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quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

6 opções de tratamentos para dores nas costas. Especialista explica

Para escolher a opção mais assertiva é importante ter acompanhamento especializado, ressalta o médico ortopedista, Dr. Luiz Felipe Carvalho

 

As dores nas costas são um dos tipos de dores nas articulações mais comuns. De acordo com a OMS - Organização Mundial da Saúde - 80% da população mundial sofrerá com dores nas costas em algum momento da vida, o que alerta para a necessidade, principalmente, de cuidados preventivos.

 

Mas quando já se adquiriu as dores nas costas ainda há alternativas que permitem melhorar a qualidade de vida e aliviar os sintomas. No entanto, segundo o médico ortopedista Dr. Luiz Felipe Carvalho, é preciso de um direcionamento médico para utilizar a estratégia mais eficaz em cada caso.

 

Atualmente, existem diversos tratamentos que podem auxiliar bastante na redução de dores e melhora da qualidade de vida, mas para utilizar a que for mais eficaz de acordo com a sua situação é importante ter um acompanhamento profissional”.

 

 

6 opções de tratamento para dores nas costas



01 - Fisioterapia:A Fisioterapia é um dos procedimentos mais usados, tanto para tratar, como para prevenir dores nas costas através de exercícios, técnicas de alongamento e fortalecimento muscular específicos, o que traz alívio da dor, melhora da mobilidade e prevenção de lesões”, explica Dr. Luiz Felipe Carvalho.

 

02 - Exercícios de baixo impacto:Esqueça essa história de que quem tem dores nas costas não pode praticar exercícios físicos, exercícios de baixo impacto, como caminhadas, natação ou yoga, ajudam a fortalecer os músculos das costas e reduzem as dores, melhorando a postura e prevenindo futuros desconfortos”.

 

03 - Massagem terapêutica:A massagem terapêutica também é uma alternativa para dores nas costas, pois alivia a tensão muscular, melhora a circulação sanguínea e reduz a rigidez, no local”, afirma Dr. Luiz Felipe Carvalho.

 

04 - Medicamentos:Medicamentos, como analgésicos ou anti-inflamatórios prescritos por um médico, ajudam a reduzir a dor nas costas, aliviando o desconforto temporariamente, mas eles só são usados em casos um pouco mais graves, onde as dores atingem um novo patamar de desconforto”.

 

05 - Tratamentos das dores com o uso de célula tronco: “Para as dores na coluna o uso de célula tronco tem um imenso potencial de solucionar as dores, pois uma das ações da célula é a modulação neuronal, fazendo o controle das dores crônicas fortes, resolvendo o problema”.

 

06- “Intervenções cirúrgicas: A intervenção cirúrgica é considerada apenas em casos extremos de dores nas costas, quando tratamentos não invasivos não surtem mais efeito. Ela busca corrigir problemas estruturais, aliviando a dor crônica e melhorando a função”, ressalta Dr. Luiz Felipe Carvalho.

 


 

Dr. Luiz Felipe Carvalho - ortopedista especialista em coluna vertebral e medicina regenerativa. Já tratou grandes atletas como o jogador de futebol Rodrigo Dourado e o Ferreirinha do Grêmio. Além do tenista Argentino naturalizado Uruguaio Pablo Cuevas que faz tratamento com célula tronco desde 2017 melhorando muito sua performance avançando no ranking desde então. O Gaúcho possui um profundo conhecimento sobre os modernos procedimentos cirúrgicos da coluna vertebral e também trabalha com técnicas minimamente invasivas. É diplomado pela Academia Americana de Medicina Regenerativa (AABRM), e pelo grupo Latino Americano ORTHOREGEN. Atualmente está estruturando o serviço de Medicina Regenerativa na Cidade de São Paulo para tratamentos de Artrose e de dores crônicas osteomusculares.

 

Casais com HIV podem ter filhos livres do vírus: entenda como a técnica funciona

Pessoas soropositivas possuem opções seguras para realizar sonho; Especialista comenta sobre alternativas disponíveis

 

Desde a sua descoberta, o vírus da imunodeficiência humana (HIV) já passou por muitos momentos: se antes era visto como uma doença que resultava em diversos óbitos, hoje, o maior desafio dos soropositivos, no país, é o preconceito e a desinformação. Inclusive, esse tem sido apontado como uma das maiores dificuldades da campanha do Dezembro Vermelho, mês de conscientização para o tratamento de HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. 

E uma das principais dúvidas é em relação ao sonho de ter filhos: casais com o vírus podem ter acesso a tratamentos de reprodução assistida? E a resposta é: sim. Técnicas cada vez mais avançadas impedem que o vírus passe na gestação, no parto e na amamentação. Mais de um milhão de pessoas vivem com HIV no Brasil, estima o Ministério da Saúde. E, boa parte desse grupo está em idade reprodutiva e quer ter filhos. 

“Hoje em dia, é possível ter qualidade de vida e viver a maternidade e paternidade caso seja o desejo. Assim como a ciência evoluiu no tratamento, diagnóstico e qualidade de vida das pessoas com HIV, ela também avançou em técnicas que permitem que o sonho se torne realidade. A FIV (Fertilização In Vitro) e a Inseminação Intrauterina são algumas delas, especialmente para os casos em que a mãe é soropositiva”, explica Edson Borges Jr, Diretor Científico do Instituto Sapientiae – Centro de Estudos e Pesquisa em Reprodução Assistida - e Diretor Médico no FERTGROUP.

Em situações como essa, é necessária uma preparação, que inclui estimulação ovariana, recuperação oocitária e preparo e seleção do sêmen. “As únicas restrições que os serviços de reprodução humana normalmente impõem é que as mulheres soropositivas não congelem óvulos, já que existe risco, mesmo que baixo, do material estar contaminado. Além disso, como ele é armazenado em um tanque comum, pode haver transmissão”, salienta.
 

Como funciona? 

