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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Avós com TDAH: Quando o Diagnóstico Chega Na Terceira Idade

No Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, milhares de famílias se reúnem para ouvir histórias, dividir memórias e celebrar a sabedoria acumulada ao longo dos anos. Mas, por trás de muitos relatos contados entre risos e saudade, há também histórias de uma vida inteira convivendo com sintomas nunca explicados até agora. É como se muitas peças de um quebra-cabeças finalmente encontrassem seu lugar. 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), tradicionalmente associado a crianças, também pode afetar os idosos. E, em muitos casos, o diagnóstico só chega depois dos 60 anos, transformando completamente a compreensão que essas pessoas têm sobre si mesmas. 

"O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo da vida. O que muda são as formas como ele se manifesta e, principalmente, como é percebido pelas pessoas", explica o Dr. Matheus Trilico, neurologista especialista em TDAH e neurodiversidade. Segundo o especialista, aproximadamente 2% a 4% dos adultos com mais de 65 anos podem apresentar o transtorno, sendo que a maioria cresceu em uma época em que o TDAH era completamente desconhecido.

 

Quando o "Jeitinho" de Sempre Ganha Nome e Sobrenome 

O Dr. Matheus Trilico observa que muitos de seus pacientes idosos chegam ao consultório relatando que sempre foram vistos como "avoados", "desorganizados" ou "esquecidos demais". "É comum ouvirmos relatos como 'sempre fui assim, desde criança' ou 'minha família sempre disse que eu era distraído'. Essas características, que muitas vezes foram motivo de críticas ao longo da vida, ganham finalmente uma explicação científica", conta o neurologista.

Na terceira idade, o TDAH se manifesta de forma diferente do que observamos em crianças. A hiperatividade física típica da infância dá lugar a uma inquietação interna persistente, enquanto os problemas de atenção e organização se intensificam. Segundo Dr. Trilico, "é como se o cérebro estivesse sempre em movimento, mesmo quando o corpo está em repouso".

 

Sinais que Toda Família Deveria Reconhecer 

Muitos avós atribuem suas dificuldades ao "envelhecimento normal", sem perceber que podem estar lidando com sintomas de TDAH. O Dr. Matheus Trilico destaca alguns sinais importantes: "É comum encontrarmos avós que sempre tiveram problemas para se organizar, que se distraem facilmente durante conversas familiares ou que começam várias tarefas ao mesmo tempo, mas têm dificuldade para terminar qualquer uma delas". 

O especialista alerta que, quando essas dificuldades interferem significativamente na qualidade de vida, é hora de buscar avaliação especializada. "A diferença está no impacto funcional. Quando o esquecimento constante afeta a capacidade de cuidar dos netos, quando a desorganização impede a gestão da casa ou quando a falta de foco prejudica relacionamentos, precisamos investigar", orienta.

 Pesquisas recentes publicadas no Journal of Attention Disorders demonstram que adultos mais velhos com TDAH apresentam maior declínio da atenção seletiva e dificuldades mais acentuadas em tarefas que exigem controle inibitório (SIBLEY et al., 2022). Esses achados científicos confirmam que o transtorno não desaparece com o envelhecimento, mas se adapta às novas demandas da vida.

 

O Diagnóstico que Muda Tudo 

O diagnóstico tardio de TDAH pode representar uma verdadeira virada de chave na vida dos avós. O Dr. Matheus Trilico relata que "muitos pacientes descrevem uma sensação de alívio e autocompreensão após décadas de autocobrança e frustração. É como se finalmente entendessem por que sempre se sentiram diferentes".

 

Uma de suas pacientes, aos 68 anos, disse após o diagnóstico: 

"Finalmente entendi por que sempre me senti como se estivesse remando contra a corrente, mesmo nas tarefas mais simples". Segundo o neurologista, essa reação é extremamente comum. "Eles descobrem que não eram preguiçosos, desorganizados ou 'avoados demais'. Havia uma razão neurobiológica, e agora há caminhos para lidar com isso", destaca.

 

Impactos na Dinâmica Familiar

O TDAH na terceira idade não afeta apenas o indivíduo, mas toda a dinâmica familiar. O Dr. Trilico explica que "avós com TDAH não diagnosticado podem apresentar maior dificuldade em cuidar dos netos, esquecendo compromissos importantes ou tendo problemas para manter rotinas organizadas". Essa situação pode gerar frustração e incompreensão familiar, especialmente quando os sintomas são interpretados como desleixo ou falta de interesse. 

Estudos longitudinais publicados na revista Aging & Mental Health revelam que adultos mais velhos com TDAH apresentam maior risco de isolamento social e dificuldades na manutenção de relacionamentos interpessoais (MICHIELSEN et al., 2021). "Quando a família compreende que o TDAH é uma condição neurobiológica legítima, não uma questão de caráter ou personalidade, todo o ambiente familiar se torna mais acolhedor e terapêutico", explica o especialista.

 

Desafios Únicos do Diagnóstico Tardio

O diagnóstico de TDAH na terceira idade apresenta complexidades específicas. O Dr. Matheus Trilico explica que "existe uma sobreposição significativa entre sintomas de TDAH e alterações cognitivas relacionadas ao envelhecimento normal, o que pode confundir tanto pacientes quanto profissionais de saúde". 

Muitas vezes, esses sinais são confundidos com envelhecimento normal ou até demência em estágio inicial. Mas o TDAH tem características próprias. Segundo Dr. Trilico, "a dificuldade de planejamento, a desatenção crônica, a impulsividade, a ansiedade associada e o histórico de vida atribulado são pistas importantes que nos ajudam a distinguir o TDAH de outras condições".

 

Tratamento que Transforma 

Quando o TDAH é diagnosticado na terceira idade, o tratamento deve ser cuidadosamente adaptado. O Dr. Matheus Trilico esclarece que "o metabolismo dos medicamentos se altera com o envelhecimento, exigindo doses menores e monitoramento mais rigoroso". Mas o tratamento vai muito além da medicação. 

