Dr. Marcio Mancini, da SBEM-SP, destaca que as chamadas “canetas” vêm ganhando espaço no tratamento da obesidade em pacientes operados, desde que haja avaliação individual e acompanhamento multidisciplinar
Pacientes que apresentam ganho de peso recorrente após a cirurgia bariátrica podem, sim, ter indicação de tratamento com agonistas de GLP-1 e outras medicações antiobesidade. A avaliação, no entanto, deve ser individualizada e inserida em uma abordagem ampla da obesidade, doença crônica, complexa e multifatorial. O alerta é do endocrinologista Dr. Marcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).
Segundo o
especialista, a resposta à cirurgia bariátrica varia bastante entre os pacientes
e depende, entre outros fatores, da gravidade da obesidade antes do
procedimento e da carga genética individual. Pessoas com índice de massa
corporal muito elevado costumam ter maior dificuldade para alcançar perda de
peso satisfatória e maior chance de apresentar ganho de peso recorrente depois
de atingir o nadir, ou seja, o menor peso do pós-operatório. “A recorrência do
peso após a cirurgia pode ser um sinal de falha do procedimento, sim, mas, na
maioria das vezes, ela faz parte da evolução clínica da doença crônica que é a
obesidade”, afirma.
De acordo com Dr.
Mancini, embora em alguns casos seja necessário investigar possíveis alterações
anatômicas da cirurgia com exames como endoscopia ou radiografia contrastada,
na maior parte das vezes o problema não está na anatomia. Nesses pacientes, o
uso de medicações pode ter papel importante, inclusive já no pós-operatório
precoce, especialmente quando o IMC pré-operatório era muito alto.
“Cada vez mais os
dados apontam para um papel importante das medicações antiobesidade,
particularmente dessas medicações mais modernas à base de GLP-1, ou à base de
GLP-1 e GIP, como a tirzepatida”, diz.
O endocrinologista
ressalta, porém, que os agonistas de GLP-1 não devem ser vistos como solução
isolada nem indicados de forma indiscriminada. “No Hospital das Clínicas, por
exemplo, consideramos ganho de peso recorrente quando o paciente recupera cerca
de 20% do peso em relação ao nadir”, conta. Além disso, a decisão terapêutica
precisa levar em conta o contexto clínico, nutricional e comportamental. “Não é
em qualquer recorrência do peso que o paciente vai utilizar medicamento”,
observa.
Dr. Mancini lembra
ainda que pacientes bariátricos têm maior risco de desnutrição e, por isso,
precisam de seguimento com equipe multidisciplinar, incluindo nutricionista e,
muitas vezes, psicólogo, além de atenção à ingestão de alimentos ricos em
proteínas, ferro, cálcio, vitaminas e minerais.
Outro ponto
destacado é a mudança no manejo desses casos. Durante anos, o ganho de peso
recorrente após a bariátrica era tratado principalmente com cirurgias
revisionais. Hoje, a farmacoterapia moderna vem ganhando espaço por representar
uma alternativa promissora, sobretudo para pacientes com maior risco cirúrgico.
“Essas cirurgias revisionais carregam um risco maior de complicações em
comparação às cirurgias primárias. Então, a farmacoterapia moderna é uma opção
promissora”, afirma.
Por fim, ele chama
atenção para o desafio do acesso, especialmente no SUS. “Se a gente não tem
agonista de GLP-1 nem mesmo para pacientes com obesidade, que não fizeram
cirurgia, o que dirá para os pacientes operados. A questão do acesso é muito
importante e precisa ser cada vez mais discutida”, conclui.
SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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