A Medicina do Estilo de Vida (MEV) é uma abordagem interdisciplinar que tem como alicerce o estilo de vida saudável para prevenir, combater e até mesmo reverter doenças crônicas, resultando em longevidade com saúde. Essa abordagem tem como pilares: alimentação saudável com uma dieta baseada em plantas, atividade física regular, qualidade do sono, saúde mental, controle de tóxicos e relacionamentos - todos com embasamento científico.
Por ser uma especialidade nova na medicina, ainda
está em processo de validação no Brasil por meio do Colégio Brasileiro de
Medicina do Estilo de Vida (CBMEV). Enquanto isso, os médicos brasileiros que
querem atuar com a MEV conseguem se certificar pelo American College of
Lifestyle Medicine e a certificação em MEV pode ser tirada por profissionais de
qualquer especialidade, não somente médicos.
“A Medicina do Estilo de Vida vem ganhando
prestígio e reconhecimento nos últimos anos e, acredito que com a
pandemia, vai ganhar ainda mais. Nunca se falou tanto em manter um estilo de
vida saudável para viver bem, prevenir e combater doenças”, explica a
especialista em Medicina do Estilo de Vida e vice-presidente da Regional Minas
Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, Dra. Lívia Salomé.
O objetivo da especialidade vai além de uma relação
de diagnóstico e prognóstico: o foco é criar uma relação onde o médico possa
conhecer seu paciente de forma integral e mais profunda, desenvolvendo soluções
estratégicas para o equilíbrio do corpo. Dessa forma, podemos dizer que o
médico do estilo de vida vai além do prognóstico baseado em um diagnóstico de
doenças já desenvolvidas. Na verdade, o grande diferencial dessa especialidade
é, além de prevenir doenças, no caso do surgimento de algum problema, garantir
que isso impacte o menos possível na vida da pessoa, através de estratégias de
mudança de estilo de vida, baseadas nos seis pilares da MEVDependendo do grau
de comprometimento do paciente com tratamento - que na MEV traz o paciente como
principal elemento deste processo, vemos que é possivel até mesmo a reversão de
doenças crônicas ate então tidas como “incuráveis”.
“Sabemos que todos os médicos atuam para tratar
doenças e levar mais conforto para seus pacientes. Mas a Medicina do Estilo de
Vida traz uma visão mais ampla. Por exemplo: um paciente que apresenta uma
queixa de enxaqueca e depressão não necessariamente apresenta essas doenças do
ponto de vista físico. Ele pode estar em desequilíbrio com sono, e até mesmo,
apresentar alguns vícios mais sutis. Com a Medicina do Estilo de Vida,
conseguimos mapear de forma integral e atuar no equilíbrio geral e não apenas
tratar das queixas iniciais”, explica Dra. Lívia.
Os seis pilares da Medicina do Estilo de Vida
- Nutrição
- a
alimentação pode ser fonte de saúde ou a causa de doenças, por isso, a
MEV sugere a ingestão de alimentos de origem vegetal, integrais,
orgânicos e rica variedade de frutas, verduras e legumes, minimizando o
consumo de alimentos de origem animal e industrializados. Abusar do uso de
especiarias para trazer mais sabor e evitar o sal e temperos menos
naturais, também traz mais saúde e sabor às refeições;
- Atividade
Física -
se movimentar é, sem dúvida, uma das coisas mais importantes que podemos
fazer pela nossa saúde, principalmente na prevenção de uma série de
doenças, e não costuma ter contra-indicações. Importante lembrar que
atividade física não é praticar esportes, mas sim tudo o que faz o corpo
ficar ativo. A recomendação é de, no mínimo, 150 minutos por semana, que
pouco mais de 20 minutos por dia, ou 30 minutos, cinco vezes por
semana;
- Sono
- a falta de qualidade no sono pode trazer uma série de problemas, como
déficit de memória, disfunções imunológicas, problemas de concentração,
além de potencial para desenvolvimento ou agravo de doenças crônicas. A
MEV ajuda o paciente a encontrar soluções para adequar à sua rotina e
melhorar a qualidade do sono;
- Controle
de tóxicos - entre todas as opções que existem, o álcool e o cigarro são
as drogas mais comuns e perigosas, já que são lícitas e até estimuladas
culturalmente. No caso do cigarro, o mínimo consumo já é tido como
prejudicial. Já o álcool precisa de uma atenção especial, pois a linha é
tênue entre o consumo social e o vício. Além disso, o vício em remédios
também merece atenção especial;
- Manejo
do stress - se antes da pandemia já era difícil ser imune ao stress,
agora se tornou praticamente impossível. Por isso, nunca foi tão
importante encontrar hábitos saudáveis que minimizem seus impactos na
saúde física e emocional. O uso associado de técnicas de relaxamento, bem
como mindfulness, yoga, contato com a natureza e outras terapias têm se
mostrado beneficos no manejo efetivo do estresse
- Conexões
sociais - o convívio social é de extrema importância para manter a saúde
física e mental em dia. Viver em sociedade ajuda a desenvolver emoções e
traz mais dinamismo para o dia a dia. Estudos apontam que quanto mais o
indivíduo convive socialmente, maiores as chances de viver mais tempo. Em
época de pandemia, com o isolamento social, é importante criar essas
conexões de outras formas para minimizar os riscos de depressão e outras
doenças. A Dra. indica ações, como: reserve um momento da semana para
ligar para amigos e familiares; faça encontros virtuais; participe de
clubes de leitura coletiva; faça atividades físicas online com o grupo
que antes se reunia no parque e até marque um jantar virtual com aquele
amigo.
“Mais do que nunca, é fundamental olhar para o paciente com todas suas
particularidades para dar o suporte necessário para uma vida mais saudável a
curto, médio e longo prazo. O foco da Medicina do Estilo de Vida é prevenir,
por isso, meu objetivo é sempre falar sobre saúde e dividir com meus pacientes
ações práticas e efetivas que vão garantir uma longevidade saudável”, completa
a médica.
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