Com acompanhamento médico, ajustes no estilo de vida e estratégias comportamentais, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dos idosos com TDAH. Pesquisas publicadas no International Journal of Geriatric Psychiatry demonstram que intervenções não farmacológicas, como terapia cognitivo-comportamental adaptada e treinamento de habilidades executivas, apresentam eficácia significativa em adultos mais velhos com TDAH (YOUNG et al., 2020). 

"O mais impressionante é ver como o tratamento pode trazer alívio real, mesmo após décadas de convivência com os sintomas. Pacientes relatam melhora na organização, na capacidade de manter conversas, na gestão das tarefas domésticas e, principalmente, no relacionamento com familiares", conta Dr. Trilico.

 

Uma Nova Perspectiva de Vida 

O diagnóstico correto pode representar o começo de uma vida mais leve e acolhida. O Dr. Matheus Trilico destaca que "quando conseguimos otimizar a atenção e as funções executivas, observamos melhora na capacidade dos avós de participar ativamente da vida familiar, cuidar dos netos e manter autonomia nas atividades diárias". 

Além do impacto individual, há benefícios para toda a família. "Netos que não entendiam por que o avô ou avó era 'diferente' passam a compreender e desenvolver maior empatia. Filhos que cresceram sentindo que seus pais eram 'desatentos' descobrem que havia uma explicação médica", explica o neurologista.

 

O Convite à Reflexão Familiar 

Neste Dia dos Avós, além de homenagens e celebrações, fica o convite à escuta e ao cuidado. O Dr. Matheus Trilico sugere que as famílias prestem atenção a sinais que podem ter sido negligenciados: "Talvez aquele esquecimento constante, aquela dificuldade de foco ou aquele jeito impulsivo de um avô ou avó tenha uma explicação mais profunda". 

O especialista conclui com uma reflexão tocante: "Cada avô ou avó que recebe o diagnóstico correto e o tratamento adequado representa não apenas uma melhoria individual na qualidade de vida, mas também uma oportunidade para toda a família compreender melhor décadas de histórias e comportamentos. É como se finalmente pudéssemos ler o livro da vida dessa pessoa com os óculos certos". 

Com o envelhecimento populacional e o crescente reconhecimento do TDAH em adultos, espera-se que mais casos sejam identificados na terceira idade. A mensagem é clara: nunca é tarde para buscar compreensão e cuidado adequado. E o diagnóstico certo, mesmo que tardio, pode ser o começo de uma vida mais plena e acolhida.

 



Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818. Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista
https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/

 

TDAH ainda é pouco compreendido e diagnóstico correto segue sendo desafio, alerta psiquiatra do CEJAM

Freepik

Transtorno afeta crianças, adolescentes e adultos, mas ainda é cercado por estigmas, diagnósticos tardios e desinformação 

  

Cada vez mais presente nas conversas do dia a dia e até mesmo nas redes sociais, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ainda é cercado por desinformações, preconceitos e diagnósticos equivocados. O que muitos ainda tratam como uma fase, preguiça ou traço de personalidade​​ é, na verdade,​​ um transtorno do neurodesenvolvimento que pode afetar profundamente a vida de crianças, adolescentes e adultos quando não identificado e acompanhado de forma adequada.

“O TDAH é uma condição com base biológica e genética, que afeta a capacidade de manter o foco, de regular os impulsos e, em alguns casos, de conter a hiperatividade. Não é falta de educação, nem falta de esforço. É um cérebro que funciona de forma diferente”, explica a psiquiatra Carla Vieira, do CAPS Infantojuvenil M’Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS-SP).

Segundo a especialista, os sintomas costumam surgir ainda nos primeiros anos de vida e acompanhar o indivíduo em diversas fases. Na infância, são mais visíveis sinais como agitação, impulsividade e dificuldades escolares. Na adolescência, a hiperatividade tende a se tornar mais interna, e problemas de organização e impulsividade nas decisões ganham espaço. Já na vida adulta, o que predomina é a desatenção, desorganização e a dificuldade em manter ​​uma​​ rotina funcional.

“Muitos adultos que atendo só percebem que têm TDAH depois que os filhos são diagnosticados. Eles começam a se identificar com os sintomas e entendem que a vida inteira lutaram contra algo que nunca souberam nomear.  

Mesmo com todos esses sinais, o diagnóstico pode passar despercebido por anos. Em especial no caso das mulheres, que muitas vezes apresentam o tipo predominantemente desatento, sem a agitação que costuma chamar atenção. “Essas meninas acabam sendo rotuladas como distraídas, sonhadoras, desorganizadas. E crescem tentando se adaptar, sem saber que há um motivo para suas dificuldades”, afirma a psiquiatra.

O diagnóstico do TDAH é clínico, feito com base em entrevistas detalhadas, uso de escalas validadas e exclusão de outras causas para os sintomas. Apesar de os conteúdos nas redes sociais contribuírem para aumentar a conscientização, Carla alerta para os riscos do autodiagnóstico. “Identificar-se com um vídeo não é o mesmo que ter TDAH. A avaliação precisa ser feita por um profissional capacitado, que leve em conta a frequência, a intensidade e o impacto real dos sintomas na vida da pessoa.”

De acordo com a médica, os impactos do transtorno vão além da atenção ou da agitação. O TDAH pode comprometer a saúde emocional e física do paciente, levando à baixa autoestima, ansiedade, depressão, distúrbios do sono e até comportamentos de risco. Além disso, costuma coexistir com outras condições, como transtornos de aprendizagem, uso de substâncias e dificuldades de relacionamento.

O tratamento, quando necessário, é individualizado e pode envolver diferentes abordagens. Medicamentos estimulantes são amplamente utilizados, mas não são a única via. “A terapia cognitivo-comportamental, as mudanças de estilo de vida e a psicoeducação são pilares fundamentais. O tratamento não é uma receita única. Ele precisa ser ajustado à realidade de cada paciente”, explica .

