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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Instituto Percorre “convoca” jovens para o futuro e oferece quase 1.500 vagas gratuitas em cursos de tecnologia, gestão e administração

Instituto Percorre

Com a campanha "Convocados pro Futuro", instituto oferece cursos de formação gratuita

 

O Instituto Percorre, que há 28 anos atua na formação e empregabilidade de jovens, abre inscrições para o segundo semestre de 2026 com uma nova identidade e uma campanha inovadora. Com o tema “Convocados pro Futuro”, a instituição oferece quase 1.500 vagas gratuitas e convoca jovens de 15 a 29 anos a treinar e entrar em campo prontos para o “jogo da vida profissional”. 

Inspirada no maior evento de futebol mundial, a campanha transforma a jornada do aluno em uma experiência gamificada. Assim, as unidades do instituto tornaram-se “Arenas”, a matrícula passou a ser “Avanço de Fase” e cada futuro estudante é um talento “Convocado” para a seleção do futuro. A iniciativa visa engajar os jovens por meio de uma linguagem aspiracional, mostrando que a preparação para a carreira é uma jornada de conquista e pertencimento. 

As oportunidades abrangem 13 cursos em áreas de alta demanda do mercado, como Dados e Inteligência Artificial (como IA e Power BI), Tecnologia (como Cybersecurity), Gestão e Negócios (como Gestão Empresarial com ERP TOTVS e Marketing Digital), além de formações voltadas ao desenvolvimento de competências para o mercado de trabalho. 

A conexão com o mercado de trabalho é um pilar da formação, construída por meio de mentorias com profissionais, simulações de processos seletivos, workshops técnicos e comportamentais, e visitas a empresas parceiras, como Dell e Citi. O ciclo de aprendizado culmina no "Criatech", evento em que os melhores projetos são apresentados diretamente a uma banca de executivos. Para se adaptar à rotina dos estudantes, os cursos são oferecidos em modalidades flexíveis, incluindo formatos 100% presenciais e híbridos. 

“A campanha ‘Convocados pro Futuro’ é o nosso jeito de conversar com a juventude sobre preparação para o trabalho, mas, no Instituto Percorre, o principal é o que acontece depois”, destaca Marcela Zitune Birger, Superintendente do Instituto Percorre. “O que diferencia o Instituto Percorre é o compromisso com o depois. A formação prepara, mas é a continuidade que sustenta: por isso conectamos os formandos a vagas, ajudamos na preparação para processos seletivos e acompanhamos a carreira por até cinco anos. A gente chama de Percorre porque acredita em trajetória. Muitos jovens têm talento, mas não têm rede, referência e acesso; então nosso papel é abrir portas e permanecer por perto: apoiar na formação, orientar escolhas, conectar com oportunidades e seguir acompanhando a caminhada profissional por anos. Nosso objetivo é gerar mudança consistente que se traduz em renda, autonomia e novas possibilidades para as famílias.” 

O modelo do Instituto Percorre vai além da sala de aula. O Núcleo de Oportunidades conecta os formandos a vagas de emprego, estágio e aprendizagem, oferecendo acompanhamento de carreira por até cinco anos após a conclusão do curso. Dentro dessa visão de longo prazo, o instituto também incentiva a continuidade dos estudos por meio do programa 'Percorre+Futuro', que facilita o acesso ao ensino superior com apoio para bolsas de estudo. Para cada vaga aberta em empresas parceiras, o instituto indica, em média, três jovens qualificados. Essa metodologia integrada resulta em um impacto socioeconômico relevante: em média, os jovens formados pelo instituto registram um aumento de até 60% na renda de suas famílias.
 

Serviço

  • Público-alvo: Jovens de 15 a 29 anos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio (prioritariamente na rede pública) e pessoas com deficiência a partir de 16 anos.
  • Duração e Turnos: Os cursos duram em média 4 meses, com opções de turmas nos períodos da manhã, tarde e noite.
  • Unidades: São Paulo (Itaquera, Jd. Ângela, Santo Amaro, Santana, Hortolândia, Santos, São José do Rio Preto e Carapicuíba), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).
  • Inscrições: De 29 de junho a 11 de agosto de 2026.
  • Início das aulas: 11 de agosto de 2026.
  • Como se inscrever: Pelo site oficial institutopercorre.org.br/cursos


Sobre o Instituto Percorre

Há quase três décadas, o Instituto Percorre atua na formação profissional gratuita de jovens e pessoas com deficiência com menor acesso às oportunidades do mercado de trabalho. Com atuação em Administração, Gestão e Tecnologia, aliada ao desenvolvimento comportamental, a organização já formou mais de 50 mil profissionais e contribuiu para a empregabilidade de mais de 18 mil jovens, consolidando-se como uma ponte entre educação e empregabilidade no Brasil. 

Reconhecido entre as melhores ONGs do mundo pelo ranking TheDotGood e certificado como Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), o Instituto Percorre conta com o apoio de empresas como a TOTVS, sua fundadora e principal mantenedora, além de Dell, Zendesk e Citi Foundation. 

Anteriormente conhecido como Instituto da Oportunidade Social (IOS), o Instituto Percorre adota o novo nome para refletir a evolução de sua atuação, acompanhando os jovens não apenas na formação, mas em toda a sua trajetória de desenvolvimento e inserção no mundo do trabalho.


