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quarta-feira, 17 de março de 2021

Angústia e impotência: família luta contra o tempo em campanha para salvar vida de bebê com AME

 Heitor Moreira é portador da doença rara cujo único remédio custa R$ 12 milhões. Saúde Caixa nega medicação e pais fazem apelo à justiça e à sociedade

 

Nascido em João Pessoa (PB), Heitor Moreira Melo é um bebê de dez meses diagnosticado com uma doença degenerativa chamada AME (Atrofia Muscular Espinhal). Ele nasceu prematuro, após uma gravidez conturbada, e teve que ficar 21 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Pouco tempo depois de voltar para casa, Heitor teve que ser internado de novo porque não conseguia respirar sozinho e estava hipoativo.

Foi quando seus pais, o bancário Hugo Vinícius Moreira e a enfermeira Carla Melo, decidiram se mudar para Recife, pois as estruturas hospitalares eram melhores. Na capital pernambucana, Heitor foi diagnosticado com AME tipo 1. Desde então, ele luta para sobreviver, e a família organizou uma campanha pelas redes sociais e ações por cidades do país inteiro, com o objetivo de conseguir recursos financeiros para o tratamento do bebê.

Para permanecer vivo, Heitor precisa de uma medicação chamada ZOLGENSMA, que é a primeira terapia gênica do mundo para o tratamento. Esse também é o remédio mais caro do planeta e custa em torno de R$ 12 milhões. Além disso, o medicamento só pode ser administrado até os dois anos de idade, por isso, a pressa da família em adquiri-lo.

"É como se alguém chegasse pra você e dissesse: ‘consiga o remédio o mais rápido possível para seu filho não ficar debilitado e acamado para o resto da vida’. Entramos em desespero", contam os pais. Após meses na UTI, Heitor finalmente voltou para casa e a família precisou providenciar um home care, pois o bebê precisa de uma série de cuidados multidisciplinares para que o corpo dele seja constantemente estimulado.

O pequeno Heitor tem uma rotina puxada. Ele faz fisioterapia motora e respiratória, fonoaudiologia e terapia ocupacional. O bebê também usa um respirador para auxiliar não só na respiração, mas também para fortalecer a caixa torácica. E mesmo já tendo começado a tomar o remédio Spinraza, os pais não sentem uma melhora na parte respiratória, somente um pouco da parte motora, e isso tem agravado o quadro.



Saúde Caixa nega medicação ao menino

Mais uma vez o sonho de cuidar do pequeno Heitor se torna mais distante. Desta vez, a Saúde Caixa não autorizou a medicação, alegando que o remédio não faz parte do rol da Agência Nacional de Saúde, ANS. A notícia pegou a família de surpresa, mas após a negativa, colaboradores da Caixa Econômica Federal se uniram em prol do menino, com pequenas doações todo dia 20 do mês, dia de pagamento na empresa. Além disso, há uma ação de funcionários da Caixa de todo o país, para uma doação em massa, assim que a Participação nos Lucros e Resultados for depositada. A família agradece e destaca que a advogada recém contratada, Daniela Tamanini, tomará as medidas judiciais cabíveis para lutar contra o tempo na compra do remédio para o pequeno Heitor.



Insegurança maior

Como Heitor já nasceu durante a pandemia, Carla e Hugo temem não conseguir arrecadar o valor necessário para o tratamento, já que as pessoas estão inseguras em doar pela instabilidade econômica do país. Hoje, eles contam com cerca de 240 voluntários realizando pequenas ações como Anjo Mensalista, Troco Solidário, Ações no Instagram, Rifas, Bazar, Pedágio virtual e as ações com funcionários da Caixa Econômica Federal, a CEF, onde o pai trabalha e, ao todo, arrecadaram R$ 3 milhões.



Saiba como ajudar

Para ajudar o pequeno Heitor, você pode doar qualquer valor para a família. Mais informações pelo Instagram @ameheitormoreira.


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