Pesquisar no Blog

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Por que o sonho da casa própria ainda move gerações de brasileiros

Jovens de 18 a 30 anos representaram cerca de
62% dos compradores da MRV este ano
Pesquisas mostram que mais de 90% da população deseja adquirir um imóvel. Relatos refletem o impacto social da moradia na vida das famílias


O sonho da casa própria permanece como o principal desejo de consumo dos brasileiros — acima do carro, das viagens e até da estabilidade financeira. Segundo pesquisa do Datafolha, 93% das pessoas que vivem de aluguel ou em imóveis cedidos desejam adquirir um imóvel próprio.

Esse sentimento não se limita às gerações anteriores. Um estudo do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUC do Paraná revelou que 95% dos integrantes das gerações Y e Z ainda desejam ter um imóvel. Já um levantamento da MRV, maior construtora da América Latina, aponta que os jovens de 18 a 30 anos representaram cerca de 62% dos compradores da companhia entre janeiro e outubro de 2025.

No Rio, a geração Z representou 57% dos compradores nesse período. Em São Paulo, a mesma faixa etária respondeu por 58,7% dos novos proprietários. A explicação para essa demanda está nos aspectos sociais, culturais e afetivos que cercam a relação dos brasileiros com a moradia. 

Especialistas em habitação apontam que o sonho da casa própria é movido pela busca por pertencimento, estabilidade e segurança — especialmente em um contexto em que o aluguel consome parcela significativa do orçamento de muitas famílias. Há ainda a ideia de uma “herança imobiliária”, conceito que traduz o desejo de deixar um bem para as próximas gerações, além do valor emocional atribuído ao lar, entendido como o espaço onde se constroem memórias, vínculos e histórias. 

“Temos observado um movimento muito forte dos jovens que desejam conquistar sua independência cada vez mais cedo, seja para morar sozinhos ou iniciar uma vida a dois. Esse público é também mais exigente: busca empreendimentos sustentáveis, seguros, com boas áreas de lazer e infraestrutura completa”, destaca Viviane Sieiro, diretora comercial da MRV no Rio de Janeiro. 

Segundo a executiva, os programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida têm papel fundamental nesse processo, porque oferecem condições mais acessíveis de financiamento, taxas de juros competitivas e prazos que podem chegar a até 35 anos: 

“Isso torna o sonho do primeiro apartamento mais viável para essa geração que já entende a moradia como um investimento em qualidade de vida e futuro”, acrescenta. 

Esse é o caso do empresário Luiz Cláudio Souza, que comprou seu primeiro imóvel aos 29 anos. Hoje, aos 31, ele afirma ter conseguido unir estabilidade e investimento: 

“Percebi que era o momento certo para comprar porque a queda da Selic tornaria meu financiamento mais vantajoso e, ao mesmo tempo, valorizaria o bem. Além disso, encontrei uma parcela que ficou bem melhor do que o aluguel que eu pagaria por um imóvel do mesmo padrão. E ainda posso alugar durante as épocas festivas, como réveillon e carnaval, o que me ajuda a cobrir várias parcelas ao longo do ano”, conta. 

A chef de cozinha Jéssica da Silva Santos, de 35 anos, mãe solo de três filhas, acreditava que, com uma renda de pouco mais de R$2 mil, comprar um apartamento era algo bem distante de sua realidade. No entanto, movida pelo desejo de encontrar um local mais seguro para morar com as crianças, decidiu buscar as melhores condições de financiamento e, finalmente, conseguiu tirar o sonho do papel. O difícil agora está sendo encontrar palavras que representem essa conquista: 

“Quando peguei a chave, em setembro deste ano, me arrepiei inteira. É algo que não sei descrever. Quando passo pela portaria e vejo tudo organizado com segurança, penso: consegui. Sou a mulher e o homem da minha casa. Tenho gratidão a Deus e a todas as pessoas boas que cruzaram meu caminho”, conta, emocionada.
 

Sonho que movimenta o país

Casos como o de Luiz e de Jéssica revelam como o setor da construção cumpre um papel social essencial na comunidade. Para além do âmbito pessoal, o setor também movimenta a economia e inspira políticas públicas de habitação. Programas como o Minha Casa, Minha Vida ampliaram o acesso ao crédito e ao subsídio habitacional, permitindo que famílias de renda média e baixa concretizem esse projeto de vida. 

Para a MRV, o enfoque em empreendimentos acessíveis e com infraestrutura completa visa justamente alcançar esse público e cumprir sua missão de combater o déficit habitacional. A companhia atua com o Minha Casa Minha Vida desde a sua criação e tem mais de 92% de seu portfólio enquadrado no perfil do programa, somando mais de 40 mil unidades em todo o país. Ao todo, a empresa já entregou mais de 500 mil chaves pelo Brasil, realizando o sonho de mais de 1,5 milhão de pessoas. 