Férias em família: 7 dicas para evitar perrengues e aproveitar a viagem do início ao fim

Especialista dá dicas de organização e escolhas estratégicas para evitar imprevistos comuns durante as férias


A combinação de alta temporada, aeroportos movimentados, longos deslocamentos e roteiros intensos pode fazer parte da programação de muitas famílias que vão viajar durante as férias escolares.  O que é muito comum é que quando não há um planejamento adequado, toda essa logística pode se tornar um estresse em momentos que deveriam ser apenas de lazer. 

Segundo Marco Lisboa, CEO e fundador da 3,2,1 GO!, rede de franquias especializada em experiências de viagens nacionais e internacionais, muitos dos problemas enfrentados pelos viajantes poderiam ser evitados com algumas medidas simples tomadas antes mesmo do embarque.

"Quando falamos de viagens em família, principalmente com crianças, o planejamento é tão importante quanto o destino escolhido. Pequenos detalhes fazem toda a diferença para garantir conforto, segurança e uma experiência mais tranquila para todos", afirma o especialista.

Para ajudar na organização, Lisboa compartilha   sete dicas para evitar perrengues durante as férias em família:


Documentação em ordem

Passaporte vencido, visto expirado ou falta de autorização para menores de idade estão entre os problemas mais comuns enfrentados por famílias em viagens nacionais e internacionais. Segundo Lisboa, a recomendação é revisar toda a documentação assim que a programação é definida.

"É fundamental verificar a validade dos passaportes, exigências de entrada do destino escolhido e documentos necessários para crianças e adolescentes, principalmente se essa viagem não for com os responsáveis legais dos menores. Resolver essas questões na véspera da viagem costuma gerar custos extras e muito estresse”, alerta.

Atualmente, os pais podem emitir a Autorização Eletrônica de Viagem (AEV), disponível pela plataforma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que permite a documentação digital para viagens internacionais de menores. 

“A autorização eletrônica pode ser emitida online e possui a mesma validade jurídica do documento físico reconhecido em cartório, trazendo mais praticidade para as famílias que planejam viagens ao exterior, por exemplo”, explica Lisboa.


Equilíbrio no roteiro 

Um dos erros mais frequentes é tentar encaixar atrações demais em poucos dias. A recomendação é priorizar as mais importantes e deixar espaços livres para imprevistos ou mudanças de planos.

"Nesse processo, contar com o apoio de um agente de viagens faz toda a diferença. Além de conhecer o destino e as particularidades de cada perfil de viajante, esse profissional ajuda a montar um roteiro mais eficiente, evita deslocamentos desnecessários, otimiza o tempo e reduz as chances de imprevistos que podem comprometer a experiência da família", explica o CEO da 3, 2,1 GO!

O excesso de atividades pode transformar as férias em uma maratona cansativa, principalmente quando há crianças ou idosos no grupo, alerta: “é importante equilibrar passeios, momentos de descanso e tempo livre para que a experiência seja realmente agradável.” 


Reserva financeira para emergências

Mesmo com todo o planejamento, situações inesperadas podem acontecer, como atrasos de voos, mudanças climáticas, despesas médicas, perda de objetos pessoais ou transporte extra são exemplos de gastos que costumam surgir durante uma viagem.

"Ter uma reserva financeira específica para emergências evita que pequenos problemas comprometam o orçamento ou o restante da experiência", destaca Lisboa.


Seguro viagem adequado

Muitos turistas ainda consideram o seguro viagem um gasto dispensável, mas o especialista alerta que ele pode evitar prejuízos significativos.

"Além da cobertura médica, muitos seguros incluem assistência em casos de extravio de bagagem, cancelamentos e atrasos de voos. É uma proteção que traz tranquilidade para toda a família”, alerta Lisboa. Em diversos destinos internacionais, ou até para cruzeiros dentro do Brasil, o seguro também pode ser obrigatório.


Planeje os deslocamentos

Filas, trânsito intenso e dificuldade de locomoção costumam ser os principais motivos de estresse, especialmente na alta temporada. Antes da viagem, vale pesquisar como funcionam os transportes locais, reservar transfers quando necessário e planejar deslocamentos para atrações muito concorridas.

"Chegar a um destino sem entender a logística local pode gerar perda de tempo e dinheiro. Quanto mais informações a família tiver antes de embarcar, mais tranquila será a experiência", alerta Lisboa.


Bagagem inteligente

Levar itens desnecessários pode dificultar deslocamentos e aumentar custos com excesso de peso. Por outro lado, esquecer medicamentos, carregadores, roupas adequadas ou itens essenciais para as crianças pode gerar transtornos durante a viagem.

"O ideal é fazer uma lista com antecedência e levar apenas o que realmente será utilizado. Uma bagagem organizada facilita toda a jornada e evita gastos desnecessários no destino", recomenda.


Planejamento é o segredo

Com aeroportos e destinos turísticos cada vez mais movimentados durante as férias, investir algumas horas na organização da viagem pode ser a diferença entre viver uma experiência inesquecível ou acumular histórias de perrengues para contar na volta. Para Lisboa, o principal fator para uma viagem bem-sucedida continua sendo a preparação.

