
Crédito: Felipe Perazzolo
As atividades
gratuitas exploram o universo do papel através da técnica da papietagem e da
produção de cartazes urbanos - as oficinas estão agendadas para o dia 19 de
julho e 02 de agosto
O Museu A CASA do Objeto Brasileiro
convida o público para duas oficinas gratuitas que exploram o universo do papel
e suas possibilidades artísticas. As atividades, promovidas pelo Educativo do
Museu, acontecem nos dias 19 de julho e 02 de agosto sábados, das 14h às 17h,
em diálogo com a exposição Qual o seu papel? Da fibra à forma: a arte que
pulsa da Paraíba, um recorte da produção artesanal do estado da
Paraíba. Com foco na interação criativa e no aprendizado prático, as oficinas
são voltadas para pessoas de todas as idades e incentivam reflexões sobre
identidade, território e sustentabilidade.
Oficina Fábrica de Cartazes do
Novo Mundo
19 de julho, sábado, das 14h às 17h
Nesta oficina prática, os participantes serão convidados a explorar o poder da palavra e da imagem através da criação de cartazes inspirados no universo visual dos espetáculos circenses, teatrais, de mercados e das ruas . A proposta é refletir sobre identidade, território e resistência, incentivando o protagonismo criativo dos participantes. Ao final, os cartazes produzidos poderão ser colados em um espaço coletivo do museu, formando uma intervenção urbana com arte, humor e crítica social.
Público: Aberto a todas as idades (menores de idade
devem estar acompanhados por responsáveis).
Investimento: Gratuito mediante inscrição prévia.
Inscrições disponíveis neste link
Materiais: Fornecidos pelo Museu A CASA.
Atividade limitada a 15 participantes, que serão selecionados
mediante ordem de inscrição.
Oficina Papietagem – Arte em
camadas para todas as idades
02 de agosto, sábado, das 14h às 17h
A oficina convida o público a soltar a criatividade
com a técnica da papietagem, transformando papel reciclado e cola em
verdadeiras obras de arte. Durante a atividade, os participantes aprenderão a
modelar objetos, personagens ou formas decorativas, explorando uma prática
artística sustentável e acessível. A atividade é voltada para quem deseja
experimentar novas formas de expressão manual, dando a oportunidade dos participantes
criarem peças únicas e refletirem sobre reaproveitamento de materiais.
Público: Aberto a todas as idades (menores de idade
devem estar acompanhados por responsáveis).
Investimento: Gratuito mediante inscrição
prévia.
Inscrições disponíveis neste link
Materiais: Fornecidos pelo Museu A CASA.
Atividade limitada a 15 participantes, que serão
selecionados mediante ordem de inscrição.
Sobre a exposição
Qual o seu papel? Da fibra à forma: a arte que pulsa da Paraíba reúne o trabalho de sete artesãos — Adriano Oliveira, Babá Santana, Carlos Apollo, Dadá Venceslau, Ednaldo Farias, Géo Oliveira e Socorro Souza —, que têm no papel sua principal matéria-prima de criação. A partir dele, dão forma a uma arte delicada, marcada por poesia, cores e personagens que habitam o imaginário popular e o universo lúdico da região. A mostra, que foi apresentada no 39º Salão do Artesanato da Paraíba, em João Pessoa, é realizada pelo Museu A CASA do Objeto Brasileiro, pelo PAP – Programa do Artesanato Paraibano, pela Secretaria de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba e pelo Governo do Estado da Paraíba. A exposição conta ainda com parceria institucional do Sebrae-PB e apoio institucional da São Braz.
As peças exibidas foram criadas sob a orientação do designer Sérgio Mattos, que estimulou a experimentação sem abrir mão da identidade autoral de cada artista. As obras são fruto de um domínio apurado das técnicas de papel machê e papietagem, práticas artesanais de origem milenar. Enquanto o papel machê — de origens na China antiga e difundido pela Europa — molda uma mistura de polpa de papel e adesivos naturais, resultando em estruturas sólidas e duráveis; a papietagem diferencia-se por aplicar camadas inteiras de papel embebido em cola sobre moldes, criando superfícies ricas em textura e volumetria.
“Em Qual o seu papel?, a arte feita à mão transforma materiais considerados de descarte em gestos de permanência e reinvenção. O Museu A Casa do Objeto Brasileiro, em parceria com o Governo do Estado da Paraíba e o Sebrae-PB, convida o público paulistano a descobrir como o olhar atento e a criatividade coletiva podem revelar beleza onde menos se espera — e como o fazer artesanal segue sendo um elo vital entre passado, presente e futuro”, diz Mariana Lorenzi - Diretora Artística do Museu A CASA do Objeto Brasileiro.
