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sábado, 16 de agosto de 2025

Menopausa e pele: como a queda hormonal pode acelerar o envelhecimento

Dermatologista explica os impactos da menopausa e conta os segredos para recuperar saúde e viço da pele e dos cabelos

 

Você já se olhou no espelho e sentiu que a sua pele mudou da noite para o dia — ficou mais seca, perdeu firmeza ou ganhou rugas que antes não estavam ali? Para muitas mulheres, essa transformação súbita acontece durante o climatério e a menopausa. O motivo está além do espelho: as alterações hormonais profundas que marcam essa fase da vida afetam diretamente a saúde e a aparência da pele — especialmente a do rosto — e também dos cabelos.


A médica dermatologista Dra. Mariana Scribel, especialista em estética, tricologia e transplante capilar, explica que, com a queda dos níveis de estrogênio e progesterona, a pele passa por uma série de transformações estruturais. "Nos primeiros cinco anos após a menopausa, a mulher pode perder até 30% do colágeno dérmico. Isso compromete a firmeza, a hidratação e a espessura da pele. Sem essa sustentação natural, ela tende a ficar mais fina, opaca e flácida", afirma a CEO da Clínica Scribel.


Além da redução do colágeno, há também a diminuição da elastina e de substâncias que mantêm a pele hidratada, como os glicosaminoglicanos. O resultado é um tecido mais ressecado, menos elástico e mais propenso à formação de rugas. “Após entrar na menopausa, as mulheres perdem uma porcentagem significativa de colágeno. Isso sem considerar os impactos do envelhecimento cronológico e da exposição solar acumulada”, ressalta a dermatologista.


Outro fator agravante é a alteração do pH da pele, que se torna mais alcalino, comprometendo a barreira cutânea. Com isso, aumentam as chances de sensibilidade, irritações, coceiras e até alergias. “A pigmentação também pode se tornar mais irregular, com manchas escuras, como melasmas”. A microcirculação da pele também diminui, tornando o rosto mais pálido, com aparência cansada e propenso a vermelhidão, como nos episódios de fogachos (ondas de calor), que atingem cerca de 75% das mulheres na menopausa.



Cabelos na menopausa


As mudanças hormonais afetam também os cabelos. A queda de estrogênio altera o ciclo capilar, enfraquecendo os fios e acelerando a perda de densidade. As queixas mais comuns em consultório são de fios mais finos, opacos e com menor elasticidade, além do aumento da queda capilar, ressecamento do couro cabeludo, surgimento de frizz e perda de brilho.


“A redução da oleosidade natural deixa o fio mais vulnerável e o couro cabeludo mais sensível. Em alguns casos, pode ocorrer uma intensificação da alopecia androgenética feminina, principalmente na região do topo da cabeça”, explica a especialista.



Como recuperar o viço?


A boa notícia é que tanto a pele quanto os cabelos podem ser tratados com abordagens eficazes e seguras. Uma das principais estratégias para tratar os efeitos da menopausa na pele é a terapia hormonal — que pode ser sistêmica (via oral, adesivos ou injetáveis) ou tópica. 


Estudos mostram que a aplicação de estradiol e estriol diretamente na pele pode aumentar a espessura dérmica, melhorar a elasticidade e reduzir a profundidade das rugas. Combinações com ácidos, como o glicólico, também têm se mostrado promissoras, com ganhos na espessura da pele.


Além dos hormônios, os cuidados tópicos, com uso de dermocosméticos prescritos pelo dermatologista são fundamentais. Ingredientes como retinol, vitamina C, ácido hialurônico, ceramidas, peptídeos e ácido glicólico ajudam a estimular a renovação celular, restaurar a barreira cutânea e manter a hidratação. 


O uso diário de protetor solar é indispensável, especialmente para prevenir manchas e retardar a perda de colágeno causada pelo sol. “A mulher deve adaptar sua rotina de skincare nesse período, optando por produtos mais hidratantes e suaves, sem deixar de investir em ativos com função reparadora e estimulante do colágeno”, orienta Dra. Mariana.



Tratamentos capilares


Já para os cabelos, em casos de queda intensa, a dermatologista recomenda algumas opções de tratamentos como laser fotona capilar, que auxiliam no crescimento de cabelos; a mesoterapia, que auxilia no bloqueio do hormônio da calvície; e a terapia capilar, que atua na restauração dos fios e saúde do couro cabeludo. “O transplante capilar também é uma opção importante, quando os demais tratamentos não trazem resultados eficientes”.

Embora seja um período de muitas transformações, a menopausa não precisa ser sinônimo de perda de autoestima ou abandono dos cuidados com a beleza. Com orientação adequada e tratamentos personalizados, é possível atravessar essa fase com mais confiança, saúde e bem-estar. A pele e os cabelos agradecem. 



Dra. Mariana Scribel (CRM 33655|RQE 28440) - médica dermatologista, CEO da Clínica Scribel (Pelotas/RS) um dos maiores núcleos de tecnologias da dermatologia do Rio Grande do Sul. Especialização em Dermatologia Estética, possui especializações realizadas em diversos centros de referência no mundo, como em Israel, Nova Iorque e Zurique. Além disso, é especialista em Tricologia Médica (especialidade da dermatologia que estuda e trata os problemas dos cabelos, do couro cabeludo e dos pelos) e em Transplante Capilar. Preceptora do ambulatório de doenças capilares do serviço de residência de dermatologia da PUCRS e referência em dermatologia estética e tricologia no RS
Instagram: @dramarianascribel
https://www.marianascribel.com.br/


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