gov.br/protocolos-e-diretrizes.
Acesso em 28/08/2020
- Site
Ministério da Saúde CONITEC. Disponível em < http://conitec.gov.br/consultas-publicas>
Acesso em 27 mai 2021.
- Ministério
da Saúde. Secretaria Nacional de Ações Básicas. Estatísticas de saúde e
mortalidade. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.
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