Pesquisar no Blog

segunda-feira, 2 de março de 2026

A higiene inadequada dos fones de ouvido pode afetar a saúde do ouvido

O uso de fones de ouvido sem fio se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros — no trabalho, na academia, no transporte público e até durante o sono. Mas junto com a praticidade, surge uma dúvida cada vez mais comum nos consultórios: usar fones intra-auriculares pode causar infecção?

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. “O fone em si não causa infecção. O problema está na combinação entre uso prolongado, ambiente úmido e higienização inadequada”, explica o especialista.
 

O que acontece com o ouvido de quem usa fones sem fio?

O canal auditivo possui uma microbiota própria — um conjunto de micro-organismos que vivem ali naturalmente e ajudam a manter o equilíbrio da região. Assim como ocorre na pele ou no intestino, existe uma convivência harmoniosa entre bactérias “boas” e o organismo.

Quando utilizamos fones intra-auriculares por muitas horas, principalmente durante atividades físicas ou em ambientes quentes, criamos um cenário propício para alterações nesse equilíbrio:

  • Aumento de umidade
  • Elevação da temperatura local
  • Redução da ventilação natural do canal auditivo

Esse microambiente abafado pode favorecer o crescimento excessivo de bactérias e fungos, aumentando o risco de otite externa, conhecida popularmente como “infecção do ouvido externo”.
 

Fones de ouvido sem fio aumentam o risco de infecção?

De acordo com o otorrino, o risco existe — mas está muito mais relacionado ao comportamento do usuário do que ao dispositivo em si.

“O uso contínuo por muitas horas, compartilhar fones com outras pessoas e não higienizar adequadamente são os principais fatores de risco.”

Além disso, pequenas escoriações causadas pela introdução frequente do fone podem facilitar a entrada de micro-organismos.
 

Sintomas que merecem atenção

Os sinais mais comuns de infecção do canal auditivo incluem:

  • Dor ao tocar a orelha
  • Coceira intensa
  • Sensação de ouvido tampado
  • Secreção
  • Vermelhidão ou inchaço

Em casos mais avançados, pode haver dor intensa e dificuldade para mastigar.
 

Higienização do fone de ouvido é essencial para a saúde auditiva

O especialista orienta algumas medidas práticas:

️ Limpar os fones regularmente com pano levemente umedecido com álcool 70%

️ Evitar usar os fones com o ouvido molhado

️ Não compartilhar dispositivos

️ Dar intervalos durante o uso prolongado

️ Manter o ouvido seco após banho ou piscina

Importante: não se deve introduzir cotonetes ou objetos pontiagudos no ouvido para “limpeza”, pois isso pode remover a camada protetora natural de cerúmen e aumentar o risco de infecção.
 

Mito ou verdade: fones sem fio são vilões do ouvido?

Fones de ouvido sem fio não são vilões, mas podem contribuir para infecções quando associados a uso prolongado e má higienização.

“A tecnologia não é o problema. O cuidado é que faz a diferença”, conclui o otorrinolaringologista. Com hábitos simples de higiene e atenção aos sinais do corpo, é possível manter a saúde auditiva mesmo em uma rotina cada vez mais conectada.
 

 

FONTES: 

Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros – otorrinolaringologista. Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.

 

É Só a Idade?” Ou o Estilo de Vida Está Antecipando os Problemas de Próstata nos Homens

Sedentarismo, excesso de cafeína, estresse crônico e má hidratação estão entre os fatores que vêm antecipando sintomas urinários em homens a partir dos 40 anos, e até antes

 

Durante décadas, sintomas como jato urinário fraco, vontade frequente de urinar, acordar várias vezes à noite ou sensação de esvaziamento incompleto foram atribuídos exclusivamente ao envelhecimento masculino. A narrativa era simples: passou dos 50? A próstata aumenta, e isso é inevitável. 

Mas a medicina atual começa a desenhar um cenário mais complexo e mais preocupante. 

Segundo o urologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Alexandre Sallum Bull, muitos homens estão apresentando sintomas urinários cada vez mais cedo, e não apenas por alterações hormonais naturais. “O que vemos hoje no consultório é uma combinação entre predisposição biológica e um estilo de vida que favorece inflamação, retenção urinária inadequada e sobrecarga prostática”, explica. 