“O lar é visto como o ponto de partida para a melhoria na qualidade de vida e a busca por melhores perspectivas para muitas famílias. As construtoras têm uma grande responsabilidade e um papel central nesse processo, porque entregar um imóvel exige planejamento urbano e viabiliza o progresso de famílias, comunidades e cidades”, afirma Viviane Sieiro, diretora comercial da MRV no Rio de Janeiro.
  

MRV
www.mrv.com.br


Quase metade das mulheres brasileiras acredita que não é tratada com respeito no país, aponta pesquisa do DataSenado e da Nexus

Levantamento ouviu mais de 21 mil mulheres e revela que a rua continua sendo o lugar onde as mulheres são menos respeitadas. 94% consideram o Brasil um país machista


Quase metade das brasileiras (46%) acredita que as mulheres não são tratadas com respeito no país. A sensação não é isolada: ela se repete em casa, no trabalho e, principalmente, nas ruas, onde 49% delas dizem que as mulheres não são respeitadas. Os números são da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, o maior levantamento do país sobre o tema, realizado pelo DataSenado e pela Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal.

Parte do estudo integra o Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma criada pela OMV com apoio do Instituto Natura e da associação Gênero e Número para reunir informações oficiais do Ministério da Justiça, Ministério de Relações Exteriores, SUS, IBGE e outras fontes.

A nova edição da pesquisa do DataSenado e da Nexus ouviu mais de 20 mil mulheres em todas as regiões do país e expõe que a percepção é de que o machismo segue sendo regra, e não exceção: 94% das entrevistadas classificam o Brasil como um país machista.  A percepção de desrespeito permanece estável em relação a 2023, mas ainda em patamar elevado. Além disso, atravessa todos os espaços da vida das mulheres:


  • 49% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas nas ruas;
  • 24% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas no trabalho;
  • 21% acham (pensam/percebem) que as mulheres não são respeitadas em casa, pela família;
  • Mais de 60 milhões de mulheres dizem viver em um país “muito machista”.

“Esse acompanhamento e atualização bienal dos dados permite que a gente mensure como está e o que tem mudado no País em relação à violência contra mulheres e a percepção sobre o tema. Ou seja, é essencial para apoiar senadores e governo na hora de criar e mensurar o sucesso de leis e políticas públicas de proteção às mulheres”, diz Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado.


Sensação de desrespeito dentro de casa aumentou nos últimos anos

Desde 2011, a rua é o ambiente mais mencionado como local de maior desrespeito. Ainda que a quantidade de mulheres com esta percepção tenha caído 3 pontos percentuais entre 2023 e 2025, quase metade (49%) das entrevistadas ainda afirma que é nas vias públicas que as mulheres ficam mais vulneráveis. Já a percepção de que o desrespeito é maior dentro de casa aumentou 4 pontos, o que corresponde a cerca de 3,3 milhões de mulheres a mais que passaram a ver o ambiente familiar como o lugar mais inseguro. No ambiente de trabalho, não houve alteração significativa, mas este permanece sendo o segundo ambiente em que as mulheres percebem que há menos respeito.

“Esse aumento da declaração sobre desrespeito na família pode estar relacionado a uma maior conscientização das mulheres em relação à violência doméstica e familiar. Embora seja preocupante a percepção de que as mulheres não são respeitadas no círculo social mais íntimo, aquele que, em tese, deveria ser um espaço de proteção e acolhimento, isso vai ao encontro dos números altos de violência doméstica no país. Infelizmente, não é só a rua que apresenta perigo e desrespeito, conforme demonstram nossos altos índices de feminicídio”, comenta Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres do Instituto Natura.


Violência de gênero segue em alta

Desde 2017, cerca de oito em cada dez mulheres acreditam que a violência doméstica aumentou no país. Em 2025, 79% afirmaram perceber um crescimento da violência. Quando perguntadas sobre a reação das vítimas:


  • Apenas 11% acreditam que mulheres denunciam “sempre” ou “na maioria das vezes”;
  • 23% dizem que as vítimas não denunciam;

A percepção de que o Brasil é um país machista continua praticamente unânime entre as mulheres. Em 2025, 94% delas afirmam viver em um país machista, mesmo índice de 2023. O que mudou foi a intensidade: o grupo que considera o Brasil muito machista subiu de 62% para 70% em dois anos, o que representa 8 milhões de mulheres a mais com avaliação mais crítica sobre a desigualdade de gênero.

Desde 2017, o percentual nunca ficou abaixo de 90%, e apenas 2% das brasileiras dizem não ver machismo no país. O aumento da percepção de machismo caminha junto com a sensação de que a violência doméstica cresceu: 79% das mulheres acreditam que esse tipo de violência aumentou nos últimos 12 meses, retomando o maior patamar da série histórica.


