Nessas aulas que estamos on-line e ao vivo na
graduação temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas,
notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e
engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de
2020 da Globescan e do Instituto Akatu que mostram que na geração Z, cerca de
45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente
responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que
estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do
total de todos os entrevistados, colocam atitudes positivas para a natureza,
entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”.
Em uma das aulas, uma aluna questionou que não
entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos
empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na
estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só
consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing,
socialwashing
ou diversitywashing”.
Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas
descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta”
verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais,
sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento
sustentável.
No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o
ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros
artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e
trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia
a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso!
Mas, com todas essas provocações, gostaria de
voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado
segundo o dicionário Michaelis é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão.
Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo,
exemplo, entre outros.
Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna
questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há
mais de 25 anos no mundo corporativo do país. Esse, inclusive, foi até um dos
gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos
Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a
necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo.
Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem
que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus
produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear
toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é, o
financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os
processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de
trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar,
devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em
torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar
o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo.
Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que
temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso
cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou
quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente
para os acionistas, mas, também para todos os outros stakeholders? Será que
essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais,
ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro?
Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos
que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento
circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de
sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia.
Acredito que o nosso cérebro consegue se
desenvolver sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma.
Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando,
meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo
desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando
o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu
departamento?
Marcus Nakagawa - professor da ESPM; coordenador do
Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro
da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante
sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Autor dos livros:
Marketing para Ambientes Disruptivos e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis
para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).
www.marcusnakagawa.com,
www.blogmarcusnakagawa.com;
@ProfNaka
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