● Previsão da empresa líder em
inteligência de mercado é de um crescimento do setor de TI na América Latina
acima do de economias mais maduras, como o setor de TI dos EUA
● Serão gerados US$ 81,2
bilhões em TI em 2024 na região, 11,1% a mais do que em 2023
● O
grande desafio das empresas latino-americanas é como adaptar a Inteligência
Artificial Generativa (GenAI) aos seus serviços e processos
América Latina – As perspectivas
para o mercado de TI na América Latina a partir de 2024 são bastante positivas,
já que se prevê um crescimento de 5% do setor, acompanhado do fortalecimento de
diversas tecnologias e com impacto no produto interno bruto (PIB) da região, que
impulsionando um crescimento positivo. Os dados foram apresentados no IDC
FutureScape: Latin America IT Industry Predictions 2024 pela
IDC, líder em inteligência de mercado, serviços de consultoria para os setores
de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.
De acordo com as
previsões da IDC, a indústria de TI (sem contar dispositivos) terá um
crescimento de cerca de 11%, bastante positivo no ambiente atual. “Crescer 11%
em 2024 é sem dúvida um marco importante nas perspectivas que os usuários
finais terão em relação a determinadas tecnologias”, afirma Alejandro Floreán,
vice-presidente de Consultoria e Estratégia da IDC América Latina.
Quanto ao
crescimento da indústria de TI nos diferentes países da região, a Argentina
crescerá 7%; enquanto o México, depois de um aumento de 22% em 2023, crescerá
apenas 10% no próximo ano. Por sua vez, o Brasil crescerá 12%; enquanto o Peru
e o Chile terão um crescimento de 11% respectivamente. O panorama é bastante
promissor em comparação com países que têm uma economia mais estável e madura,
como os EUA, que crescerão apenas 9% em 2024.
As 10
previsões da IDC para o mercado latino-americano de TI e Telecomunicações, a
partir de 2024, são:
1.
Maior investimento em iniciativas de Inteligência Artificial
Até 2027, as 5.000
maiores empresas da América Latina dedicarão mais de 25% de seus principais
gastos com TI a iniciativas de IA, impulsionando um aumento de dois dígitos na
taxa de inovação de produtos e processos.
O resultado dessas
iniciativas se refletirá na satisfação dos clientes, melhorando assim a geração
de renda. No que diz respeito à automação robótica de processos (RPA), o
impacto será sentido através da otimização dos fluxos de trabalho, reduzindo
erros e melhorando a eficiência operacional, como é o caso dos Chat Bots. A
gestão de dados será de extrema importância na implementação destas
ferramentas.
“Quando pensamos
no impacto na TI, é muito importante pensar que haverá um foco na gestão de
dados, uma vez que a confiabilidade e a objetividade dos modelos serão
impactadas diretamente pela qualidade da informação que implementarmos nesses
modelos” diz Diego Anesini, vice-presidente de Dados e Análise da IDC América
Latina.
2. A
IA vai gerar mais possibilidades, embora também algumas dificuldades
Com os
fornecedores de tecnologia dedicando 50% dos investimentos em P&D, pessoal
e CAPEX à IA/Automação até 2026, os CIOs terão dificuldade para alinhar a
seleção de fornecedores e as prioridades das operações de TI com os novos casos
de negócios.
Até 2026, poderá
haver uma lacuna relevante entre a oferta de oportunidades de IA e a capacidade
de adaptação do mercado, impactando tudo, desde dispositivos e software até
centros de dados. Em alguns casos, a IA ultrapassará mesmo a nuvem como motor
de inovação, continuando a ser um eixo fundamental na indústria de TI.
Portanto, haverá uma maior oferta na criação e aprimoramento de ferramentas que
ajudarão uma organização a ser mais competitiva, gerando um possível risco de
perda de custos e controle de dados.
Por esta razão,
recomenda-se às empresas que solicitem a seus fornecedores de TI planos de
formação sobre novas ofertas, estabeleçam regras claras na utilização de dados,
código e consumo e, finalmente, que estabeleçam um centro de excelência em IA
para estudar a evolução da oferta e o impacto na organização.
3.
Aumento do custo da infraestrutura e do acesso à informação
Até 2027, um terço
das empresas enfrentará custos incertos de infraestrutura e acessibilidade, o
que levará a medidas provisórias que tornarão mais difíceis de alcançar os
objetivos de economia da nuvem e da logística de dados.
O custo da
infraestrutura e do acesso à informação será um desafio para as organizações,
pois gerará maior pressão para mudanças nos planos de negócios e restrição de
investimentos em recursos. Adicionalmente, pode haver risco de acumulação de
dívida tecnológica, devido às fortes mudanças e CAPEX necessários para os
processadores.
“Será muito
importante ter controle de custos para manter uma relação razoável entre o
investimento e o seu retorno”, afirma Diego Anesini.
4.
Expansão dos portfólios de dados
Em 2024, os
fornecedores de todo o espectro de hardware, software e serviços expandirão
agressivamente os seus portfólios de dados privados e de código aberto,
tornando as decisões de parceria estratégica mais instáveis.
Para o C-Level, os
dados serão de grande importância para desenvolver casos de uso de IA
generativa ou expandi-la na organização. Os Large Language Models (LLM), bem
como os dados, serão ativos muito importantes ao avaliar quanto vale uma
empresa. Alguns fornecedores de tecnologia estão expandindo seu portfólio de
dados para setores específicos que possuem presença tecnológica.
A recomendação da
IDC é priorizar o uso de dados internos e de terceiros e diretrizes de
compartilhamento para todos os dados de negócios gerenciados pela organização,
garantindo acesso de longo prazo a tais informações.
