Vacinação
é o tema principal dos noticiários. Mesmo assim, cada vez menos crianças estão
sendo imunizadas e o Brasil enfrenta sérias quedas na cobertura vacinal.
Confira respostas para dúvidas comuns sobre o assunto.
Enquanto o mundo está
com os olhos na vacinação contra a COVID-19, o Brasil também precisa lidar com
mais uma realidade: a pior queda de imunização da série histórica. A redução na
cobertura vacinal durante a pandemia não é uma exclusividade brasileira: o
fenômeno é mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que,
anualmente, a vacinação pode evitar entre 2 e 3 milhões de mortes que poderiam
ser causadas por diversas doenças1.
No entanto, a OMS
classificou como alarmante a redução de crianças e adolescentes imunizados em
todo o mundo. E o resultado não pode ser bom, já que quanto menos pessoas são
vacinadas, mais portas se abrem para a volta de enfermidades controladas ou
erradicadas, colocando em risco a saúde de crianças e adultos2.
Então, confira a seguir respostas para algumas dúvidas comuns sobre vacinação,
e aproveite para conferir se a carteirinha de vacinação do pequeno está em dia.
1. Mesmo com a pandemia,
é importante sair para vacinar as crianças?
Sim, e muito! A pandemia
causada pela COVID-19 causou a queda dos índices de vacinação da população,
especialmente quando falamos de saúde infantil e proteção contra as doenças
infecciosas mais frequentes na infância3.
Um levantamento
realizado pelo IBOPE Inteligência para a campanha #MaisQueUmPalpite revelou que
29% das famílias adiaram a vacinação dos filhos após o surgimento da pandemia.
Destes, 9% planejam levar os filhos para vacinar somente quando a pandemia
acabar. As regiões Norte e Centro Oeste destacam-se da média: 40% das famílias
atrasaram a imunização3. As baixas taxas de vacinação deixam as
crianças expostas a doenças que podem ter graves desdobramentos, como
poliomielite, sarampo, gripe, meningite e pneumonia7.
2. Se a doença já não é
mais comum, é preciso vacinar mesmo assim?
A vacinação é um pacto
coletivo para a prevenção e pode tirar de circulação diversas doenças graves.
Quando a população não é imunizada, a falta de proteção facilita a volta de
enfermidades que estavam controladas, aumentando a mortalidade de crianças e
adultos7.
Um exemplo conhecido é o
retorno do sarampo. Após receber o certificado de erradicação da doença, em
2016, o Brasil apresentou novos casos em 2018. Desde então, registra surtos de
sarampo resultantes da diminuição dos índices de imunização4.
3. A vacinação deixa a
criança doente?
Essa dúvida persiste no
imaginário de muitas famílias brasileiras: 34% das famílias acreditam que as
vacinas podem causar as doenças que deveriam prevenir3, de acordo
com a pesquisa IBOPE Inteligência. As vacinas estimulam a produção de
anticorpos específicos, como se a criança tivesse a doença. Podem acontecer
algumas reações comuns, como febre, dor, endurecimento e vermelhidão no local
da aplicação, mas cada vacina pode causar reações diferentes5.
Antes de receber aprovação, as vacinas são submetidas a testes rigorosos
ao longo das diferentes fases de estudos e seguem sendo avaliados regularmente
depois que começam a ser usadas, quanto à proteção e às reações que podem
causar5. Os benefícios da vacinação superam os riscos de reações,
considerando que muitas outras doenças e mortes ocorreriam sem as vacinas5.
4. A criança que está
tomando antibiótico pode ser vacinada?
O antibiótico, por si,
não é motivo para não imunizar a criança de acordo com o calendário. Agora,
vale a pena prestar atenção se o pequeno está apresentando febre. Nesse caso, é
adequado esperar a recuperação. Altas dosagens de remédios à base de corticoides
também devem ser motivo de cuidado. Esse tipo de medicamento pode diminuir a
imunidade oferecida pela vacina5. Nesse caso, é importante conversar
com o pediatra para uma recomendação personalizada.
5. Uma dose já protege o
suficiente? Qual a importância do reforço?
Diversas vacinas possuem
dose única. No entanto, para as que possuem mais de uma dose, o reforço é
essencial para que a criança tenha o maior nível de proteção. Isso acontece
porque nem todas as vacinas geram proteção para toda a vida. Com o passar do
tempo, a quantidade de anticorpos (nossos agentes de defesa) pode cair,
tornando necessária a aplicação de uma nova dose para restabelecer o nível
original de proteção. A falta da segunda dose pode prejudicar a resposta
imunológica para a doença6.
Pfizer
Referências
1. Sociedade
Brasileira de Imunizações. Disponível em: <https://familia.sbim.org.br/vacinas>.
Acessado em maio de 2021.
2. WHO.
WHO and UNICEF warn of a decline in vaccinations during COVID-19. 15 July 2020.
Disponível em < https://www.who.int/news/item/15-07-2020-who-and-unicef-warn-of-a-decline-in-vaccinations-during-covid-19>.
Acessado em 05/05/2021.
3. IBOPE
Inteligência. Pesquisa “Impacto da Pandemia nos Lares
Brasileiros: Como as Famílias Estão Lidando Com a Nova Realidade” 2020.
4. Sociedade
Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização. Atualização
dobre sarampo. Nº5, julho de 2018. Disponível em <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21170c-GPA_-_Atualizacao_sobre_Sarampo.pdf>.
Acessado em 06/05/2021.
5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Dúvidas
frequentes em vacinação. Disponível em < https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/vacinas/duvidas-frequentes-em-vacinacao/>.
Acessado em 04 de maio de 2021
6. BALLALAI,
Isabella; BRAVO, Flavia (Org.). Imunização: tudo o que você
sempre quis saber. Rio de Janeiro: RMCOM, 2016. Disponível em <http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/imunizacao-tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber.pdf>.
Acessado em 04 de maio de 2021.
7. WHO. International Travel and
Health. Chapter 6 - Vaccine-preventable diseases and vaccines (2019 update).
<https://cdn.who.int/media/docs/default-source/travel-and-health/9789241580472-eng-chapter-6.pdf?sfvrsn=8c1a400c_14>.
Acessado em 04 de maio de 2021
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