"As férias em família são momentos que ficam na memória por muitos anos. Quanto mais planejamento houver, menores serão as chances de enfrentar imprevistos. O objetivo é que as pessoas aproveitem a experiência, criem lembranças positivas e retornem para casa com a sensação de que tudo valeu a pena", conclui.

 

3,2,1 GO!

 

Com nova lei, Brasil dá passo histórico para eliminar chumbo de tintas e se alinha aos melhores padrões internacionais

Lei 15.441 foi construída com o apoio da Abrafati, e atualiza marco regulatório no país, ampliando a proteção à saúde da população e ao meio ambiente.


Resultado de uma agenda construída e defendida pela Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) junto ao poder público, foi sancionada na última sexta-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei 15.441/2026, que estabelece o percentual máximo de 0,009% (90 ppm) de chumbo em tintas comercializadas no Brasil. A medida posiciona o país entre aqueles que adotam os padrões mais rigorosos do mundo para o controle da substância, representando um avanço relevante para a proteção da saúde pública, do meio ambiente e da segurança dos profissionais que lidam com as tintas e dos consumidores. O prazo para adequação à lei, a partir da sua publicação, é de um ano.

O limite de 90 ppm é recomendado por organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por meio da Global Alliance to Eliminate Lead Paint, iniciativa da qual a Abrafati é parceira desde 2016. É o mesmo utilizado nos Estados Unidos, na China e, indiretamente, na Comunidade Europeia (na qual o Regulamento REACH - Registration, Evaluation, Authorisation, Restriction of Chemicals, impõe exigências que, na prática, resultam nesse limite).

"A aprovação do projeto era fundamental para colocar o Brasil, que é o quarto maior produtor mundial de tintas, no mesmo patamar que os países mais avançados em termos de legislação sobre o tema. Desde 2008, quando foi aprovada a lei anterior, houve uma significativa evolução tecnológica na indústria de tintas, que permitiu a substituição de matérias-primas contendo chumbo (especialmente pigmentos e secantes) sem comprometer a qualidade, a durabilidade e o desempenho dos produtos. A indústria de tintas no Brasil está plenamente capacitada para cumprir esse limite, o que demonstra a capacidade do setor de inovar continuamente, acompanhando as melhores práticas internacionais em sustentabilidade, segurança e excelência técnica", afirma Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da Abrafati.

A aprovação atualiza uma legislação que, desde 2008, impunha um teor máximo de chumbo apenas a tintas imobiliárias, infantis e escolares, que são as de maior contato direto com o público. Com a nova proposta, o limite máximo de 90 partes por milhão (ppm) passa a abranger todas as categorias de tintas de revestimento, utilizadas em diversas indústrias (de eletrodomésticos e móveis a trens e aeronaves), em inúmeras aplicações na infraestrutura e manutenção, na repintura automotiva, na sinalização viária e nas mais variadas demandas de proteção de superfícies, ampliando a proteção aos profissionais e a todas as pessoas que lidam com as tintas. Há duas exceções na lei: para as tintas marítimas anti-incrustantes e as tintas anticorrosivas à base de zinco. Para ambas, seguiu-se o padrão global de estabelecer o limite técnico praticável de 600 ppm de chumbo.

A aprovação da Lei 15.441 consolida um movimento que a indústria brasileira de tintas vem conduzindo há anos em direção a produtos cada vez mais seguros, sustentáveis e alinhados às melhores referências globais. O novo marco regulatório fortalece um caminho já adotado pelo setor, ao transformar em legislação padrões técnicos avançados que refletem a evolução tecnológica da indústria.

“A medida representa um avanço importante para a modernização do ambiente regulatório brasileiro relacionado ao setor, contribuindo para ampliar a competitividade da indústria nacional e reforçar o compromisso do país com elevados padrões de qualidade, inovação e sustentabilidade. Faz parte da nossa missão impulsionar a evolução do setor e isso envolve alinhar o Brasil às melhores práticas globais da indústria de tintas, o que beneficia toda a sociedade”, finaliza Luiz Cornacchioni.

Para ler o texto da lei na íntegra, acesse: Link




Abrafati – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas

 

Advogado explica o que muda para famosas e brasileiras que tiveram filhos nos EUA após decisão da Suprema Corte

Especialista afirma que o foco agora deve ser o combate às fraudes e ao chamado turismo de nascimento


A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de manter o direito à cidadania automática para crianças nascidas em território americano trouxe segurança jurídica para milhares de famílias brasileiras, incluindo famosas que optaram por ter seus filhos no país. 

Por 6 votos a 3, o tribunal rejeitou nesta terça-feira (30) a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump que restringia a concessão da cidadania a filhos de imigrantes em situação irregular e de turistas estrangeiros, preservando a interpretação histórica da 14ª Emenda da Constituição americana.

O julgamento representa uma derrota para uma das principais bandeiras da política migratória de Trump, mas não significa o fim das medidas voltadas ao combate ao chamado "turismo de nascimento", prática em que gestantes viajam aos Estados Unidos para que os filhos adquiram automaticamente a cidadania americana.

Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional, fundador da Toledo e Associados, a principal consequência da decisão é que quem já teve filhos nos Estados Unidos dentro da legalidade não sofrerá qualquer alteração em seus direitos. "A cidadania dessas crianças permanece integralmente protegida pela Constituição americana. A decisão da Suprema Corte apenas reafirma um entendimento que existe há mais de um século. Quem teve um filho nos Estados Unidos seguindo as regras migratórias não precisa se preocupar porque absolutamente nada muda em relação ao status de cidadania dessas crianças", afirma.

Ao longo dos últimos anos, diversas brasileiras conhecidas do público escolheram os Estados Unidos para o nascimento dos filhos, tanto pela estrutura hospitalar quanto pela cidadania automática garantida pela legislação americana. A decisão da Suprema Corte mantém esse direito preservado.


O que realmente pode mudar

Embora tenha perdido a disputa constitucional, o governo Trump ainda possui instrumentos para endurecer o controle migratório.

Na avaliação de Toledo, a tendência é que a Casa Branca direcione seus esforços para intensificar a fiscalização de possíveis fraudes durante a obtenção de vistos ou na entrada de estrangeiros no país.

"O governo dificilmente abandonará essa pauta. O caminho agora deve ser aumentar a fiscalização sobre pessoas que entram nos Estados Unidos ocultando sua verdadeira intenção. Se uma gestante solicitar um visto de turismo afirmando que fará apenas uma viagem de lazer, quando seu objetivo principal é dar à luz no país, essa situação pode ser analisada pelas autoridades sob a ótica da fraude migratória."

Segundo o advogado, esse tipo de fiscalização já existe, mas pode ganhar força após a derrota sofrida pelo governo na Suprema Corte. "O presidente não conseguiu alterar a Constituição, mas continua tendo competência para determinar um controle migratório mais rigoroso. Isso pode significar entrevistas consulares mais detalhadas, análise mais criteriosa dos pedidos de visto e maior fiscalização na entrada de estrangeiros."


Cidadania permanece garantida

Um dos principais receios de brasileiros que tiveram filhos nos Estados Unidos era a possibilidade de perda da cidadania americana das crianças.

Segundo Toledo, esse risco praticamente deixa de existir após a decisão da Suprema Corte. "A cidadania por nascimento continua sendo um direito constitucional. A Suprema Corte reafirmou que esse direito não pode ser alterado por meio de uma ordem executiva. Para que isso acontecesse, seria necessária uma emenda à Constituição, aprovada pelo Congresso e ratificada pelos estados, um processo extremamente complexo."

Isso significa que crianças nascidas em solo americano continuam sendo cidadãs dos Estados Unidos, independentemente da nacionalidade ou da situação migratória dos pais, salvo exceções muito específicas previstas na legislação, como filhos de diplomatas estrangeiros.


Fiscalização pode atingir processos migratórios

Embora a cidadania permaneça preservada, Toledo acredita que o governo poderá ampliar a revisão de processos migratórios em que existam indícios de falsas declarações."É possível que haja uma rechecagem mais rigorosa de casos em que o governo entenda que houve fraude na obtenção do visto ou na entrada no país. O foco não será retirar a cidadania das crianças, mas verificar se os pais cumpriram corretamente as regras migratórias."

Segundo ele, prestar informações falsas durante entrevistas consulares ou para agentes da imigração pode gerar consequências como cancelamento de vistos, impedimento de novas entradas nos Estados Unidos e até processos administrativos.

"São situações completamente diferentes. A cidadania da criança continua protegida. O que pode ser investigado é a conduta dos pais durante o processo migratório."


Debate continua

Apesar da derrota judicial, Toledo acredita que a política migratória continuará sendo uma das prioridades da administração Trump.

"O governo perdeu uma batalha importante, mas dificilmente encerrará essa discussão. A tendência agora é um endurecimento administrativo, com foco em fiscalização, combate às fraudes e controle sobre o chamado turismo de nascimento. Para brasileiros que pretendem viajar aos Estados Unidos, a principal recomendação é agir com absoluta transparência em todas as etapas do processo migratório."

Na prática, a decisão da Suprema Corte preserva um dos pilares do direito constitucional americano, mas também inaugura uma nova etapa da política migratória dos Estados Unidos, em que o foco tende a migrar das mudanças constitucionais para um controle mais rigoroso sobre a forma como estrangeiros ingressam no país.



Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
Para mais informações, acesse o site.



Toledo e Advogados Associados
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Grandes mamíferos alteram a química do solo e aumentam a fertilidade da Mata Atlântica

 

Vivendo em grupos por vezes com mais de cem indivíduos, queixadas
revolvem o solo de florestas tropicais a ponto de mudar suas propriedades químicas
(
foto: João Paulo Krajewski)

Estudo revela que antas, queixadas, catetos e veados atuam como verdadeiros engenheiros do ecossistema ao diminuir a acidez da terra, aumentar a diversidade e acelerar a decomposição de matéria orgânica na floresta

 

Um estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, alteram a composição química da serrapilheira e do solo em florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira. Como consequência, proporcionam maior disponibilidade de nutrientes e, possivelmente, uma maior fertilidade do solo.

O trabalho foi realizado por integrantes do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro. Os resultados enfatizam a importância que esses animais – muito visados pela caça ilegal e com populações em declínio – têm para a sobrevivência a longo prazo do bioma, mesmo dentro de áreas onde a cobertura florestal permanece intacta.