A Fertilização In Vitro consiste em fecundar o óvulo e o espermatozóide em ambiente laboratorial, formando embriões que serão cultivados, selecionados e transferidos ao útero da mulher.

Na inseminação intrauterina, uma técnica menos complexa, os espermatozóides são colocados no fundo do útero quando a mulher está ovulando. Espera-se que a trompa capture o óvulo, que os espermatozóides a penetrem e se unam ao óvulo, formando o embrião. 

“Com as técnicas de preparo seminal e a ausência do vírus no plasma seminal, no caso do homem soropositivo para o HIV, a probabilidade de contaminação da parceira nos tratamentos de fertilização in vitro até hoje, foi zero”, comenta o especialista.
 

Tratamento e acompanhamento 

A especialista destaca e reforça que não são apenas os especialistas em reprodução que vão estar no processo: a paciente soropositiva precisa fazer acompanhamento com um infectologista. “Isso torna o manejo dos gametas mais seguro e mais fácil. E vale tanto para homens quanto para mulheres: ao chegar com exame positivo, é necessário que um infectologista ateste que a contagem viral do paciente está muito baixa ou indetectável, reduzindo, dessa forma, o risco de infecção”, explica. 

O que é importante ressaltar, especialmente durante esse mês, mas o tempo todo é que pessoas vivendo com o HIV tem uma vida normal e, embora a prevenção seja o mais importante, o preconceito é, sem dúvida, o cenário mais grave enfrentado. 

“O Brasil sempre foi exemplo no acesso ao tratamento para o HIV e continua sendo. Ou seja, as maiores dificuldades encontradas pelas pessoas soropositivas aqui não são exatamente sociais, mas muitas vezes de falta de informação e preconceito. Isso não cabe mais. O sonho da maternidade e paternidade é para todos que a desejam”, finaliza Edson Borges.

 

FERTGROUP


Cuidados nas férias: entenda como o excesso de telas pode prejudicar a saúde bucal das crianç

Uso de celular antes de dormir está entre as principais causas do bruxismo na infância


Mais de 25 milhões de crianças e adolescentes, entre 9 e 17 anos, estão conectados à internet no Brasil, segundo pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet em 2023. O dado corresponde a 95% dos brasileiros nessa faixa etária e liga um alerta para a saúde bucal das crianças.

Apesar de esta ser uma relação pouco comum, odontopediatras já percebem que o uso excessivo de telas têm aumentado os casos de bruxismo nas crianças, condição caracterizada pelo ranger dos dentes durante o sono. 

O odontopediatra do Instituto Kids de Odontologia - IKO, Dr. Luiz Vicente Lopes, explica que a luz azul emitida pelos aparelhos eletrônicos antes do horário de dormir pode provocar alterações no sono, sendo percebida pelo cérebro como um sinal para permanecer acordado e em estado de alerta.

“As telas resultam em um sono mais agitado tanto para os adultos quanto para as crianças, o que pode desencadear casos de bruxismo, ansiedade, apneia do sono e demais problemas na saúde. Nas férias vemos que o número de crianças com bruxismo aumenta, justamente por passarem mais tempo no celular e tvs”, explica Luiz.

O uso constante de eletrônicos também pode levar a uma diminuição na produção de saliva, já que as crianças tendem a respirar pela boca enquanto estão concentradas nas telas. “A saliva desempenha um papel importante na proteção dos dentes contra cáries, e a falta dela pode aumentar a incidência de problemas dentários”, diz o Dr. Luiz. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que menores de 2 anos de idade não tenham acesso a telas. Entre 2 e 5 anos, no máximo uma hora por dia, e entre 6 e 10 anos, de até duas horas.


Bruxismo

O bruxismo na infância é caracterizado pelo hábito de ranger ou apertar os dentes, principalmente durante o sono e de forma involuntária. O odontopediatra explica que existem algumas formas de identificar o bruxismo nas crianças. “Os pais podem ouvir o ranger das crianças durante a noite, mas também podem perceber um desgaste anormal dos dentes. Se a criança reclama de dor na mandíbula ou dor de cabeça, principalmente ao acordar, este também é um sinal de alerta”, afirma.

Os casos de bruxismo em crianças muitas vezes é transitório e pode ser resultado de diversos fatores, como distúrbios do sono e respiratórios, ansiedade, refluxo gástrico, entre outros. “As telas antes de dormir deixam as crianças mais suscetíveis a esses distúrbios e quadros de ansiedade. Por isso é importante destacar que nós, odontopediatras, não tratamos o bruxismo. Nós identificamos e evitamos a progressão dos danos aos dentes, mas é necessário tratar a causa, seja com apoio de psicólogo, otorrinolaringologista, gastroenterologista, entre outras especialidades médicas”, finaliza Dr. Luiz.

Uma dica para o período de férias escolares é os pais promoverem atividades que evitem os eletrônicos, especialmente antes do horário de dormir, e estimulem o desenvolvimento das crianças com brincadeiras ao ar livre, prática de esportes e jogos recreativos.


Cisto no Rim: Desvendando as Causas, Indicações e a Importância do Especialista


Os rins, órgãos vitais no sistema humano, desempenham papéis cruciais na filtragem do sangue, eliminação de substâncias prejudiciais e regulação da pressão arterial. Diante da relevância desses órgãos, é crucial entender as potenciais condições que podem afetá-los. Entre essas condições, destaca-se o cisto no rim, uma ocorrência comum à medida que a população envelhece. 

Os cistos são acumulações de fluido nos rins, muitas vezes associados ao envelhecimento. Mais da metade da população acima dos 60 anos pode apresentar essa condição. Embora na maioria dos casos seja benigno, em algumas situações, o cisto no rim pode estar ligado a doenças graves que comprometem a função renal. 

“Pequenos cistos, geralmente assintomáticos, podem passar despercebidos por anos. A detecção ocorre comumente durante exames de rotina, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Em casos de cistos maiores e mais complexos, sintomas como dor lombar, sangue na urina, pressão arterial elevada e infecções urinárias frequentes podem surgir devido ao crescimento excessivo do cisto”, explica o urologista Dr. José Roberto Colombo Jr. 

