A Prefeitura do Rio de Janeiro
publicou um decreto que detalha as medidas de atendimento para usuários de drogas
e moradores de rua, prevendo, em alguns casos, a internação compulsória. A lei
foi sancionada em junho pelo presidente Jair Bolsonaro, e o município do Rio
fez agora sua regulamentação, o que deve ocorrer em outros locais do País.
Para o psiquiatra e diretor clínico da
Holiste Psiquiatria, Luiz Fernando Pedroso, é fundamental que essa medida seja
regulamentada, pois é necessário preservar a saúde dessas pessoas, além da
segurança e do decoro no espaço público. Na semana passada, no Rio, duas pessoas
morreram depois de um ataque de um morador de rua que esfaqueou pelo menos três
pessoas. Durante a ação policial que se seguiu ao crime, pelo menos cinco
pessoas ficaram feridas.
“Além da internação compulsória, a
internação involuntária é indispensável para garantir que indivíduos que estão
impossibilitados pela doença de tomarem a decisão de buscar ajuda recebam
tratamento adequado e a oportunidade de se restabelecer. Muitos pacientes, em
especial quando falamos em dependência química, estão tão adoecidos que não se
encontram em condições de buscar tratamento. A internação compulsória é um
avanço, mas depende de uma determinação judicial que, na maioria dos casos, é
muito lenta. Na internação involuntária a própria família ou responsável legal
poderia solicitar a internação, dando agilidade ao processo de tratamento e
reduzindo riscos ao dependente”, explica o psiquiatra.
A norma estabelecida no RJ é voltada
para usuários de drogas que não apresentem controle físico e psíquico e para
moradores de rua, incluindo atividades de prevenção ao uso de drogas. A
internação para populações vulneráveis está prevista nos casos de recusa
injustificada ou de impossibilidade de a pessoa abordada discernir sobre a sua
condução para o cadastramento. Nas internações involuntárias, médicos aptos a
fazer a recomendação devem ser disponibilizados pela Secretaria Municipal de
Saúde.
O psiquiatra Luiz Fernando Pedroso
salienta que quando o dependente químico está na rua, há uma série de fatores
relacionados que geram problemas sociais, como a mendicância, a possibilidade
de violência e a criminalidade.
“Hoje, milhares desses doentes se
aglomeram nas chamadas Cracolândias, presentes em toda grande cidade
brasileira, expondo-se ao risco das ruas, ameaçando a integridade das outras pessoas
(pois acabam cometendo crimes para sustentar o vício), depreciando o espaço
público e quebrando o decoro social, imprescindível para uma comunidade sadia.
A internação não faz milagres, mas, para dependentes em situação de rua, ela é
uma medida para preservar a vida, promover a desintoxicação, a adesão ao
tratamento, e estabelecer uma estratégia de reabilitação e prevenção de
recaídas”, finaliza.
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