Pesquisar no Blog

sábado, 16 de agosto de 2025

Redes sociais, autoestima e ansiedade: quando o like não basta

Com quase quatro horas diárias conectados às redes sociais, os brasileiros estão entre os usuários mais ativos do mundo. O dado impressiona e chama atenção para um fenômeno que tem se agravado: o uso excessivo das plataformas digitais, embora traga inúmeras facilidades, está cada vez mais associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão e baixa autoestima, sobretudo entre os jovens, ainda que os efeitos se espalhem por todas as faixas etárias. Um exemplo disso é o da influenciadora Gkay, que revelou no início do ano estar em tratamento para lidar com distorção de imagem. A pressão estética intensificada pelo ambiente digital a levou a reavaliar sua própria aparência, a reduzir o número de procedimentos estéticos e a buscar apoio psicológico. A ex-BB Gizelly Bicalho, a  atriz Cristiana Oliveira e Giulia Costa, filha de Flávia Alessandra, também relataram sofrer do distúrbio. 

A psicóloga Denise Tinoco Bedim, professora da Unig (Universidade Iguaçu), afirma que o problema começa quando as redes deixam de ser ferramentas de conexão e passam a alimentar comparações irreais.

 “Ao se depararem com corpos padronizados, rotinas perfeitas e conquistas constantes, as pessoas, sobretudo jovens, passam a se comparar e podem desenvolver sentimentos de inadequação. Isso distorce a percepção que têm de si mesmos e fragiliza sua identidade, o que em alguns casos pode levar à depressão e à ansiedade”, explica.

 

Quando o feed vira armadilha

A comparação social, mesmo inconsciente, é um dos principais gatilhos desse processo. Denise recorre à psicanálise para explicar: trata-se de um mecanismo de defesa do ego, chamado idealização, ativado diante de sentimentos de vazio e insegurança.

 “Mesmo sabendo que as redes mostram apenas recortes, reagimos emocionalmente”, pontua a especialista. “As postagens nas redes sociais podem ativar sensações de pertencimento social, de mecanismos de comparação, de busca por padrões ‘perfeitos’ ainda que dentro de uma realidade editada, reforçando a ideia da busca pela completude, tão sonhada e imaginada”. 

Estudos recentes confirmam o alerta. Segundo o instituto sueco Karolinska, o uso intenso de redes sociais está ligado ao aumento da ansiedade e à queda da autoestima entre adolescentes, principalmente entre meninas. 

Já dados da plataforma Statista — um dos maiores portais globais de estatísticas e estudos de mercado — revelam que 81% dos brasileiros conectados à internet usam redes sociais. O Brasil também lidera o ranking mundial no tempo médio diário gasto nas plataformas: cerca de 3h49min por pessoa, superando países como Nigéria (3h44min) e Filipinas (3h38min).

 

Sinais de alerta

Entre os indícios de que a comparação nas redes está afetando a saúde mental, Denise destaca:

Sensação frequente de inferioridade

Dificuldade em aceitar a própria aparência ou rotina

Isolamento, tristeza constante ou perda de prazer nas atividades diárias

Medo de postar ou interagir por insegurança

Uso excessivo de filtros ou edições em busca de aceitação

Como se proteger

A psicóloga reforça que é possível adotar atitudes simples para evitar que as redes sociais se tornem prejudiciais:

Praticar o autoconhecimento e valorizar suas qualidades

Evitar comparações com vidas editadas

Seguir perfis que representem realidades diversas e positivas

Priorizar conversas e conexões offline

Estabelecer pausas regulares e conscientes no uso das redes

A professora da Unig reforça que não se trata de abandonar totalmente as redes, mas de usá-las com mais consciência. Para ela, é essencial investir em autoconhecimento, reconhecer as próprias qualidades e buscar equilíbrio. Reduzir a exposição digital excessiva e valorizar conexões off-line também são atitudes importantes nesse processo de fortalecimento da autoestima e saúde emocional.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados