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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Manual Completo: Como Fazer as Provas do ENEM com Estratégia e Eficiência

1. Estrutura do ENEM: Provas Fixas e a Necessidade de Diversidade de Dificuldades 

O ENEM é uma prova fixa, diferente de provas adaptativas, como o SAT americano. Em uma prova adaptativa, o sistema ajusta o nível das questões conforme o desempenho do candidato nas respostas anteriores, medindo com mais precisão a proficiência de cada aluno.

No ENEM, essa adaptação não ocorre, e o exame é elaborado para atender a diferentes perfis de candidatos e permitir a aplicação da Teoria de Resposta ao Item (TRI). A TRI é um modelo estatístico que depende de um conjunto variado de questões – fáceis, médias e difíceis – para diferenciar candidatos de diferentes níveis de proficiência e criar uma avaliação justa e coerente.

 

Estrutura do Público do ENEM 

Com a variedade de questões, o ENEM é capaz de atender a diferentes perfis de candidatos:

1.   Certificação de Ensino Médio (válido apenas em anos anteriores).

2.   Cursos com Menor Nota de Corte (licenciaturas e graduações menos concorridas).

3.   Cursos Concorridos (exemplos: direito, engenharia, odontologia).

4.   Cursos de Alta Competitividade (como medicina, o mais exigente em termos de nota de corte).

 

Essa diversidade de dificuldades e públicos é essencial para que a TRI funcione adequadamente e para garantir uma régua justa e comparável entre os diferentes candidatos. Contudo, essa estrutura também faz com que candidatos que não aspiram a cursos altamente concorridos, como medicina, acabem expostos a questões mais difíceis, enquanto alunos que desejam medicina se deparam com questões que, para eles, são fáceis demais. Essa variabilidade de dificuldade é necessária para o cálculo da TRI, que depende de um conjunto diversificado de respostas para avaliar o desempenho e a coerência de cada candidato em relação a todos os perfis presentes na prova.


 

2. Preparação e Expectativas de Acertos

 

A preparação para o ENEM exige que o candidato alinhe suas expectativas de acordo com o nível de preparo e as exigências dos cursos pretendidos. Em média, as expectativas de acerto se dividem em três níveis:

·         20 acertos por área: candidatos que estão nos primeiros passos de preparação para o ENEM.

·         30 acertos por área: preparação intermediária, voltada para cursos de competitividade média.

·         40 acertos ou mais por área: candidatos altamente preparados, voltados a cursos de alta exigência, como medicina.

 

É essencial que o aluno trabalhe no dia das provas dentro do seu nível de preparo atual, pois tentar acertar mais do que está capacitado pode reduzir a nota final. Isso ocorre porque a nota do ENEM é baseada na coerência das respostas do candidato, avaliada pelo sistema TRI.

TRI e Coerência das Respostas

 

A nota do ENEM não se resume apenas ao número de acertos, mas sim ao construto do aluno, que é uma análise da coerência das respostas em relação ao número de acertos e à probabilidade que o aluno tinha de acertar cada questão. Esse construto é comparado ao perfil de respostas dos demais candidatos. A TRI utiliza uma combinação de:

·         Número total de acertos.

·         Coerência dos acertos em relação ao nível de dificuldade das questões.

·         Probabilidade de acerto: a TRI avalia se o aluno acertou as questões esperadas para seu nível de conhecimento e se houve consistência nos acertos. 

Dessa forma, quanto maior a coerência dos acertos em questões de diferentes dificuldades, maior será a pontuação do candidato. A TRI considera, portanto, tanto o número de acertos quanto a consistência dessas respostas em relação ao desempenho esperado para o perfil do aluno.


 

Exemplo de Coerência e a Importância de Pular Questões Difíceis

 

Em uma prova do ENEM, uma questão de matemática sobre o sistema de contagem dos incas teve uma taxa de acerto de 66% quando era a primeira questão, mas caiu para 44% ao aparecer na posição 42 em outra cor de prova. Esse exemplo reforça a importância de pular questões muito difíceis ou que demandam muito tempo, para conseguir chegar a outras mais acessíveis. Muitos candidatos não conseguem finalizar a prova ou desistem no meio, especialmente no segundo dia, que cobre Matemática e Natureza. A questão citada era uma questão com nós em cordas, sobre o sistema de contagem dos Incas. Erá um item fácil, mas quem não chegou até o fim da prova de cor em que a questão era a 42 perdeu a oportunidade de mostar que sabia resolvê-la e diminui sua nota tanto por ter errado a questão como por ter ter uma nota menor teve dimunuída quant que a TRI entendeu que o aluno tinha de probabilidade de acertar todas questões que acertou.

 

3. Estratégia de Início: Comece pela Área de Maior Afinidade

 

Em qualquer vestibular, concurso ou prova com áreas ou temas diferentes, começar pela área de maior afinidade é a estratégia recomendada. Essa abordagem tem os seguintes objetivos:

·         Manter a autoestima e a confiança altas logo no início da prova, o que reduz a ansiedade.

·         Facilitar a concentração e o ritmo da prova, ao começar por uma área que gera mais segurança e prazer.

 

Essa estratégia é válida para qualquer exame com mais de uma área, pois essa prática permite que o candidato entre no ritmo adequado desde o começo.

4. Estratégia de Resolução das Questões

 

A ordem de resolução no ENEM deve seguir uma lógica de construção de um construto sólido de coerência nas respostas, maximizando o tempo e a pontuação de forma eficiente.

·         Não existe uma ordem fixa para começar pelas questões fáceis ou médias. A orientação é resolver as questões conforme aparecem e responder aquelas que:

·         Lhe parecem fáceis.

·         Lhe parecem médias.

·         Lhe parecem que sabe fazer sem gastar muito tempo.

·         Pule as questões que:

·         Não sabe resolver no momento.

