As redes sociais transformaram profundamente a maneira como os indivíduos constroem e expressam sua identidade e os vínculos sociais, o que do ponto de vista psicológico, tem impactado diretamente na saúde mental e nas relações estabelecidas. As plataformas digitais, não apenas espelham, mas moldam os processos de inclusão e exclusão, criando novas práticas simbólicas determinadas como únicas e verdadeiras.
Pertencer a um grupo é uma necessidade humana fundamental,
conforme a teoria de Maslow, que diz da necessidade social de amor e
pertencimento e da Teoria da Identidade Social, que mostra que a identidade de
uma pessoa é formada a partir de suas características pessoais e de seu
pertencimento a grupos sociais.
No ambiente digital, essa necessidade de aceitação por parte do
outro se manifesta através de curtidas, compartilhamentos, seguidores e
participação constante em grupos. Esses elementos, embora aparentemente
simples, funcionam como indicadores simbólicos de pertencimento e
identificação. Uma curtida, por exemplo, pode e é, muitas vezes, interpretada
como sinal de aprovação, concordância ou reconhecimento, o que fortalece o
senso de identidade e valor próprio.
As redes sociais funcionam com base em algoritmos que incentivam
interações rápidas, contrastantes e, muitas vezes, rasas. Nesse ambiente,
surgem formas de pertencimento baseadas em aparências e na necessidade de se
mostrar o tempo todo. Para ser aceito, o indivíduo sente que precisa estar
visível com postagens frequentes, manifestar opiniões publicamente,
principalmente sobre temas que geram engajamento e uma imagem “ideal”. Por
outro lado, quem não participa, não atende a um padrão de comportamento, se
manifesta ou pensa diferente, pode ser excluído, cancelado ou ignorado, o que
nos leva a uma forma de “rejeição social”.
Psicologicamente, esses mecanismos de aceitação e exclusão
digital, afetam diretamente a autoestima e o senso de valor pessoal, e têm se
tornado emocionalmente significativos, ainda que imateriais. Além disso, os
rituais de pertencimento nas redes sociais estão frequentemente ligados a
posturas de identificação, culturais e ideológicas.
O desejo de aceitação leva muitas pessoas a adotarem um
comportamento equivalente ao do grupo, mesmo que isso vá contra convicções e
valores pessoais. Esse comportamento nas redes faz com que todos comecem a
pensar e agir de forma parecida. Ao mesmo tempo, quem pensa diferente acaba
sendo deixado de lado, o que, por sua vez, cria um ciclo no qual as pessoas só
reforçam suas próprias ideias e excluem quem não concorda.
Outro aspecto relevante é a performatividade emocional, ou seja, a
necessidade não somente de sentir, mas de mostrar o que está sentindo e, desta
forma, “existir” no meio virtual. Quem não curte, comenta ou reage pode ser
interpretado como indiferente ou fora do grupo.
Dessa forma, os novos códigos de conduta simbólicos criados pelas redes sociais regem quem pertence e quem é excluído. Embora digitais, esses rituais de pertencimento e exclusão têm efeitos concretos sobre o bem-estar psicológico dos indivíduos, influenciando sua autoestima, seus vínculos sociais e sua percepção de identidade. Eles refletem mudanças profundas e significativas no que se refere a valores culturais e subjetivos.
Aline Tayná de Carvalho Barbosa Rodrigues - psicóloga escolar no Instituto Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).
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