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segunda-feira, 22 de março de 2021

Março Lilás: Seconci-SP orienta sobre as formas de prevenção do câncer de colo do útero

Este é o terceiro tipo de câncer mais frequente na mulher e tem sua causa associada ao vírus do HPV 

 

O câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente na mulher, perdendo apenas para o de pele, que ocupa o primeiro lugar, e o de mama. E está em quarto lugar entre os que mais matam. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020, surgiram 16.590 novos casos no Brasil. Em 2019, 6.596 mulheres perderam a vida por causa dessa doença. Por ocasião da campanha do Março Lilás, o ginecologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), dr. Wilson Kiyoshi Ueda, descreve os fatores de risco e as formas de prevenção e tratamento deste tipo de câncer. 

“Uma das características do câncer de colo do útero é o de ter maior incidência entre mulheres jovens, na faixa dos 35 a 55 anos. A doença é causada pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) e tem desenvolvimento lento, o que aumenta as chances de identificá-lo e tratá-lo. Apesar de menos frequentes e mais raros, o HPV pode provocar outros tipos de câncer, como na vulva e vagina, no pênis e, tanto para mulheres como homens, o vírus pode levar ao câncer na região anal e o de orofaringe, decorrente do sexo oral”, explica o médico. 

Há cerca de 200 subtipos de HPV, destes, algumas dezenas têm alto poder cancerígeno. “A verdade é que de 70% a 90% das mulheres sexualmente ativas são contaminadas pelo HPV, mas conseguem eliminá-lo do organismo no prazo de 18 a 24 meses. Porém, aquelas que têm imunidade baixa podem desenvolver lesões precursoras do câncer”, afirma dr. Ueda. 

Essas lesões precursoras do câncer de colo do útero têm três graduações, denominadas NIC – Neoplasia Intraepitelial Cervical. Quando diagnosticado no NIC 1, a orientação é fazer o acompanhamento da doença com consultas e exames regulares, pois a maioria dos casos consegue ser revertida. Já no NIC 2, o índice de reversão gira em torno de 40%. 

O especialista informa que, na fase inicial, a doença não costuma apresentar sintomas. “Nos estágios mais avançados pode evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após o ato sexual, corrimento vaginal persistente e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais”.

 Entre os fatores de risco está o início precoce da vida sexual, ter múltiplos parceiros, uso prolongado e sem orientação médica de anticoncepcionais hormonais, falta de higiene, ter múltiplos partos, tabagismo e estar imunodeprimida. Neste grupo estão as pacientes oncológicas, as que fazem tratamento com quimioterapia, portadoras de HIV e as que fazem uso de altas doses de corticoide, entre outras situações que podem comprometer a imunidade. 

As formas de prevenção incluem o uso correto do preservativo em todas as relações sexuais e fazer anualmente o exame de Papanicolau, denominado colpocitologia oncótica, que permite o diagnóstico precoce. Havendo alterações, o médico pedirá a colposcopia, que é um exame complementar e que irá determinar o estágio da doença, permitindo assim a definição do melhor tratamento.

 A indicação do tratamento é individualizada e pode envolver cirurgia, radioterapia, braquiterapia e quimioterapia, para combater as lesões cancerígenas. A braquiterapia é uma radioterapia interna, em que a radiação contra o câncer será colocada em uma cápsula “semente” dentro do corpo da paciente, mais próxima do tumor. 

Diante do diagnóstico de câncer, verifica-se a gravidade e o estágio em que a doença se encontra, através de outros exames complementares para mapear se o tumor não comprometeu os órgãos regionais, como a bexiga e o intestino, e à distância, como o pulmão. 

“Há uma forma bastante eficaz para conter o avanço dos casos na população, que é a vacina, disponível na rede pública para meninas de 9 a 14 anos e para os meninos de 11 a 14 anos. São três doses, com intervalos de zero, dois e seis meses. Porém no Brasil a adesão à vacina tem sido baixa. Por isso, a principal arma contra o câncer de colo do útero continua sendo o Papanicolau, indicado a partir do início da atividade sexual”, orienta o ginecologista.

 

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