“A maior parte da biomassa de mamíferos em áreas contínuas de Mata Atlântica é composta pela queixada, um porco selvagem nativo que vive em bandos que podem passar de cem indivíduos”, conta Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do trabalho, realizado como parte de seu doutorado no IB-Unesp com bolsa da FAPESP.

“Eles chegam numa área e passam muito tempo pisoteando e fuçando a terra, à procura de frutos caídos e sementes, além de defecar e urinar. Com isso, acabam influenciando a ciclagem de nutrientes, alterando a química do solo e a diversidade da serrapilheira – a camada de folhas, galhos e frutos que fica na superfície do solo”, explica a cientista. Outros exemplos de mamíferos herbívoros de grande porte que povoam o bioma incluem as antas, os veados e os catetos, que são uma outra espécie de porco selvagem.

Para entender melhor a relevância desses animais no funcionamento da Mata Atlântica, os pesquisadores compararam amostras do solo e da serrapilheira de áreas onde esses mamíferos circulam livremente com as de outras áreas, que foram cercadas para eliminar temporariamente a presença deles. Os resultados apontaram diferenças substanciais na acidez (pH) – menos ácido com animais, mais ácido sem – e na disponibilidade de nutrientes como cálcio e alumínio.

“O alumínio, que em altos níveis é prejudicial às plantas, foi reduzido onde havia maior presença de animais. Esse nutriente tem uma relação especial com o pH e o cálcio. O equilíbrio entre eles é necessário para uma maior fertilidade do solo”, afirma Ribeiro. Isso significa, na prática, que a presença de grandes mamíferos aumenta a fertilidade do solo da floresta.

Na serrapilheira das áreas com mamíferos, foi observada uma redução de lignina, uma molécula complexa que recobre as células das plantas e dificulta sua decomposição. Ao ser remexida e pisoteada pelos animais, a serrapilheira é mais bem distribuída no espaço e se fragmenta em pedaços menores, o que aumenta o contato com o solo e facilita a quebra da lignina e o processo de decomposição.

Foi constatada ainda uma maior diversidade na serrapilheira que era fuçada e pisoteada pelos grandes animais. As amostras coletadas na parte com presença de grandes mamíferos tinham uma proporção mais equilibrada de folhas, galhos, frutos e sementes, outro fator que contribui para a decomposição desses materiais no solo da floresta.

“Nossa pesquisa tem demonstrado, de forma cada vez mais robusta, como os grandes herbívoros têm uma importância primordial para as florestas. São justamente esses animais, mais visados pela caça, que atuam como engenheiros de ecossistemas, influenciando desde a composição das plantas na paisagem até mesmo a química do solo”, afirma Mauro Galetti, professor do IB-Unesp que coordenou o estudo e é um dos pesquisadores principais do CBioClima.


No alto, veado-mateiro (Mazama rufa) e anta (Tapirus terrestris) flagrados por câmeras trap instaladas nas áreas do estudo, que flagraram ainda a queixada (Tayasu pecari), à direita (fotos: câmeras trap e Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp)

 

Estudo de longo prazo

A investigação se baseou em dados obtidos por meio do projeto “DEFAU-BIOTA: efeitos da defaunação no carbono do solo e na diversidade funcional de plantas da Mata Atlântica”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

No experimento, conduzido desde 2009 na Serra do Mar, são comparadas áreas (parcelas) de 15 metros quadrados abertas para a livre passagem dos animais com outras onde o acesso é restrito por cercas, que são instaladas pelos pesquisadores para impedir a entrada de mamíferos de grande porte.

No trabalho atual, foram analisadas dez parcelas abertas e dez fechadas no Parque Estadual Carlos Botelho, no município de São Miguel Arcanjo, parte de um grande mosaico de áreas protegidas de Mata Atlântica na região do Vale do Ribeira, no sudeste do Estado de São Paulo. A biomassa de mamíferos foi estimada a partir de imagens de câmeras conhecidas como “armadilhas fotográficas", que são acionadas automaticamente quando algum animal passa na frente delas.

Em estudos anteriores, os pesquisadores já haviam demonstrado que a ausência de grandes mamíferos herbívoros reduz a quantidade de nitrogênio no solo, diminui a diversidade de plantas e altera as relações entre plantas e seus inimigos naturais — modificando, assim, a dinâmica ecológica da floresta (leia mais em: agencia.fapesp.br/34879, agencia.fapesp.br/31388 e agencia.fapesp.br/50818).

Em março deste ano, outro estudo do grupo indicou que a falta de grandes mamíferos leva a uma homogeneização da floresta, ou seja, a dominância de algumas poucas espécies de plantas que prosperam na ausência desses herbívoros.

Fezes de anta no Parque Estadual Carlos Botelho: presença de grandes
mamíferos aumenta disponibilidade de nutrientes para a manutenção da floresta
(
foto: Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp)


Vida no solo

Numa etapa mais recente da pesquisa, ainda em desenvolvimento, Ribeiro está analisando o efeito dos grandes mamíferos sobre os nematoides, animais microscópicos, parecidos com vermes, que vivem no solo e são indicadores de qualidade do ecossistema.

