Com a temperatura em queda, a fatura de consumo de energia elétrica tende a
aumentar. Além do hábito – posicionar a chave do chuveiro no quente, ficar mais
tempo no banho, aumentar a frequência de uso do micro-ondas para aquecer
bebidas, usar secadora de roupas –, instalações elétricas antigas podem ser o
vilão do acréscimo. Isso porque havendo uma defasagem da carga ou bitola dos
cabos das instalações elétricas em relação à potência necessária aos
eletroeletrônicos ocorrerá desperdício de energia.
Essa falta de adequação das instalações elétricas, de acordo com o engenheiro
eletricista Edson Martinho, consultor do Programa Casa Segura - uma iniciativa do Procobre (Instituto Brasileiro do
Cobre), apoiada pela Steck, para conscientizar usuários da eletricidade sobre
segurança e eficiência energética – pode aquecer os aparelhos e cabos das
instalações elétricas, gerando além da perda de energia, risco de incêndio. “Tecnicamente,
trata-se da perda Joule: uma corrente elétrica, ao atravessar um fio condutor,
produz calor. Quando a bitola dos cabos é insuficiente para esse transporte ou
o dimensionamento elétrico não prevê o uso da carga requerida pelos aparelhos
conectados à tomada, há um aquecimento do eletrodoméstico e também dos fios da
instalação elétrica. Esse calor perdido equivale a um desperdício de energia
elétrica.”
Ampliar o uso e a quantidade de equipamentos sem
avaliar as condições elétricas do imóvel pode, portanto, aumentar a conta de
luz. Pode ainda, agravar o risco de curto-circuito. “Antigamente, era comum
chuveiros com potência elétrica de 3.500 Watts. Hoje, os modelos à venda chegam
a ter mais do que o dobro disso de potência Não se pode, simplesmente, fazer a
substituição dos aparelhos ou aumentar o valor dos disjuntores sem saber se a
rede suporta essa nova carga”, destaca o engenheiro.
A recomendação é de que a cada cinco anos as instalações elétricas dimensionadas
em projeto sejam revisadas. Segundo Martinho, havendo a necessidade de aumento
de carga em razão do consumo dos moradores ou da potência dos aparelhos
existentes na casa, renovar a estrutura elétrica do imóvel é a garantia de
segurança e de que não haverá desperdício de energia elétrica.
Outro item a ser observado para reduzir o consumo de energia e a conta de luz é
a aquisição de produtos certificados. “É muito boa a estrutura brasileira de programas de
eficiência energética. O país conta com programas nacionais de conservação e
instrumentos como o da etiquetagem, a exemplo do Procel (geladeiras) e do
Conpet (fogões, aquecedores, fornos, entre outros equipamentos a gás)”,
ressalta o engenheiro.
Cabe
ainda atenção especial a equipamentos que demandam grande potência de energia,
como alguns modelos de aquecedores elétricos. Antes da instalação, é
indispensável avaliar se a
rede elétrica do imóvel está preparada e tem capacidade para receber o
aparelho. “A potência do aquecedor pode exigir um circuito independente ou até
mesmo determinar a necessidade de aumento de carga de energia elétrica junto à
concessionária”, afirma o consultor do Programa Casa Segura.
De acordo com o engenheiro, a necessidade de atualização da infraestrutura
elétrica é sempre mais frequente em prédios antigos, porque na época em que
essas edificações foram construídas a demanda de energia necessária não previa
o uso da quantidade de eletroeletrônicos usados hoje em dia, tampouco o uso de
equipamentos de alta potência.
Diagnóstico virtual
O Programa Casa Segura propõe um teste on-line para que o usuário da
eletricidade, de maneira interativa, possa facilmente realizar uma inspeção
predial na residência e identificar pontos de fragilidade, inclusive se as
instalações elétricas oferecem risco ao morador. O teste é inspirado em jogos
de videogame e propõe a visita a um imóvel relacionando questões que devem ser
respondidas pelo usuário.
Uma vez concluído, o sistema sugere um diagnóstico sobre a necessidade de
atualizar ou não as instalações elétricas. “O teste é uma maneira de
conscientizar o usuário sobre os perigos da eletricidade, muitas vezes
negligenciado. Em hipótese alguma ele substitui a avaliação de um profissional
eletricista”, alerta Martinho.
Caso a conta de energia tenha sofrido acréscimo repentino com a chegada do
inverno, vale a pena observar as condições elétricas do imóvel. Mais do que
isso, é crucial considerar a avaliação das instalações elétricas por parte de
um profissional habilitado, para saber se é hora de atualizá-las.
Programa
Casa Segura
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