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sábado, 9 de setembro de 2017

Por que o dignóstico da endometriose é tão difícil?



Do início dos sintomas ao diagnóstico a mulher pode levar até 8 anos para obter o diagnóstico


O diagnóstico pode ser um desafio para as mulheres que sofrem com a endometriose, doença crônica e incurável, que se caracteriza pela presença de tecido endometrial (semelhante ao que reveste a cavidade uterina) fora do útero. A estimativa, de acordo com diversos estudos, é que a confirmação do diagnóstico pode levar em média, oito anos para acontecer.

Segundo Dr. Edvaldo Cavalcante, cirurgião ginecológico e especialista em endometriose, a mulher costuma percorrer um longo caminho até descobrir a doença, principalmente quando não há sintomas aparentes. Nas pacientes sintomáticas, esse atraso aumenta o sofrimento físico e impacta diretamente na redução da qualidade de vida, com prejuízos na carreira, estudos e relacionamentos.  


Quando desconfiar da endometriose?
 
“A dor pélvica é o principal sintoma da endometriose. Ela pode se manifestar de diversas maneiras, como a dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica crônica (ou acíclica), dispareunia de profundidade (dor durante a relação), alterações intestinais cíclicas (dor à evacuação, sangramento nas fezes, aumento do trânsito intestinal durante o período menstrual), alterações urinárias cíclicas (ardor, perda de sangue na urina, aumento da frequência acompanhando o fluxo menstrual) e infertilidade”, explica Dr. Edvaldo.


O que pode atrasar o diagnóstico?
 
Há alguns fatores que podem atrasar o diagnóstico. O primeiro deles é que em muitos casos as mulheres não levam suas queixas ao médico por considerarem a cólica menstrual um sintoma normal. Acabam se automedicando com analgésicos e, em muitos casos, evitam atividades sociais durante as crises.  

“Por muito tempo as mulheres, e por que não dizer que alguns médicos, também acreditavam que cólica e dores na relação eram sintomas normais durante toda a sua vida. Mas, hoje sabemos que esses sintomas podem ser o primeiro sinal da endometriose e, por isso, qualquer queixa clínica deve ser valorizada”, afirma o médico.


Como chegar ao diagnóstico
 
Após a suspeita clínica da endometriose, o médico irá iniciar a investigação com exames de imagem específicos, como o ultrassom pélvico transvaginal com preparo intestinal e/ou  ressonância magnética  com  preparo intestinal. Entretanto, esses exames são outros fatores que podem contribuir para o atraso no diagnóstico.  

“Esses exames devem ser realizados por médicos especializados e preparados para a intepretação das imagens que mapeiam a endometriose. Infelizmente, há escassez de médicos capacitados nos laboratórios e centros médicos brasileiros”, diz Dr. Edvaldo.  


Diagnóstico definitivo é sempre cirúrgico?
 
Por muito tempo, as mulheres que tinham a suspeita clínica de endometriose eram submetidas à cirurgia por videolaparoscopia para confirmação diagnóstica e este era o único método definitivo para confirmação da doença.

Entretanto, segundo Dr. Edvaldo, graças ao avanço do diagnóstico por imagem (ultrassom e ressonância magnética) e à experiência dos médicos especializados em endometriose, após a suspeita clínica, exames físico e por imagem, o diagnóstico da endometriose é firmado na grande maioria dos casos.

“A videolaparoscopia diagnóstica ficou reservada para um seleto grupo de pacientes. Atualmente, conseguimos diagnosticar, mapear e individualizar o melhor tratamento da endometriose, que pode ser clínico ou cirúrgico”, comenta o médico.

Como mensagem final, Dr. Edvaldo reforça a importância da valorização das queixas de cólicas menstruais, principalmente em mulheres jovens, pois a doença pode ter início precoce, e nessa fase o principal sintoma será a cólica menstrual intensa. “Quando a dor for intensa e exigir repouso ou afastamento das atividades rotineiras, é preciso prestar atenção. Cólica menstrual não deve ser algo incapacitante, se for, o médico deve valorizar a queixa e investigá-la”, conclui.





Suicídio: é possível prevenir



O Setembro Amarelo é uma campanha para conscientização sobre a prevenção do suicídio que foi criada no Brasil, em 2014, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), com o apoio de outras entidades. No Brasil, 32 pessoas se suicidam por dia, taxa superior às mortes por Aids e pela maioria dos tipos de câncer. Um dos fatores que potencializa esse problema é o tabu em torno do tema.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 9 em cada 10 casos de suicídio seriam evitados com mais informação, conscientização e discussões abertas. Com essa preocupação, as entidades a frente da campanha produziram conteúdos dirigidos especificamente a determinados grupos profissionais da sociedade.