·         Demandam muito tempo para concluir, mesmo que saiba como resolver.

 

Essa abordagem economiza tempo e permite que o aluno garanta pontos em questões mais prováveis dele acertar, criando uma base sólida de coerência que o sistema TRI valoriza.

 

5. Mudança para a Segunda Área do Dia e Passagem para o Gabarito

 

Após passar por todas as questões da primeira área do dia e responder as que lhe parecem fáceis, médias ou rápidas, avance para a segunda área e repita a mesma estratégia:

·         Resolva as questões que lhe parecem fáceis, médias ou rápidas, sem buscar uma ordem específica.

·         Após completar a primeira passagem nas duas áreas do dia, passe todas as respostas dessas questões resolvidas para o gabarito.

 

Essa prática solidifica o construto e organiza o tempo para a tentativa de resolução das questões mais difíceis.

6. Estrutura da Redação: Leitura Atenta e Organização

 

Os alunos que recebem este manual já possuem uma excelente preparação para a redação, orientados por professores qualificados. As orientações aqui propostas são complementares ao que já foi aprendido, oferecendo um “plus” caso o aluno consiga incluir no texto. Sabemos que o tempo é curto e que o contato com esse material foi recente, portanto, o foco deve ser nas recomendações que os professores de redação já ensinaram.


 

Comando e Esboço Inicial

 

A redação do ENEM possui uma estrutura rigorosa. Antes de iniciar o texto, recomenda-se ler a proposta e o comando para entender o tema. Isso ajuda a manter o foco e ter clareza do que é solicitado. O comando determina a linha que o aluno deve seguir.

·         Comando: Essa é a instrução exata de abordagem. Um exemplo real é o comando do ENEM que pedia a análise da persistência da violência contra a mulher no Brasil. Muitos candidatos desviaram o foco e escreveram sobre a violência contra a mulher de forma geral, o que prejudicou a nota.

 

Ao longo da prova, a reflexão sobre o comando pode se desenvolver, já que algumas questões podem até dialogar com o tema da redação, proporcionando ideias e vocabulário para o texto.


 

7. Construção da Redação: Dicas para um Texto Mais Completo

 

Após a leitura do comando e da proposta e após resolver as questões que lhe parecem fáceis, médias e as que sabe fazer sem gastar muito tempo, o aluno deve passar para a redação antes de voltar para as questões deixadas em aberto. Isso permite que o aluno escreva com mais fluidez e ainda aproveite ideias colhidas nas questões.

 

Além disso, devido ao aumento expressivo de redações acima de 900 pontos (de 40 mil para 240 mil), seguem algumas dicas adicionais para quem quiser enriquecer o texto. Esses pontos são um diferencial, mas não substituem o aprendizado obtido em sala:

1.   Originalidade e Criatividade Argumentativa.

2.   Profundidade Crítica e Análise Complexa.

3.   Estilo Literário Sofisticado e fluência no texto.

4.   Integração com Repertório Sociocultural Relevante.

 

Recomendação: Encare a redação como se ela pudesse valer mais de 1000 pontos, e entregue um texto completo e diferenciado.

 


Uso de Conectivos e Variação de Frases

 

Além dos conectivos comuns, utilize também conectivos menos comuns, como um complemento para tornar a redação mais coesa e fluida. Textos que a partir do segundo parágrafo começam com conectivos que guiam a sequência lógica do texto são bem avaliados pelos corretores. Além disso, intercalar frases curtas e longas proporciona um texto mais dinâmico e interessante para o leitor.

 


8. Tentativa de Resolução das Questões Mais Difíceis

 

Após concluir a redação, retorne para as questões que havia deixado em aberto. Agora, vá uma a uma, resolvendo as que parecerem mais viáveis.

 

Dica: Caso o tempo esteja se esgotando, deixe as questões mais difíceis para o final e, se faltar tempo, chute diretamente no gabarito. Nunca deixe questões em branco, pois isso prejudica a nota.

9. Preparação Física e Mental para o Dia da Prova

Nos dias que antecedem o ENEM, é importante priorizar o bem-estar físico e mental:

·         No sábado: Realize atividades leves, passe tempo com a família e relaxe. Se houver aulão na escola, encare-o como um encontro para descontrair e não se pressione para aprender conteúdo novo na véspera da prova.

·         Evite telas eletrônicas nas horas antes de dormir, pois a luz azul interfere na qualidade do sono.

 

Na manhã da prova, faça uma caminhada leve antes de sair de casa. Estudos mostram que exercícios leves aumentam a concentração e o número de acertos, pois estimulam a dopamina e endorfina, o que ajuda na calma e no foco.

10. Alimentação e Hidratação Durante a Prova

 

No dia da prova, faça uma refeição leve por volta das 11h, preferindo:

·         Saladas e proteínas leves.

·         Carboidratos complexos, que mantêm energia estável.

          

Caso tenha desconforto em usar banheiros externos, tomar dois comprimidos de Imosec pode ser uma solução preventiva.

Importância da Alimentação durante a Prova

 

·         Comer adequadamente evita que o corpo produza corpos cetônicos, que substituem a glicose e podem causar fadiga mental, cansaço e até dor de cabeça.

·         Prefira frutas frescas ou secas, barrinhas de cereal com castanhas combinadas com frutas secas e chocolate amargo (70% ou mais), pois oferecem uma liberação lenta de glicose. Evite chocolates comuns, pois eles causam picos e quedas de glicose, o que pode prejudicar o rendimento.


Beba água ou chá verde gelado aos poucos, a cada 20-30 minutos, pequenos goles. O chá verde é uma boa opção por conter cafeína em quantidades moderadas, ajudando na concentração sem causar agitação excessiva.