Diferenças regionais e escolaridade

As diferenças na percepção de respeito também variam de acordo com a região do país. No Sul, por exemplo, 53% das mulheres afirmam que “às vezes” as mulheres não são tratadas com respeito, o maior índice entre todas as regiões. Já no Nordeste, metade das entrevistadas (50%) diz que as mulheres não são respeitadas.

Embora sem diferença estatisticamente significativa em relação ao Nordeste, o Sudeste aparece logo em seguida, com 48% afirmando que as mulheres não são respeitadas, seguido do Centro-Oeste (44%) e do Norte (41%). Apesar das variações, em todas as regiões há uma presença significativa de mulheres que oscilam entre o respeito ocasional e o completo desrespeito, o que demonstra que o sentimento de instabilidade na forma como a sociedade trata as mulheres é generalizado.

“Os dados ajudam a dimensionar como a violência contra a mulher deixa de ser um assunto restrito à esfera doméstica e passa a ser estrutural, com efeitos sociais e econômicos de longo prazo”, aponta Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência no Senado Federal.

Quando os dados são analisados a partir do nível de escolaridade, o cenário revela desigualdades ainda mais profundas. Entre as mulheres não alfabetizadas, 62% afirmam que as mulheres não são tratadas com respeito, índice muito superior ao registrado entre as que concluíram o ensino superior (41%). A percepção de respeito aumenta conforme cresce o nível de instrução, mas não desaparece completamente: mesmo entre mulheres com diploma universitário, apenas 8% dizem que as mulheres são plenamente respeitadas. As maiores variações se concentram nas faixas com ensino médio e superior incompleto, em que mais da metade das entrevistadas afirma que as mulheres são tratadas com respeito apenas “às vezes”, revelando que a escolaridade pode reduzir, mas não elimina, a percepção de desrespeito e machismo estrutural.

“O cruzamento entre escolaridade e percepção de respeito também mostra como as desigualdades educacionais se convertem em vulnerabilidade social. Mulheres com menor acesso à educação formal não apenas percebem mais situações de desrespeito, como também enfrentam maior dificuldade para denunciar ou acessar serviços de proteção”, analisa Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Associação Gênero e Número.


METODOLOGIA

O Instituto de Pesquisa DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra  a Violência, lança a 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher. A pesquisa bienal acompanha a percepção das mulheres brasileiras sobre a violência doméstica e familiar há 20 anos, desde 2005.

A edição deste ano teve como população-alvo mulheres com 16 anos ou mais, residentes no Brasil. No total, foram 21.641 entrevistas. As amostras do DataSenado são totalmente probabilísticas, permitindo calcular a margem de erro para cada resultado com nível de confiança de 95%. Para estimativas simples envolvendo todas as 21.641 mulheres entrevistadas, a margem de erro média foi de 0,69 ponto percentual, com desvio padrão de 0,45 ponto percentual. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com alocação uniforme por estado e Distrito Federal.


SOBRE O INSTITUTO DE PESQUISA DATASENADO

O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento  integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país.


SOBRE O OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA

Criado em 2016 pelo Senado Federal, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, atua na produção e integração de informações que subsidiam políticas públicas e fomenta o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres.


MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO

O Mapa é resultado da união de esforços de muitas mãos e corações. A ideia de fazer diferente, de construir algo relevante, motivou organizações, profissionais e vontades, todos com um único propósito: criar uma ferramenta poderosa na luta contra a violência que atinge mulheres e meninas. Realizado por meio da cooperação entre Estado, sociedade civil e imprensa, o projeto é fruto da parceria entre o Senado Federal (representado pelo Observatório da Mulher e DataSenado), o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa dedicada à integração e à transparência dos principais dados sobre a violência de gênero no Brasil.

 

DataSenado
https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/publicacaodatasenado?id=pesquisa-nacional-de-violencia-contra-a-mulher-datasenado-2025

Nexus
https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/quase-metade-das-mulheres-brasileiras-acredita-que-nao-e-tratada-com-respeito-no-pais/

 

Atestado de acompanhamento: o que as empresas precisam saber para evitar riscos trabalhistas

Especialista em Direito do Trabalho explica quando o documento deve ser aceito, quais exigências formais precisam ser observadas e como políticas internas evitam conflitos no RH

 

Embora previsto na legislação, o atestado de acompanhamento exige critérios formais e políticas internas bem definidas para evitar decisões inconsistentes e garantir segurança jurídica às organizações. O advogado e especialista em Direito do Trabalho e sócio do Comparato, Nunes, Federici &Pimentel Advogados (CNFLaw), Gilson de Souza Silva, explica que a legislação trabalhista estabelece que o documento não equivale a afastamento por incapacidade, mas funciona como justificativa de ausência em hipóteses específicas. 

“Até dois dias para acompanhar gestante em consultas pré-natais e um dia por ano para acompanhar filho de até seis anos. Fora dessas situações, a falta só deve ser abonada se houver previsão em acordo coletivo ou política interna da empresa”, informa o especialista. 