Mauro Aranha, psiquiatra e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), alerta que profissionais e familiares não podem ter medo de perguntar se a pessoa já pensou em suicídio. “A preservação e o aprofundamento de vínculos sociofamiliares também podem contribuir para a redução do número de suicídios”, destaca.

A cartilha Suicídio: informando para prevenir é voltada aos profissionais da área de saúde de todos os níveis de atenção com a perspectiva de que sua ajuda é fundamental na prevenção desse problema, desde que estejam aptos a reconhecer os fatores de risco.

A campanha também promove ações como a iluminação de locais públicos e particulares com a cor amarela, caminhadas de rua e ampla divulgação de informações sobre o tema. O Dia Mundial para Prevenção do Suicídio é em 10 de setembro, mas as ações acontecem durante o mês inteiro. 


Prevenção
 

Algumas medidas eficazes para a prevenção já são evidenciadas em pesquisas internacionais, como:
  • Treinamento de médicos para identificar e tratar corretamente episódios de depressão;
  • Restrição ao acesso a meios letais (armas de fogo, venenos, medicações potencialmente letais, acesso a locais de onde o indivíduo pode se jogar) e;
  • Tratamento e acompanhamento de paciente após alta hospitalar de internação ou atendimento em posto de saúde devido à tentativa de suicídio.

Risco entre médicos

A taxa de suicídio entre médicos é 70% maior que na população em geral. Acredita-se que as situações de grande estresse profissional, a responsabilidade de lidar com tragédias humanas e o fácil acesso a medicamentos fatais são fatores que contribuem para o alto número.

O Cremesp lançará uma cartilha sobre Saúde Mental destinada aos médicos jovens e estudantes de Medicina, para identificar, acompanhar e dar suporte aos transtornos mentais precocemente a fim de inibir um quadro mais grave no futuro prevenção.






 

Fonte: Cremesp, CFM e Setembro Amarelo







Êmese e hiperemese gravídica: como amenizar os efeitos indesejáveis dos enjoos



A duquesa Kate Middleton está grávida do terceiro filho. A monarquia está em festa com a chegada de mais um bebê real. Quem não estaria feliz com a chegada de mais um filho? Tudo muito lindo não fossem os enjoos e os vômitos constantes da Duquesa. No começo da gravidez os enjoos e vômitos são muito comuns e podem acometer até com 90% das gestantes. 

É a chamada êmese gravídica, que acontece entre a 5º e a 6º semana de gravidez com pico na nona. Mas o que a duquesa tem é uma manifestação mais severa do quadro, chamada de hiperemese, que acomete até 2% das gestantes e que merece muita atenção e cuidados especiais.

Dra. Marisa Patriarca, ginecologista e obstetra e professora da pós-graduação da Unifesp explica o que acontece com Kate Middleton que, sofreu do mesmo problema nas gravidezes anteriores e chegou a ser internada. “O vômito incontrolável pode e, leva muitas vezes, a desidratação e perda de peso e nesses casos, a internação é imperiosa. Em casos mais raros e prolongados é possível acontecer lesão do fígado e até neurológica. Admite-se que tanto a êmese quanto a hiperemese gravídica decorra das alterações hormonais próprias da gravidez, principalmente do HCG placentário, que determinam maior lentidão do esvaziamento gástrico. Há também situações em que a hiperemese pode ser psicogênica, ou seja, de fundo emocional e nesses casos, a psicoterapia deve ser considerada.

Dra. Marisa alerta que é preciso ficar atenta e ter acompanhamento médico durante todo o período com atenção especial do obstetra.

Mas a boa notícia, nesse turbilhão de hormônios e amor que, entre 50 a 90% das mulheres passam pela a êmese gravídica mais tranquilamente, com náuseas em geral, no período da manhã. A gestante deve preferir os alimentos mais secos, pobres em gordura e ricos em carboidratos. Aconselha-se que coma uma bolacha de água e sal ainda na cama, antes de se levantar e escovar os dentes.
 
Fracionar a alimentação também é uma boa medida. Tanto o estômago muito cheio quanto muito vazio podem desencadear náuseas. A grávida tem que dar preferência, sobretudo, a alimentos lhe apetecem.





Dra. Marisa Patriarca - ginecologista e obstetra. Professora de ginecologia do curso de pós-graduação da Unifesp. Tem mestrado e doutorado pela Unifesp. É médica assistente doutora e coordenadora do Setor Multidisciplinar de Pesquisa em Patologia da pele feminina do Departamento de Ginecologia da Unifesp. Chefe do Setor de Climatério do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo ( IAMSPE).





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