11. Pausas e Alongamentos

 

Durante a prova, se o tempo permitir, vá ao banheiro sempre que quiser e aproveite o caminho para fazer alongamentos e relaxar. Além disso, dentro da sala, faça exercícios leves com ombros e braços para ajudar a:

 

·         Aumentar a oxigenação do cérebro e melhorar a circulação.

·         Reduzir a tensão muscular e manter a mente alerta, evitando fadiga mental.

·          

Realizar alongamentos e pequenas pausas ao longo de uma prova extensa e desafiadora como o ENEM ajuda a melhorar o desempenho e a manter a resistência até o final do exame.


Este manual reúne estratégias práticas e baseadas em estudos científicos para garantir que cada candidato maximize seu potencial, abordando o ENEM com uma abordagem equilibrada, consciente e eficiente.





Mateus Prado - Especialista em ENEM e TRI. Assessor Especial do Faria Brito, a primeira escola no ENEM do Brasil
instagram.com/enemmateusprado


Conheça dez princípios de um bom líder


Liderança é a palavra chave para o sucesso de uma empresa ou equipe, já que um líder é responsável por orientar a tomada de decisões, garantir o cumprimento das tarefas, identificar e resolver problemas, além de formar uma boa equipe, disposta a trazer bons resultados. Mas quem tem um negócio sabe que tudo isso depende de vários fatores e, pensando nisso, o empresário Marcelo Politi, responsável por trazer as operações do Hard Rock Café para o Brasil, traz princípios para quem precisa exercer essa função com maestria.


1. Contrate devagar e demita rápido

Muitas vezes a contratação é feita de forma rápida para substituir um funcionário. A princípio, todos parecem bons quando a empresa está em uma situação de emergência mas, diante disso, uma admissão precipitada pode se tornar um erro. Uma dica é sempre ter um sistema de contratação mesmo sem precisar, possibilitando fazer os testes sempre com cautela. Já a demissão deve ser rápida sempre que o colaborador está tendo atitudes que um gestor sabe que pode ser prejudicial ao negócio. A maioria dos líderes ainda seguram os funcionários pela comodidade de não ter que mexer na equipe


2. Aceite a culpa

Quando um gestor lidera uma equipe é preciso assumir a culpa. Quando a culpa é colocada em outra pessoa não tem como resolver o problema. A característica de um bom líder é assumir tudo que acontece nas operações, ou seja, ter uma atitude pró ativa frente aos problemas.


3. Tenha princípios claros de transparência e honestidade

Nunca esconda nada de ninguém ou deixe de ter uma conversa, quando necessário. Se um líder consegue passar esses conceitos aos gestores de cada operação é possível que eles também passem para suas equipes, ou seja, todos darão sequencia ao trabalho do líder dentro da empresa.


4. Treine corretamente a equipe

Muitas vezes não é um líder que treina sua equipe pois, em muitos casos, pode não ser a pessoa correta para essa função. Mas um líder não pode deixar de se responsabilizar pelo treinamento de cada um dos funcionários, oferecendo todo material necessário para a função, preocupando-se com o desenvolvimento profissional de cada um.


5. Delegue tarefas

A princípio o funcionário pode não desenvolver a função com tanta habilidade, mas isso pode ser só um começo. Após passar o período de aprendizagem um líder pode ter mais qualidade de vida, fazendo a colheita desse tempo de treinamento mais para frente e ganhando tempo no dia-a-dia para desempenhar outras funções.


6. Registre tudo que acontece no negócio

É importante documentar tudo que é feito com recorrência em um negócio. As grandes redes trabalham dessa forma, porém a maioria dos operadores independentes não segue esse modelo, podendo resultar em uma grande dificuldade ao trocar um funcionário, por exemplo. Toda pessoa que sai leva seu conhecimento aquirido na empresa. Um bom líder registrada todos os sistemas de uma operação.


7. Busque melhoria contínua

Durante um passeio pela operação um líder deve observar sempre o que pode ser melhorado. O sucesso de um negócio não vem da noite para o dia, mas sempre teve alguém preocupado com as melhorias. Neste caso também entra a importância de documentar todos os processos, já que um gestor consegue analisar os dados registrados no papel e ver com clareza os pontos que podem ganhar melhorias, ou seja, ter tudo de forma mais clara.


8. Tenha foco nos pequenos detalhes

São pequenos detalhes que fazem toda diferença. Quando focamos nos detalhes os primeiros a perceberem a diferença são os clientes. Um exemplo são os restaurantes cinco estrelas, onde é possível perceber que existe uma equipe focada em atender cada um dos requisitos necessários para garantir uma experiência exemplar aos seus hóspedes. Um líder que procura a diferença em cada detalhe consegue instituir uma cultura de melhoria e atenção em seu negócio.


9. Identifique gargalos

Em uma operação sempre pode acontecer algo que trava uma determinada área. Um bom líder está sempre atento aos setores, andando e procurando esses gargalos para que as engrenagens de um negócio funcionem perfeitamente. Mediante o problema, podem ser feitas realocações de pessoas ou a tomada de decisões frente a dificuldades.


10. Faça reuniões assertivas

Um bom líder chama para reunião somente pessoas capacitadas a resolver uma determinada situação. Há uma diferença entre uma reunião informativa, onde todos precisam participar, e uma reunião recorrente que serve para identificar, discutir e solucionar problemas. Um bom líder evita reuniões desnecessárias.