As causas do cisto no rim, muitas vezes de origem genética, são mais prevalentes em pessoas acima de 60 anos. O diagnóstico é frequentemente incidental, realizado por meio de exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética. 

“Embora a maioria dos cistos renais seja benigna, alguns podem evoluir para câncer renal. A classificação de Bosniak é utilizada para diferenciar cistos simples (Bosniak I e II) de cistos complexos (Bosniak IIF, III e IV), com riscos variados de malignidade”, conta o médico. 

O tratamento do cisto no rim é personalizado, considerando o tamanho e a gravidade do cisto. Em casos simples, pode ser necessário apenas acompanhamento periódico. Entretanto, em cistos complexos ou sintomáticos, a retirada total do cisto por meio de procedimentos laparoscópicos ou robóticos pode ser necessária.

Dr. Colombo afirma que se há suspeita de cisto no rim ou presença de sintomas como dor lombar, sangue na urina ou pressão arterial elevada, é crucial agendar uma consulta com um urologista. A avaliação do especialista é essencial para determinar a causa e o tratamento adequado. 

“Embora a maioria dos cistos renais seja benigna, a busca por orientação médica é fundamental. O tratamento personalizado, aliado a procedimentos menos invasivos, como a cirurgia laparoscópica ou robótica, proporciona opções eficazes para lidar com o cisto no rim”, conclui.

 


Dr. José Roberto Colombo Jr. - Coordenador Executivo da Pós-Graduação de cirurgia robótica em Urologia e médico referência do Epicentro de Cirurgia Robótica em Urologia do Hospital Israelita Albert Einstein.




Como conciliar festas de fim de ano e amamentação

 Especialistas orientam mulheres sobre o consumo de álcool e outras condutas para passar bem o período festivo

 

Lactantes enfrentam a fase mais festiva do ano, com suas tentações típicas em termos de comidas, bebidas e encontros܂Para aquelas que costumam beber álcool, a dúvida principal é se poderão brindar o Natal e o Ano Novo. Cinthia Calsinski, Enfermeira Obstetra Consultora Internacional de Lactação e Natalia Barros, Nutricionista Mestre em Ciências pela UNIFESP e fundadora da NB Clinic, explicam como é a prática ideal para mamães lactantes nessas ocasiões.

 

Um pouco de álcool é aceitável 

Cinthia considera que o consumo deve ser esporádico, já que o álcool altera o estado de consciência quando consumido em doses altas. "Isso pode colocar em risco não somente a saúde da mulher, mas também a do bebê", avalia. 

Dito isso, a consultora em amamentação divide as lactantes em dois grupos: as que têm bebês menores de 6 meses e as mães de crianças a partir de 6 meses. "Mães de bebês menores, que mamam com mais frequência, devem ter a cautela de consumir sua bebida sempre acompanhada de algo para comer, porque a absorção de álcool é consideravelmente menor com o estômago mais cheio", indica. Aquelas que amamentam bebês maiores de 6 meses, segundo ela, não precisam se preocupar tanto, já que crianças dessa idade costumam mamar em intervalos maiores. 

Por sua vez, a nutricionista Natalia Barros fala sobre a importância de entender o tempo de eliminação do álcool do corpo da mãe, para tomar as decisões de consumo de álcool. "Esse tempo é variável e envolve a eliminação do álcool também do leite da mãe, a depender do metabolismo individual de cada pessoa. Após o consumo, a concentração máxima de álcool no leite materno geralmente ocorre em 30 a 60 minutos, refletindo a concentração sanguínea da mãe. A taxa média de eliminação é de aproximadamente 1h a 1h30, por dose padrão de álcool", calcula. 

Nesse caso, sua recomendação é que as mães esperem para amamentar após consumir álcool, ou que tirem leite antes de beber. "O ideal é que a mãe considere ingerir álcool logo após amamentar ou expressar leite para armazenamento. Esse intervalo permite tempo para o corpo metabolizar o álcool antes da próxima amamentação", explica Natalia. 

A nutricionista reforça que há diretrizes apontando que uma única ingestão leve de álcool, como uma taça de vinho, tem pouca probabilidade de causar problemas significativos. "Mesmo assim, é essencial que as mães discutam suas escolhas com profissionais de saúde para tomar decisões informadas e seguras para a saúde do bebê", orienta. 

A seguir, Cinthia Calsinski emenda outras dicas para que mamães de bebês consigam aproveitar as festas com mais tranquilidade:

 

Aproveite a comida!

Estudos mostram que bebês que não têm alergia não costumam ter mais ou menos gases por conta da dieta materna. Pelo contrário, quanto mais rica for, mais sabores e mais fácil será a introdução alimentar.

 

Tente descansar junto com o bebê.

Dica de ouro do pós-parto! Ajuda muito nesse período de festas, em que, com certeza, é normal sair da rotina e esticar um pouquinho a hora de dormir!

 

Observe o bebê

Se perceber que ele está hiperestimulado, ou irritado no colo daquela sua parente com perfume forte, saia de cena com ele, afinal, quem vai ter que aguentar um bebê extremamente irritado e choroso será você. Tente seguir a rotina e os horários do bebê. Além de trazer segurança, faz os dias mais calmos.

 

Organize-se

Antecipe tudo que vai precisar e tenha tudo em mãos, caso saiam de casa. Se planejou ficar 4 horas, leve coisas suficientes para 8 horas. O tempo passa depressa, é melhor sobrar do que faltar! Aproveite! Ter bebês nessa época pode ser muito legal, afinal, eles representam todo amor que esse período encerra.

 

Cinthia Calsinski Enfermeira Obstetra - Enfermeira Graduada pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp. Enfermeira Obstetra pelo Centro Universitário São Camilo. Consultora do Sono Materno-Infantil formada pelo International Maternity e Parenting Institute (IMPI).