A inovação se revela também no uso de matérias-primas improváveis e sustentáveis: além de materiais descartados como papelão, caixas de medicamentos e rolos de papel higiênico, os artesãos empregam fibras e resíduos orgânicos tais quais banana, cana-de-açúcar, casca de cebola, carnaúba, espada-de-São-Jorge, capim-elefante, para criar papiros artesanais que incorporam texturas e tonalidades únicas às obras. Essa prática não apenas ressignifica o "lixo", como também contribui para o debate urgente sobre práticas sustentáveis, capazes de reverter os ciclos de descarte que marcam o nosso tempo.
As narrativas que atravessam as peças remetem ao dia
a dia do povo sertanejo, às festas populares e às tradições de resistência
cultural: das bases cilíndricas e coloridas desenhadas por Sérgio Mattos para a
cenografia, surgem papangus, maracatus, brincantes, palhaços, animais
fantásticos, maletas e bonecos que espelham a riqueza simbólica da região
nordestina. Cada objeto, ao mesmo tempo que celebra a inventividade popular,
convida à reflexão sobre memória, identidade e sustentabilidade.
Sobre os artistas
Adriano Oliveira: formas e
cores do Nordeste
Desde a adolescência, quando teve seu primeiro
contato com o artesanato, Adriano Oliveira, natural de João Pessoa, encantou-se
com a arte de transformar materiais. Hoje aos 42 anos, ele lembra com carinho
do aprendizado ao lado do mestre Babá Santana, que o inspirou a trilhar esse
caminho. Em seu pequeno ateliê, no bairro de Mangabeira, ele desenha e molda
figuras de animais, especialmente os domésticos. Explora também cores e
texturas combinando cabaça e jornal em peças únicas: mulheres nordestinas,
cães, gatos, bailarinas e máscaras de carnaval. Obras essas que carregam
alegria para a vida de seus clientes. “O artesanato vai além da criação, é a
oportunidade de fazer, refazer e reciclar”, afirma. “Tenho a missão de mostrar
um pouco da arte paraibana, da arte nordestina.”
Babá Santana: a poesia do
circo em papel machê
Manuel Iremar Santana, mais conhecido como Babá
Santana, apelido dado pela irmã, nasceu em 1958 no município de Santa Luzia, no
semiárido paraibano. Em 1972, mudou-se para a capital, onde sua trajetória
artística começou a tomar forma. Autodidata, explorou diversas áreas da
decoração e cenografia, criando desde ambientes infantis, estandes de
exposições e cenários teatrais. Em 2002, Babá encontrou sua real vocação: a
confecção de bonecos de papel machê. Desenvolveu uma técnica única, utilizando
cabaças como base para criar palhaços, bailarinas, trapezistas e equilibristas
— figuras que traduzem o encanto e a poesia do circo, sua paixão desde a infância.
Ele também produz bonecas, figuras humanas e arte sacra, sempre de um colorido
vibrante. Seu trabalho já foi exposto em São Paulo, Recife, Minas Gerais e
Bahia, além de ter atravessado fronteiras, sendo exibido nos Estados Unidos e
na França.
Carlos Apollo: a arte que
transforma
Com 58 anos de idade e 38 anos dedicados ao
artesanato, Carlos Antônio Apolônio da Silva, mais conhecido como Carlos
Apollo, encontrou na arte com papel sua verdadeira vocação. Nascido em
Esperança, no agreste paraibano, ele cresceu em meio à vida simples do campo,
filho de agricultores. Seu primeiro contato com o artesanato aconteceu em São
Paulo, quando começou a trabalhar com adereços e cenografia para teatro.
Autodidata, ele diz ter aprendido o ofício com a própria imaginação, sem
esquecer das pessoas que, ao longo do caminho, lhe deram dicas valiosas.
“Transformo materiais em obras de decoração e utilidade, gerando renda com
consciência ecológica.”
