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quarta-feira, 17 de março de 2021

TDAH é um dos transtornos mais comuns na infância e adolescência

Segundo estudo, estima-se que de 50% a 80% das pessoas continuam a apresentar na vida adulta sintomas significativos da síndrome



O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, ou simplesmente TDAH, está ligado a fatores genéticos e surge frequentemente na infância, mas pode acompanhar a pessoa por toda a sua vida, é o que ressalta a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

A entidade destaca que esse é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados.
E apesar de estudos não apontarem uma diferença expressiva na prevalência do TDAH entre meninas e meninos, é possível notar no dia a dia de consultório um número considerável de crianças do sexo masculino com a síndrome.

"O distúrbio está associado a mudanças nas conexões cerebrais localizadas justamente na região do cérebro que controla o comportamento (córtex pré-frontal), ela bloqueia atitudes tidas como impróprias. Inclusive, ela é a responsável pelo autocontrole, concentração, planejamento, memória e tomada de decisão, por exemplo", aponta Myriam Albers, psicóloga da Clínica Maia.

Isso explicaria o fato de que os principais sintomas do TDAH são a desatenção, impulsividade, impaciência e inquietude, que estudos descrevem também como atividade motora excessiva. Esses sinais aparecem, muitas vezes, antes dos 7 anos de idade e começam a surgir a partir dos 3 anos.

"Na criança, a síndrome pode comprometer, sobretudo, o desempenho na escola e a interação social, tanto com os coleguinhas quanto com os pais e professores. Os meninos são mais hiperativos e demonstram importante descontrole emocional/comportamental, já as meninas normalmente são menos impulsivas e majoritariamente desatentas, distraídas. Contudo, o quadro pode divergir de um caso para o outro em ambos os sexos", comenta a especialista.

A própria ABDA alerta, ainda, que o público feminino costuma manifestar uma forte instabilidade nas emoções, com mudanças de humor frequentes, e aparentam mais desorganização, timidez, ansiedade ou depressão.

"Na adolescência, o transtorno intensifica principalmente problemas ao lidar com normas e limites e pode, até mesmo, favorecer o uso de álcool e drogas. Na vida adulta, por sua vez, a dependência química também é um risco. Além disso, nessa fase, a dificuldade de se concentrar, o esquecimento e a impulsividade são os fatores principais no dia a dia", relata Myriam.

O estudo "Compreendendo o impacto do TDAH na dinâmica familiar e as possibilidades de intervenção", publicado na Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, alerta que de 50% a 80% das pessoas que tiveram o distúrbio na infância continuam a apresentar na vida adulta sintomas significativos, que estão associados a importantes prejuízos em diversas esferas da vida cotidiana.

Por isso, é fundamental um diagnóstico precoce da doença e o acompanhamento regular de uma equipe multiprofissional. "A família precisa participar desse processo terapêutico, da psicoeducação, com os profissionais da área da saúde. O objetivo principal é ensinar ao pequeno, desde cedo, a lidar com as limitações e sinais que o transtorno traz. No ambiente escolar, o psicopedagogo precisa interagir no processo de ensino e aprendizagem para garantir o melhor desempenho dessa criança", completa a psicóloga.

 

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