A Check Point Research alerta para o potencial aumento do número de pessoas ligadas a atividades ilegais divulgadas tipicamente em fóruns de hacking
O impacto da pandemia da COVID-19 na economia global foi
dramático. A maioria das grandes economias perdeu pelo menos, senão mais, 2% de
seu PIB. Os mercados de ações globais sofreram quedas drásticas devido ao
surto, e o índice Dow Jones relatou
sua maior queda em um único dia de quase 3 mil pontos em 16 de março de 2020. Enquanto
as economias continuam sofrendo, as taxas de desemprego também aumentaram. Nos
Estados Unidos, o desemprego atingiu níveis sem precedentes em abril de 2020 de
14,8%, antes de cair para 6,7% em dezembro. Na Europa, o desemprego aumentou de
6,5% para 7,5% ao longo do ano. No Brasil, a taxa média de desocupação para o
ano de 2020 foi de 13,5%, o que corresponde a cerca de 13,4 milhões de pessoas
na fila por um trabalho no país. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD Contínua), divulgada em
fevereiro deste ano pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
Nesse contexto, a Check Point Research (CPR), braço de
Inteligência em Ameaças da Check Point® Software Technologies Ltd . (NASDAQ: CHKP), uma fornecedora líder de soluções de
cibersegurança global, percebeu uma tendência crescente, a qual começou no
final de 2020 e prossegue neste ano, das pessoas se voltarem para a Darknet e
vários fóruns de hacking para oferecer seus serviços e disponibilidade
para qualquer tipo de trabalho disponível, incluindo funções ilegítimas. Essas
pessoas desempregadas oferecem-se para prestar serviços a atividades
cibercriminosas em troca de dinheiro.
Normalmente, dentro do mercado Darknet e de fóruns de hacking,
são os fornecedores que estão oferecendo vagas para aqueles que estão
interessados em se inscrever. Entretanto, o que a Check Point tem observado é a
dinâmica oposta: as pessoas oferecendo-se para ajudar no cibercrime em troca de
dinheiro. Desde o início de 2021, os pesquisadores da Check Point têm se
deparado com uma quantidade de dez a 16 novos anúncios de procura de emprego
por mês numa seleção de fóruns de hacking, um número excepcionalmente
alto, tendo em conta que as publicações desta natureza são, por norma, nulas.
Os pesquisadores acreditam que a inversão da tendência deriva do impacto
notoriamente negativo da situação da pandemia que em muito tem contribuído para
o aumento dos números de desemprego.
"É muito raro vermos pessoas à procura de trabalhos ilegais
na Darknet. O crescimento desse tipo de ofertas nos alarmou. Quando pessoas se
oferecem para prestar serviços a atividades cibercriminosas, estamos todos numa
situação de maior perigo. Assim, decidimos selecionar um conjunto de fóruns de hacking
para acompanhar ao longo dos meses. Descobrimos que o número de posts deste
gênero aumentou consistentemente e suspeitamos que o mesmo aconteça em outros
sites da Darknet", explica Oded Vanunu, chefe de pesquisa de
vulnerabilidades de produtos na Check Point.
A Darknet corresponde a uma parte da Internet invisível para os mecanismos de busca, na qual se trocam recursos ilícitos, como números de cartões de crédito roubados, drogas, ciberarmas e até softwares maliciosos que permitam acessar computadores e dispositivos móveis. A Check Point compartilha quatro exemplos extraídos do conjunto de fóruns de hacking que os pesquisadores acompanharam nos últimos meses.
Figura 1. Usuário diz estar "disposto a
qualquer trabalho possível", "em casa 24/7 devido à pandemia"
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Figura 3. Este usuário diz estar numa
situação financeira difícil e oferece-se para trabalhar na esfera do
"roubo de fundos, ataques DDoS e segurança", prometendo não fazer
"perguntas estúpidas"
Figura 4. Neste post, um homem de 27 anos de Moscou, em circunstâncias desfavoráveis, procura por um trabalho único que pague pelo menos US﹩ 200 mil. Diz estar aberto a negociações.
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"Tudo isto cria uma cultura muito perigosa na Darknet, o último lugar onde se deve procurar trabalho. Em tempos de pandemia e crise econômica, as pessoas tomam medidas desesperadas. Acreditamos que esta tendência evidencia as dificuldades financeiras nas quais muitas pessoas se encontram dada a COVID-19. Este ‘grito’ das pessoas deve preocupar toda a gente que pretende minimizar as atividades criminosas", afirma Vanunu.
A Darknet funciona principalmente como o mercado clandestino e
ilegal da Internet, e normalmente "promove" transações que envolvem
drogas, armas cibernéticas, falsificação e muito mais. Em situações de
desespero, alguns "candidatos" a emprego estão dispostos a participar
desse tipo de trabalho ilegal se isso significar ter uma renda. Pela pesquisa
da Check Point, observou-se que pessoas de diferentes partes do mundo estão
oferecendo suas habilidades, conhecimentos e disponibilidade nessas
plataformas. À medida que os países enfrentam as realidades de uma economia
global em dificuldades, é importante que também voltem sua atenção para o
mercado de trabalho clandestino que está crescendo.
Oded Vanunu - chefe de pesquisa de vulnerabilidades de produtos na
Check Point
Check Point Software Technologies Ltd.
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