Como cuidar da saúde em períodos de calor extremo?

 

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Novas ondas de temperaturas muito altas irão afetar diversos estados brasileiros até 2024

 

Com recordes de calor no país inteiro, o último trimestre do ano acendeu alerta no Inmet, indicando o El Ninõ e aquecimento global como causadores do fenômeno meteorológico de intensidade acima do normal. Segundo o estudo da Climate Central, a onda está apenas começando a aumentar as temperaturas e, com base nos padrões históricos, o pico do efeito do será sentido em 2024, indicando um verão intenso pela frente.

Com o calor, chegam as dúvidas: como se alimentar corretamente durante a temporada, amenizar o desconforto causado pela alta temperatura e ter melhores cuidados com o excesso de sol. Entre as buscas que mais cresceram no Google estão "ventilador com gelo caseiro" (+2.800%) e "ar-condicionado caseiro com gelo" (+2.200%). Pensando nisso, a Dra. Karina Santos, médica do Time de Saúde da Sami, healthtech que tem um modelo focado em atenção primária à saúde, com time de saúde e cuidado coordenado, separou algumas boas práticas para a saúde não sofrer durante o período.


Alimentação: vá de escolhas leves

Durante as altas temperaturas, o corpo perde mais água por suar muito mais. Além disso, diferente do inverno, onde temos mais apetite, o calor inibe a fome, fazendo com que nossa nutrição fique desequilibrada. As mudanças fisiológicas do verão também precisam ser ajustadas a uma alimentação mais leve para compensar a perda de água e nutrientes e a pouca vontade de se alimentar. Sem contar que nosso corpo diminui a produção de energia, se comparado às temperaturas frias, com isso, nossa alimentação também precisa ser menos calórica. O efeito inibidor da fome causado pelo calor acaba provocando um jejum prolongado que não é nada saudável para o organismo. Optar por uma alimentação saudável e leve é investir no seu bem-estar.

“Dê preferência por saladas durante as refeições e frutas para os lanches. Além disso, os sucos repõem os minerais perdidos pelo suor e hidratam o corpo. Substitua o acompanhamento por carnes brancas ou carnes mais magras, bem como varie entre grelhados, cozidos e assados. Comece cortando a fritura, que pode acabar pesando no calor, e aproveite para trazer alimentos mais saudáveis à mesa. Andar com garrafinhas de água também é fundamental”, explica a médica. “É bem provável que você já tenha percebido que o calor nos deixa com a sensação de cansaço. Isso acontece devido à digestão, que se torna mais lenta. Por isso, evitar comidas pesadas e gordurosas precisa ser uma prioridade para você durante o verão.”


Cuidado com a congestão alimentar 

A congestão alimentar trata-se de um mal-estar ocasionado por um grande esforço físico depois de uma refeição consideravelmente pesada, como, por exemplo, almoço ou jantar. Isso acontece porque durante o esforço físico o organismo precisa alterar a direção do fluxo sanguíneo — antes, focado na digestão dos alimentos —, fazendo com que o corpo entre em estado de congestão. Isto é, o sangue, que está concentrado no intestino e no estômago, invade os músculos para conseguir fazer digestão.

“Por isso, principalmente durante a infância, muitas pessoas chamam a atenção para o fato de não poder entrar na piscina logo após a refeição. Mas o que muitos indivíduos não sabem é que a causa da congestão alimentar não vem somente do esforço físico na água. Essa condição pode surgir depois de qualquer tipo de esforço físico, seja: ir para a academia; correr;  pegar muito peso; nadar, seja no mar ou na piscina. Resumindo: o que causa uma congestão é o hábito de realizar uma refeição pesada e, em seguida, fazer esforço físico com intensidade”, afirma Karina.


Alerta vermelho contra a insolação 

Mais comum nos meses mais quentes, a insolação acontece quando há exposição excessiva ao sol ou ao calor. A temperatura corporal passa a aumentar de maneira muito rápida e o corpo não consegue transpirar o suficiente para resfriar o corpo. Assim, começam os primeiros sinais de mal-estar da insolação. Podendo levar ao coma e até à morte, a insolação precisa ser evitada ao máximo, com o uso de protetor solar adequado, evitar o sol entre 12h e 16h, prefira lugares arejados e com sombra, não usar roupas pesadas e escuras e reaplicando o protetor solar sempre que necessário.

Afinal, a exposição excessiva ao sol pode gerar queimaduras graves e aumentar o risco de câncer de pele e desidratação. De acordo com o Ministério da Saúde, a insolação acontece quando a temperatura corporal passa de 40 °C e o indivíduo perde minerais, sais e muita água de maneira muito rápida. A médica da Sami explica que a forma de tratamento da insolação dependerá do estado do paciente. Em estados críticos, com desmaios, coma e extremidades arroxeadas, será necessário um atendimento mais intensivo e hospitalar. 

“Quadros leves geralmente apresentam apenas alguns sintomas mais fracos, podendo ser tratados com medidas simples. Algumas das medidas essenciais são: mover a pessoa para um local fresco e com sombra; remover peças de roupa ao máximo; caso esteja consciente, mantê-lo com a cabeça elevada e em repouso; oferecer água gelada ou fria, ou qualquer bebida que não contenha álcool; borrifar água no acidentado; aplicar compressas de água fria nos mesmos locais onde são aplicados em caso de febre: axilas, testa e pescoço; se possível, dar banho gelado em pacientes ou colá-lo com o corpo todo dentro da água, uma banheira ou piscina podem ajudar. Caso não consiga, encharque roupas com água gelada e o cubra”, finaliza Karina.

 

O que fazer após sair de uma dieta

Especialista acredita que o melhor caminho é não se culpar e oferece dicas para retomar de onde parou


Quando ocorrem deslizes na dieta, recuperar o equilíbrio é essencial para manter hábitos alimentares saudáveis. Mesmo o famoso “dia do lixo”, um evento planejado para se alimentar sem restrições, pode ser prejudicial apesar de sua proposta inicial de incentivar o cumprimento das regras ao longo da semana. 

