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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Ganho de peso recorrente após bariátrica pode ter indicação de agonistas de GLP-1

Dr. Marcio Mancini, da SBEM-SP, destaca que as chamadas “canetas” vêm ganhando espaço no tratamento da obesidade em pacientes operados, desde que haja avaliação individual e acompanhamento multidisciplinar

 

Pacientes que apresentam ganho de peso recorrente após a cirurgia bariátrica podem, sim, ter indicação de tratamento com agonistas de GLP-1 e outras medicações antiobesidade. A avaliação, no entanto, deve ser individualizada e inserida em uma abordagem ampla da obesidade, doença crônica, complexa e multifatorial. O alerta é do endocrinologista Dr. Marcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).

 

Segundo o especialista, a resposta à cirurgia bariátrica varia bastante entre os pacientes e depende, entre outros fatores, da gravidade da obesidade antes do procedimento e da carga genética individual. Pessoas com índice de massa corporal muito elevado costumam ter maior dificuldade para alcançar perda de peso satisfatória e maior chance de apresentar ganho de peso recorrente depois de atingir o nadir, ou seja, o menor peso do pós-operatório. “A recorrência do peso após a cirurgia pode ser um sinal de falha do procedimento, sim, mas, na maioria das vezes, ela faz parte da evolução clínica da doença crônica que é a obesidade”, afirma.

 

De acordo com Dr. Mancini, embora em alguns casos seja necessário investigar possíveis alterações anatômicas da cirurgia com exames como endoscopia ou radiografia contrastada, na maior parte das vezes o problema não está na anatomia. Nesses pacientes, o uso de medicações pode ter papel importante, inclusive já no pós-operatório precoce, especialmente quando o IMC pré-operatório era muito alto.

 

“Cada vez mais os dados apontam para um papel importante das medicações antiobesidade, particularmente dessas medicações mais modernas à base de GLP-1, ou à base de GLP-1 e GIP, como a tirzepatida”, diz.

 

O endocrinologista ressalta, porém, que os agonistas de GLP-1 não devem ser vistos como solução isolada nem indicados de forma indiscriminada. “No Hospital das Clínicas, por exemplo, consideramos ganho de peso recorrente quando o paciente recupera cerca de 20% do peso em relação ao nadir”, conta. Além disso, a decisão terapêutica precisa levar em conta o contexto clínico, nutricional e comportamental. “Não é em qualquer recorrência do peso que o paciente vai utilizar medicamento”, observa.

 

Dr. Mancini lembra ainda que pacientes bariátricos têm maior risco de desnutrição e, por isso, precisam de seguimento com equipe multidisciplinar, incluindo nutricionista e, muitas vezes, psicólogo, além de atenção à ingestão de alimentos ricos em proteínas, ferro, cálcio, vitaminas e minerais.

 

Outro ponto destacado é a mudança no manejo desses casos. Durante anos, o ganho de peso recorrente após a bariátrica era tratado principalmente com cirurgias revisionais. Hoje, a farmacoterapia moderna vem ganhando espaço por representar uma alternativa promissora, sobretudo para pacientes com maior risco cirúrgico. “Essas cirurgias revisionais carregam um risco maior de complicações em comparação às cirurgias primárias. Então, a farmacoterapia moderna é uma opção promissora”, afirma.

 

Por fim, ele chama atenção para o desafio do acesso, especialmente no SUS. “Se a gente não tem agonista de GLP-1 nem mesmo para pacientes com obesidade, que não fizeram cirurgia, o que dirá para os pacientes operados. A questão do acesso é muito importante e precisa ser cada vez mais discutida”, conclui.

 


SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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