 


Marcelo Politi - formado em hotelaria e gastronomia pela Ecole des Roches (Association Suisse d’Hôtellerie), na Suiça e pós-graduado em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Aos 29 anos, foi o primeiro executivo contratado como diretor de Marketing pela rede de hotéis francesa Sofitel no Brasil. Foi responsável pela implantação e gestão das operações do Hard Rock Café no Brasil e gerenciou mais de 500 funcionários. O empresário é fundador da Politi Academy, uma empresa focada em trazer lucro, controle e crescimento para donos de negócios de alimentação, por meio de cursos de gestão, administração, marketing, planejamento, treinamento de equipe, entre outros que envolvam um negócio que tenha comida como serviço.
Politi Academy
https://politiacademy.com.br/


A Nova Lei de Feminicídio: Avanços, Limitações e Impactos Jurisprudenciais

 

A recente alteração no Código Penal, que desloca o feminicídio de uma qualificadora do crime de homicídio (art. 121, §2º, VI) para um tipo penal autônomo, agora previsto no art. 121-A, com pena de reclusão de 20 a 40 anos, representa um avanço substancial no enfrentamento à violência de gênero. Do ponto de vista processual e simbólico, a autonomia do feminicídio reflete o reconhecimento da gravidade das mortes de mulheres em razão de sua condição de gênero, que decorrem de uma estrutura patriarcal que perpetua ciclos de violência e opressão. A individualização do feminicídio como crime autônomo destaca a necessidade de uma proteção jurídica específica e direcionada às mulheres, reforçando a importância de um tratamento mais adequado às características dessa violência.

 

A criação de um tipo penal autônomo também possui um impacto significativo na transformação de comportamentos sociais que legitimam e perpetuam a violência de gênero. A resposta do direito penal a essa questão ultrapassa a dimensão meramente punitiva e assume um papel mais amplo, como instrumento de mudança social. O feminicídio, quando tratado de forma autônoma, torna-se um símbolo da resistência jurídica contra as práticas opressoras que resultam na agressão e morte de mulheres, o que está alinhado às demandas por uma perspectiva de gênero no ordenamento jurídico brasileiro.

 

Entretanto, o aumento da pena para o feminicídio, que passa a ser de 20 a 40 anos, também suscita importantes reflexões sobre o caráter punitivista do direito penal brasileiro e suas limitações. Historicamente, o sistema penal privilegia a punição em detrimento de medidas preventivas e educativas, o que pouco contribui para a transformação das causas estruturais que sustentam a violência contra as mulheres. Embora o endurecimento da pena possa parecer uma resposta firme, ele não resolve o problema na origem, gerando, muitas vezes, uma sensação de justiça que ignora as raízes culturais e sociais da violência de gênero.

 

Além disso, o caráter seletivo do direito penal no Brasil acentua as desigualdades, afetando de maneira mais expressiva as populações vulneráveis, em especial mulheres negras, pobres e periféricas, que enfrentam maiores obstáculos no acesso à justiça. A criminalização excessiva, sem políticas públicas eficazes que priorizem a educação para a igualdade de gênero, o fortalecimento de redes de apoio e a prevenção da violência, pouco contribui para uma redução significativa dos índices de feminicídio. É fundamental que o combate à violência de gênero seja pensado de forma holística, promovendo não apenas punição, mas também prevenção, conscientização social e empoderamento das mulheres.

 

Além das implicações no aumento da pena, é importante destacar que a nova legislação não poderá ser aplicada de forma retroativa aos crimes cometidos antes de sua vigência. Isso ocorre em razão do princípio da não retroatividade in pejus, consagrado no art. 5º, XL da Constituição Federal, que impede a aplicação retroativa de uma lei penal mais gravosa. Dessa forma, para os crimes de feminicídio cometidos antes da nova redação do Código Penal, aplica-se a legislação anterior, que tratava o feminicídio como uma qualificadora do homicídio, com penas menos severas. Esse princípio assegura a previsibilidade e a segurança jurídica no sistema de justiça penal, garantindo que os réus não sejam prejudicados por mudanças legais posteriores à prática do crime.

 

A modificação legislativa também tem o potencial de impactar a jurisprudência brasileira em diversos aspectos, especialmente no que tange à caracterização do feminicídio e à dosimetria da pena. Com a transformação do feminicídio em crime autônomo, é provável que haja um aumento no número de recursos e contestações sobre a tipificação do crime, levantando debates mais profundos sobre a motivação de gênero e a relação entre o autor e a vítima. Os Tribunais terão que lidar com questões mais detalhadas sobre o conceito de violência de gênero e suas implicações, o que poderá levar ao desenvolvimento de novas interpretações e parâmetros jurisprudenciais. Isso inclui a análise do contexto de violência doméstica e familiar, bem como das circunstâncias específicas que demonstram a motivação de gênero.

 

Em relação à dosimetria da pena, o aumento significativo para 20 a 40 anos de reclusão deverá incentivar discussões sobre os critérios utilizados para fixação da pena-base. Tribunais terão que elaborar critérios mais rigorosos e uniformes, considerando fatores agravantes e atenuantes, o que poderá contribuir para a criação de uma jurisprudência mais consolidada e uniforme no que se refere à aplicação dessa pena. A nova redação do Código Penal, portanto, exige uma readequação na forma como o Judiciário lida com a questão da violência de gênero, proporcionando uma evolução necessária na interpretação e aplicação do feminicídio no Brasil.

 

Por fim, a transformação do feminicídio em crime autônomo pode impactar a forma como os tribunais aplicam normas relacionadas à proteção das mulheres vítimas de violência, consolidando ainda mais a importância da perspectiva de gênero nas decisões judiciais. Esse novo enquadramento poderá induzir uma mudança na forma como os magistrados analisam os casos de violência de gênero em geral, resultando em um tratamento mais rigoroso e cuidadoso desses casos. A jurisprudência brasileira, tanto nos tribunais de primeira instância quanto nos tribunais superiores, passará por um período de adaptação, consolidando o feminicídio como uma categoria jurídica de maior relevância no combate à violência contra a mulher.

 

Em síntese, a nova lei de feminicídio representa um avanço jurídico e simbólico importante, mas que, por si só, não resolverá o problema da violência de gênero no Brasil. É necessário que a aplicação da nova legislação seja acompanhada de políticas públicas preventivas e reparadoras, a fim de promover uma transformação efetiva e duradoura nas estruturas sociais que legitimam a opressão e a violência contra as mulheres.