Para o advogado, a principal recomendação é que o RH diferencie claramente esse tipo de documento dos atestados médicos tradicionais. “A empresa não pode tratar o atestado de acompanhamento como um afastamento automático. Ele justifica a ausência em casos previstos e precisa ser analisado com critério para evitar interpretações equivocadas”, afirma. 

A dúvida sobre a validade do documento, se emitido pelo SUS, rede particular ou plano de saúde, também é recorrente no setor corporativo. Segundo Gilson, essa distinção não existe do ponto de vista jurídico. “A lei não faz diferença entre o atestado público ou privado. O que importa é que ele cumpra os requisitos formais: identificação do profissional, data, horário e indicação de que o empregado acompanhou o paciente”, destaca. 

O especialista reforça ainda que um dos erros mais comuns nas empresas está na ausência de protocolos internos. “O RH precisa ter regras claras para validar esses documentos. Quando cada gestor decide de um jeito, o risco de conflito aumenta e isso é totalmente evitável com políticas bem estruturadas”, explica. 

Gilson de Souza Silva lembra ainda que o compliance trabalhista se tornou indispensável na governança corporativa. “Política interna não é burocracia: é proteção para a empresa. Quando os critérios estão documentados, o tratamento é uniforme e a chance de litígio diminui significativamente”, acrescenta. 

O advogado recomenda que as empresas revisem suas diretrizes, treinem líderes e padronizem procedimentos sobre o tema. “Organizações que se antecipam e estruturam esses fluxos ficam menos expostas e garantem mais segurança jurídica em suas decisões diárias”, conclui.

 

Fonte: Gilson de Souza Silva - especialista em Direito do Trabalho e sócio do Comparato, Nunes, Federici &Pimentel Advogados (CNFLaw) na área trabalhista. É especialista Direito do Trabalho pelo Centro de Extensão Universitária (CEU), possui extensão em Reforma Trabalhista pela Fundação Getulio Vargas e MBA em Gestão Estratégica na Advocacia pela Escola Paulista de Direito (EPD)

 

Bariloche: o destino perfeito para fugir das praias lotadas

Emprotur Bariloche
Lagos cristalinos, trilhas, aventura e clima ameno transformam a Patagônia em uma alternativa surpreendente aos destinos tradicionais do verão

 

Enquanto as praias brasileiras recebem multidões, guarda-sóis disputam espaço na areia e filas se formam para qualquer atividade à beira-mar, há quem procure um verão completamente diferente. Para esses turistas, Bariloche oferece a alternativa perfeita. Localizada no coração da Patagônia argentina, a cidade se torna o refúgio ideal para quem quer natureza, sossego, ar puro e experiências autênticas, bem longe da agitação típica do litoral.

Com dias longos, temperaturas agradáveis e uma combinação rara de montanhas, lagos de águas cristalinas e bosques, Bariloche surge como o destino perfeito para quem quer escapar do agito e viver um verão mais leve, ativo e conectado com a natureza.

 

Aventura sem multidões 

Em vez de disputar espaço na areia, o viajante encontra mais de 15 atividades ao ar livre, todas realizadas em cenários amplos, silenciosos e preservados. A variedade impressiona:
 

Emprotur Bariloche

Stand Up Paddle, Caiaque e Kitesurf 

Os lagos Nahuel Huapi e Moreno oferecem águas transparentes e ondas suaves, perfeitas para remar, navegar e praticar kitesurf com total tranquilidade, sem embarcações barulhentas, sem muvuca, sem pressa.
 

Rafting e Stand Up Rafting 

Os rios da região, como o Rio Manso, proporcionam desde trajetos calmos até corredeiras cheias de emoção. É aventura pura rodeada por florestas, montanhas e sons naturais, uma experiência refrescante para quem quer trocar o calor abafado pelo frescor da água patagônica.
 

Trekking e Mountain Bike 

Bariloche é um paraíso para caminhadas e pedaladas. Trilhas com diferentes níveis de dificuldade passam por bosques, mirantes e refúgios de montanha, sempre com paisagens impressionantes e aquele clima de liberdade que só a Patagônia oferece.
 

Cavalgadas, Arvorismo e Canopy 

Para famílias ou grupos que buscam atividades leves, opções como cavalgadas, tirolesas e percursos entre as copas das árvores oferecem diversão sem tumulto e conexão com a natureza.

 

Um verão diferente 

Ao contrário do calor intenso das praias tropicais, o verão em Bariloche é marcado por:

  • Temperaturas amenas, perfeitas para atividades físicas;
  • Dias longos, que permitem aproveitar até 21h;
  • Paisagens de cinema, com lagos azul-turquesa e montanhas ao fundo;
  • Tranquilidade, mesmo durante os meses de alta temporada.
  • Um refúgio para quem busca mais qualidade e menos aglomeração

Emprotur Bariloche
“Bariloche combina aventura, contato com a natureza, gastronomia, cervejas artesanais, chocolate e um ritmo mais calmo de viagem. Para quem deseja um verão sem tumulto, com espaços amplos, paisagens maravilhosas e experiências memoráveis, o destino entrega exatamente o que promete”, destaca Martina Gelardi, diretora de planejamento estratégico da Emprotur Bariloche.