A próstata pode até crescer com o tempo, mas a intensidade dos sintomas depende de muito mais do que a idade.

 

A próstata não adoece sozinha

A hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento não cancerígeno da próstata, é comum com o avanço da idade. Porém, o que determina o impacto clínico dessa alteração é o ambiente metabólico e inflamatório em que o corpo está inserido. 

Estudos mostram que obesidade abdominal, resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e sedentarismo estão associados à piora dos sintomas do trato urinário inferior. O tecido prostático é altamente sensível a alterações hormonais e metabólicas. Quanto mais inflamação sistêmica, maior a tendência de sintomas. 

“O homem moderno trabalha sentado por horas, dorme pouco, vive sob estresse constante, consome ultraprocessados e bebe pouca água. Esse conjunto cria um cenário perfeito para a piora urinária”, afirma Alexandre Sallum.

 

Cafeína, álcool e refrigerantes: irritantes invisíveis da bexiga


Outro fator frequentemente negligenciado é o consumo elevado de substâncias irritantes. 

Cafeína, álcool, bebidas energéticas e refrigerantes estimulam a produção de urina e aumentam a irritabilidade da bexiga. Em homens que já possuem aumento prostático discreto, isso pode desencadear sintomas desproporcionais ao tamanho real da glândula. 

“O paciente muitas vezes acredita que o problema está exclusivamente na próstata, quando na verdade há um componente comportamental agravando o quadro”, explica o urologista. 

A ingestão insuficiente de água também desempenha papel importante. Urina muito concentrada irrita o trato urinário e aumenta a sensação de urgência e desconforto. 

 

Estresse crônico e o eixo hormonal masculino

O estresse persistente eleva níveis de cortisol e interfere na regulação hormonal masculina. Há evidências de que alterações no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal podem influenciar a saúde prostática indiretamente, além de impactar sono, libido e metabolismo. 

Homens que dormem menos de seis horas por noite apresentam maior incidência de sintomas urinários e inflamatórios. A privação do sono favorece processos inflamatórios sistêmicos, que também afetam o trato urinário. 

Um dos grandes problemas é que muitos homens só procuram avaliação quando os sintomas já interferem na qualidade de vida. No entanto, os primeiros sinais costumam ser discretos: 

  • jato urinário levemente mais fraco
  • aumento da frequência urinária
  • necessidade de acordar uma vez à noite
  • demora maior para iniciar a micção 

Esses sinais, quando negligenciados, tendem a evoluir. A prevenção não é apenas rastrear câncer. É acompanhar a saúde prostática antes que a obstrução seja significativa.

 

A boa notícia: é possível reverter o curso

A abordagem moderna para sintomas prostáticos vai além da prescrição de medicamentos. Mudanças no estilo de vida demonstram impacto real na evolução do quadro: 

  • redução de peso abdominal
  • prática regular de atividade física
  • melhora da qualidade do sono
  • redução de cafeína e álcool
  • hidratação adequada
  • controle metabólico (glicemia e colesterol) 

Quando necessário, há tratamentos farmacológicos eficazes e, em casos mais avançados, técnicas minimamente invasivas que aliviam a obstrução com rápida recuperação. O mais importante é entender que envelhecer não significa necessariamente sofrer com sintomas urinários severos. O estilo de vida tem papel decisivo nesse processo.

 

A nova perspectiva da saúde masculina

O Dr. Alexandre Sallum Bull conclui: “A próstata não deve ser vista apenas sob a lente do câncer. Ela é parte de um sistema maior, que envolve metabolismo, hormônios, sono, intestino e saúde cardiovascular. A mensagem central é clara, muitos sintomas atribuídos à idade podem ser consequência de escolhas diárias repetidas ao longo dos anos”. 

Dr. Alexandre Sallum Bull CRM 129592 - Médico Urologista. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).



Doenças gastrointestinais no início do ano: o que muda com calor, viagens e alimentação fora de casa

Mudanças na rotina, altas temperaturas e refeições fora de casa aumentam o risco de infecções, intoxicações e desconfortos digestivos nos primeiros meses do ano

 

O início do ano costuma vir acompanhado de viagens, refeições fora de casa e uma rotina menos previsível. Somadas ao calor intenso, essas mudanças criam um cenário propício para o aumento de doenças gastrointestinais, como diarreia, intoxicações alimentares, refluxo, gastrite e infecções intestinais. 