Para a psiquiatra, o maior obstáculo ainda é a falta de acesso ao diagnóstico e tratamento adequado. Ela ressalta a importância de investir na formação de profissionais e no fortalecimento da conexão entre saúde e educação. “Ainda vemos muitas crianças sendo rotuladas como ‘difíceis’ na escola, sem receber o suporte necessário. Precisamos capacitar professores, estruturar planos de ensino individualizados e criar pontes entre as equipes pedagógicas e os profissionais de saúde.”

Outro desafio, segundo ela, é o combate ao preconceito. “Ouço muito no consultório que TDAH é desculpa, que é invenção da indústria farmacêutica, que é falta de esforço. Isso machuca e atrasa o tratamento. Precisamos entender que não se trata de falta de vontade, e sim de uma condição legítima, reconhecida pelas principais entidades de saúde do mundo.”

​​​A médica​​​​​​ reforça que, com o diagnóstico correto, acompanhamento ​​apropriado​​​ e empatia, é possível garantir mais qualidade de vida e autonomia para quem convive com o transtorno. “O TDAH não define uma pessoa, mas compreender como ele funciona pode mudar completamente sua trajetória. A informação é o primeiro passo para isso.” 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial



Brasil atinge apenas 1/3 da porcentagem de exames de mamografia recomendada pela OMS em 2023 e 2024

Segundo dados do Panorama do Câncer de Mama, o país alcançou 23,7% de cobertura, muito abaixo da recomendação de 70% para as mulheres na faixa etária-alvo 

 

No Brasil, o câncer de mama continua sendo o tipo que mais atinge mulheres. E, embora a detecção precoce por meio dos exames de rastreamento - realizados quando ainda não há sintomas - seja a principal ferramenta para salvar vidas, ela ainda não é uma realidade para todas. Segundo dados do Panorama do Câncer de Mama 2025, elaborado pelo Instituto Natura em parceria com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, apenas 41,7% das mamografias de rastreamento realizadas no SUS foram realizadas por mulheres negras entre 2023 e 2024. Quando analisada a porcentagem de exames realizados por mulheres amarelas, a participação foi de 11,5%; enquanto entre as indígenas, apenas 0,1% realizou o exame no biênio de 2023-2024. Já o total de exames em mulheres brancas representou 46,8%. Um retrato que evidencia a desigualdade no acesso à saúde no país. 

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de uma taxa de cobertura mamográfica de 70%, entre mulheres de 50 a 69 anos, bienalmente. No Brasil, segundo dados do Panorama do Câncer de Mama, o país alcançou apenas 23,7%, muito abaixo ainda da recomendação.
 

“O Panorama do Câncer de Mama 2025 traz um retrato alarmante de como o cuidado com a saúde feminina ainda está longe de ser equitativo no Brasil. Para mudar essa realidade, é preciso fazer muito mais do que campanhas pontuais. O cuidado com a saúde das mamas deve começar na atenção básica e seguir com acesso aos exames, diagnóstico e tratamento em tempo oportuno”, afirma Mariana Lorencinho, líder de Saúde das Mulheres do Instituto Natura.

 

Novos casos de câncer de mama por faixa etária 

Entre 2015 e 2024, foram notificados quase meio milhão de novos casos de câncer de mama no SUS. As faixas etárias que concentraram mais diagnósticos foram as de 50 a 59 anos (26,5%) e 60 a 69 anos (24,9%), justamente o público-alvo das políticas de rastreamento. Ainda assim, chama a atenção o número de casos registrados entre as mulheres mais jovens, de 30 a 49 anos, que representaram 31,4% do total e abaixo de 30 (2,2%). Completam o total de diagnósticos de câncer as mulheres acima de 69 anos (15%), evidenciando a necessidade de estratégias específicas para essas faixas etárias. 

Apesar da existência das Leis nº 12.732/2012 e nº 13.896/2019, que garantem prazos para diagnóstico (até 30 dias) e início do tratamento (até 60 dias), esses limites seguem sendo desrespeitados. De acordo com o Panorama do Câncer, o tempo médio na ordem histórica entre o diagnóstico de câncer de mama e o início do tratamento foi de 182 dias; em 2023, último ano de dados disponíveis, o tempo de espera chegou a 214 dias, ou seja, 154 dias acima do previsto pela lei. 

“As Leis dos 30 e 60 dias representam conquistas importantes no direito à saúde de quem enfrenta o câncer. Mas infelizmente, no Brasil, essas leis ainda são amplamente desrespeitadas. Mulheres com câncer de mama, como vemos aqui no Panorama, frequentemente esperam meses entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento, enfrentando filas, falta de estrutura e desorganização nos serviços públicos. O tempo, que deveria ser aliado na cura, acaba se tornando um grande desafio. É inaceitável que, com leis em vigor, pacientes oncológicas ainda morram esperando por atendimento. Garantir o cumprimento dessas legislações é uma questão de responsabilidade do Estado, de gestão do sistema de saúde e, acima de tudo, de respeito à vida”, comenta Dra. Catherine Moura, líder do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer e médica sanitarista. 

Para Nina Melo, coordenadora de pesquisa do Observatório de Oncologia, é urgente implementar soluções práticas e coletivas que assegurem esses direitos em todas as regiões e grupos sociais. “Infelizmente, o que se vê é uma grande dificuldade de acesso, que compromete o tratamento e as chances de cura”, diz.

 

Produção de mamografia e cobertura mamográfica no Brasil

A pandemia de COVID-19 também impactou fortemente o cuidado com a saúde das mamas. Em 2020, o número de mamografias caiu 41,1% em relação a 2019. Em 2021, a queda foi de 17,5%. Embora 2022 e 2023 tenham registrado leve recuperação, com crescimento de 1,5% e 5,7%, respectivamente, houve uma queda de 1,5%, em 2024, na produção de mamografias. 

Quando se trata da taxa de cobertura mamográfica, que é referente à capacidade de oferta de exames para a população-alvo a cada dois anos, em 2024 a taxa de cobertura mamográfica foi de 23,7%,ainda muito aquém da recomendação da Organização Mundial de Saúde. 