De remadas silenciosas ao pôr do sol a trilhas em montanhas imensas, de águas cristalinas a refúgios escondidos, Bariloche redefine o que significa curtir o verão. É uma alternativa elegante, fresca e aventureira para quem quer trocar o calor e a superlotação por liberdade, natureza e bem-estar. 



https://barilochealacarta.com/
Instagram: @barilochealacarta @barilochear
Facebook: Barilochealacarta

 

Caso de turista paraplégica expõe alerta sobre segurança e direitos ao buscar imóvel para férias em plataforma de hospedagens

Com a chegada do fim do ano, cresce a procura por hospedagens por temporada, especialmente via plataformas como Airbnb. A economia atrai, mas decisões recentes da Justiça mostram que o consumidor precisa redobrar cuidados. Especialista em direito do consumidor explica quais são os direitos, deveres e limites de responsabilidade nessa modalidade

 

A oferta de imóveis por aplicativos se tornou uma das alternativas preferidas de quem viaja em família e busca preços mais flexíveis do que hotéis tradicionais. Mas o aumento da demanda vem acompanhado de um sinal de alerta. A Justiça do Distrito Federal determinou que o Airbnb arque com despesas médicas de uma turista que ficou paraplégica após cair de uma varanda cuja estrutura cedeu durante a hospedagem na Bahia. O caso ganhou repercussão por expor falhas de segurança e por reforçar que plataformas digitais podem ser responsabilizadas quando o imóvel anunciado apresenta riscos ocultos. 

Para o advogado Marco Antonio Araujo Jr., especialista em direito do consumidor e turismo, o episódio deixa lições importantes. Segundo ele, “o consumidor costuma imaginar que a plataforma é apenas uma ponte entre anfitrião e hóspede, mas na prática ela atua como fornecedora de serviço. Se há falha na disponibilização, seleção ou suporte sobre um imóvel inseguro, a responsabilidade pode recair sobre ela”. Ele explica que o Código de Defesa do Consumidor estabelece responsabilidade objetiva, ou seja, não é necessário provar culpa, apenas o dano e o nexo com o serviço. 

O especialista reforça que a relação contratual envolve duas frentes. “O proprietário é responsável pela integridade do espaço que oferece. Se a estrutura é precária, se há risco não informado ou se o imóvel não condiz com o anúncio, ele responde diretamente. Já a plataforma deve garantir informação clara, mecanismos de prevenção e suporte eficiente. Quando um acidente grave ocorre, é um sinal de que falharam controles básicos”, afirma. 

Para o especialista, a decisão judicial deve ser encarada como um marco. “Ela sinaliza ao mercado que não basta conectar pessoas; é preciso assegurar critérios mínimos de segurança. A plataforma que lucra com a intermediação também assume riscos proporcionais, e isso tende a influenciar futuras políticas internas de checagem, certificação e atendimento ao consumidor”, avalia. 

 

Atenção aos detalhes

A escolha segura começa ainda na etapa de pesquisa. Marco Antonio recomenda que o consumidor priorize anúncios completos, com fotos recentes e avaliações consistentes. “O histórico do anfitrião diz muito sobre o que esperar. Comentários sobre infiltrações, problemas estruturais, barulho ou falta de manutenção não podem ser ignorados. Avaliações negativas recorrentes são um alerta claro para evitar o imóvel”, diz. Segundo ele, é prudente pedir imagens atualizadas de varandas, escadas, decks e áreas externas, que costumam ser pontos críticos de acidentes. 

Outro erro comum é confirmar a reserva sem esclarecer dúvidas práticas. “O consumidor deve perguntar sobre reformas recentes, inspeções, materiais utilizados e itens de proteção, principalmente em imóveis com piscina ou áreas com desnível. Essa postura investigativa protege o viajante e, se algo der errado, reforça o direito de reclamar”, explica Marco Antonio. 

Ao chegar ao local, a verificação visual é indispensável. O especialista orienta que o hóspede teste estruturas, observe sinais de desgaste e registre tudo em imagens. “A inspeção na chegada é parte da segurança. Corrimão solto, madeira deteriorada, guarda-corpo instável e piso escorregadio são riscos que o consumidor identifica em segundos. Se houver insegurança, a plataforma deve ser acionada imediatamente”, pontua. 

Ele reforça que fotografar irregularidades logo nas primeiras horas ajuda em pedidos de reembolso e comprova divergência entre anúncio e realidade.