A prática, que permite uma alimentação sem controle em termos de quantidade e qualidade dos alimentos, pode resultar em excessos, ingestão de produtos calóricos não recomendados e até induzir a uma compulsão alimentar, dificultando a perda de peso e o retorno à rotina saudável.

É nesse contexto que o Dr. Gustavo Feil, renomado médico especializado em Ciências da Longevidade Humana e Nutrologia, oferece orientações para minimizar os impactos de um deslize e retomar hábitos saudáveis de forma eficaz. "É normal sair da dieta ocasionalmente, mas é fundamental compreender como lidar com esses momentos para manter uma relação saudável com a alimentação", comenta. 

Ele destaca ainda a importância de não se culpar excessivamente, mas sim focar na recuperação do equilíbrio. “É preciso encorajar aqueles desanimados com dieta e exercícios a persistirem no caminho para alcançar seus objetivos. O foco está em lembrar as motivações de longo prazo após qualquer deslize”, pontua o especialista.

As dicas depois de sair do caminho incluem também redução de carboidratos, exercícios cardio e de musculação, diminuição do consumo de sódio e hidratação adequada.

Outra sugestão é passar os dias que seguem ao descumprimento investindo em determinados tipos de alimentos, como integrais, frutas, verduras e legumes, além de proteínas magras e sementes, desde que com baixo teor de gordura. "O consumo adequado de água também deve ser observado. A água auxilia na regulação da temperatura corporal, na função dos órgãos, na eliminação de toxinas e resíduos, promove a saúde da pele, auxilia na digestão e absorção de nutrientes, contribuindo para o controle do peso ao aumentar a sensação de saciedade”, pontua. 

Esse pilar da dieta é crucial no funcionamento do corpo, conforme explica o Dr. Gustavo, reforçando a importância de priorizar a ingestão regular para manter uma vida saudável. “Essas estratégias não apenas minimizam os impactos negativos, mas também promovem uma abordagem equilibrada em relação à alimentação, ajudando as pessoas a alcançarem seus objetivos de bem-estar de maneira sustentável”, finaliza. 



Gustavo Feil - médico do desenvolvimento Físico e Mental com foco em Nutrologia e Medicina da Longevidade formado pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó - UNOCHAPECÓ/ SC e está sempre em busca da melhor versão em saúde, por meio da prevenção e promoção do bem estar. Também é pós graduando em Nutrologia pela USP RP e em Ciências da Longevidade e Vida Saudável pela Academia Longevidade Saudável. Possui trabalho com foco em emagrecimento, performance, estilo de vida saudável, longevidade e desenvolvimento humano. Para saber mais, acesse pelas redes sociais @drgustavofeil.


Câncer de pele não melanoma: especialista explica como se proteger do câncer mais incidente no Brasil

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 É o câncer de maior incidência, mas o de menor mortalidade, se tratado adequadamente


No Brasil, o número de novos casos de câncer de pele não melanoma estimados, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de cerca de 200 mil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Esse tipo é mais comum em pessoas acima de 40 anos, porém, sua incidência tem aumentado em adultos mais jovens. 

O câncer de pele não melanoma engloba uma variedade de tumores, destacando-se o carcinoma basocelular, o tipo mais frequente e menos invasivo, além do carcinoma epidermóide. Ele é o câncer de maior incidência, mas o de menor mortalidade, se tratado adequadamente. 

O Dr. Thiago Assunção, médico oncologista especializado em câncer de pele do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), afirma: “Como no nosso país temos alta incidência de dias ensolarados e com alta taxa de raios ultravioletas de alta penetrância, observamos um número maior de casos do que em países de clima subtropical ou nos extremos dos hemisférios”. 

No caso das tonalidades de pele, pessoas de pele escura têm taxas maiores de melanina. Essa substância, responsável pela pigmentação, age como uma barreira natural aos raios solares e protege o DNA das células da pele. Por isso, pessoas de pele clara têm maior predisposição a cânceres de pele. 

“A principal medida para proteção aos cânceres de pele é evitar a exposição aos raios solares, sobretudo nos períodos do dia os quais a incidência de raios ultravioletas é maior, ou seja entre 9h e 16h”, diz o Dr. Assunção. “Faz-se fundamental o uso de filtros solares adequados, ou mesmo roupas e chapéus que possam barrar a radiação”, ressalta. 

Caso diagnosticado por um dermatologista por meio de exame clínico direto ou com o uso de aparelhos específicos, o tratamento das lesões iniciais é cirúrgico. Em alguns casos utilizam-se medicamentos, tópicos, orais, imunoterapia ou mesmo radioterapia complementares. 

O especialista finaliza: “Tendo em vista um aumento, principalmente de jovens, à exposição de raios solares, deve-se atentar para manchas novas no corpo ou pequenas feridas que passam a sangrar ou não cicatrizam, pintas que mudaram suas características no decorrer do tempo, entre outros”.

 

Instituto Paulista de Cancerologia (IPC)

 

Saiba quais cuidados adotar durante dias de calor intenso

  Manter a hidratação e usar roupas leves são importantes para evitar danos ao corpo

 

Nos próximos dias, mais uma vez, as temperaturas elevadas se tornam uma preocupação entre os especialistas. Quando os termômetros passam dos 30°C, muitas pessoas relatam sentir diversos tipos de mal-estar. Isto porque o suor é a principal forma de dissipar o calor, mas, em excesso, pode levar à desidratação, sobrecarregando o coração e causando diversas complicações. 

Segundo a Dra. Cristina Milagre, cardiologista e médica do esporte do Hcor, uma das principais implicações é a exaustão térmica. “O sistema de termorregulação do corpo segue funcionando, mas não consegue dissipar o calor com a velocidade necessária, o que gera diversos sintomas, como fadiga extrema, tontura, náuseas, vômitos, desmaio, pulso fraco e rápido”, esclarece. 

