Com aplicações clínicas reconhecidas e crescente procura no Brasil, a hipnoterapia ainda enfrenta mitos que confundem ciência com espetáculo; entenda o que é verdade - e o que não é - sobre a prática
Atualmente, a hipnoterapia é aplicada no tratamento de diversas condições psicológicas e emocionais, incluindo ansiedade, depressão, fobias e transtornos alimentares. No Brasil, a técnica tem ganhado reconhecimento crescente: de acordo com uma pesquisa realizada pela Omni Brasil, aproximadamente 119 mil brasileiros já buscaram tratamentos complementares utilizando a hipnoterapia, refletindo um aumento significativo na demanda por profissionais qualificados na área.
Além disso, a hipnoterapia
tem sido integrada a práticas médicas convencionais, sendo reconhecida e
recomendada por órgãos de saúde no Brasil e no mundo. Estudos recentes indicam
um crescimento notável no uso da hipnose em tratamentos psicológicos,
especialmente no manejo da depressão, embora ainda haja necessidade de maior
disseminação e compreensão da técnica entre os profissionais de saúde.
“A hipnoterapia é
uma abordagem terapêutica que utiliza a hipnose como ferramenta para acessar
memórias, emoções e padrões inconscientes. Durante o transe hipnótico, um
estado natural de atenção focada e relaxamento profundo, a mente consciente
relaxa, permitindo que o inconsciente se expresse com mais clareza. Assim, é
possível ressignificar traumas, romper ciclos repetitivos, tratar sintomas
físicos com origem emocional e fortalecer recursos internos”, explica Brunna
Dolgosky, empresária, psicóloga e hipnoterapeuta.
“O paciente
permanece consciente o tempo todo, mas muito mais sensível, e com o
entendimento muito mais profundo das coisas com as quais está lidando. A
técnica é segura, eficaz e profundamente transformadora quando conduzida por
profissionais qualificados”, esclarece.
Hipnose
funciona mesmo?
Segundo a
especialista, a hipnose foi exposta, por muito tempo, como algo místico,
teatral ou de entretenimento; shows de palco e filmes criaram a ideia de que a
pessoa hipnotizada “perde o controle” ou “fica nas mãos do hipnotizador”, o que
é totalmente falso. “Por ser um processo que atua no inconsciente, que nem
sempre é visível de imediato, muitas pessoas desacreditam, especialmente se
esperam algo mágico ou instantâneo. A hipnoterapia é uma ferramenta clínica
séria, validada por pesquisas e reconhecida por conselhos de saúde em diversos
países mundo afora”, justifica.
Para ajudar a
esclarecer a prática da hipnoterapia, Brunna lista abaixo alguns mitos e
verdades acerca da prática. Confira:
1.
Hipnose é só para entretenimento?
Mito. “A hipnose usada em entretenimento é superficial e voltada
para provocar reações rápidas, mas a hipnose clínica é totalmente diferente.
Ela é utilizada com objetivo terapêutico, emocional e, inclusive, em sintomas
psicossomáticos. É uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, cura e
transformação”, elenca.
2.
Todo mundo pode ser hipnotizado?
Verdade. “A hipnose é um estado natural da mente, como quando
estamos concentrados assistindo a um filme e nos emocionamos profundamente com
a história, mesmo sabendo que é, meramente, uma interpretação. Algumas pessoas
entram nesse estado mais facilmente, outras precisam de mais prática, outras de
mais exercícios de relaxamento para atingir o estado de transe, mas todos são
capazes de alcançar o transe hipnótico, desde que desejem”, asserte.
3. A
pessoa hipnotizada perde o controle da própria mente?
Mito. “Durante a hipnose, a pessoa está mais consciente de si
mesma, não menos. Ela jamais fará algo contra sua vontade ou valores. O
controle permanece com o paciente e o hipnoterapeuta apenas conduz o processo
de forma respeitosa e segura”, pontua.
4. Hipnoterapia
funciona para tratar ansiedade e outros problemas emocionais?
Verdade. “A hipnose é extremamente eficaz para lidar com ansiedade,
depressão, fobias, traumas, compulsões, insegurança, crenças financeiras,
psicossomáticas e muitas outras questões emocionais. Ela atua diretamente na
origem do sintoma, promovendo alívio e transformação de forma profunda”,
confirma.
5.
Hipnose é o mesmo que dormir?
Mito. “Embora o corpo fique relaxado, a mente continua ativa e
consciente. A pessoa ouve tudo e se lembra completamente da sessão do início ao
fim, até porque ela precisará responder a tudo o que for perguntado durante a
sessão. A hipnose é um estado entre a vigília e o sono, mas não é dormir. Se o
paciente dormir, isso é qualquer coisa exceto hipnose”, adverte.
6. A
hipnoterapia funciona apenas se a pessoa acreditar?
Parcialmente
verdade. “Embora a colaboração da pessoa seja
essencial, como em qualquer terapia, ela não precisa ‘acreditar cegamente’ para
que funcione. Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo que se sentem um
pouco céticos em relação à hipnose por não conhecerem a ferramenta ou por já
terem passado por diversas abordagens anteriormente, sem obter resultados, mas
ao se abrirem e se entregarem para o processo, conseguem corroborar a transformação
que ela traz para a sua vida. O que mais importa é o envolvimento e a entrega
no momento da sessão”, finaliza.
7. É
possível ficar preso em transe hipnótico?
Mito. “Não existe nenhum caso registrado de alguém que tenha
‘ficado preso’ em hipnose. O transe é um estado temporário e natural, e a
qualquer momento a pessoa pode abrir os olhos e sair dele espontaneamente.
Inclusive, em muitas sessões, quando o paciente enfrenta muita dificuldade em
lidar com a cena que está sendo trabalhada, ele pode simplesmente solicitar que
seja encerrado naquele dia e que continue em uma próxima oportunidade”,
orienta.
8.
Hipnose não substitui tratamento médico e psicológico?
Verdade. “A hipnoterapia é uma abordagem complementar. Ela pode potencializar tratamentos médicos e psicológicos, mas nunca deve substituir acompanhamento médico quando necessário. Profissionais éticos sabem integrar suas ferramentas com responsabilidade”, diz.
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