Especialista alerta o risco e dá dicas para adaptações em casa
Devido à pandemia do novo coronavírus
(COVID-19) e, para evitar ainda mais o colapso econômico do País, diversas
empresas precisaram se adaptar ao novo normal, levando seus escritórios e
corporações para dentro de casa. Com o atual cenário, o trabalho home
office, que não tem data para acabar, se não organizado corretamente
pode acarretar em problemas de saúde e bem-estar.
Segundo dados do estudo realizado pelo
Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde, da Fundação Getúlio Vargas
(FGVSaúde), em parceria com o Institute of Employment Studies (IES), do Reino
Unido, 58% das pessoas passaram a reclamar de dores nas costas, seguida por 75%
dores no pescoço, durante a adaptação do trabalho em casa.
O médico ortopedista e especialista em
joelhos, Adílio Bernardes, explica que o incômodo constante se dá pela
somatória de dois fatores: a falta de um espaço adequado e equipamentos
ergonômicos, como cadeira com apoio para coluna e braços, mesa, teclado e
monitor na altura correta, e sedentarismo. “Notei o aumento de reclamações de
dores osteoarticulares principalmente naqueles que faziam exercícios e foram
interrompidos devido a pandemia, seja pelo fechamento das academias e clubes,
ou até pelo horário restrito, o que não permite que muitos façam suas
atividades com a mesma intensidade. Outro fator é a falta de condições
necessárias para desempenhar as atividades profissionais”, explica.
Adílio também destaca o aumento no caso
de Lesões por Esforços Repetitivos (LER), atualmente conhecida como Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). “O paciente não
necessariamente tem uma lesão, mas os movimentos repetitivos atingem as
estruturas como músculos, tendões, nervos e articulações. Quando falamos nessa
situação, nós temos algumas articulações principalmente acometidas como os
membros superiores (ombro), dependendo da atividade o cotovelo, punho e coluna
cervical e lombar podem ser afetados, assim como os joelhos.No caso do home
office o perfil do paciente está associado ao perfil de trabalho
relacionado ao computador”.
Para o ortopedista, o primeiro passo
para um trabalho remoto saudável são as condições do espaço, fazendo as
adaptações necessárias:
-Cadeira com encosto alto (para apoiar
toda a região das costas);
-Cadeira com encosto para cotovelo
(Para não sobrecarregar os ombros no ato de fazer a digitação);
-Posição do monitor na altura dos
olhos;
-Apoio para os pés.
Além disso, Adílio destaca a
importância das pausas. “É necessário ter um período de repouso. Levantar para
tomar um café, água. Neste momento, aproveitar para fazer um alongamento”,
conta lembrando que o complemento com atividades físicas é fundamental. “Hoje,
os aplicativos tomaram conta, o que nos permite adaptar-se a diversas
situações, até mesmo na hora de se exercitar em casa”.

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