Segundo o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde, esse é um período que exige atenção especial ao sistema digestivo. “O calor acelera a proliferação de bactérias e aumenta o risco de contaminação dos alimentos. Quando isso se soma a escolhas feitas fora de casa, o risco de problemas gastrointestinais cresce consideravelmente”, explica.

 

Calor e conservação dos alimentos

As altas temperaturas impactam diretamente a segurança alimentar. Alimentos mal refrigerados, expostos por longos períodos ou manipulados sem os cuidados adequados tornam-se um ambiente favorável para bactérias e vírus. “Mesmo alimentos aparentemente inofensivos podem causar intoxicações quando não são bem armazenados. No verão, esse risco é ainda maior”, alerta o médico.

 

Viagens e mudanças no funcionamento do intestino

Durante viagens, o organismo passa por adaptações que afetam o funcionamento do intestino. Alterações nos horários das refeições, consumo de água de procedência desconhecida e longos períodos sem se alimentar adequadamente podem provocar diarreia, constipação e dor abdominal. “É comum que pessoas que não têm histórico de problemas digestivos apresentem sintomas durante ou após viagens, principalmente em regiões mais quentes”, afirma o Dr. Armindo.

 

Excessos e sobrecarga do sistema digestivo

O começo do ano também é marcado por exageros alimentares. Bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos e refeições volumosas sobrecarregam o estômago e favorecem crises de refluxo, azia e gastrite. “O problema não está em um episódio isolado, mas na repetição dos excessos ao longo de vários dias. O sistema digestivo sente rapidamente essa sobrecarga”, destaca.

 

Hidratação como aliada da digestão

A desidratação, comum nos dias quentes, piora os sintomas gastrointestinais. A falta de líquidos compromete a digestão, altera o trânsito intestinal e intensifica desconfortos como constipação ou diarreia.

“Muitas pessoas só percebem a desidratação quando os sintomas aparecem. Manter o consumo de água ao longo do dia é fundamental para proteger o intestino”, orienta o especialista.

 

Quando procurar ajuda médica

O diretor médico da Nova Saúde reforça que sintomas persistentes não devem ser ignorados. Dor abdominal intensa, febre, vômitos frequentes ou diarreia prolongada exigem avaliação médica. 

“O início do ano deve ser um período de retomada com mais equilíbrio. Pequenos cuidados no dia a dia ajudam a evitar problemas que podem comprometer o descanso, as viagens e a qualidade de vida”, conclui o Dr. Armindo Matheus. 



Nova Saúde
Site: Link
Instagram: Link


No Brasil a obesidade só cresce e já atingiu o aumento de 118% entre 2006 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade


A obesidade não deve ser vista apenas como uma questão estética, mas como uma doença crônica com impacto direto no aparelho digestivo e no metabolismo corporal — com reflexos sobre o fígado, pâncreas e risco cardiometabólico. Quem explica é o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa.

Dados recentes revelam que a obesidade segue em rápido crescimento no Brasil e no mundo. No país, o aumento de casos entre adultos atingiu 118% entre 2006 e 2024, segundo o último levantamento do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde — que monitora fatores de risco para doenças crônicas.

Esse cenário preocupa porque a gordura em excesso não é apenas um acúmulo de tecido adiposo: ela altera fisiologicamente o organismo, promovendo inflamação crônica e interferindo no funcionamento de órgãos essenciais.

“Obesidade é uma doença digestiva e metabólica, e não um problema de vontade ou estética. A gordura visceral altera a sinalização hormonal, prejudica o fígado e o pâncreas e aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares”, destaca o cirurgião do aparelho digestivo que alerta ainda que a obesidade condiciona uma série de outras desordens metabólicas.
 

Impactos da obesidade no fígado, pâncreas e metabolismo

A obesidade está diretamente ligada a distúrbios digestivos e metabólicos:

  • Fígado gorduroso (esteatose/Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease – MASLD): condição comum em pessoas com obesidade, podendo evoluir para inflamação e fibrose hepática se não tratada adequadamente.
  • Pâncreas e resistência à insulina: o excesso de gordura corporal contribui para a resistência insulínica, fator central no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
  • Risco cardiometabólico aumentado: obesidade eleva significativamente as chances de doenças cardiovasculares, hipertensão e complicações metabólicas associadas.