  

Hospedagem por aplicativo não é hotel

A diferença entre os modelos também impacta direitos e obrigações. “Hotéis são submetidos a normas de segurança, fiscalização e regras padronizadas. Há equipe treinada, responsáveis técnicos e protocolos de resposta. Já nas locações por aplicativo, a estrutura depende exclusivamente do anfitrião e nem todos mantêm o imóvel em padrão profissional”, explica Marco Antonio. 

Alugar por aplicativo se mantém como opção prática e, muitas vezes, econômica desde que feita com cautela. “O barato compensa quando há transparência e segurança. Mas quando o consumidor não tem informação suficiente para avaliar o risco, o desequilíbrio aparece. Por isso, a melhor proteção é combinar pesquisa, documentação e atenção ao anúncio”, conclui Marco Antonio.

 

Check-list para reserva segura 


Antes da reserva:

>Verifique avaliações recentes, especialmente comentários sobre manutenção e segurança. 

>Peça fotos atualizadas de varandas, escadas, piscina e áreas externas. 

>Questione o anfitrião sobre reformas, inspeções e manutenção. 

>Observe se o anúncio descreve exatamente estrutura, regras e limitações. 

>Evite reservas feitas com pressa, períodos de alta temporada elevam o risco de anúncios inconsistentes. 

 

Ao chegar no imóvel:

>Teste a firmeza da varanda, corrimãos e guarda-corpo. 

>Cheque travas de portas e janelas e funcionamento de fechaduras. 

>Observe sinais de infiltração, ferrugem, mofo e madeira deteriorada. 

>Verifique escadas e iluminação das áreas de circulação. 

>Registre tudo com fotos e vídeos na chegada. 

>Em caso de risco, notifique imediatamente a plataforma e peça realocação ou reembolso.

 

Fonte: Marco Antonio Araujo Júnior - advogado e presidente da Comissão Especial de Direito do Turismo, Mídia e Entretenimento do Conselho Federal da OAB

 

Brasileiros estão entre os clientes mais exigentes do mundo, quando o assunto é atendimento com IA


A edição 2026 do estudo anual Zendesk CX Trends revela que o Brasil está entre os países onde a inteligência artificial (IA) mais está transformando a experiência do cliente. De acordo com o levantamento, os consumidores brasileiros apresentam expectativas significativamente superiores às médias global e latino-americana quando o assunto é rapidez, personalização e transparência no atendimento.

O relatório evidencia que o país se destaca tanto pela adoção acelerada de tecnologias de IA quanto pela exigência crescente dos consumidores em relação à qualidade das interações, criando um ambiente onde as empresas precisam evoluir mais rápido para acompanhar esse novo padrão.

“O Brasil está puxando a transformação da experiência do cliente na América Latina, e a inteligência contextual (uma IA agêntica construída sobre conhecimento unificado e multifuncional) é o que reduz, de fato, a distância entre eficiência e empatia. Em um mercado onde 82% dos consumidores se frustram ao repetir informações e 87% preferem experiências realmente personalizadas, essa tecnologia permite que as empresas reconheçam cada cliente com precisão e consistência”, afirma Walter Hildebrandi, Chief Technology Officer da Zendesk para a América Latina. “A IA enriquecida por contexto se baseia em dados estruturados, histórico de relacionamento, sinais em tempo real e políticas corporativas. Já não falamos de um atendimento padronizado, mas de interações que realmente são mais pessoais, independentemente do canal ou momento”, completa o executivo. 

Entre os consumidores brasileiros:

  • 88% esperam que a IA melhore a qualidade do atendimento, acima da média global e da América Latina.
  • 86% acreditam que a experiência deveria ser muito melhor do que é hoje.
  • 82% ficam frustrados ao precisar repetir informações durante o atendimento.
  • 79% esperam disponibilidade 24/7, impulsionada pelo uso da IA.

Além disso, o Brasil se destaca como um dos mercados em que a adoção da IA pelo consumidor mais cresceu, com 69% afirmando que aumentaram o uso de IA no último ano, o que supera a média latino-americana (58%) e a média global (51%).
 

Personalização não é mais diferencial, é mandatório

A busca por interações contextualizadas e fluidas também coloca os consumidores brasileiros como um dos mais exigentes mundialmente, já que 73% afirmam que a IA generativa aumentou suas expectativas de respostas mais rápidas, acima das médias global e regional. Enquanto isso, 78% dos brasileiros valorizam explicações em linguagem simples sobre as decisões automatizadas da IA, e 95% esperam clareza total sobre como a IA chega às suas conclusões — o que mostra uma crescente necessidade da população de entender a lógica por trás das decisões da inteligência artificial generativa.

O estudo evidencia que, para o consumidor brasileiro, a IA só será bem aceita se combinar eficiência com transparência. Em outras palavras, não basta gerar respostas rápidas, mas precisam fazer sentido também.
 