Ao observarmos o estadiamento ao diagnóstico no período histórico (2015-2023), é importante analisar que o percentual de casos avançados nas mulheres faixa etária alvo de rastreamento é 12,45% menor que nas mulheres fora do grupo etário de referência, chegando a 35,3% dos casos em mulheres de 50 e 69 anos. E a porcentagem de estadiamento tardio vai aumentando conforme reduz a idade: entre 40 e 49, 39,9% dos casos; entre 30 e 39 foram 47,8%; e de 20 e 29 foram 55,6% dos casosJá para o último ano do estudo(2023), o diagnóstico tardio para 50 a 69 anos foi equivalente a 32%; 40 a 49 anos, 36,6%; 30 a 39 anos, 46,3%; e 20 a 29 anos, 56,9%.

Em relação à raça/cor, o Panorama do Câncer de Mama destaca que as mulheres brancas apresentaram uma situação mais positiva em comparação com as mulheres negras. No período histórico (2015-2023), enquanto a proporção de diagnósticos em estadiamento 3 ou 4 para mulheres brancas foi de 35,7%, as mulheres negras apresentaram proporções de diagnóstico de 44,4%. No último ano, esses números foram 33,7% e 41,9%, respectivamente.
 

Quando olhamos para os dados de mortalidade, apenas em 2023, o câncer de mama foi responsável por 20.399 óbitos no Brasil, o maior número já registrado, com aumento de 5,4% em relação a 2022. 

As faixas etárias com maior número de óbitos para 2023 foram as de 60 a 69 anos (22,4%), 50 a 59 anos (22%) e 70 a 79 anos (18%). Em relação à raça/cor, 57,2% das mortes ocorreram entre mulheres brancas, enquanto as mulheres negras responderam por 42% dos óbitos registrados no último ano analisado (2024).

Acesse o estudo completo: 
www.panoramacancerdemama.com.br
 

Sobre o Panorama do Câncer de Mama 2025

Criado em 2020, estudo é observacional e transversal com dados públicos dos Sistemas de Informação Ambulatorial (SIA), Hospitalar (SIH) e Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), bem como dados de Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os dados usados foram da Produção Ambulatorial (PA) e Autorizações de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC) de Quimioterapia e Radioterapia do SIA, bem como as Autorizações de Internações Hospitalares (AIH) do SIH, Informações hospitalares do RHC e informações sobre a mortalidade do SIM. 

A população consistiu em todas as observações nos referidos bancos de dados para os procedimentos realizados para o diagnóstico de câncer de mama (C50 – 50.0 a 50.9) segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10) produzidos no SUS entre 2015 e 2024 para os bancos de dados do SIA e SIH e até 2023 para o SIM. Para o número de casos totais, foi usada a plataforma Painel Oncologia do Datasus do Ministério da Saúde para as análises. Para os dados do RHC foi analisado o período de 2015 a 2023 por estar ainda sem dados atualizados em quantidade em 2024.

 

Instituto Natura

Observatório de Oncologia


Saúde ocular em pauta: prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais

No mês em que se celebra o Dia da Saúde Ocular, dia 10 de julho, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) chamam a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças oculares. Entre as situações mais recorrentes estão a catarata, o glaucoma e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

A catarata caracteriza-se pela opacificação progressiva do cristalino, que provoca visão embaçada e dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luminosidade. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, essa doença é responsável por cerca de 48% dos casos de cegueira no país, com aproximadamente 550 mil novos diagnósticos ao ano. O glaucoma, por sua vez, é uma neuropatia óptica crônica causada geralmente pelo aumento da pressão intraocular, que ocasiona perda gradual do campo visual. Estudos apontam que a doença afeta cerca de 3,4% da população acima dos 40 anos no Sul do Brasil, sendo que até 90% dos casos permanecem sem diagnóstico. Já a DMRI é uma condição degenerativa que acomete a mácula — região central da retina — e causa perda da visão de detalhes e distorção de imagens, afetando mais de 30% dos brasileiros com mais de 80 anos.

Essas doenças costumam evoluir de forma silenciosa, o que reforça a importância das consultas oftalmológicas regulares, essenciais para a detecção precoce de alterações que podem comprometer significativamente a qualidade de vida. A recomendação é ainda mais relevante para pessoas com histórico familiar, diabetes ou outras comorbidades associadas. Além disso, sintomas comuns como vista cansada, exposição excessiva a telas e mudanças na acuidade visual também devem ser avaliados por um profissional desde os primeiros sinais.

Além de sua atuação institucional, a AMRIGS, em parceria com a SORIGS, também desenvolve iniciativas sociais voltadas à saúde visual. Um exemplo é a participação no Projeto Olhos da Vida, desenvolvido pelos profissionais do Centro de Olhos do RS (CORS) que, com o apoio de clínicas e ópticas parceiras, promoveu atendimentos oftalmológicos gratuitos e a doação de óculos a crianças em situação de vulnerabilidade em comunidades da capital, incluindo, entre os beneficiados, crianças atendidas pelo Instituto Vida Solidária, organização social mantida pela AMRIGS que desenvolve ações de inclusão e fortalecimento de vínculos. Esse compromisso conjunto reforça o compromisso mútuo das entidades com a promoção da saúde e a conscientização sobre a importância dos cuidados contínuos com a visão.

 

Nota Conjunta | AMRIGS e SORIGS - Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul

Dr. Gerson Junqueira Jr. - Presidente da AMRIGS

Dr. Bruno Schneider de Araujo - Presidente da SORIGS

 

13 de julho - Dia Mundial do Rock

Estudos revelam como a música, especialmente o rock, estimula o cérebro, melhora o humor, reduz o estresse e pode auxiliar no tratamento de doenças neurológicas, explica especialistas Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

O Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho, é muito mais do que uma celebração cultural ou musical. É também uma oportunidade de destacar os impactos positivos que a música, especialmente esse gênero, pode ter sobre a saúde cerebral. Estudos científicos vêm demonstrando que ouvir música é uma prática com efeitos profundos no cérebro humano, capazes de melhorar o humor, reduzir o estresse, fortalecer a memória e até auxiliar no tratamento de doenças neurológicas. 