Sem os cuidados adequados, pode ocorrer a falência do sistema de termorregulação do corpo. “Nesses casos, a temperatura corporal pode ficar acima de 40°C, levando à confusão mental, desorientação ou perda de consciência, podendo evoluir para um quadro de coma e até óbito”, alerta.

 

Grupos de risco

As temperaturas altas, que devem ser uma preocupação de todos, precisam de cuidados dobrados por quem possui hipertensão arterial ou diabetes. Para manter a hidratação adequada e evitar complicações dessas comorbidades, o Dr. Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista especializado em hipertensão arterial do Hcor, recomenda a ingestão de água e água de coco. 

“Para repor a água e os sais minerais perdidos no suor, é preciso ingerir a bebida apropriada na quantidade adequada. Pessoas com pressão alta e diabetes devem evitar qualquer tipo de suco industrializado e bebidas isotônicas, devido às restrições quanto às quantidades de sódio e açúcar ingeridas”, alerta. 

A recomendação nos dias quentes é usar roupas leves, aumentar o consumo de água, sucos de frutas naturais (com moderação para os diabéticos) e água de coco, bem como incluir o consumo de frutas, verduras e legumes, além de evitar alimentos ou preparações muito gordurosas e salgadas. “A sede é um alarme de que o corpo está em desequilíbrio. Ela quer dizer que é preciso hidratá-lo”, reforça o Dr. Amodeo.

 

Hcor


Nutrição adequada na Prematuridade é fundamental para o desenvolvimento da criança

 

Brasil é o 10º do mundo com maior número de bebês prematuros; pesquisa alerta para o aumento silencioso e global dessa condição, uma das principais causas de morte na infância 


O nascimento de bebês prematuros foi declarado como uma emergência global silenciosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após apresentação do relatório da entidade em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado neste ano. Na última década, foram registrados 152 milhões de partos de bebês prematuros no mundo. O dado merece atenção, já que a prematuridade se tornou a principal causa de mortes na infância. A condição representa um de cada cinco óbitos antes dos 5 anos de idade. 

Em nosso país nascem por ano 340 mil bebês antes da 37ª semana de gestação (36 semanas e 6 dias), condição que determina a prematuridade. Essa alta incidência coloca o Brasil no 10º lugar em relação às nações com maior número de prematuros do mundo. 

Entre os principais fatores de risco para a prematuridade estão a gravidez na adolescência, infecções, alimentação inadequada e doenças, como por exemplo, a hipertensão na gestação. Um bebê prematuro pode apresentar uma série de condições de saúde, como problemas respiratórios, cardíacos, intestinais, entre outros. 

De acordo com Dr. Danilo Klein, médico nutrólogo pela Universidade Federal Fluminense e gerente médico da Baxter, um dos desafios neste período é garantir a nutrição adequado para o recém-nascido: “O bebê que nasce antes do tempo esperado não teve tempo suficiente para acumular os nutrientes necessários para seu desenvolvimento via placenta e, assim sendo, poderá estar mais exposto a doenças”. 

Outro ponto de atenção está relacionado às dificuldades de sucção e deglutição dos prematuros, tendo em vista que o trato gastrointestinal ainda é considerado imaturo e, portanto, não está preparado para absorver o volume de nutrientes presente no leite materno. 

Para esclarecer as dúvidas sobre a nutrição na prematuridade, o Dr. Klein listou alguns mitos e verdades sobre essa fase da vida.
 

O bebê só é considerado prematuro quando nasce antes das 37 semanas de gestação?

Verdade.  A Organização Mundial da Saúde classifica que todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação (até 36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro. Os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer. Os bebês prematuros extremos são os que nascem antes das 28 semanas, os muito prematuros entre 28 semanas e 31 semanas e 6 dias e os moderados ou tardios são os que nascem entre 32 semanas e 36 semanas e 6 dias de gestação.
 

A nutrição é menos importante que a oxigenação para um prematuro?

Mito. A nutrição é tão importante quanto à oxigenação e qualquer outro cuidado que a gente tem com o bebê prematuro dentro da UTI. É um cuidado integral que envolve desde a nutrição, a oxigenação até protocolos de neuroproteção e cuidados centrados na família. A nutrição desempenha um papel essencial para o desenvolvimento do recém-nascido, é por meio dela que o bebê irá obter os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.
 

O bebê prematuro também pode ser amamentado?

Verdade. O bebê prematuro não só pode como deve ser amamentado sempre que possível e desde que não se tenha situações específicas que contraindiquem o aleitamento materno. Quanto mais prematuro, mais tarde ele vai mamar no seio materno, porém durante a sua internação é realizado a extração do leite materno e a colostroterapia (técnica que utiliza o colostro, leite produzido na primeira fase da amamentação. No hospital, o recém-nascido recebe, a cada três horas, 0,2ml desse leite), desde as primeiras horas de vida. 

O leite materno é fundamental e é durante a internação que o prematuro passa pelo processo de desenvolvimento, amadurecimento e crescimento. É por meio dele que o bebê prematuro irá adquirir propriedades imunoprotetoras, que são importantíssimas para o desenvolvimento de sua imunidade.
 

O leite materno é a melhor forma de alimentação e apenas ele é suficiente para nutrir um bebê prematuro?

Mito. Os recém-nascidos prematuros apresentam alto risco de déficit de crescimento pós-natal, por isso a terapia nutricional é um aspecto importante dentro da UTI Neonatal. Nos primeiros dias de vida, o prematuro passa por algumas fases de adaptação onde a nutrição parenteral – terapia nutricional inserida no bebê diretamente pela veia (via endovenosa), pode ser necessária e exercer papel fundamental para garantia da saúde, visto que o seu intestino ainda não está preparado para absorver o volume grande de nutrientes. 