A obesidade também é um dos principais fatores de risco para outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como alguns tipos de câncer e condições respiratórias, o que amplia ainda mais seu impacto sobre o sistema de saúde.
 

Obesidade é um problema de saúde pública, não de estética

Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade, com implicações profundas para os sistemas de saúde, qualidade de vida e expectativa de vida.

No Brasil, estimativas apontam que uma parte substancial da população adulta já vive com obesidade hoje, e as tendências demográficas sugerem que esse número pode continuar crescendo nas próximas décadas, especialmente sem políticas públicas eficazes de prevenção e tratamento.

“A obesidade não pode ser vista como falha individual. É uma condição clínica complexa, influenciada por fatores genéticos, ambientais, estilo de vida e desigualdades sociais. O combate efetivo exige ações integradas de saúde pública, educação, alimentação adequada e acesso ao tratamento especializado”, ressalta o cirurgião.
 

Abordagem multidisciplinar e tratamento da obesidade

O tratamento eficaz da obesidade exige acompanhamento multidisciplinar — envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos e, quando indicado, intervenção cirúrgica. Entre as opções terapêuticas, a cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para casos severos ou quando outras estratégias clínico-nutricionais não são suficientes, especialmente em pacientes com comorbidades associadas.

“A indicação cirúrgica não é estética, mas médica e funcional — com objetivos de reduzir risco de complicações metabólicas e melhorar sobrevida e qualidade de vida”, finaliza o médico especialista em obesidade.
 

Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco 


Do Nipah às infecções comuns: especialista do Hospital IGESP explica como identificar sintomas e acompanhar a saúde a longo prazo

Mesmo sem casos no Brasil, o estudo do vírus reforça a importância de atenção aos primeiros sintomas e à evolução das infecções virais

 

O vírus Nipah tem chamado atenção global nos últimos dias por sua gravidade em alguns países da Ásia e pelo potencial de causar surtos localizados. Embora ainda não tenha registros no Brasil, ele serve como exemplo de como algumas doenças virais podem evoluir silenciosamente. 

A taxa de letalidade estimada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) varia conforme o surto e as condições de vigilância e tratamento local, mas geralmente fica entre 40% e 75% das pessoas infectadas. Esse cenário reforça a importância de identificar sinais iniciais e acompanhar a evolução de infecções virais, mesmo quando os sintomas parecem leves ou passageiros. 

A evolução da infecção pelo vírus Nipah nem sempre é perceptível de imediato, o que torna o monitoramento contínuo fundamental para prevenir complicações e favorecer uma recuperação completa. 

A transmissão do vírus ocorre principalmente pelo contato direto com animais infectados, especialmente morcegos frugívoros e porcos, ou pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas e seivas cruas. Também há registro de transmissão de pessoa para pessoa, sobretudo por meio do contato com secreções corporais. 

“A prevenção envolve medidas simples, mas essenciais, como evitar o consumo de alimentos potencialmente contaminados, reforçar práticas de higiene, utilizar equipamentos de proteção em ambientes de risco e adotar protocolos rigorosos de controle de infecção. Atualmente, não há tratamento antiviral específico nem vacina aprovada contra o Nipah, sendo o manejo baseado em cuidados de suporte e no acompanhamento clínico contínuo para tratar complicações à medida que surgem”, explica Julio Onita, infectologista do Hospital Igesp. 

“Os primeiros sinais de infecção podem ser sutis e facilmente confundidos com resfriados ou outras viroses comuns, como dengue, influenza ou febre amarela. Sintomas como febre baixa, dor de cabeça, cansaço intenso e mal-estar geral podem passar despercebidos, mas indicam que o organismo está reagindo a uma agressão viral. Observar essas manifestações com atenção permite detecção precoce, reduzindo o risco de complicações e evitando que situações mais graves se instalem sem que sejam percebidas”, acrescenta o médico.


