Thomas Raad,
trader de commodities, afirma que regiões como o Oriente Médio ainda valorizam
o contato humano na hora de fechar negócios
Por mais que a tecnologia tenha importância até em
níveis decisórios no mundo dos negócios atuais, no comércio exterior, quem
compra deseja conversar com quem vende, ou seja, o lado humanizado do processo
ainda não pode ser automatizado, na visão de Thomas Raad, trader
de commodities
e sócio da Raad Trading Internacional. “A arte de negociar ainda existe, todos
os dias os compradores querem saber se conseguem ganhar um pouco mais aqui, ou
ali... compensar negócios de outras formas”, pontua.
Na opinião do empresário, que está desenvolvendo um
sistema de atendimento personalizado, baseado em dados, tecnologia e know-how
para clientes do mundo todo, a tecnologia deve auxiliar na automatização,
otimização e aumento de eficiência do processo de compra e venda entre os
exportadores e importadores.
Segundo Raad, o comércio internacional ainda está
longe da realidade de ter um marketplace para commodities.
“Sou favorável à digitalização, mas de microprocessos da operação,
da parte aduaneira, de logística e do comercial, mas mesmo assim, mantendo esse
contato humano na compra, venda e negociação”, ressalta. “Mas antes de
digitalizar tudo a gente precisa melhorar o customer experience, o famoso CX, que
mais é que o conjunto de percepções e impressões que um consumidor possui sobre
uma determinada empresa após interagir com ela”, explica.
Do ponto de vista da marca, afirma Raad, é a imagem
que ela passa para os clientes durante todo o processo de interação, antes,
durante e após uma conversão, seja ela uma compra ou contratação. “No nosso
caso, o consumidor é uma outra empresa, pois trabalhamos B2B (business to
business). Hoje em dia, utilizamos, por exemplo, e-mail
e por WhatsApp, mas alguns clientes fazem uso de outros
aplicativos como Viber, Imo, obrigando-nos a instalar outros apps
que talvez não usemos aqui no Brasil para poder mandar informações ou atender
dispersamente”, pondera.
Na opinião do trader de commodities, toda
essa parafernália tecnológica acaba dificultando um atendimento de qualidade.
“Os clientes em outros países também querem ser bem atendidos também. Não é
somente fazer a venda e esquecer da pós venda”, ensina.
Para Raad, o mercado precisa ter em mente que a
digitalização deve ser adotada para poder escalar mais vendas, integrar e
incluir mais vendedores, mais fornecedores para o mercado internacional e mais
compradores para os produtos brasileiros.
Raad, que esteve recentemente em Dubai, nos
Emirados Árabes Unidos, para participar da Gulfood, primeiro evento presencial
de abastecimento de alimentos e bebidas de 2021 e desde que a pandemia começou,
destaca que o Brasil precisa primeiro melhorar as barreiras do idioma e cultura
para poder fechar negócios com os países do Oriente Médio.
Segundo ele, há vários profissionais de comércio
exterior que preferem fazer do jeito antigo que é visitar pessoalmente,
participar de uma rodada de negócios e fechar a venda “olho no olho”. Por outro
lado, Raad reconhece a importância de ferramentas como o Zoom ou o Google Meet
para esse tipo de reuniões. “Eu particularmente gosto de misturar um pouco dos
dois, on-line e off-line. Para mim, nada vai substituir
uma visita pessoal, uma feira, mas existe a possibilidade do negociador
contratar serviços de Big Data, business intelligence, data
analytics, machine learning, web scraping que são algumas das
inovações tecnológicas mais recentes em que encontramos várias aplicações no
mundo, e porque não no comercio exterior ainda?”, questiona.
Por outro lado, Raad salienta que o processo de
venda não pode eliminar o contato pessoal ou telefônico, mesmo que se tenha as
informações da empresa. E no comércio agrícola, o empresário ressalta que o
contato pessoal é fundamental para que os compradores conheçam o produto,
levando amostras em eventos ou mesmo em visitas pessoais para poder tirar
dúvidas em tempo real sobre qualidades diferentes.
Outro ponto que Raad destaca nesse mix de
tecnologia e contato humanizado é a identificação de produtos agrícolas e de
valor agregado que mercados como a Ásia e o Oriente Médio ainda não conheçam
muito bem, como arroz branco, feijão, gergelim e carvão vegetal de eucalipto.
“É muito mais fácil e interessante trazer coisas novas, que eles não estão
acostumados a saber que o Brasil tem”, finaliza.
Thomas Raad - Nascido nos Estados Unidos, atualmente vive no Brasil. Fluente em árabe,
inglês e português, cursou Administração de Empresas com ênfase em Comércio
Exterior e desde os 24 anos atua como trader de commodities, sendo
especialista na exportação de café e outros alimentos e especiarias.Sua trading
company, Raad International Trading, já exportou produtos como
café, arroz, pimenta do reino, derivados de milho, gergelim, açaí, carvão
vegetal e amêndoas de cacau. Além de negócios no Brasil, já exportou café da
Colômbia e Vietnã e orégano do Peru.
Instagram, Youtube, Linkedin e medium pelo nome
@thomasraad
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