 

 

Mayra Cardozo - mentora de Mulheres e Advogada, especialista em gênero e sócia do escritório Martins Cardozo Advogados Associados. Idealizadora do método alma livre criado para auxiliar mulheres a saírem de relacionamentos tóxicos e abusivos.


Apelo aos eleitos de 2024: descubram o potencial do Turismo, da Hospedagem e da Alimentação Fora do Lar

  Opinião 

 

O setor de Turismo, Hospedagem e Alimentação Fora do Lar no Brasil é um gigante adormecido à espera de ser despertado. No estado de São Paulo, com mais de 500 mil estabelecimentos que geram quase 1 milhão de empregos, este setor é o motor econômico vital que impulsiona o desenvolvimento regional e nacional. No entanto, também é uma seara que enfrenta desafios significativos, que precisam ser abordados com urgência, a fim de liberar todo o seu potencial. 

Empresas do segmento em tela proporcionam oportunidades de emprego para brasileiros com uma ampla gama de habilidades e experiências, desde posições de entrada até cargos de gestão. A capacidade de gerar postos de trabalho e renda não pode ser subestimada, especialmente em tempos de recuperação econômica, quando a criação de oportunidades é crucial para a estabilidade social. 

Apesar do enorme potencial para revitalizar áreas decadentes e criar novos polos de desenvolvimento, o setor enfrenta desafios: elevado endividamento, falta de mão de obra qualificada, burocracia regulatória excessiva e alta carga tributária sobre a folha de pagamento. Estamos falando de fatores que desestimulam novos investimentos e sufocam a inovação e o crescimento. 

A Covid-19 também deixou cicatrizes profundas no segmento. Muitas empresas do meio ainda tentam se recuperar do impacto negativo das restrições sanitárias inerentes à pandemia da Covid-19, o que evidencia a necessidade de políticas públicas robustas e eficazes quanto ao assunto. 

É crucial que os líderes eleitos nas eleições municipais de 2024, desta forma, estejam preparados para enfrentar esses obstáculos de frente. Neste contexto, a corrida às urnas, que chegou ao fim, oficialmente, no domingo (27/10), com o segundo turno, se apresenta como uma oportunidade de ouro. É imperativo, afinal, que os escolhidos pela população, no processo democrático, estejam comprometidos com o desenvolvimento e o apoio a essa seara da Economia. 

Precisamos de líderes visionários que reconheçam a importância estratégica do Turismo, da Hospedagem e da Alimentação Fora do Lar para o crescimento econômico sustentável. Igualmente, que estejam dispostos a implementar políticas públicas que facilitem o ambiente dos negócios, melhorem a Segurança Pública e ofereçam incentivos adequados. E, não menos importante: que os governantes que cumprirão o mandato 2025/2028 possam transformar o setor, com impulso não apenas à economia local, mas, também, na melhoria da qualidade de vida de milhões de brasileiros. 

O apoio governamental adequado pode liberar o potencial inexplorado das empresas deste segmento e, assim, gerar um efeito dominó de prosperidade em toda a sociedade. Turismo, Hospedagem e Alimentação, vale destacar, são mais do que pilares econômicos - o setor é oportunidade para um futuro melhor. 

Somente com um compromisso firme, poderemos garantir um crescimento robusto e sustentável para o estado de São Paulo, indiscutivelmente pujante e com vocações diversas, bem como para o Brasil. Este é o momento de agir, de olhar para a frente com esperança e determinação, e de construir um Brasil mais próspero e inclusivo para todos.

  

Edson Pinto - diretor-executivo da Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp); presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Osasco, Alphaville e Região (SinHoRes); mestre em Direito, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC); e autor do livro “Lavagem de Capitais e Paraísos Fiscais” (Editora Atlas).


Marketing sem fronteiras: os desafios e estratégias para marcas internacionais que desejam conquistar o Brasil

Uma marca pode ser reconhecida e bem estabelecida no país de origem e, ainda assim, enfrentar desafios significativos quando chega o momento de expandir as fronteiras. Isso porque o lançamento em outro território pressupõe se adaptar aos seus contextos, tanto em termos comerciais quanto culturais. Tratando-se do Brasil, isso  pode ser especialmente complexo, devido à sua pluralidade, e ao fato de que, aqui, os costumes são no geral bastante enraizados e, portanto, resistentes às mudanças.

Para começar, existem alguns primeiros passos básicos na análise de um novo mercado, como mapear quais setores estão consolidados e quais apresentam perspectiva de crescimento para, assim, identificar oportunidades e definir o segmento e o consumidor foco. Além disso, é também importante conhecer os canais de distribuição a fim de definir os mais apropriados para o seu negócio — o chamado Route To Market (RTM).

O estudo da concorrência também pode ser útil, observar acertos e erros de outras marcas funciona como fonte de aprendizados, insights e inspirações, estimulando ideias e estratégias inovadoras — desde, é claro, que se busque sempre algo único e se evite a mera cópia.

Para além dessas etapas iniciais, é necessário entender que, muitas vezes, o processo de adaptação inclui adequar os conteúdos de marketing fornecidos pela matriz às especificidades locais. Alguns dados vão ao encontro desse entendimento: uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, em 2021, apontou que 71% dos consumidores esperam que as empresas lhes proporcionem interações personalizadas, a exemplo de recomendações com base em seus interesses, ofertas exclusivas e acompanhamento pós-venda.

A partir disso, pode-se concluir que criar campanhas e ações mais alinhadas à realidade e às necessidades do público-alvo tem o potencial de ajudar a marca a gerar maior conexão e engajamento. Nesse sentido, a presença digital é um grande trunfo, já que estabelece um canal direto com o consumidor. Aqui, a escuta ativa contribui para a coleta de dados valiosos e a definição de eventuais ajustes de rotas — especialmente quando há limitação de orçamento para investir em pesquisas.

