Transmissível mesmo sem sintomas, a infecção exige atenção, tratamento contínuo e quebra de tabus para proteger a saúde e a autoestima.
A
herpes genital é uma das infecções sexualmente transmissíveis, ISTs, mais
prevalentes no mundo. Estima-se que mais de 400 milhões de pessoas vivem com o
Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2) e que o tipo 1 (HSV-1), mais conhecido por
causar feridas na boca, também seja responsável por um número crescente de
casos na região genital. Apesar disso, o assunto ainda é cercado por silêncio,
vergonha e falta de informação.
A
doença se manifesta principalmente por pequenas bolhas ou feridas dolorosas na
região genital, que podem vir acompanhadas de coceira, ardência e, às vezes,
febre e mal-estar. Mas nem todo portador apresenta sintomas e é aí que está um
dos grandes riscos, mesmo sem lesões visíveis, é possível transmitir o vírus.
“A herpes genital não ameaça apenas a saúde física. Ele impacta a vida emocional, a autoestima e a sexualidade das pessoas. Informação e acompanhamento médico são essenciais para reduzir o impacto da doença.”, destaca o médico infectologista Dr. Klinger Soares Faíco Filho, Professor da UNIFESP e CEO da plataforma de educação InfectoCast.
O
contágio se dá pelo contato pele com pele ou mucosa com mucosa durante relações
sexuais, sejam vaginais, anais ou orais.
- O uso de preservativos
reduz, mas não elimina totalmente o risco;
- Lesões podem surgir em
áreas não cobertas pela camisinha;
- Mesmo sem sintomas, o vírus pode estar ativo, o que chamamos de “eliminação viral assintomática”.
O
diagnóstico geralmente é clínico, mas alguns exames podem confirmar a presença
do vírus e identificar o tipo. O tratamento é feito com medicamentos
antivirais, que:
- Reduzem a duração e a
intensidade das crises;
- Podem ser usados de forma
contínua, para quem tem recorrências frequentes;
- Diminuem a chance de transmissão.
Não existe cura. O vírus permanece no corpo e pode “acordar” em momentos de baixa imunidade, estresse, exposição solar intensa ou alterações hormonais.
A herpes genital merece cuidado redobrado em gestantes. Se a primeira infecção acontecer no final da gravidez, existe risco de transmissão para o bebê durante o parto, levando a um quadro grave chamado herpes neonatal. Em alguns casos, a cesariana pode ser indicada para reduzir o risco.
Além do incômodo físico, o diagnóstico pode gerar ansiedade, medo de rejeição e isolamento. O acompanhamento médico humanizado e, quando necessário, apoio psicológico, ajudam a lidar com os desafios emocionais.
Vale ressaltar que a Herpes Genital não tem cura, mas pode ser controlada por tratamento adequado. Mesmo sem apresentar lesões, a transmissão é possível devido a eliminação viral assintomática. O uso de preservativo ajuda bastante na prevenção, mas não garante proteção total, já que as lesões podem surgir em áreas não cobertas. Na primeira crise, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para iniciar tratamento.

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