Pesquisas em neurociência e musicoterapia indicam que o cérebro reage à música ativando circuitos relacionados à recompensa, lembrança e atenção. Isso vale tanto para indivíduos saudáveis quanto para aqueles com distúrbios como Alzheimer, Parkinson, depressão e ansiedade. A música pode contribuir para a reabilitação cognitiva, facilitar a comunicação em casos de autismo, aprimorar a coordenação motora e proporcionar conforto emocional. Segundo um estudo publicado na Frontiers in Psychology, a música ativa regiões cerebrais como o córtex pré-frontal e o sistema límbico, diretamente ligados às emoções e à tomada de decisões. 

O rock, em particular, com seus ritmos marcantes, letras expressivas e energia vibrante, é especialmente eficaz em provocar reações emocionais intensas. Ele estimula áreas cerebrais relacionadas à dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. De acordo com uma pesquisa conduzida pela McGill University, no Canadá, ouvir canções que agradam ativa o núcleo accumbens, responsável pela sensação de prazer, liberando dopamina de forma semelhante à resposta gerada por recompensas naturais, como a alimentação ou a prática de atividades físicas. 

Escutar uma faixa favorita, especialmente de um estilo com o qual se tem vínculo afetivo, pode provocar uma resposta neuroquímica comparável àquela vivenciada em experiências gratificantes. 

A neurologista Dra. Ana Carolina Gomes, do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que esse efeito tem respaldo científico. “É o mesmo circuito ativado quando comemos algo que gostamos ou ouvimos uma música favorita”, afirma a especialista. Essa ativação cerebral contribui para a regulação do humor, alívio do estresse e melhora da qualidade de vida, especialmente em pessoas com condições neurológicas crônicas. 

Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, publicado na Frontiers in Human Neuroscience, [RC1] revelou que fãs do gênero musical que escutavam suas músicas favoritas após vivenciarem emoções negativas apresentaram uma redução significativa na raiva, no estresse e na hostilidade, além de um aumento em sentimentos de positividade, inspiração e relaxamento. 

Cada vez mais, hospitais e clínicas vêm adotando a musicoterapia como recurso complementar no cuidado a pacientes. Playlists terapêuticas, sessões de escuta ativa e atividades musicais são utilizadas para estimular regiões cerebrais ligadas à linguagem, à emoção e à coordenação. O rock, nesse cenário, não apenas anima, mas também ativa e fortalece funções mentais essenciais.


Portanto, neste Dia Mundial do Rock, vale a pena celebrar não apenas a trajetória do gênero ou seus ícones lendários, mas também seu papel como aliado da saúde cerebral. O que antes era visto apenas como símbolo de rebeldia e atitude agora é reconhecido como um poderoso estímulo mental, respaldado pela ciência e pela medicina.

 

Dra. Ana Carolina Gomes, CRM SP 175.180 RQE: 79.613


Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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Acordar cansado virou rotina? Médico explica causas celulares da fadiga matinal e como recuperar sua energia

Além da qualidade do sono, fatores como o mau funcionamento das mitocôndrias podem estar por trás da exaustão ao despertar. Dr. Adriano Faustino aponta causas ocultas e dá orientações práticas para reverter esse quadro

 

Você dorme, mas não descansa? Acorda todos os dias com a sensação de que correu uma maratona durante a noite? Para o médico Dr. Adriano Faustino, esse tipo de cansaço pode ter raízes mais profundas do que uma simples noite maldormida — e está diretamente ligado ao que acontece dentro das suas células.

Segundo ele, não é normal acordar cansado com frequência, e isso precisa ser investigado com responsabilidade. “O corpo está tentando dizer algo. A exaustão crônica logo ao despertar é um sintoma que não pode ser ignorado”, alerta.

 

Mitocôndrias: as verdadeiras usinas de energia do corpo


Um dos principais pontos destacados por Dr. Adriano Faustino é o papel das mitocôndrias — organelas celulares responsáveis pela produção de energia no organismo. 

As mitocôndrias funcionam como usinas. São elas que produzem ATP, a ‘moeda energética’ do corpo. Quando essas estruturas estão sobrecarregadas, inflamadas ou disfuncionais, o resultado é simples: você acorda cansado, sem energia vital”, explica Dr. Faustino.

Esse comprometimento pode ocorrer por diversos motivos: estresse oxidativo, má alimentação, sedentarismo, falta de sono reparador e excesso de estímulo noturno. “A fadiga matinal pode ser um reflexo direto do mau funcionamento mitocondrial, e não apenas da insônia ou do sono superficial.

 

Causas externas e comportamentais também influenciam

Embora as causas celulares tenham grande peso, o estilo de vida é um dos gatilhos mais comuns para a desregulação energética. Dr. Adriano pontua alguns hábitos que sabotam a qualidade do sono e, por consequência, da manhã seguinte:

               •             Dormir com a televisão ou o celular ligado;

               •             Comer tarde da noite, especialmente alimentos ultraprocessados;

               •             Dormir e acordar em horários variados todos os dias;

               •             Falta de exposição à luz natural ao longo do dia.

 

Você precisa ensinar seu corpo quando é hora de descansar e quando é hora de produzir. A rotina é a linguagem que o organismo entende”, esclarece Dr. Adriano Faustino.

 

Quando o cansaço ao acordar indica algo mais sério?

O médico alerta que existem distúrbios clínicos que alteram a arquitetura do sono e a eficiência energética do corpo:

               •             Apneia do sono (pausas respiratórias durante a noite);

               •             Inflamações celulares silenciosas;

               •             Déficit de vitaminas e minerais essenciais à função mitocondrial (como magnésio, zinco, complexo B);

               •             Desequilíbrios hormonais, como cortisol elevado à noite. 

Muita gente trata a fadiga com café ou estimulantes, mas isso é paliativo. É como tentar acender uma casa com curto-circuito: a luz pisca, mas o problema continua”, alerta Faustino.