Ao mesmo tempo, é importante encontrar o equilíbrio entre essa adaptação local e a integração regional em termos de comunicação. Para empresas que atuam na América do Sul, por exemplo, o Brasil possui um papel estratégico fundamental, com grande circulação de visitantes dos países vizinhos. Logo, o que se fala aqui precisa estar alinhado ao que se fala no entorno.

Dentre todas essas ferramentas, porém, a mais fundamental é a vivência da marca, que consiste basicamente em imersão e experiência de campo, sair à rua para observar, testar e provocar os limites em diferentes situações e ambientes. Quais são as diferentes formas de consumo? Qual a facilidade de execução de cada uma delas em diferentes canais? Em quais ocasiões de consumo a marca performa melhor?.

Responder a essas perguntas é compreender a fundo o mercado, o público e um cenário em que estratégias certeiras podem se apresentar naturalmente. Uma vez que elas sejam reconhecidas e o caminho escolhido, é imprescindível ter visão a longo prazo e manter a consistência. Afinal, o sucesso em qualquer segmento é um processo que exige tempo de maturação. Nesse aspecto, investimentos ajudam, é claro, mas não são garantia de sucesso, eles devem sempre vir aliados à uma boa gestão financeira do negócio.

Dessa forma, fica claro que a nacionalização de uma marca requer mais do que planos de marketing e gestão de perdas e ganhos. A chave é se conectar com o consumidor de maneira verdadeira e autêntica e, assim, usar experiência e conhecimento bem fundamentados para construir a narrativa mais atrativa. No caso específico do Brasil, por conta de seus costumes enraizados, o brasileiro ama ouvir novas histórias — basta saber escrevê-las e contá-las.





Tomas Lellis - Gerente de Área Sênior da Zamora para a América do Sul, empresa espanhola detentora e produtora de Licor 43

Faça a sua empresa performar bem no último trimestre do ano

 

Estamos oficialmente no último trimestre de 2024 e se você possui o papel de liderança em alguma empresa, é provável que já esteja pensando em maneiras para fechar esse ciclo bem, entregando uma performance de qualidade, para que assim, seja possível começar o próximo ano com resultados positivos. Porém, será que existe um caminho específico a ser seguido para fazer dar certo?

A resposta é: não! Cada empresa é única e mesmo que apresente serviços ou até produtos parecidos com um ou mais concorrentes, não dá para se igualar e querer seguir um padrão para todos. Afinal, o que foi bom para uma pode não funcionar para o outra e vice-versa. Além de que é fundamental saber o histórico da organização ao longo do ano, para que possamos identificar erros e acertos.

Se o que você está fazendo vem dando certo há um tempo e apresentando resultados satisfatórios de acordo com os objetivos estabelecidos no planejamento, provavelmente a empresa está caminhando na direção desejada. Te aviso, isso é raro! Ou você tem uma equipe realmente sensacional ou suas metas não são ambiciosas o suficiente. E “estar  indo bem” não é impeditivo para melhorias e eventuais ajustes, mas é um cenário mais “fácil” de se manter durante o último tri, trabalhando de forma consistente.

O mais difícil mesmo é quando você percebe que as ações não estão funcionando e que os resultados estão abaixo do esperado ou demorando muito mais do que o planejado. O que é mais comum de acontecer, por diferentes motivos. Essa situação é um sinal de que é necessário rever as estratégias e entender o que não está funcionando direito, para que seja viável fazer ajustes de rota e garantir que a sua empresa se recupere e performe bem durante esses últimos três meses do ano.

Para tornar esse processo mais eficiente, você pode adotar os OKRs - Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados Chaves) -, que irão ajudar muito a sua gestão a focar no que realmente vai te aproximar mais do resultado desejado. Para conseguir chegar lá, escolha um objetivo e defina os resultados que quer atingir, que mais vão contribuir para o resultado maior. Talvez você não consiga mais do que um, deixe os outros, se não nem este um você vai conseguir atingir.

Porém, o gestor não precisa e, não deve, passar por esse momento de ajustes sozinho. Uma das premissas dos OKRs é que os colaboradores participem ativamente junto com o líder, fazendo parte dessas construções. Claro, cada um respeitando a sua função, mas sabendo como sua tarefa influencia no todo. Desta forma, o time consegue colaborar de forma eficaz, sabendo o que precisam fazer.

O ponto que gosto de reforçar é que talvez o resultado do ano, olha de maneira geral, não seja atingido como esperado anteriormente, mas pelo menos nesta última sprint, você e seu time aprenderam a colaborar e a focar melhor, sendo orientados a trabalhar pelo resultado, o que considero o modelo ideal. Acredite em mim, esse é só o começo da construção de um 2025 diferente.

 

Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/

 

Período de Defeso da Piracema começa em 1º de novembro no Estado de São Paulo


Fonte: Acervo de Pesquisa do Laboratório de Ecologia
 e Pesca Continental do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento
em Recursos Hídricos e Pesqueiros

A partir de 1º de novembro de 2024, inicia-se o período de defeso continental nas duas principais bacias hidrográficas que abrangem o Estado de São Paulo: a do rio Paraná e a do Atlântico Sudeste, finalizando em 28 de fevereiro de 2025. Durante esse período, está proibida a pesca de espécies nativas, ou seja, apenas espécies não nativas (alóctones e exóticas) podem ser capturadas, conforme alerta a pesquisadora Paula Maria Gênova de Castro Campanha, do Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Para a Bacia do Paraná, onde estão presentes os rios Paraná, Grande, Paranapanema, Tietê, Mogi-Guaçu, Pardo, as seguintes espécies alóctones podem ser capturadas nesse período: corvina de água doce ou pescada do Piauí, tucunarés, porquinho, zoiúdo, apaiari, pacu-cd, pirarucu, híbridos e camarão gigante da Malásia, bem como as espécies exóticas como as tilápias, as carpas, o bagre americano, bagre africano, dentre outras espécies não nativas desta Bacia.