“Os nematoides são um dos grupos mais abundantes da fauna do solo, ocupando diferentes níveis tróficos: alguns são especializados em comer bactérias, outros se alimentam apenas de fungos e há ainda os predadores, que se alimentam de outros nematoides e organismos da fauna do solo”, explica Ribeiro, que atualmente realiza estágio de doutorado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, com bolsa da FAPESP.

As análises preliminares realizadas até agora em amostras de solo coletadas das áreas de pesquisa apontam que a presença dos grandes mamíferos contribui para uma presença maior de nematoides predadores. “É preciso ter todos os outros níveis tróficos presentes para que haja esse tipo de nematoide. Portanto, sua abundância indica um ecossistema mais saudável”, diz.

Os resultados dessa nova fase do estudo, no entanto, ainda não têm data para serem publicados.

O trabalho agora publicado teve apoio da FAPESP também por meio de bolsa de doutorado concedida a Mateus de Melo Dias, coautor do texto.

O artigo Mammals' zoogeochemical effects change litter and soil biogeochemistry in a tropical rainforest pode ser lido em: esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecm.70070.

Veja vídeo sobre a pesquisa em: youtu.be/nUNav9OPhcU.

 



André Julião

Agência FAPESP 
https://agencia.fapesp.br/grandes-mamiferos-alteram-a-quimica-do-solo-e-aumentam-a-fertilidade-da-mata-atlantica/58565



Idosos na mira! Brasil registra média de cinco processos de estelionato por dia; entenda o fenômeno dos “golpes virtuais”

Segundo dados divulgados pelo Escavador nesta quarta-feira, 1º de julho, o país soma quase cinco mil denúncias registradas entre os anos de 2023 e o final de maio de 2026.


 

 

Basta uma ligação falsa para que o popular ‘171’, mais conhecido como crime de estelionato, convença a vítima a abrir sua conta bancária. Entre o público boomer (60+), a quantidade de denúncias cresce ano após ano: no Brasil, aproximadamente 5 processos por estelionato contra idosos são abertos por dia.

 

Os dados foram divulgados pelo Escavador nesta quarta-feira, 1º de julho, com quase cinco mil denúncias registradas entre 2023 e o final de maio de 2026. De acordo com a plataforma de dados jurídicos, os crimes de estelionato contra idosos se intensificaram na última década. Mantendo o ritmo atual, 2026 deve encerrar com cerca de 62% mais processos do que em 2023.

O início da análise identificou 1,1 mil processos em 2023, crescendo em uma curva suave no ano de 2024, que fechou com 1,3 mil ações. Acompanhando o fenômeno dos golpes virtuais, 2025 apresentou a maior quantidade de denúncias, com 1,7 mil processos apresentados nos tribunais.  

Levar os casos à Justiça, após tentativas com os bancos, tornou-se um cotidiano na vida do público mais velho. Segundo Dalila Pinheiro, Coordenadora Jurídica e DPO do Escavador, os criminosos entram em contato com tons de urgência, se passando por ‘gerentes de banco’, ou, em alguns casos, passando de setor em setor da própria quadrilha, levando a vítima a ‘cair em uma arapuca’, como se estivesse sendo assistida pelo time das agências bancárias. 

 

“Um dos casos mais comuns, quando referido ao crime de estelionato contra idosos, é o de golpes relacionados à fraude bancária. Geralmente são encaminhados SMS ou mensagens via WhatsApp, pedindo alguma confirmação: você reconhece esta compra? Ao informar que não, uma equipe entra em contato com a vítima, precisamente como os setores de prevenção à fraude dos bancos fazem. Os estelionatários, em alguns casos, utilizam dados primários, como CPF, para que a engenharia social (técnica de manipulação psicológica) tenha ainda mais efeito no público. Entre os mais velhos, a dificuldade é maior, devido à adaptação tardia com a tecnologia e o entendimento das linguagens e procedimentos”, explica a DPO. 

 

Apesar das campanhas de conscientização, o país está longe de frear os avanços do crime de estelionato contra idosos. O fechamento parcial do primeiro semestre de 2026 trouxe mais uma preocupação às autoridades, com 748 ações notificadas aos tribunais; fatia que corresponde a 41,7% de todo o volume registrado em 2025. “Podemos entrar em um ano histórico de denúncias por crimes de estelionato. Os idosos costumam ser o público mais comum, no entanto, todos estão suscetíveis à engenharia social. O caminho que o dinheiro percorre também é difícil de rastrear. As chamadas contas-laranja recebem os valores e, geralmente, são instruídas a repassar de conta em conta, de certa forma, ‘limpando’ o dinheiro. Nesse método, ainda que o banco possa bloquear a conta recebedora, a mesma já não deve estar com nenhum resquício do valor do golpe, dificultando a restituição bancária e elevando o número de processos por casos de estelionato no país”.  

 

Ainda segundo o Escavador, a quantidade de denúncias pode variar de lugar para lugar. Entre as federações com a maior quantidade de processos por estelionato contra idosos, o estado da Bahia ocupa o topo do ranking, com 580 denúncias, seguido por Minas Gerais (542), São Paulo (458), Paraná (432), Rio de Janeiro (329), Piauí (316), Santa Catarina (273), Mato Grosso do Sul (233) e Ceará, com 207 casos, no período entre 2023 e a última parcial de 2026. 