 

Sinais de que é preciso procurar ajuda médica

Acordar cansado constantemente pode ser sintoma de problemas clínicos que merecem avaliação profissional. Segundo Faustino, é importante prestar atenção se, mesmo com boas práticas, a fadiga persiste.

Entre os sinais de alerta estão:

               •             Dores de cabeça matinais;

               •             Irritabilidade, lapsos de memória e dificuldade de concentração;

               •             Sensação de sono não reparador;

                •             Quando a falta de energia se apresentar repetidas vezes no decorrer do dia, não só ao acordar.

 

“É fundamental entender que sono é saúde. Se o corpo não descansa, ele não regenera. A longo prazo, isso cobra um preço alto”, afirma o especialista.

 

Como recuperar a energia e despertar com disposição?

Para restaurar o funcionamento das mitocôndrias e acordar bem, Dr. Adriano recomenda uma abordagem combinada, que envolve:

               1.           Sono regular e profundo (mínimo de 7h30 de qualidade);

               2.           Redução da inflamação corporal com alimentação anti-inflamatória;

               3.           Prática de exercícios leves e consistentes;

               4.           Exposição à luz solar nas primeiras horas do dia;

               5.           Suporte nutricional (reposição) com foco na saúde celular. 

É possível recuperar a vitalidade. Mas isso exige decisão e disciplina. Quando você cuida da sua célula, você cuida de todo o seu sistema”, afirma o médico.

 



Dr. Adriano Faustino - Médico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Especialista em Geriatria, Nutrologia (ABRAN), Medicina Funcional, Fisiologia Hormonal e Oncologia Integrativa; Título de Especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas; Médico legista no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte; Coordenador do Ambulatório de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital Regional de Betim; Professor universitário nas áreas de Medicina Legal, Anatomia Médica, Primeiros Socorros e Legislação Médica; Professor de Pós-Graduação na Fundação Unimed e no Mestrado em Saúde da Faculdade de Direito Milton Campos (MG); Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Longevidade (SBML) e da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO); Idealizador do Programa Saúde Máxima e do Protocolo de Medicina Investigativa, já ajudou milhares de pacientes a transformarem suas vidas com diagnósticos precisos e abordagens terapêuticas baseadas em ciência de ponta, estilo de vida, alimentação e intervenções personalizadas; Desenvolveu também o Protocolo C.A.U.S.A. – Câncer, Autocuidado, Unidade, Saúde e Ação; Pregador e professor de Escola Bíblica Dominical desde 2001; Autor do livro Cientificamente Divino – Princípios bíblicos e científicos para uma saúde máxima.
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Nutrição na Gestação: dicas essenciais para uma gravidez saudável

Especialista da Universidade Positivo destaca opção de cardápios e alimentos importantes para as gestantes 

 

A gestação é um período de intensas transformações e, para garantir o desenvolvimento saudável do bebê e o bem-estar da mãe, a adoção de uma dieta especial e equilibrada desempenha um papel fundamental. Ao contrário do mito popular de que a gestante “deve comer por dois”, Ana Carolina Roos, professora do curso de Nutrição da Universidade Positivo, ressalta a importância de uma alimentação estratégica e consciente. 

“Cuidar do estado nutricional materno durante a gestação é crucial, visto que este é um estágio de vida delicado. Tanto a variação de peso quanto o padrão de ingestão alimentar da mulher, antes e durante a gestação, podem afetar o desenvolvimento fetal e o desfecho gestacional”, explica a professora. 

A docente ainda desmistifica a ideia de um aumento drástico no consumo calórico. “No primeiro trimestre, o ganho de peso da mulher é mínimo e o desenvolvimento fetal discreto, não sendo necessário aumento no consumo energético neste período”, afirma. 

A partir do segundo trimestre, a demanda energética começa a se elevar. “O aumento energético é de aproximadamente 340 a 360 kcal ao dia. Isso seria o equivalente a uma vitamina feita com 250ml de leite integral, uma banana média e duas colheres de sopa de aveia, ou o acréscimo de duas colheres de servir de arroz, 1 concha grande de feijão e 50g de carne a mais no almoço”, exemplifica a especialista. 

Já no terceiro trimestre, a demanda energética se eleva em aproximadamente 450 kcal/dia. “O que seria equivalente a adicionar, além dos alimentos descritos, mais um pote de cerca de 100g de salada de frutas com duas unidades de castanhas do Pará”, complementa.


Manejando as náuseas do início da gestação 

Náuseas e vômitos são sintomas comuns e desconfortáveis no início da gravidez. Ana Carolina oferece algumas recomendações para aliviar o desconforto: 

  • Aumentar o fracionamento das refeições, com maior frequência e menor volume e realizar refeições mais leves e regulares, evitando permanecer longos períodos sem se alimentar;
  • Consumir alimentos com baixas gorduras, preparados com pouco condimento e com cheiro neutro;
  • Alimentos secos, como torrada, biscoito água e sal e biscoito de polvilho, podem ajudar a aliviar as náuseas;
  • Evitar ingerir líquidos junto dos lanches ou grandes refeições;
  • Dar preferência a alimentos e bebidas mornas ou frias;
  • Alimentos cítricos, como abacaxi, limão, laranja e maracujá, podem ajudar;
  • Incluir o consumo de gengibre, seja em chá, balas ou em pó, devido à sua ação fitoterápica na redução das náuseas.


    Suplementação: Um Apoio Essencial 

Embora uma alimentação equilibrada seja a base, alguns suplementos são frequentemente recomendados para garantir o bom desenvolvimento fetal. Os nutrientes mais comuns para esta fase são o ácido fólico, essencial para a prevenção de defeitos do tubo neural; o ferro, necessário para a produção de hemoglobina e prevenção de anemia materna; e o ômega-3, importante para o desenvolvimento cerebral e visual do bebê.