Já para a Bacia do Atlântico Sudeste, onde se encontram os rios Paraíba do Sul, Ribeira de Iguape, e todos os demais do seu complexo, inclusive o rio Juquiá; além das espécies já citadas, são permitidas outras, tais como o dourado, pintado e curimbatá, pois estas não pertencem à esta bacia, sendo, assim, consideradas alóctones.

Durante o defeso, a pesca é limitada a métodos específicos e locais designados. Em rios das duas bacias, é permitida apenas a pesca desembarcada, utilizando linha de mão, caniço, vara com molinete ou carretilha, com iscas naturais ou artificiais. Em áreas como o rio Juquiá, onde há barragens, a pesca pode ser realizada de forma embarcada e desembarcada.

Para evitar infrações, o Instituto de Pesca orienta pescadores a consultarem as normativas oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama): IN Ibama 25/2009 – Bacia do Paraná e IN Ibama 195/2008 – Bacia do Atlântico Sudeste. 

Para visualizar um resumo da lista de permissões e proibições durante o período de defeso e outras informações, acesse o item 3, do FAQ-IP, no site do Instituto de Pesca.
 

Seguro Defeso: um direito do pescador 

O período de defeso vai até 28 de fevereiro de 2025. Até essa data, profissionais da pesca com documentação regular podem solicitar o Seguro Defeso, um benefício para quem sobrevive da pesca profissional artesanal, oferecido durante o período em que não puder realizar suas atividades devido à piracema. O pedido pode ser feito pela internet, clicando aqui.
 

Instituto de Pesca 

O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.


Black Friday ou Fake Friday? Para 62% dos consumidores, preços aumentam antes das ofertas

51% dos consumidores monitoram os preços meses antes para se proteger contra falsos descontos

6 em cada 10 brasileiros compartilham ofertas e promoções com amigos e familiares

 

Para a Black Friday 2024, os consumidores brasileiros adotaram uma postura mais crítica e cautelosa em relação às promoções. Uma pesquisa da Hibou, empresa especializada em monitoramento e insights de consumo, com 1.200 entrevistados em todo o Brasil, indica que 62% dos participantes enxergam a Black Friday como uma “Black Fraude”, suspeitando que os preços sejam manipulados por aumentos artificiais antes do evento. A pesquisa também revela tendências de aprendizados, incluindo planejamento de gastos, e ainda mostra categorias de produtos que os consumidores pretendem comprar.


Mais estratégia, menos impulso

Para os brasileiros, a Black Friday exige mais que um clique na última sexta-feira de novembro. 51% dos brasileiros anotam os preços previamente para comparar no dia do evento varejista. Além disso, 55% das pessoas buscam conteúdos previamente em sites com comparativos de preços. Já 23% dos consumidores preparam previamente listas de produtos e 13% usam alertas de preço para verificar descontos. 


A desconfiança está em alta

Para 62% das pessoas, o varejo engana o consumidor subindo os preços dos produtos antes da data. Além disso, 4 em cada 10 pessoas alegam que tudo está muito caro e acreditam que durante a Black Friday não será diferente.

“O consumidor está mais exigente e informado. A Black Friday se tornou uma data de grandes expectativas, mas o brasileiro se mostra mais seletivo e prioriza marcas confiáveis,” afirma Lígia Mello, CSO da Hibou e coordenadora da pesquisa. “A ênfase este ano está no consumo consciente e em preços justos.”


Só se tiver vantagem

Para 61% dos consumidores, os melhores benefícios da Black Friday são os grandes descontos.  4 em cada 10 brasileiros acreditam que é a chance de comparar produtos, e 30% consideram o frete grátis um dos principais atrativos da data.


Responsabilidade ambiental

Os consumidores não estão só atentos aos preços, mas também com o cuidado das marcas com o meio ambiente. (63%) da população afirma que marcas que possuem iniciativas sociais e ambientais terão  preferência de compra.


Gastar, mas gastar pouco

Apesar do apelo da data, os consumidores pretendem manter os gastos sob controle: 26% planejam desembolsar entre R$500 e R$1.000. Já  23% pretendem gastar entre R$1.000 e R$3.000. Para 22%, o limite está entre R$250 e R$500, enquanto apenas 7% pretendem gastar mais de R$3.000. 

“Mesmo com um controle maior de gastos por parte dos consumidores, das datas para o varejo nacional, a Black Friday é a que possui o maior ticket médio entre 500 e mil reais, até agora, em 2024” explica Ligia Mello.


Hora de se mimar

As compras têm foco pessoal: dos 44% que pretendem comprar durante a Black Friday e dos 38% que ainda não se decidiram, 92% vão investir em produtos para si próprios. As maiores motivações para a data são aproveitar boas oportunidades (51%) e adquirir produtos que ainda não possuem (30%), seguidas pela chance de substituir itens antigos (17%) e adiantar presentes de Natal (13%).


O que não vai faltar na lista de compras

40% dos entrevistados planejam comprar eletrodomésticos, 36% vestuário e 30% eletrônicos. Perfumes e cosméticos (26%) e alimentos (25%) também estão na lista de desejos. Quando questionados de maneira espontânea, entre os produtos mais desejados estão os celulares lideram com 20%, seguidos por Smart TVs (18%) e geladeiras (10%).  Além disso, este ano, itens como tênis e máquinas de lavar cresceram mais de 5 pontos percentuais em comparação a 2023.


Fofoca familiar das ofertas 

A troca de informações também faz parte da preparação: 60% dos brasileiros compartilham ou recebem ofertas de amigos e familiares, reforçando a busca por promoções de fontes próximas com o propósito final de boas oportunidades nas compras.