Doenças raras e infecções comuns compartilham riscos silenciosos 

Estudar vírus como o Nipah reforça que prevenção, atenção aos primeiros sinais e acompanhamento contínuo não são apenas práticas desejáveis, mas essenciais para lidar com doenças emergentes e infecções virais em geral. Esses cuidados contribuem para ampliar a segurança e o bem-estar da população, inclusive em regiões onde o vírus ainda não circula, ao fortalecer uma cultura de vigilância capaz de reduzir riscos e aprimorar a resposta diante de novas ameaças virais. 

“Aprender a reconhecer sinais sutis e iniciais e acompanhar a evolução das infecções traz lições valiosas não apenas para doenças raras como o Nipah, mas também para vírus recorrentes como dengue, influenza e febre amarela. Cada organismo reage de maneira única, e sintomas leves podem esconder processos que evoluem silenciosamente”, afirma o especialista do Hospital Igesp. 

“A observação cuidadosa e a vigilância contínua tornam-se, assim, ferramentas fundamentais para identificar alterações de saúde antes que se tornem problemas graves, permitindo intervenções mais precisas e eficazes”, finaliza.

 

Rede IGESP


CRCSP apoia campanha Março Lilás, Amarelo e Azul-Marinho e destaca a importância da prevenção em saúde

Iniciativa reforça a conscientização sobre câncer de colo do útero, endometriose e câncer de intestino 

 

O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP) apoia a campanha Março Lilás, Amarelo e Azul-Marinho, que integra o calendário colorido da saúde e têm como objetivo ampliar a conscientização da sociedade sobre a prevenção do câncer de colo do útero, da endometriose e do câncer de intestino. 

A entidade ressalta que o acesso à informação qualificada e o diagnóstico precoce são fatores decisivos para a redução da incidência e da mortalidade dessas doenças, que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. 

No Março Lilás, o foco é o câncer de colo do útero, que permanece como a quarta causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença está fortemente associada à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), responsável por cerca de 70% dos casos, conforme dados do Ministério da Saúde. Além da vacinação contra o HPV, o rastreamento da doença avança com a adoção do teste de DNA-HPV, método mais moderno e preciso, capaz de detectar diretamente o vírus antes do surgimento de lesões. O exame permite maior intervalo entre coletas quando o resultado é negativo e, em alguns casos, possibilita a autocoleta, ampliando o acesso ao rastreamento. A incorporação do teste ao Sistema Único de Saúde (SUS) ocorre de forma gradual, com ampliação prevista ao longo de 2026, conforme orientações do Ministério da Saúde. Apesar desse avanço, o exame Papanicolau segue sendo uma ferramenta válida de rastreamento, especialmente em contextos específicos e conforme orientação médica. 

O Março Amarelo é dedicado à conscientização sobre a endometriose, condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que representa aproximadamente 190 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres convivam com a doença. A endometriose pode causar dor crônica, infertilidade e impactos significativos na qualidade de vida e, em muitos casos, o diagnóstico leva anos para ser confirmado, o que reforça a importância do acesso à informação, do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado. 

Já o Março Azul-Marinho chama a atenção para o câncer de intestino, que está entre os tipos mais comuns no país. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são registrados cerca de 45 mil novos casos por ano no Brasil. A campanha destaca a importância da adoção de hábitos saudáveis, da alimentação equilibrada e da realização de exames de rastreamento, especialmente entre pessoas acima dos 50 anos ou com fatores de risco. 

Ao apoiar essa campanha, o CRCSP contribui para a disseminação de informações confiáveis e para o fortalecimento de ações voltadas à prevenção em saúde. 

Para mais informações, acesse www.crcsp.org.br.
 

Otorrinolaringologia ganha protagonismo em um mundo onde comunicar é essencial


Especialidade que nasceu para estudar a comunicação humana se consolida como uma das mais estratégicas da medicina moderna

 

Em um mundo cada vez mais conectado, em que ouvir, falar e respirar bem impactam diretamente relações pessoais, desempenho profissional e qualidade de vida, a Otorrinolaringologia assume um papel cada vez mais estratégico na medicina. 

“A otorrinolaringologia nasce para estudar a comunicação humana e se torna destaque pela importância cada vez maior da comunicação em um mundo globalizado”, afirma o otorrinolaringologista Dr. Gilberto Pizarro, do Hospital Paulista. 