Dadá Venceslau: a magia do
teatro, do lixo ao luxo
A trajetória artística de Dadá Venceslau, 63 anos,
começou em Patos, onde nasceu. “Comecei a trabalhar com pedras, fazendo bonecos
e palhaços, tudo o que eu faço hoje, só que com papel, papelão e muito material
reciclado”, conta. Na década de 1980, passou a apresentar seus trabalhos em
feiras de artesanato. Mas foi no Rio de Janeiro que ele mergulhou no universo
circense, teatral e das artes plásticas, experiências que marcaram sua
formação. Em 1985, de volta à Paraíba, fundou a Supimpa Produções Artísticas,
dando origem à trupe Agitada Gang, um grupo de atores e palhaços que há mais de
30 anos encanta plateias. Além da atuação no cenário cultural, Dadá dedica-se a
projetos sociais. Como arte-educador, integra a ONG Folia Cidadã, realizando um
importante trabalho no Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos da Prefeitura
de João Pessoa. “Minha missão é ressignificar. Eu recolho o lixo e o transformo
em arte – o que chamo de o luxo do lixo.”
Ednaldo Farias: a reciclagem
como missão
Transformar o que iria para o lixo em algo novo e
belo, contribuindo para um mundo melhor – essa é a missão que Ednaldo Farias
Ferreira escolheu para si. Aos 42 anos, natural de Alagoa Grande, no agreste
paraibano, Ednaldo cresceu em uma família de agricultores e encontrou no
artesanato, em 2011, a oportunidade de mudar sua história. O olhar atento para
o trabalho de grandes mestres foi o que o impulsionou a desenvolver sua própria
arte, tornando o artesanato sua companhia inseparável. “Tenho procurado me
qualificar e melhorar a cada dia, para alcançar o realismo em cada escultura e,
assim, encantar ainda mais o público. Sou apaixonado pelo que faço.” Com mais
de dez anos de dedicação diária, Ednaldo segue firme em sua jornada, provando
que a arte pode dar novo destino a materiais descartados — e também transformar
a vida de quem a cria.
Geo Oliveira: alma festiva e
nordestina
Com talento e criatividade, Geo Oliveira transforma
simples folhas de papel em personagens do maracatu, dos folguedos e das
histórias do Sertão, dando forma e cor à cultura popular e às memórias de sua
infância. Natural de São Mamede, ele desde pequeno aprendeu a enxergar a
cultura popular do seu entorno. O olhar curioso e atento logo se tornou fonte
de inspiração. Antes de se dedicar ao papel, passou pelo bordado e pela arte
naif, até encontrar a verdadeira paixão: dar vida a personagens do imaginário
nordestino. “Eu não sei fazer outra coisa senão esses personagens dos
folguedos. Hoje, uso o papel para trazê-los ao mundo, porque, para mim, eles
são universais”, diz o artesão, que também é psicólogo.
Socorro Souza: entre o cuidado
e a arte
Nascida em João Pessoa, Socorro Souza descobriu
desde cedo as múltiplas possibilidades do artesanato. Vinda de uma família
humilde, ainda menina percebeu que o fazer artesanal poderia ser uma forma de
superar as dificuldades financeiras que enfrentava. Mas sua relação com o
artesanato foi além da necessidade. O amor pela arte se enraizou, e nem mesmo a
conquista de um diploma em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba a
afastou desse ofício. Os conselhos dos pais, comerciantes, para que apostasse
na educação deram frutos, mas o artesanato permaneceu como parte essencial de
sua vida. “Meu compromisso é buscar a maior perfeição possível em cada peça que
faço. Sempre me coloco no lugar do cliente e me esforço para que ele volte. Sei
que, ao confeccionar meus personagens com dedicação, também estou contribuindo
para um mundo melhor”, avalia.