5.
Baixo financiamento em habilidades de TI
Até 2027, o
financiamento abaixo do ideal de iniciativas de competências em comparação com
os gastos em produtos/serviços impedirá que 75% das empresas obtenham o valor
total dos investimentos em IA, nuvem, dados e segurança. Isto faz com que as
empresas continuem a ter dificuldades na hora de procurar pessoas com as
habilidades certas para as funções certas.
84% dos
profissionais de TI no mundo todo reconhecem que a formação em TI é um
imperativo estratégico e o investimento em formação não está indicando um
crescimento exponencial em termos de gastos investidos em tecnologia. Pietro
Delai, diretor de Soluções Empresariais da IDC América Latina, comenta que
“ironicamente, será a IA generativa que ajudará as empresas a treinar
trabalhadores tecnológicos de uma forma muito mais eficiente”.
Consequentemente, “é essencial promover uma cultura de aprendizagem dentro da
organização”.
6.
Novas funções para IA
Até 2028, 35% dos
compromissos de serviços incluirão entrega habilitada por IA generativa,
desencadeando uma mudança de serviços prestados por humanos para estratégia,
mudança e treinamento para preparar as organizações para a ‘AI Evereywhere’.
Haverá novas
funções para os fornecedores de IA: a função de consultor, que deve identificar
casos de uso e será tão relevante quanto a de consultor de negócios, devido à
importância que a IA agregará ao negócio até 2028; a função de gestor, que deve
desenvolver habilidades em equipe e administrar mudanças; e por fim, o papel de
sentinela, para avaliar riscos, possibilidade de viés, toxicidade do processo,
vazamento de dados e direitos autorais.
As empresas devem
avaliar a experiência e a abordagem dos seus prestadores de serviços para
aproveitar ao máximo o alinhamento da IA generativa
com o negócio. “A implementação da IA não deve
sistematizar o que existe, mas sim beneficiar as mudanças”, afirma Delai.
7. A
importância da automação
Até 2027, 80% da
infraestrutura, da segurança, dos dados e das aplicações dependerão de
plataformas de controle avançadas para a prestação coordenada de serviços
baseados em IA, mas apenas metade das empresas as utilizará de forma eficaz.
Uma das mudanças
mais significativas em TI é a expansão da entrega de tecnologia como serviço:
software, hardware e serviços, tornando mais necessário o uso de ferramentas
avançadas de controle para melhorar a resiliência dos negócios digitais,
reduzindo a sobrecarga operacional.
Delai ressalta que
“o crescimento da equipe operacional não vai resolver os problemas, por isso a
automação deve ser sempre considerada um ponto chave”.
É aconselhável
reorientar as práticas operacionais de TI para o desenvolvimento de
competências estratégicas que serão importantes para trabalhar de forma
otimizada com a automação.
8.
Mais atenção aos mercados mal atendidos por meio da IA
Até 2026, todas as
novas marcas, produtos e serviços de TI direcionados a segmentos de
clientes/pessoas mal atendidas serão baseados na forte integração de diversos
serviços de IA que oferecem novos recursos a custos mais baixos.
Novos sistemas de
informação integrados com IA terão como alvo segmentos pouco atendidos pelas
empresas, melhorando assim a experiência e a automação, proporcionando maior
eficiência e impacto nos custos operacionais. Isso causará uma conexão com
diferentes segmentos de mercado que não são atendidos regularmente.
Alejandro Floreán
menciona que “a governança de dados e uma estrutura mais eficiente serão
fundamentais para o sucesso do negócio. Buscar plataformas integradas, e não
isoladas, e de forma transparente, é um bom caminho.”
Um aspecto
relevante é que faltam talentos para trabalhar com IA e sua integração com
diversos serviços que atendem esses segmentos. Esta será uma das principais
barreiras para alcançar a integração total e completa dos serviços de TI nas
empresas.
9.
Novas experiências e casos de uso
Até 2027, 40% das
5.000 maiores empresas da América Latina aproveitarão experiências
onipresentes, análises de ponta e IA generativa para permitir que os clientes
criem suas próprias experiências, melhorando o resultado e o valor desejados
pelos clientes.
“Toda a
inteligência gerada, quando bem analisada, permitirá a criação de novas
experiências e casos de uso que talvez não existam atualmente. Estudar e
investir estrategicamente em serviços generativos de IA terá um grande impacto
nas diferentes equipes de uma organização. Ter uma priorização para a proteção
da privacidade dos dados, tanto de clientes como de parceiros de negócios, será
definitivamente um aspecto muito importante a considerar no próximo ano”,
destaca Floreán.
10.
Conectividade será essencial
Até 2028, 20% das
5.000 maiores empresas da América Latina integrarão conectividade via satélite
na órbita baixa da Terra, criando uma estrutura unificada de serviços digitais
que garanta acesso onipresente e resiliente e garanta fluidez de dados.
A criação de novas
aplicações inteligentes que serão geradas como parte de toda esta explosão, não
apenas derivadas da IA generativa, mas também da tendência de 'near shoring' em alguns países latino-americanos, estará gerando novas aplicações inteligentes que talvez exigirão
menor latência para poder operar corretamente.
“A conectividade
será essencial para que todas essas previsões se concretizem. Para implementar
um ecossistema de conectividade, deve ser fundamental que as empresas alinhem
diferentes estruturas e serviços para garantir a fluidez dos dados”, conclui
Floreán.
IDC - International Data Corporation (IDC)
Para saber mais visite o site global ou site Latam
LinkedIn