Já a nutrição enteral (através de sonda orogástrica) deve ser iniciada o mais precocemente possível, a depender da condição clínica do bebê. O leite materno é o alimento de escolha, e sempre que possível deve ser oferecido para o bebê. Dependendo da necessidade nutricional desse prematuro, para o adequado crescimento, pode ser necessário colocar um aditivo do leite materno, aumentado a quantidade de proteína, caloria, cálcio e fosforo. Na ausência ou impossibilidade de oferecer o leite materno, as fórmulas para prematuros podem ser utilizadas.
 

O bebê prematuro é mais vulnerável às doenças?

Verdade. A parte imunológica do prematuro ainda é imatura, por isso ele tem mais risco de desenvolver infecções bacterianas, fúngicas e virais durante a internação na UTI neonatal. Após a alta hospitalar uma das principais causas de reinternação são problemas respiratórios, geralmente por causas virais. Por isso destaco a importância dos cuidados da equipe multidisciplinar durante toda a internação e dos cuidados gerais de toda a família, além da importância da vacinação dos bebês durante a internação e no pós-alta, seguindo o calendário vacinal do prematuro (PNI, SBP e SBIM). Importante também a vacinação dos contactantes desses bebês, com destaque para as vacinas contra gripe e coqueluche.


Grupo da USP e do Emílio Ribas analisa em detalhes lesões causadas pela febre amarela no coração

   

Vírus da febre amarela atinge especialmente o fígado,
mas outros órgãos também são acometidos pela doença, como os rins,
 cérebro, pulmões, baço, pâncreas e coração
 (
imagem: Erskine Palmer / CDC-PHIL)
Estudo demonstra pela primeira vez o substrato anatômico para as arritmias ocorridas na febre amarela humana

 

Para responder a lacunas no conhecimento da febre amarela (FA), um grupo de pesquisadores do Hospital das Clínicas, do Instituto do Coração (InCor), do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) decidiu estudar a patogenia da lesão cardíaca na FA.

A equipe foi coordenada pelo cardiologista Fernando Rabioglio Giugni e pelo infectologista e patologista Amaro Nunes Duarte Neto, ambos da FMUSP. “Ainda não existe tratamento específico para a febre amarela, ou seja, os pacientes recebem suporte em terapia intensiva, como transfusão sanguínea, ventilação mecânica e tratamento de convulsões; os casos graves têm alta mortalidade, acima de 35%”, alerta Giugni. A pesquisa recebeu apoio da FAPESP no contexto do Projeto Temático MODAU (“Uso de modernas técnicas de autópsia na investigação de doenças humanas”).

Em artigo publicado recentemente no periódico eBioMedicine (uma das publicações open access da revista médica britânica The Lancet), os autores descrevem em detalhes dados clínicos, laboratoriais e aspectos macro e microscópicos do tecido cardíaco, por meio das autópsias de casos fatais da febre amarela realizadas durante a epidemia ocorrida do final de 2017 até o início de 2019 no Estado de São Paulo – a maior registrada no século 21 até o momento. Nesse período, o HCFMUSP e o IIER foram hospitais de referência para tratamento da doença na Região Metropolitana de São Paulo.

O vírus da FA atinge especialmente o fígado, causando em cerca de 5% a 30% dos casos hepatite aguda grave por lesão direta na célula hepática, o hepatócito. A hepatite da febre amarela pode ser fulminante, tendo o paciente náuseas, vômitos, pele e mucosas de coloração amarelada (icterícia), alterações hemorrágicas (hemorragias em mucosas, trato gastrointestinal, pulmonar e cerebral) e coma hepático.

Mas, além do fígado, outros órgãos também são acometidos pela doença, tais como os rins, cérebro, pulmões, baço, pâncreas e coração. Ainda há pouco conhecimento de como o vírus da febre amarela atua nesses órgãos, causando lesão. Por exemplo, é sabido que pacientes com febre amarela apresentam hipotensão refratária (choque) e, nos casos graves, arritmias cardíacas, dentre elas a bradicardia (tal arritmia, que ocorre enquanto o paciente apresenta febre, foi descrita em meados do século 19 pelo médico americano Jean Charles Faget – recebendo o epônimo de “sinal de Faget”).


Descobertas

Os principais achados encontrados pelos autores foram hipertrofia da célula do músculo cardíaco (93,2%), alterações no endotélio vascular (célula que reveste a parte interna dos vãos, responsável pela integridade do vaso e pelo equilíbrio da coagulação do sangue) em 91,8% dos casos, causando hemorragias, edema e microtromboses no coração; destruição de células cardíacas (68,5%); miocardite viral (12,3%); e miocardite secundária por bactérias e fungos em 6,8%. O sistema de condução cardíaco, que gera o estímulo elétrico que promove a contração e o ritmo cardíaco, estava alterado (hemorragias, edema e inflamação) em oito casos examinados, demonstrando, pela primeira vez, o substrato anatômico para as arritmias ocorridas na FA humana.

Por meio de técnicas modernas de biologia molecular, o RNA do vírus da febre amarela foi detectável em 95,7% dos casos, bem como antígenos do vírus nas células endoteliais e em células inflamatórias, indicando uma ação direta do vírus no tecido cardíaco. As principais células inflamatórias encontradas nos casos com miocardite foram macrófagos ativados. Dentre vários mediadores inflamatórios pesquisados por proteômica, sobressaiu-se a proteína interferon gamma-induced 10 (também conhecida como IP-10 ou CXCL-10), uma quimiocina produzida por macrófagos que atrai mais células inflamatórias para o sítio de lesão causada por vírus. Altos níveis dessa quimiocina já foram descritos em pacientes com COVID-19, dengue e zika e têm sido associados a pior prognóstico.