Responsável pelo cuidado das estruturas que permitem audição, voz, respiração e equilíbrio, a especialidade deixou de ser vista apenas como área voltada a infecções de ouvido ou sinusites e passou a ocupar posição central em temas que dialogam com qualidade de vida, produtividade e saúde integral. 

Celebrado em 3 de março, o Dia Nacional do Otorrinolaringologista reforça essa transformação. Hoje, a especialidade acompanha o avanço tecnológico da medicina e amplia sua atuação em áreas como distúrbios do sono, reabilitação auditiva, cirurgia cérvico-facial e procedimentos funcionais e estéticos.

 

A complexidade por trás da respiração e do sono 

Entre os campos que mais cresceram nos últimos anos está a medicina do sono. Condições como a apneia obstrutiva deixaram de ser vistas apenas como um incômodo noturno e passaram a ser reconhecidas como fatores de risco para doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e prejuízo cognitivo. 

“Distúrbios respiratórios durante o sono impactam muito além do ronco. Há repercussões na oxigenação, no funcionamento cardiovascular e na saúde mental. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem diferença significativa na qualidade de vida do paciente”, explica o Dr. Pizarro. 

Outro ponto de destaque é a saúde auditiva. Com o envelhecimento da população e a exposição constante a ruídos — inclusive pelo uso prolongado de fones de ouvido — cresce a preocupação com perdas auditivas progressivas. 

“A audição é uma das bases da interação social. Quando há perda auditiva não tratada, o paciente pode apresentar isolamento, dificuldades cognitivas e prejuízo emocional. A reabilitação auditiva evoluiu muito e hoje oferece soluções altamente eficazes”, acrescenta o especialista.


Tecnologia e formação ampliam oportunidades 

A incorporação de novas tecnologias diagnósticas e cirúrgicas também impulsiona a valorização da especialidade. Exames mais precisos, cirurgias minimamente invasivas e integração com áreas como fonoaudiologia, alergologia e neurologia tornam o cuidado mais completo. 

Para o diretor do Hospital Paulista, Dr. Braz Nicodemo, essa evolução acompanha uma mudança na própria percepção da sociedade sobre saúde. 

“A população passou a entender que respirar bem, dormir bem, ouvir bem e falar bem não são detalhes — são determinantes de qualidade de vida. A Otorrinolaringologia acompanha essa conscientização e se fortalece como uma especialidade essencial”, afirma. 

Segundo ele, o crescimento da área também se reflete na formação profissional. “É uma especialidade que reúne clínica, cirurgia e tecnologia. Essa combinação amplia horizontes para o médico e oferece respostas muito concretas ao paciente.”

 

Um campo em constante evolução 

Da infância à terceira idade, a Otorrinolaringologia está presente em diferentes fases da vida: no tratamento de amigdalites e otites, na correção de alterações respiratórias, no acompanhamento da voz profissional, na reabilitação auditiva e na abordagem de distúrbios do sono. 

“O futuro da especialidade passa por diagnóstico cada vez mais preciso, tratamento individualizado e integração multidisciplinar. Estamos diante de um campo que continua se expandindo e ganhando relevância”, conclui o Dr. Pizarro.


Saiba como a mpox é transmitida, quais os sintomas e as medidas de prevenção essenciais

 

O Ministério da Saúde confirmou que o Brasil, nos dois primeiros meses de 2026, já registrou 88 casos de mpox, causada por um vírus que provoca febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, linfonodos inchados (ínguas), fraqueza e erupções cutâneas ou lesões na pele, podendo inclusive levar à óbito. Além dessas confirmações, há ainda 171 pacientes sob investigação, reforçando a necessidade de  medidas de prevenção.

Crianças também podem ser afetadas e os pais devem estar atentos a qualquer sinal de alerta, segundo a infectologista Fátima Porfírio, do Hospital e Maternidade Sepaco. Desde o início do ano, ainda de acordo com o Ministério da Saúde, um caso foi confirmado entre crianças de 0 a 14 anos. Outros 11 estão sendo investigados.

