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Com a chegada do verão, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) reforça que pacientes oncológicos, especialmente aqueles submetidos à radioterapia, precisam de cuidados extras com a pele. A radiação, muitas vezes combinada aos efeitos da quimioterapia ou da imunoterapia, deixa o tecido cutâneo mais vulnerável, elevando o risco de irritações, ressecamento e complicações
Algumas reações como vermelhidão, coceira,
descamação ou bolhas costumam surgir a partir da terceira semana de
radioterapia, persistindo por algumas semanas após o término das sessões. No
verão, essa situação se intensifica. A exposição ao sol, o calor excessivo, o
cloro das piscinas e a água do mar são agentes que podem agravar irritações,
aumentar o ressecamento da pele e favorecer infecções na área irradiada.
Cerca de 60% dos pacientes oncológicos recebem
radioterapia como parte do tratamento, seja de forma isolada ou em combinação
com outros métodos, como cirurgia e quimioterapia. Denise Ferreira, diretora de
comunicação da SBRT e radio-oncologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto
Alegre, destaca a importância de garantir a segurança e o conforto do paciente
durante esse período. “Durante a Radioterapia, a pele da área irradiada entra
em um processo inflamatório. Isso ocorre porque a radiação age sobre as células
tumorais, impedindo-as de se multiplicar. Esses tecidos não têm capacidade
adequada de regenerar as regiões de tecido saudável junto aos tecidos tumorais.
Com isso, a exposição ao sol representa um risco altíssimo, podendo causar até
queimaduras graves. Por isso, a indicação é zero exposição solar direta na área
tratada”, afirma Denise.
Ainda segundo a especialista, outros cuidados são
indispensáveis nesta época do ano para evitar danos à pele. “É essencial que o
paciente use roupas de algodão que cubram a área afetada, evite atritos e
mantenha a pele hidratada com produtos recomendados pelo médico especialista”.
Ainda de acordo com Denise Alves, o uso de filtro solar pode ser indicado, mas,
devido à possibilidade de a loção causar irritação, é importante procurar o
médico para auxiliar na escolha do produto mais adequado. “Produtos químicos
fortes, como o cloro da piscina ou o sal do mar, devem ser evitados. Além
disso, a água do mar ou da piscina pode estar contaminada, o que aumenta
significativamente o risco de infecções”, completa a radio-oncologista.
Após a radioterapia
Os cuidados com a pele se estendem também após o
término da radioterapia, já que as reações cutâneas podem persistir por algumas
semanas. A especialista reforça que a proteção deve ser mantida por um período
prolongado. “A orientação médica deve ser seguida até a completa recuperação da
pele irradiada. O paciente deve manter os cuidados mesmo após o término do
tratamento, pois a pele ainda leva um tempo para se regenerar”, completa Denise.
A parte do corpo que recebeu a radioterapia retém
uma espécie de “memória” da irradiação, permanecendo mais sensível e suscetível
a danos solares por um longo período. “É recomendado que cuidados rigorosos,
como proteção solar de rotina e hidratação constante, sejam mantidos por, no
mínimo, quatro a seis meses após o término da radioterapia”, conclui a
especialista.
LISTA DOS PRINCIPAIS CUIDADOS
- Não
expor ao sol a área irradiada, pois a pele fica mais sensível e pode sofrer
queimaduras graves.
- Usar
roupas leves, largas e de algodão, cobrindo a região tratada e evitando atrito.
- Higienizar
a pele diariamente com água morna, de forma delicada, usando apenas as mãos.
- Evitar
buchas, esponjas e panos, que podem irritar a pele.
- Usar
sabonetes suaves e de pH baixo, somente se necessário e com orientação
médica.
- Não
esfregar nem remover as marcações feitas na pele para a radioterapia.
- Não
depilar ou raspar a área irradiada, para evitar irritações e lesões.
- Manter
a pele hidratada, utilizando apenas cremes ou loções indicados pelo médico.
- Não
aplicar hidratantes sobre feridas, bolhas ou áreas machucadas.
- Evitar
produtos com perfume, álcool ou químicos fortes, como alguns cosméticos e
maquiagens.
- Não
usar antitranspirantes, talco ou produtos adesivos (fitas, curativos colantes)
na área tratada.
- Evitar
piscina, mar e banheiras de hidromassagem, por causa do cloro, do sal
e do risco de infecções.
- Usar
filtro solar somente se houver orientação médica, escolhendo produtos
adequados para pele sensível.
- Evitar
calor excessivo, como bolsas térmicas ou exposição prolongada ao calor.
- Evitar
frio intenso, como compressas geladas diretamente sobre a área irradiada.
- Cuidar
corretamente de feridas, seguindo rigorosamente as orientações da
equipe de saúde.
- Observar
a pele diariamente e avisar o médico caso surjam vermelhidão
intensa, dor, bolhas ou sinais de infecção.
Fontes: Sociedade Brasileira de Radioterapia e American Academy Dermatology Association.
Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT)
https://sbradioterapia.com.br/

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