Ficha Técnica - Museu A CASA
do Objeto Brasileiro
Diretora Presidente | Renata Mellão
Diretoras | Sonia Kiss e Maria Eudóxia Mellão Figueiredo
Atkins
Direção Executiva | Eduardo Augusto Sena
Direção Artística | Mariana Lorenzi
Administrativo-Financeiro | Tatiana Sousa
Comunicação | Halinni Garcia Lopes
Desenvolvimento Institucional | Carolina Rocha
Gestão Loja | Patrícia Kede Godoy
Gestão Predial | Janice Monteiro
Loja | Lívia Andrello
Mediação e Educativo | Camilla Pires
Produção | Renata Zanetti Sant’Anna
Serviços Gerais | Maria José Miguel Pereira
Zeladoria | Alfredo Matias
Ficha Técnica da exposição
Governo do Estado da Paraíba
Governador: João Azevedo Lins Filho
Vice Governador: Lucas Ribeiro Novais de
Araújo
Secretária de Estado do Turismo e Desenvolvimento
Econômico Setde: Rosália Borges Lucas
Presidente de Honra do Programa do Artesanato
Paraibano PAP: Ana Maria Sales Lins
Gestora do Programa do Artesanato Paraibano PAP:
Marielza Rodriguez Targino de Araújo
Diretor do Museu do Artesanato Paraibano Janete
Costa: Fábio de Morais Silva
Coordenadora de Capacitação do Programa do
Artesanato Paraibano PAP: Yara de Alencar Cunha Filha
SEBRAE PB
Presidentes do Conselho Deliberativo Estadual:
Mario Antônio Pereira Borba
Diretor Superintendente: Luiz Alberto Gonçalves
Amorim
Diretor Técnico: Lucélio Cartaxo Pires de Sá
Diretor Administrativo: João Monteiro da Franca
Neto
Gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial e
Políticas Públicas: Luciano Holanda
Gestor de Artesanato: Jucieux Palmeira
Curadoria da Exposição: Sérgio Matos
Sobre o Museu A CASA do Objeto
Brasileiro
O Museu A CASA do Objeto Brasileiro é um espaço de referência na valorização do saber artesanal, atuando desde 1997 para proteger, difundir e atualizar suas tradições. Fundado pela economista Renata Mellão, o museu fomenta a produção artesanal por meio de exposições, projetos, programação cultural e parcerias institucionais. Seu acervo inclui peças de Mestres Artesãos como Espedito Seleiro e de comunidades como os Baniwa e os ceramistas do Xingu.
Mais do que preservar, o museu atua ativamente na valorização do fazer manual como ferramenta de desenvolvimento social e econômico. Suas iniciativas incentivam a autonomia dos artesãos e artesãs, garantindo o reconhecimento de seus saberes e respeitando a identidade cultural de cada comunidade. Por meio de programas educativos, capacitações e pesquisas, o museu estabelece pontes entre tradição e inovação, fortalecendo a produção artesanal em diferentes territórios.
Ao longo de sua trajetória, o Museu A CASA consolidou-se como um importante polo de pesquisa e reflexão sobre o artesanato brasileiro. Suas exposições revelam a diversidade das práticas artesanais no país, abrangendo técnicas como a cerâmica indígena, as rendas, os trançados e a marcenaria. Além disso, promove iniciativas que aproximam artesãos, designers, pesquisadores e o público interessado na cultura material brasileira.
Desde 2008, o Museu A CASA realiza o Prêmio Objeto Brasileiro, um dos principais reconhecimentos do setor, voltado para a produção artesanal contemporânea. Com nove edições realizadas, o prêmio já recebeu quase duas mil inscrições, destacando a inovação e a excelência do fazer artesanal no Brasil.
Com um olhar atento à tradição e ao futuro do
artesanato, o Museu A CASA segue impulsionando novas narrativas e promovendo o
encontro entre diferentes gerações de criadores, pesquisadores e apreciadores
do objeto brasileiro.
Sobre a Loja do Museu A CASA
A Loja do Museu A CASA é uma extensão do trabalho do Museu A CASA do Objeto Brasileiro, oferecendo ao público a oportunidade de adquirir peças criadas por artesãos e comunidades de diversas regiões do país. Seu acervo é cuidadosamente selecionado para destacar a riqueza do artesanato brasileiro, valorizando materiais, técnicas e expressões culturais únicas.
Cada peça disponível na Loja do Museu A CASA carrega a história e a identidade de seus criadores, conectando tradição e contemporaneidade. O espaço busca promover a sustentabilidade da produção artesanal, garantindo que os artesãos sejam remunerados de forma justa e que seus saberes sejam preservados.
Além de objetos de decoração e utilitários, a loja
apresenta uma curadoria especial de peças autorais, muitas delas fruto de
parcerias entre designers e mestres artesãos. Dessa forma, a Loja do Museu A
CASA se torna um ponto de encontro entre diferentes públicos, incentivando o
consumo consciente e a valorização do fazer manual brasileiro.
Serviço
Qual o seu papel? Da fibra à
forma: a arte que pulsa da Paraíba
Local: Museu A CASA do Objeto Brasileiro(Av. Pedroso de Morais, 1216 - Pinheiros
, São Paulo - SP, 05420-001)
Período expositivo: Até 03 de agosto
Horário: De quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Mais informações:
Tel: +55 11 3814-9711