 

Já entre os que menos contabilizaram processos, está o estado do Acre, com apenas três ações, seguido por Pernambuco (5), Rio Grande do Norte (13) e Maranhão (14). “Uma onda de crimes de estelionato rompeu os estados e não se limitou à fraude bancária. Esse tipo de crime, tipificado no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), especificamente em seu Artigo 171, estourou nas metrópoles por meio  de diferentes formas: compra de veículo, fraudes, golpes do PIX, boletos falsos, fraudes imobiliárias, empréstimos consignados fraudulentos, golpe do falso parente, entre vários outros. A engenharia social por trás dos golpes também avança, conseguindo replicar faces, fazer chamadas de vídeo ‘ao vivo’, criar locais falsos e outras artimanhas”, comenta Dalila.  

 

Crimes previstos no ‘Estatuto do Idoso’ acumulam alta consecutiva

 

Além da preocupação que espreita o telefone, os processos por “crimes previstos no Estatuto do Idoso” cresceram no país. Ainda segundo apuração do Escavador, as infrações contra o Estatuto do Idoso já chegam a 29 mil ações no Brasil, com uma média superior a 8,5 mil processos por ano. 

 

“As preocupações com o envelhecimento no Brasil ampliaram para além da saúde. Hoje, há um desafio crescente relacionado à proteção patrimonial, financeira e até emocional da população idosa. À medida que o país envelhece e a digitalização dos serviços avança, cresce também a necessidade de mecanismos de prevenção, educação digital e proteção jurídica capazes de reduzir a vulnerabilidade desse público diante de golpes, fraudes e outras formas de violência”, conclui Dalila.


Confira a lista de processos por estelionato contra idosos nos estados (2023 a maio de 2026)

 

Bahia (BA) – 580

Minas Gerais (MG) – 542

São Paulo (SP) – 458

Paraná (PR) – 432

Rio de Janeiro (RJ) – 329

Piauí (PI) – 316

Santa Catarina (SC) – 273

Mato Grosso do Sul (MS) – 233

Ceará (CE) – 207

Goiás (GO) – 193

Rio Grande do Sul (RS) – 175

Sergipe (SE) – 133

Pará (PA) – 127

Paraíba (PB) – 67

Alagoas (AL) – 66

Amazonas (AM) – 60

Espírito Santo (ES) – 58

Distrito Federal (DF) – 53

Tocantins (TO) – 53

Amapá (AP) – 43

Mato Grosso (MT) – 18

Maranhão (MA) – 14

Rio Grande do Norte (RN) – 13

Pernambuco (PE) – 5

Acre (AC) – 3

 

Sanidade Animal – Segunda etapa da campanha de vacinação contra a Brucelose começa nesta quarta-feira, 1º de julho

 

Dando continuidade ao calendário de vacinação estipulado pela Resolução SAA nº 78/24 e pelas Portarias 33/24 e 34/24, começa hoje, dia 1º de julho de 2026, a segunda etapa da campanha de vacinação contra a Brucelose no Estado de São Paulo. A Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) reforça que durante a etapa, que vai até 31 de dezembro, devem ser imunizadas as bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade. 

Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor. 

A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível em Link. 

Além dos prazos, outra mudança preconizada pela Resolução e pelas portarias mencionadas, trata da entrega da declaração da vacinação. A partir de agora, o médico-veterinário responsável pela imunização, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à vacinação, validará a imunização dos animais. Em casos em que o saldo do rebanho esteja atualizado, o sistema fará a declaração automática. 

A exceção acontecerá quando houver casos de divergências entre o número de animais vacinados e o saldo do rebanho declarado pelo produtor no sistema GEDAVE. 

Em caso de incongruências, o médico-veterinário e o produtor serão notificados das pendências por meio de mensagem eletrônica, enviada ao e-mail cadastrado junto ao GEDAVE. Neste caso, o proprietário deverá regularizar a pendência para a efetivação da declaração. 
 

Identificação 

Está em vigor desde outubro de 2024 no Estado de São Paulo, o modelo alternativo de identificação - o primeiro do país aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) - de vacinação contra a Brucelose. Trata-se da utilização de bottons auriculares, uma alternativa não obrigatória à marcação a fogo que além do bem-estar animal, estimula a produtividade e a qualidade do manejo, além de aumentar a segurança do produtor e do veterinário responsável pela aplicação do imunizante. 

De acordo com as portarias, Em São Paulo fica estabelecido o botton amarelo para a identificação dos animais vacinados com a vacina B19 e o botton azul passa a identificar as fêmeas vacinadas com a vacina RB 51. Anteriormente, a identificação era feita com marcação à fogo indicando o algarismo do ano corrente ou a marca em “V”, a depender da vacina utilizada. 

Para o caso de perda, dano ou qualquer alteração que prejudique a identificação, deverá ser solicitada nova aplicação que deverá ser feita ao médico-veterinário responsável pela aplicação ou ainda, para a Defesa Agropecuária. 

Havendo a impossibilidade da aquisição do botton, o animal deverá ser identificado conforme as normativas vigentes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).