– As erupções geralmente surgem entre um e três dias após o início da febre, podendo aparecer antes. As lesões evoluem de planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, para crostas que secam e caem. Elas podem se concentrar no rosto, palmas das mãos e plantas dos pés, mas também ocorrer na boca, olhos, órgãos genitais e região anal – esclarece a especialista.


Medidas de Prevenção

A principal forma de proteção contra a mpox é a prevenção, que inclui evitar o contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença, não compartilhar objetos pessoais, manter a higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, lavar roupas, lençois e toalhas com água morna e detergente, e limpar e desinfetar superfícies que possam estar contaminadas.

- É importante destacar que pessoas com sintomas devem procurar uma unidade de saúde, informar histórico de contato e, se possível, manter isolamento até avaliação médica -, reitera a infectologista Fátima Porfírio.

 

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é feito por exame laboratorial, com amostras coletadas da secreção das lesões ou das crostas secas e encaminhadas a laboratórios de referência.

Atualmente, o tratamento é baseado em medidas de suporte clínico, focando no alívio dos sintomas, prevenção de complicações e redução de sequelas. A maioria dos casos tem uma evolução leve a moderada. Segundo diretrizes vinculadas ao Ministério da Saúde, a vacina contra mpox está disponível no SUS para grupos prioritários, como pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença; porém, não é oferecida de forma universal para toda a população.Ela é voltada apenas para condições muito específicas e casos gravíssimos. Além da vacina, também há um antiviral disponível para casos mais graves.

 

Aumento de casos

O aumento no número de casos está associado a uma combinação de fatores: maior concentração populacional em áreas urbanas, circulação ativa do vírus em redes de contato próximas, ampliação da testagem e vigilância, comportamentos de risco em eventos sociais, a cobertura vacinal ainda restrita a grupos prioritários no SUS e a mobilidade internacional. 

Até o momento, não houve registro de óbitos no país neste ano. Em 2025, o total foi de 1.045 casos e três mortes. O cenário brasileiro acompanha a circulação global do vírus: o último informe da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou 1.334 diagnósticos confirmados em janeiro de 2026, distribuídos por 50 países.

 

Novas doses de 12,5 mg e 15 mg de Mounjaro® chegam ao Brasil em março

  • Chegada das duas novas doses no Brasil reforça o compromisso da empresa em melhorar a vida dos pacientes que vivem com doenças cardiometabólicas

 

A Eli Lilly do Brasil anuncia a chegada de novas dosagens e atualização de preços de Mounjaro® (tirzepatida) no mercado brasileiro. As concentrações de 12,5 mg e 15 mg serão disponibilizadas nas farmácias a partir da segunda quinzena de março, ampliando as opções de tratamento para pacientes com diabetes tipo 21, sobrepeso com comorbidades associadas, obesidade[1], e apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade1

Com isso, os pacientes brasileiros passarão a contar com todas as doses de Mounjaro® disponíveis: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg. Essas dosagens foram estudadas e aprovadas para ajudar na personalização do tratamento, bem como no escalonamento da dosagem recomendada pelo profissional médico. 

“Com a chegada das doses mais altas, completamos o portfólio de Mounjaro® no Brasil e damos um passo importante para apoiar médicos e pacientes em decisões realmente individualizadas. As doenças cardiometabólicas exigem opções terapêuticas que acompanhem a complexidade dos casos. A Lilly carrega mais de 150 anos de experiência nesse campo, e seguimos trabalhando para colocar essa inovação à disposição dos brasileiros”, destaca Felipe Berigo, Diretor Executivo de Cardiometabolismo da Lilly no Brasil. 

A Lilly vem trabalhando para disponibilizar Mounjaro® para todos os pacientes que necessitam do medicamento, e está comprometida com o abastecimento do produto no mercado brasileiro. Desde 2020, a companhia já investiu mais de US$ 50 bilhões para aumentar a capacidade de produção de incretinas, com inauguração de novas plantas produtivas e a ampliação de outras já existentes em diferentes países. As fábricas estão operando 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

 

Programa Lilly Melhor Para Você 

Para promover o aumento do acesso e auxiliar os pacientes ao longo de suas jornadas de tratamento, a Lilly incluiu Mounjaro® em seu Programa de Suporte ao Paciente, Lilly Melhor Para Você, que oferece suporte de educadores especializados, materiais educativos, condições especiais na compra de medicamentos participantes do programa e dicas de saúde e qualidade de vida. 