“A importância deste trabalho é que podemos compreender melhor o que ocorre no coração em pacientes com febre amarela grave e com reações vacinais graves, pois tais alterações podem ser mascaradas, ou subestimadas, pela hepatite fulminante, típica da doença”, explica Duarte Neto. A lesão miocárdica é frequente nos casos graves devido a mecanismos multifatoriais, incluindo dano direto mediado pelo vírus, lesão de células endoteliais e resposta inflamatória (miocardite). “Com esse entendimento, é possível implementar medidas diagnósticas e terapêuticas para prevenir e tratar a injúria cardíaca da FA”, complementa o especialista.


Doença reemergente

Cerca de 700 casos de febre amarela foram notificados no Estado de São Paulo entre 2017 e 2019, com 232 óbitos (33,3%). Diversos fatores contribuíram para o estabelecimento da epidemia: alterações ambientais, expansão das áreas urbanas para regiões de Mata Atlântica onde ocorria aumento da circulação viral, com indivíduos não imunizados adentrando a mata.

A FA é considerada atualmente uma doença reemergente no Brasil e na América Latina, com indicação de vacinação em todo o território nacional. No entanto, ainda há um contingente muito grande de pessoas suscetíveis não imunizadas, especialmente em áreas urbanas não endêmicas e altamente povoadas, que podem sofrer com epidemias decorrentes da expansão do vírus no território nacional, como aconteceu em São Paulo, e em todo o Sudeste do Brasil, durante as epidemias do final da década de 2010.

A doença tem duas formas de transmissão: a silvestre, onde o homem se infecta pela picada de mosquitos Haemagogus e Sabethesinfectados pelo vírus da FA, e a forma urbana transmitida pelo Aedes. A epidemia de São Paulo de 2017-2019 foi considerada como selvática. Há ainda uma terceira forma de FA, a febre amarela vacinal (ou “doença viscerotrópica associada à vacina 17DD”), que é uma reação grave que alguns raros indivíduos podem ter à cepa atenuada do vírus da FA contida na vacina.

O artigo Understanding yellow fever-associated myocardial injury: an autopsy study também é assinado por Vera Demarchi Aiello, Caroline Silverio Faria, Shahab Zaki Pour, Marielton dos Passos Cunha, Melina Valdo Giugni, Henrique Trombini Pinesi, Felipe Lourenço Ledesma, Carolina Esteves Morais, Yeh-Li Ho, Jaques Sztajnbok, Sandra de Morais Fernezlian, Luiz Fernando Ferraz da Silva, Thais Mauad, Venâncio Avancini Ferreira Alves, Paulo Hilário do Nascimento Saldiva, Leila Antonangelo e Marisa Dolhnikoff. O paper pode ser lido na íntegra em https://www.thelancet.com/journals/ebiom/article/PIIS2352-3964(23)00376-6/fulltext#%20.


Ricardo Muniz
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/grupo-da-usp-e-do-emilio-ribas-analisa-em-detalhes-lesoes-causadas-pela-febre-amarela-no-coracao/50474

 

Ortopedista alerta sobre riscos para coluna do excesso de exercícios físicos no verão

Divulgação
Para aproveitar o verão com plenitude é essencial manter a saúde da coluna em dia 


O verão, com suas altas temperaturas e dias ensolarados, é a estação do ano em que muitos buscam atividades ao ar livre. Contudo, é também um período em que as lesões na coluna podem aumentar, seja por sair da rotina, exagerar em exercícios físicos ou causada por acidentes, seja no trânsito ou na água. 

De acordo com o médico ortopedista especialista em cirurgia da coluna, Dr. Antônio Krieger, exercícios físicos são importantes para fortalecer a musculatura e reduzir o risco de dores nas costas, no entanto, devem ser realizados regularmente ao longo do ano e o excesso neste período pode trazer consequências. 

"Sem exercício, os músculos podem ficar fracos e sem condicionamento, o que pode levar a dor nas costas e lesões", alerta o ortopedista. “Se você não pratica exercícios físicos com frequência, não deve exagerar nas práticas esportivas no fim do ano. Uma rotina regular de alongamento, musculação e exercícios aeróbicos são melhores para a coluna do que uma única explosão de esforço intenso neste período”, explica Krieger. 

Outro ponto ressaltado pelo cirurgião é o impacto do estilo de vida no bem-estar da coluna. O tabagismo, por exemplo, está associado a um maior risco de dor nas costas, devido à restrição do fluxo sanguíneo para os discos da coluna. "Fumantes são mais propensos a sofrerem com dor nas costas", diz o ortopedista. 


Prevenção no trânsito - O Brasil registrou mais de um milhão de acidentes envolvendo veículos no último ano. Foram cerca de 1,5 milhão de feridos e 20 mil mortes em todo o país, segundo o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (Renaest), da Secretaria Nacional de Trânsito. Por trás dos números, estão as consequências. Acidentes de alta energia, como os que envolvem carros e motocicletas, são as principais causas responsáveis por fratura da coluna e lesão da medula em pacientes jovens. 

Segundo Krieger, os acidentes automobilísticos, comuns nesta estação, são uma das principais causas de fraturas na coluna. "A imprudência ainda é a principal causa de acidentes de trânsito graves que podem levar a traumas na coluna", adverte o especialista.


Lesões na água - Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e o Ministério da Saúde, nesta época do ano, acidentes em águas rasas saltam da quarta para a segunda principal causa de lesão medular no pqaís, atrás apenas dos acidentes de trânsito.

"Os mergulhos em águas rasas podem causar lesões irreversíveis na coluna. Evitar mergulhos de cabeça, certificar-se da profundidade e seguir práticas seguras são essenciais para um verão sem tragédias", destaca o médico.

De acordo com a SBC, a maior parte das vítimas deste tipo de acidente é jovem. Cerca de 90% têm entre 10 a 25 anos. O impacto da queda pode trazer sequelas graves e até mesmo a morte. Entre as principais consequências estão a tetraplegia e paraplegia, além de alterações neurológicas, perda de sensibilidade, fraturas, traumatismos, perda de força muscular e afetar a mobilidade.

 

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