A suplementação de ácido fólico deve ser iniciada, se possível, três meses antes da concepção e mantida até o terceiro mês de gestação. O ferro é recomendado durante toda a gravidez, e o ômega-3 a partir da 12ª semana. “Outros nutrientes também podem ser indicados, conforme as necessidades individuais da gestante. A suplementação deve ser orientada por nutricionista ou médico para evitar excessos e interações medicamentosas”, enfatiza Ana Carolina.

 

Alimentos a serem Evitados: cuidado redobrado 

A professora é categórica quanto a alguns alimentos e substâncias. “O consumo de álcool na gestação é expressamente proibido. Não há nenhuma quantidade que possa ser considerada segura. O etanol atravessa a placenta e pode causar a Síndrome Alcoólica Fetal, além de abortos espontâneos, partos prematuros e problemas de desenvolvimento”, alerta.

Além do álcool, a professora recomenda desencorajar o consumo de fast-foods, alimentos industrializados, gordurosos e “calorias vazias” (alimentos que fornecem energia, mas poucos nutrientes). “O ideal é buscar energia, proteínas, vitaminas e minerais extras através de alimentos in natura e minimamente processados”, orienta.

É fundamental ter cautela com chás e fitoterápicos. “Na gestação, muitas plantas, que podem parecer inofensivas, podem apresentar efeito teratogênico ou causar toxicidade ao feto. Nesta fase, são seguros os chás de camomila e gengibre, mas a dose e frequência devem ser prescritas por um nutricionista”, adverte.

Para uma gestação saudável e segura, a orientação profissional de um nutricionista é indispensável, garantindo que a dieta da gestante seja personalizada e atenda a todas as suas necessidades e as do bebê.

 

Universidade Positivo
up.edu.br/

 

Julho Amarelo amplia o olhar para as hepatites: foco em bebês, gestantes, inclusão social e exames inovadores como o Fibromax

Campanhas segmentadas, protocolos para gestantes e recém-nascidos, redução do estigma, atenção aos sintomas e tecnologias de ponta no diagnóstico são destaques das estratégias para 2025

 

Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, chega em 2025 com uma agenda mais abrangente e ousada: além de reforçar a prevenção clássica, especialistas defendem um olhar atento para públicos vulneráveis como bebês e gestantes, comunicação adaptada a diferentes realidades socioeconômicas, redução do estigma em torno da doença, atenção aos sintomas e o uso de avanços diagnósticos como o Fibromax para avaliar a saúde do fígado. 

“Não podemos mais tratar as hepatites apenas como uma pauta de vacina e tratamento. Precisamos pensar nas pessoas: quem são, onde estão, como entendem a doença, que sinais percebem no próprio corpo e como podemos ajudá-las de forma mais humanizada e tecnológica”, afirma o doutor Carlos Aita, médico patologista clínico do DB Diagnósticos. 

Dados recentes do Ministério da Saúde e um estudo de hospitalizações por hepatite B no Brasil (2008–2023) publicado no PMC (2024) revelam um aumento preocupante nas taxas dessa doença em bebês com menos de um ano, evidenciando falhas no rastreamento pré-natal e na vacinação imediata após o parto. “É essencial garantir que todas as gestantes sejam testadas durante o pré-natal e que os recém-nascidos recebam a imunização correta já nas primeiras horas de vida”, reforça o médico. 

Além disso, um estudo conduzido no Rio de Janeiro e Manaus apontou que o conhecimento sobre as hepatites ainda é baixo entre pessoas com menor escolaridade e renda. Essa lacuna reforça a necessidade de campanhas segmentadas, com linguagem simples e adaptadas às realidades locais. “É nosso dever como profissionais de saúde e comunicadores garantir que todos compreendam os riscos e saibam como se proteger”, destaca Carlos Aita. 

O tema do Dia Mundial das Hepatites 2025, promovido pela Organização Mundial da Saúde, é “Let’s Break It Down”, um chamado para quebrar barreiras sociais, econômicas e psicológicas que afastam as pessoas da testagem e do tratamento. De acordo com o relatório global da OMS para 2025, o estigma continua sendo uma das maiores barreiras ao diagnóstico precoce. “O estigma é um inimigo poderoso. Precisamos falar de hepatites com a mesma naturalidade com que falamos de colesterol ou glicemia, sem preconceito ou medo”, afirma.

 

As hepatites virais podem se desenvolver de maneira silenciosa, mas também apresentar sintomas inespecíficos que merecem atenção. Os sinais mais comuns incluem fadiga intensa, náuseas, dor abdominal, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, fezes claras e febre baixa. “Muitas vezes os sintomas são confundidos com uma gripe forte ou indisposição passageira, e isso retarda o diagnóstico. Por isso, é fundamental buscar atendimento médico ao notar esses sinais”, orienta o médico do DB.

 

Além da prevenção e da educação, os avanços científicos têm transformado o diagnóstico das hepatites e outras doenças hepáticas. O Fibromax, por exemplo, é um exame não invasivo que combina marcadores bioquímicos para avaliar, de forma integrada, fibrose, inflamação, esteatose e atividade hepática — muitas vezes substituindo a necessidade de biópsia. 

Os testes tradicionais, que analisam transaminases, fosfatase alcalina, gama‑GT e bilirrubinas, continuam indispensáveis para fornecer informações detalhadas sobre os sistemas hepático e biliar. Segundo o relatório do CDC EUA 2025 sobre progresso no combate às hepatites, as tecnologias moleculares e não invasivas como o Fibromax já estão integradas em protocolos clínicos em diversos países. 

“Hoje temos um arsenal diagnóstico robusto, que inclui o Fibromax e ferramentas moleculares para detectar e quantificar os vírus, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos”, explica o médico. 

Para ele, esses avanços só têm valor real quando aplicados de forma inclusiva e estratégica: “As hepatites não distinguem idade, classe social ou região. Por isso, precisamos de estratégias que considerem as pessoas em sua integralidade, combinando prevenção, inclusão, atenção aos sintomas e tecnologia”, conclui.