Compra por um clique ou por um passo?

Seguindo o comportamento online já inserido na rotina de compras dos brasileiros, os canais varejistas mais mencionados para este ano foram Amazon com 49% das intenções de compras e Mercado Livre com 60%. Outros 42% preferem plataformas como Shopee e Shein. 

Já aqueles que preferem conferir presencialmente as ofertas, 49% preferem lojas de rua já conhecidas, enquanto 38% optam por lojas que frequentam em shopping center. Para outros 29%, o passeio no shopping pode virar oportunidade de compra. E 26% começam sua jornada digital olhando as promoções e assim decide onde quer ir comprar.

“Este ano notamos também uma preocupação maior do consumidor em priorizar pequenos comércios, sendo a decisão de 41% dos brasileiros.” diz Lígia Mello.

 

Hibou


Os principais erros no networking e como evitá-los

Confira dicas de Cintia Almeida, do Grupo Somos, para mulheres criarem conexões sólidas em eventos online e presenciais


Networking é uma palavra-chave no mundo dos negócios, mas nem sempre é fácil de dominar. Para muitas mulheres, especialmente aquelas que estão se desenvolvendo em setores competitivos, criar conexões profissionais pode ser um desafio. Pensando nisso, o grupo Somos do Entre Confreiras se destacou como uma das maiores redes de apoio e networking feminino do Brasil, ajudando a transformar a maneira como as mulheres interagem e expandem suas redes de contatos.


O Crescimento do Networking Feminino

O grupo Somos é uma iniciativa do Entre Confreiras, liderado por Cíntia Almeida, que tem como objetivo conectar mulheres em diferentes estágios de suas carreiras, criando um ambiente colaborativo e de crescimento mútuo. Com mais de 5.000 mulheres participantes, o grupo se tornou um dos maiores espaços de networking feminino qualificado do país, segundo dados do Sebrae. Nos últimos três anos, a participação feminina em redes de networking cresceu mais de 30%, de acordo com um relatório da Global Women’s Leadership Network, e o Entre Confreiras tem sido um grande catalisador desse movimento no Brasil.

Segundo Cíntia Almeida, "O que vemos é uma verdadeira transformação na maneira como as mulheres se posicionam no mercado. Elas estão cada vez mais conscientes da importância de cultivar relacionamentos estratégicos e de se apoiar mutuamente para alcançar objetivos em comum."


Os Principais Erros no Networking e Como Evitá-los

Mesmo com o crescimento do número de mulheres engajadas em redes de networking, muitos erros comuns ainda são cometidos durante o processo. Identificamos aqui os cinco principais equívocos e trouxemos dicas de como evitá-los para maximizar os resultados de suas conexões.


  1. Focar na Quantidade, Não na Qualidade: Um erro comum é acreditar que quanto mais contatos, melhor. No entanto, a qualidade das conexões é muito mais importante que a quantidade. Estabelecer relacionamentos genuínos com pessoas que compartilham seus interesses e objetivos é crucial. Cíntia Almeida reforça: "Uma rede pequena, mas sólida, onde todos se conhecem e se apoiam, pode ser mais eficaz do que centenas de conexões superficiais."

 

  1. Não Ser Autêntica: Muitas vezes, as pessoas tentam se encaixar em um padrão ou ser algo que não são para impressionar os outros. O verdadeiro valor do networking está em ser autêntica e construir relacionamentos baseados em confiança e transparência. Mostrar vulnerabilidade e autenticidade pode gerar conexões mais profundas e significativas.

 

  1. Falta de Follow-Up: O follow-up é uma das etapas mais importantes do networking, mas também é uma das mais negligenciadas. Após conhecer alguém em um evento, muitas pessoas não seguem em contato. Uma mensagem simples de agradecimento ou uma sugestão de café para continuar a conversa pode fazer toda a diferença.

 

  1. Falar Mais do que Ouvir: Um erro clássico é monopolizar a conversa falando apenas de si mesma e de suas conquistas. O networking eficaz envolve escutar ativamente, entender as necessidades dos outros e buscar maneiras de ajudar. Quando você se torna uma boa ouvinte, aumenta suas chances de criar conexões duradouras.

 

  1. Falta de Clareza nos Objetivos: Entrar em um evento de networking sem uma ideia clara do que se quer alcançar é um erro que pode comprometer toda a experiência. É importante definir seus objetivos e saber exatamente o que você espera obter com essas novas conexões, seja uma parceria, um mentor ou uma nova oportunidade de trabalho.


A Força do Networking Feminino

O crescimento do networking entre mulheres é uma tendência global que vem transformando mercados e indústrias inteiras. Grupos como o Somos do Entre Confreiras têm desempenhado um papel fundamental ao fornecer um espaço seguro para que mulheres compartilhem experiências, conquistem novos negócios e se desenvolvam profissionalmente.

"As mulheres têm uma incrível capacidade de se conectar em níveis profundos, criando redes que não são apenas profissionais, mas também emocionais e de suporte. Isso é algo único que está ajudando a transformar a dinâmica do mercado," afirma Cíntia Almeida.

Evitar esses erros comuns no networking pode ser o diferencial que você precisa para expandir suas oportunidades e crescer profissionalmente. Com iniciativas como o Entre Confreiras, do grupo Somos, as mulheres estão redefinindo o conceito de networking, criando conexões que vão muito além dos cartões de visita.

O Entre Confreiras continua a liderar essa mudança, promovendo encontros e eventos que fortalecem a rede feminina, incentivando o apoio mútuo e a evolução de todas as participantes. Se você ainda não faz parte dessa rede, agora é a hora de se juntar a essa comunidade e transformar suas conexões em oportunidades de crescimento.

 

Grupo Somos
Instagram: Entre Confreiras



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