Líderes brasileiros aceleram implantação de IA avançada

Os líderes de CX no Brasil demonstram alinhamento com essa mudança de comportamento do consumidor. Segundo a pesquisa Zendesk CX Trends 2026:

  • 89% afirmam que a IA já é o principal motor das interações com clientes, muito acima das médias global e latino-americana.
  • 91% dizem que a IA já melhora dados, métricas e análises internas.
  • 92% planejam implementar Quality Assurance com cobertura total para humanos e IA no próximo ano.
  • 90% relatam que os clientes esperam experiências rápidas e fluidas em todos os canais de atendimento.

Em relação à IA multimodal (que usa vários formatos de comunicação, como texto, voz, imagem e vídeo dentro de um mesmo canal), o Brasil também se destaca, com 97% dos líderes de CX afirmando que esse tipo de IA “vai parecer quase mágica” para os clientes. Segundo esses executivos, o impacto operacional da IA multimodal reduzirá em torno de 59% o tempo de resolução de um atendimento. Isso tudo influenciará diretamente o comportamento dos consumidores, que tendem a ficar mais impacientes e menos tolerantes a erros.
 

Para a Zendesk, o Brasil avança rapidamente para um cenário em que a IA estará presente em todas as etapas da jornada do cliente, desde a triagem inicial até interações complexas que hoje demandam maior intervenção humana.
 

“Os dados mostram que o Brasil está entre os mercados onde a IA mais rapidamente deixou de ser promessa e passou a ser expectativa”, comenta Hildebrandi. “O consumidor brasileiro quer resoluções rápidas, mas também quer clareza e contexto. Isso coloca as empresas em um momento decisivo: ou evoluem com inteligência contextual com o apoio da IA, ou podem perder relevância”, finaliza.
 

Acesse aqui o relatório completo Zendesk CX Trends 2026 para uma análise detalhada das cinco tendências que moldam o futuro da experiência do cliente e das ações que as empresas podem tomar para se manter à frente da concorrência no mercado.
 

Metodologia

O estudo Zendesk CX Trends 2026 é baseado em respostas de mais de 11.000 participantes em todo o mundo. A pesquisa combinou dois levantamentos globais realizados em 22 países em junho de 2025: um com 6.182 consumidores e outro com 5.115 respondentes empresariais, incluindo líderes de CX, gerentes de atendimento e agentes.

Os países pesquisados incluem Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Dinamarca, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Países Baixos, Filipinas, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Tailândia, Reino Unido e Estados Unidos.

 

Novas regras para obtenção da CNH passam a valer esta semana

IMAGEM: Luiz Prado/DC
A exigência de aulas práticas passará das atuais 20 horas-aula para duas horas e o candidato poderá escolher realizar o treinamento em autoescolas ou com instrutores autônomos

 

As novas regras para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passam a valer esta semana, logo após a publicação da resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito que dispensou, por exemplo, as aulas de autoescola obrigatórias para poder obter o documento.

Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, a resolução com novas regras será publicada nesta semana no Diário Oficial da União (DOU), com validade imediata. A expectativa é que a publicação ocorra nesta terça-feira (9), após cerimônia no Palácio do Planalto para lançar o novo aplicativo para celular CNH do Brasil.

O aplicativo deve viabilizar a obtenção da CNH sem necessidade de passar por uma autoescola, disponibilizando o material para que os pretendentes a condutor estudem as regras de trânsito. Quem quiser ainda poderá fazer aulas teóricas e práticas em uma autoescola.

Segundo o Ministério dos Transportes, as medidas podem reduzir em até 80% o custo total da CNH.


Veja as principais mudanças:

Abertura do processo - Poderá ser feita pelo site do Ministério dos Transportes ou pelo aplicativo da Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Aulas teóricas - O Ministério dos Transportes irá disponibilizar todo o conteúdo teórico online gratuitamente. Quem preferir poderá estudar presencialmente em autoescolas ou instituições credenciadas.

Aulas práticas - A exigência de aulas práticas passará das atuais 20 horas-aula para duas horas. O candidato poderá escolher entre autoescolas tradicionais, instrutores autônomos credenciados pelos Detrans ou preparações personalizadas. Será permitido o uso de carro próprio para as aulas práticas.

Provas - Mesmo sem a obrigatoriedade das aulas, o condutor ainda é obrigado a fazer as provas teórica e prática para obter a CNH. Outras etapas obrigatórias, como coleta biométrica e exame médico, devem ser feitas presencialmente no Detran.

Instrutores - Os instrutores autônomos serão autorizados e fiscalizados pelos órgãos estaduais, com critérios padronizados nacionalmente. A identificação e o controle serão integrados à Carteira Digital de Trânsito.