O programa é gratuito e está disponível aos pacientes que receberam a prescrição do seu médico para um medicamento Lilly participante do programa. Para se cadastrar, os pacientes podem acessar o site Lilly Melhor Para Você e conhecer os serviços disponíveis e os medicamentos participantes. Os pacientes também podem tirar as dúvidas sobre o programa com o SAC Lilly, pelo telefone 0800 701 0444, WhatsApp (11-5108-0101) ou e-mail: sac_brasil@lilly.com. 

  

Lilly do Brasil  
Para saber mais, acesse o site da Lilly do Brasil, e nossas redes sociais: Instagram, Facebook e LinkedIn. 


[1] Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em: Link. Acesso em 27 de fev. de 2026


Volume alto, risco crescente: perda auditiva já ameaça uma geração

No Dia mundial da audição (03.03), especialista explica como o uso inadequado de fones pode causar danos irreversíveis e dá orientações para prevenção.

 

O uso de fones de ouvido por longos períodos, muitas vezes em volume elevado, tem acendido um alerta entre especialistas em saúde auditiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 cerca de 2,5 bilhões de pessoas poderão apresentar algum grau de deficiência auditiva, e mais de 700 milhões precisarão de reabilitação. O dado se torna ainda mais preocupante quando se observa a população jovem. A própria OMS estima que mais de 1 bilhão de jovens estejam em risco de desenvolver perda auditiva devido à exposição prolongada a sons altos, especialmente pelo uso frequente de fones de ouvido, um hábito cada vez mais presente na rotina digital.

Para reduzir os riscos, protocolos internacionais recomendam não ultrapassar 80 decibéis (dB) por mais de duas horas diárias, além de realizar pausas a cada 30 minutos de uso contínuo. O problema é que muitos usuários desconhecem esses limites ou não percebem quando os ultrapassam.


A perda auditiva induzida por ruído é silenciosa e progressiva. Sem causar dor imediata, pode se instalar aos poucos e só ser percebida quando surgem sinais como dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar constantemente o volume da TV ou presença de zumbido, momento em que o dano já pode estar instalado.


Segundo o professor de otorrinolaringologia Dr. Alexandre Martins, da Afya Centro Universitário Itaperuna, o principal risco está na combinação entre intensidade e tempo de exposição. Sons elevados por períodos prolongados podem danificar de forma irreversível as células ciliadas do ouvido interno, que não se regeneram. “Em ambientes barulhentos, como transporte público ou academias, é comum elevar o volume acima de 90 ou até 100 decibéis, níveis capazes de causar lesões em poucos minutos. Além da perda auditiva, o uso inadequado de fones pode provocar zumbido, sensação de ouvido abafado e dificuldade de concentração, especialmente entre jovens, que costumam utilizar esses dispositivos por várias horas ao dia”.


Para o Dr. Alexandre, a prevenção é simples, mas exige conscientização. “Não se trata de demonizar os fones de ouvido, mas de aprender a utilizá-los com segurança. Pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença ao longo da vida”, ressalta.


Como usar fones de forma mais segura:

  1. Respeite o limite de volume: mantenha o som em até 60% da capacidade máxima do aparelho.
  2. Siga a regra dos 80 dB: evite ultrapassar esse nível por mais de duas horas ao dia.
  3. Faça pausas regulares: interrompa o uso a cada 30 minutos para dar descanso às células auditivas.
  4. Prefira fones com cancelamento de ruído: eles reduzem a necessidade de aumentar o volume em ambientes barulhentos.
  5. Evite dormir com fones ligados: a exposição prolongada durante o sono pode ultrapassar limites seguros sem que você perceba.
  6. Fique atento aos sinais de alerta: zumbido, sensação de ouvido abafado ou dificuldade para entender conversas podem indicar sobrecarga auditiva.
  7. Realize avaliação auditiva periódica: especialmente se você utiliza fones diariamente há muitos anos.

“O cuidado com a audição deve começar cedo. A perda auditiva induzida por ruído é evitável, mas, uma vez instalada, costuma ser permanente”, conclui o especialista.

 

Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Posts mais acessados