Segundo estudo, estima-se que de 50% a 80% das pessoas continuam a apresentar na vida adulta sintomas significativos da síndrome
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, ou simplesmente TDAH,
está ligado a fatores genéticos e surge frequentemente na infância, mas pode
acompanhar a pessoa por toda a sua vida, é o que ressalta a Associação
Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).
A entidade destaca que esse é o transtorno mais comum em crianças e
adolescentes encaminhados para serviços especializados.
E apesar de estudos não apontarem uma diferença expressiva na prevalência do
TDAH entre meninas e meninos, é possível notar no dia a dia de consultório um
número considerável de crianças do sexo masculino com a síndrome.
"O distúrbio está
associado a mudanças nas conexões cerebrais localizadas justamente na região do
cérebro que controla o comportamento (córtex pré-frontal), ela bloqueia
atitudes tidas como impróprias. Inclusive, ela é a responsável pelo
autocontrole, concentração, planejamento, memória e tomada de decisão, por
exemplo", aponta Myriam Albers, psicóloga da Clínica Maia.
Isso explicaria o fato de que os principais sintomas do TDAH são a desatenção,
impulsividade, impaciência e inquietude, que estudos descrevem também como
atividade motora excessiva. Esses sinais aparecem, muitas vezes, antes dos 7
anos de idade e começam a surgir a partir dos 3 anos.
"Na criança, a síndrome pode comprometer, sobretudo, o desempenho na
escola e a interação social, tanto com os coleguinhas quanto com os pais e
professores. Os meninos são mais hiperativos e demonstram importante
descontrole emocional/comportamental, já as meninas normalmente são menos
impulsivas e majoritariamente desatentas, distraídas. Contudo, o quadro pode
divergir de um caso para o outro em ambos os sexos", comenta a
especialista.
A própria ABDA alerta, ainda, que o público feminino costuma manifestar uma
forte instabilidade nas emoções, com mudanças de humor frequentes, e aparentam
mais desorganização, timidez, ansiedade ou depressão.
"Na adolescência,
o transtorno intensifica principalmente problemas ao lidar com normas e limites
e pode, até mesmo, favorecer o uso de álcool e drogas. Na vida adulta, por sua
vez, a dependência química também é um risco. Além disso, nessa fase, a
dificuldade de se concentrar, o esquecimento e a impulsividade são os fatores
principais no dia a dia", relata Myriam.
O estudo "Compreendendo o impacto do TDAH
na dinâmica familiar e as possibilidades de intervenção", publicado na
Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, alerta que de 50% a 80% das
pessoas que tiveram o distúrbio na infância continuam a apresentar na vida
adulta sintomas significativos, que estão associados a importantes prejuízos em
diversas esferas da vida cotidiana.
Por isso, é fundamental um diagnóstico precoce
da doença e o acompanhamento regular de uma equipe multiprofissional. "A
família precisa participar desse processo terapêutico, da psicoeducação, com os
profissionais da área da saúde. O objetivo principal é ensinar ao pequeno,
desde cedo, a lidar com as limitações e sinais que o transtorno traz. No
ambiente escolar, o psicopedagogo precisa interagir no processo de ensino e
aprendizagem para garantir o melhor desempenho dessa criança", completa a
psicóloga.
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