Agência Brasil
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/novas-regras-para-obtencao-da-cnh-passam-a-valer-esta-semana

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Critério mais rigoroso para diagnóstico da sarcopenia melhora prevenção

 

Com pontos de corte mais altos, a prevalência de sarcopenia provável
 quadruplicou (de 10,6% para 40,1%), a sarcopenia diagnosticada aumentou
 de 1,4% para 5% e a grave mais que dobrou, de 3,9% para 8,8%
 (
imagem: Freepik)

Com base em dados de 7.065 brasileiros com mais de 50 anos, pesquisadores da UFSCar defendem mudanças na nota de corte do teste usado para avaliar a força muscular, de forma a identificar a doença mais precocemente


Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) analisaram dados de mais de 7 mil brasileiros e concluíram que usar critérios mais rigorosos para mensurar a fraqueza dos músculos pode melhorar a triagem da sarcopenia, doença associada à velhice e caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular. Além de facilitar o diagnóstico precoce, a abordagem com pontos de corte mais altos ajuda a identificar previamente o risco de morte associado aos estados de sarcopenia.

Essa condição está ligada à perda de funcionalidade da pessoa idosa, maior risco de quedas e mortalidade. De acordo com o consenso atualizado do European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP2), existem três estágios dintintos: provável sarcopenia, caracterizada apenas por baixa força muscular; sarcopenia propriamente dita, quando há baixa força e massa muscular; e sarcopenia grave, quando além de perda de massa e força muscular também há baixo desempenho físico.

O trabalho, que utilizou dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), comparou a prevalência e os fatores associados à sarcopenia utilizando o padrão recomendado pelo EWGSOP2 para definir baixa força muscular (força da mão menor que 27kg para homens e 16kg para mulheres) com pontos de corte mais altos (menos de 36kg para homens e menos de 23kg para mulheres), que já haviam sido associados à mortalidade em pesquisas anteriores.

“Medir a força da mão é uma forma simples, prática e barata de rastrear a sarcopenia. E, ao usar critérios mais rigorosos, conseguimos identificar a doença mais cedo, o que aumenta as chances de reversão com musculação e alimentação adequada. Na gerontologia, é essencial agir antes que os problemas se agravem. Dessa forma, quanto antes a sarcopenia for detectada, maiores são as chances de evitar quedas, perda de funcionalidade e até a morte”, explica Tiago da Silva Alexandre, professor da UFSCar e autor do estudo financiado pela FAPESP.

No trabalho, a adoção dos pontos de corte mais altos adicionou mais de 2 mil pessoas na triagem de "provável sarcopenia". “Quando usamos pontos de corte mais altos, a prevalência desse estágio inicial quadruplicou, passando de 10,6% para 40,1%. A sarcopenia propriamente dita aumentou de 1,4% para 5%. Já a sarcopenia grave mais que dobrou, de 3,9% para 8,8%”, conta Sara Souza Lima, bolsista da FAPESP que realizou o estudo como objeto de sua dissertação de mestrado.

Os pesquisadores afirmam que existem inúmeras sugestões de pontos de corte para detectar a sarcopenia e que, atualmente, no Brasil tem se adotado como diagnóstico os critérios internacionais do EWGSOP2. “No entanto, já vínhamos percebendo que o ponto de corte padrão começou a gerar uma certa dificuldade de diagnóstico. Em outro estudo realizado pelo nosso grupo de pesquisa, verificamos que o ponto de corte menor, de 36 kg para homens e de 23 kg para mulheres, era o único que identificava risco de morte para todos os estados de sarcopenia”, explica (leia mais em: agencia.fapesp.br/39770)


Desnutrição e sarcopenia

Outra descoberta importante do estudo está relacionada à desnutrição. Ao utilizar os pontos de corte mais altos, a associação entre desnutrição e sarcopenia grave tornou-se ainda mais forte. Na amostra, 41,5% dos participantes estavam em risco nutricional e 10% já estavam desnutridos.

“A nutrição desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde muscular, especialmente na população idosa. Quando usamos critérios mais sensíveis, conseguimos ver com mais clareza o impacto da desnutrição na sarcopenia”, explica Alexandre.

Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que, como os mesmos indivíduos foram avaliados com os dois critérios de triagem, os fatores clássicos associados à sarcopenia – como idade avançada, baixa renda e sedentarismo – continuaram os mesmos. “A diferença é que os limites mais altos permitiram identificar o risco da sarcopenia mais cedo. Isso nos leva à importância de que os critérios diagnósticos sejam baseados em desfechos clínicos relevantes, como a mortalidade, e não apenas em estatísticas, como foi o caso do EWGSOP2”, conclui Alexandre.

O artigo How does the cut-off point for grip strength affect the prevalence of sarcopenia and associated factors? Findings from the ELSI-Brazil Study pode ser lido em: https://doi.org/10.1590/0102-311XEN155624.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/criterio-mais-rigoroso-para-diagnostico-da-sarcopenia-melhora-prevencao/56667


Posts mais acessados