A Defesa Agropecuária informa ainda que o uso do botton só é válido dentro do Estado de São Paulo, não sendo permitido o trânsito de animais identificados de forma alternativa para demais estados da federação.

 

Felipe Nunes


Deportações expõem riscos da imigração irregular e levam brasileiros a buscar caminhos legais para os EUA

Histórias de famílias que perderam patrimônio e foram obrigadas a retornar ao Brasil após anos vivendo nos Estados Unidos, reforçam o interesse por vistos de imigração legal


O endurecimento da política migratória dos Estados Unidos e o aumento das deportações de imigrantes em situação irregular têm levado mais brasileiros a repensar os caminhos para viver no país. Escritórios especializados em imigração relatam um crescimento na procura por vistos legais, impulsionado por relatos de famílias que perderam patrimônio, foram separadas e precisaram retornar ao Brasil após anos vivendo de forma irregular.

Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e imigração para os Estados Unidos, os casos recentes evidenciam que a imigração clandestina pode representar um risco muito maior do que apenas a possibilidade de deportação.

"Tem chegado cada vez mais relatos de brasileiros que venderam tudo o que tinham, pagaram atravessadores, enfrentaram a travessia pelo México e pelo Rio Grande e, anos depois, acabaram deportados. Em muitos casos, voltam ao Brasil sem patrimônio, endividados e emocionalmente abalados."

Um desses relatos envolve uma família de Governador Valadares (MG), que decidiu deixar o Brasil após enfrentar dificuldades financeiras. Depois de vender os bens que possuía e contrair dívidas para pagar cerca de US$ 24 mil a intermediários responsáveis pela travessia clandestina, o casal iniciou uma jornada que incluiu dias escondidos em casas improvisadas no México, escassez de alimentos, medo constante da atuação de cartéis e a travessia do Rio Grande com um filho pequeno doente.

Já em território americano, a família solicitou asilo e conseguiu permanecer no país enquanto o processo migratório era analisado. O casal passou a trabalhar na construção civil e em serviços de limpeza até que, em novembro de 2025, o homem foi detido por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE). Após cerca de 70 dias em um centro de detenção, foi deportado para o Brasil. Sem condições financeiras para permanecer sozinha nos Estados Unidos, a esposa também retornou posteriormente com o filho, graças a uma campanha organizada pela comunidade brasileira.

Para Toledo, o ocorrido ilustra uma realidade que tem se tornado cada vez mais frequente diante do aumento da fiscalização migratória.

"Durante algum tempo muitas pessoas acreditaram que conseguir entrar era suficiente para permanecer nos Estados Unidos. Hoje a realidade é diferente. A fiscalização aumentou, as detenções se intensificaram e quem está irregular vive sob constante insegurança jurídica."


Prejuízo financeiro pode superar o investimento em uma imigração legal

Além dos riscos físicos da travessia, especialistas alertam que a imigração irregular costuma gerar perdas financeiras significativas. Muitas famílias vendem imóveis, veículos e contraem empréstimos para custear a viagem, sem qualquer garantia de permanência nos Estados Unidos.

Segundo Toledo, outro erro recorrente é utilizar o pedido de asilo como estratégia de imigração, mesmo sem atender aos requisitos previstos na legislação americana.

"O asilo existe para proteger pessoas que realmente sofrem perseguições por motivos específicos previstos em lei. Quando esse fundamento não existe, o risco de negativa do processo e posterior deportação é muito elevado."


Busca por vistos legais cresce

Como consequência desse cenário, cresce também o interesse por modalidades legais de imigração.

Entre os vistos mais procurados estão o EB-2 NIW, destinado a profissionais qualificados que demonstrem interesse nacional para os Estados Unidos; o EB-5, voltado a investidores; além de vistos empresariais, como o E-2 e o L-1.

Segundo Toledo, muitas famílias descobrem, apenas depois da deportação, que o custo financeiro da imigração irregular poderia ter sido suficiente para estruturar um processo legal. "Em muitos casos, o valor gasto com atravessadores, deslocamentos, dívidas e perdas patrimoniais supera o investimento necessário para algumas modalidades legais de imigração. A diferença é que o caminho regular oferece segurança jurídica e reduz drasticamente o risco de perder tudo."


Crianças estão entre as maiores vítimas

Na avaliação do especialista, um dos aspectos mais preocupantes é a exposição de crianças às rotas clandestinas.

Além da atuação de organizações criminosas, as travessias frequentemente passam por regiões desérticas, rios com correnteza intensa, áreas isoladas e locais onde praticamente não há acesso a atendimento médico.

"Crianças não têm condições de enfrentar esse tipo de jornada. Basta uma febre, uma desidratação ou um acidente para transformar uma viagem em uma tragédia. O desejo de oferecer uma vida melhor jamais pode significar colocar toda a família em um risco tão elevado."

Para Toledo, o aumento das deportações tende a consolidar uma mudança de comportamento entre brasileiros interessados em viver nos Estados Unidos.

"As oportunidades continuam existindo para quem deseja construir uma vida nos Estados Unidos. A diferença é que cresce a compreensão de que fazer isso por meio das vias legais oferece muito mais segurança, previsibilidade e tranquilidade para toda a família."



Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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