 

DB Diagnósticos
https://www.instagram.com/db.diagnosticos/


Ferramentas digitais que toda pequena empresa precisa para destravar o cresciment

Ferramentas digitais facilitam abrir e expandir negócios  



Abrir e manter um negócio no Brasil continua sendo uma tarefa desafiadora, especialmente para os microempreendedores. Uma pesquisa do Sebrae revela que 77% dos pequenos empresários buscam apoio para entender os processos de abertura e regularização de empresas, além de capacitação para gestão e crescimento sustentável. O dado reflete uma realidade em que a vontade de empreender encontra barreiras burocráticas e falta de informações claras sobre como tirar a ideia do papel.

No dia a dia, muitos empreendedores enfrentam dificuldades em entender quais documentos são necessários, onde buscar autorizações, como calcular impostos ou acessar linhas de crédito. A jornada para formalização ou expansão pode se tornar longa, resultando em atrasos no início das operações e, em alguns casos, no abandono do sonho de empreender.

Nesse cenário, ferramentas que descomplicam a vida do empreendedor tornam-se cada vez mais relevantes, principalmente em um país onde os micro e pequenos negócios representam mais de 99% das empresas, segundo dados do Sebrae, e são responsáveis por uma fatia significativa da geração de empregos no país.

Pensando em facilitar esse caminho, a cidade de Taubaté lançou recentemente a Sala do Empreendedor Digital, uma plataforma que complementa a atuação da Sala do Empreendedor presencial, localizada no Desenvolve Taubaté, reunindo em um ambiente online os principais serviços voltados a quem deseja abrir, regularizar ou expandir sua empresa.

A Sala do Empreendedor Digital permite que todo o processo de formalização e regularização de negócios seja realizado de forma prática, rápida e segura, sem que o empreendedor precise sair de casa. Além disso, o ambiente online oferece acesso a conteúdos de capacitação, treinamentos e orientações personalizadas, preparando os empreendedores para os desafios do mercado.

“A inovação no serviço público precisa caminhar junto das necessidades de quem gera oportunidades e empregos em nossa cidade. Com a Sala do Empreendedor Digital, estamos tornando o processo mais simples, prático e acessível para quem deseja empreender em Taubaté”, destaca Danilo Velloso, secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia, Inovação e Turismo de Taubaté.

A iniciativa também contribui para reduzir a burocracia, otimizando o tempo do empreendedor, que pode concentrar esforços em outras etapas importantes do negócio, como planejamento, marketing e gestão financeira. Ao facilitar o acesso a informações e processos, a ferramenta ajuda a aumentar a formalização de negócios no município, fator essencial para o desenvolvimento econômico local.

Outro ponto de destaque é que a Sala do Empreendedor Digital disponibiliza suporte contínuo aos empreendedores, oferecendo informações sobre linhas de crédito, participação em feiras e eventos, além de oportunidades de qualificação para que micro e pequenos empresários possam se atualizar e se manter competitivos no mercado.

Com a nova plataforma, Taubaté reforça seu compromisso com o fortalecimento do ecossistema empreendedor, tornando-se uma cidade cada vez mais amigável ao empreendedorismo. Para quem deseja abrir ou expandir um negócio, a Sala do Empreendedor Digital representa mais agilidade, eficiência e proximidade das oportunidades, contribuindo para transformar ideias em negócios bem-sucedidos.

 

Mais de 60% dos brasileiros têm dois ou mais empregos para garantir estabilidade ou realizar sonhos

Com o aumento do custo de vida e a instabilidade econômica, o acúmulo de empregos tornou-se uma realidade comum no Brasil. Uma pesquisa da Hostinger revelou que 60% dos brasileiros mantêm duas ou mais ocupações — seja para garantir o básico, seja para perseguir objetivos pessoais. A prática, antes associada a momentos de crise, parece ter se consolidado como uma estratégia permanente para milhões de trabalhadores. 

Entre os principais motivos apontados, 31% dos entrevistados afirmaram que a segunda fonte de renda proporciona segurança financeira em tempos de incerteza. Outros 26% buscam um aumento na renda mensal, enquanto 25% enxergam no segundo emprego uma forma de viabilizar sonhos pessoais, como empreender ou investir em educação. Para 6%, o esforço extra é uma alternativa para quitar dívidas acumuladas. 

O tempo dedicado à segunda ocupação varia conforme o objetivo. Quem trabalha por segurança financeira é o que mais se envolve: 15 horas ou mais por semana, além da jornada tradicional. Já os que atuam em busca de realização pessoal tendem a investir entre 3 e 5 horas semanais, revelando um esforço mais pontual e emocionalmente direcionado. 

Andre Purri, CEO da Alymente, aponta que a multiplicação de fontes de renda reflete não apenas uma necessidade econômica, mas uma mudança na mentalidade do trabalhador. “O modelo tradicional de carreira, centrado em um único vínculo empregatício, vem cedendo espaço para arranjos mais flexíveis — muitas vezes sustentados pela informalidade, pelo trabalho remoto ou por plataformas digitais”, afirma. 

Embora traga benefícios financeiros e até emocionais, o acúmulo de funções também acende alertas sobre saúde mental, esgotamento e precarização das relações de trabalho. O desafio para os próximos anos será encontrar o equilíbrio entre autonomia financeira e qualidade de vida — um dilema cada vez mais presente na rotina dos brasileiros. 

Caso tenha interesse na pauta, basta nos avisar que faremos a ponte com o executivo/especialista para uma entrevista. 

 

Andre Purri - CEO e cofundador da Alymente, Andre Purri vem revolucionando o mercado de benefícios corporativos. Formado em Administração de Empresas pela ESPM e com mais de 10 anos de experiência no setor de meio de pagamentos e benefícios, Andre iniciou sua carreira como Líder Comercial na Stone Pagamentos, onde desenvolveu habilidades estratégicas e de liderança. Movido pelo propósito de inovar, fundou a Alymente para oferecer soluções flexíveis que transformam a gestão de benefícios, gerando impacto positivo para empresas e colaboradores. Sua visão empreendedora reflete compromisso com inovação e excelência.


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