Especialistas reforçam a importância da humanização e da ética diante dos obstáculos para tornar a fertilização assistida mais acessível.
A
fertilização in vitro (FIV) tem se consolidado como uma importante ferramenta
para o planejamento familiar no Brasil, acompanhando transformações sociais
como a maternidade tardia e o reconhecimento de novos formatos familiares. Um
estudo recente da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva revela que a cada
35 segundos nasce no mundo um bebê concebido por essa tecnologia, um marco que
simboliza o avanço da ciência e o crescente acesso a tratamentos de alta
complexidade.
No Brasil, a Associação Mulher
Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR) destaca que esse crescimento é
resultado da modernização dos serviços e da ampliação do número de
especialistas formados no país. “A fertilização em vitro tem um papel extremamente
importante no planejamento de família nos dias de hoje. Muitas mulheres
procuram a reprodução assistida justamente porque demoram muito para decidir
com relação à gestação e à maternidade”, explica a Dra. Marise
Samama.
O adiamento da maternidade é apontado como principal fator para o
aumento da procura pela FIV. “O planejamento de família tardio, a falta de
informação adequada sobre relógio biológico e riscos da maternidade tardia,
assim como o desconhecimento sobre o congelamento de óvulos em tempo adequado
são fatores que levam muitas mulheres a buscarem o tratamento”, acrescenta a
médica.
Além disso, o crescimento da especialização no país tem
contribuído para maior oferta e custo relativamente menor do tratamento.
“Antes, o acesso era restrito a quem estudava no exterior, mas hoje temos
vários cursos de pós-graduação que formam novos especialistas e há um aumento
do número de laboratórios de reprodução assistida, o que ajuda a reduzir
custos”, afirma a Dra. Marise.
Apesar dos avanços, a fertilização in vitro ainda enfrenta
desafios importantes no Brasil, especialmente em relação ao custo elevado. Isso
ocorre principalmente pela dependência de insumos importados, sujeitos à
variação cambial e taxas de importação. “Todos os medicamentos, equipamentos e
insumos são dolarizados e sujeitos à variação cambial e taxas de importação, o
que encarece os tratamentos e cria disparidades entre clínicas”, ressalta a
ginecologista.
A burocracia regulatória também limita a chegada de medicamentos e
tecnologias modernas no país. “Se houvesse mais concorrência e facilidade na
importação, os custos poderiam diminuir e o acesso ampliado”, avalia a Dra.
Marise.
Outro avanço importante é a inclusão de novas configurações
familiares na reprodução assistida. “Hoje a reprodução assistida atende não só
casais heterossexuais com infertilidade, mas também casais homoafetivos,
pessoas solteiras e outras configurações”, destaca a presidente da AMCR,
lembrando que recentes decisões judiciais têm ampliado o acesso desses grupos.
Para garantir segurança, ética e qualidade nos tratamentos, a AMCR
recomenda que os pacientes busquem especialistas reconhecidos pela Federação
Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), com título registrado no
Conselho Federal de Medicina (CRM), e suas clínicas. “É fundamental procurar
profissionais titulados e clínicas que atuam com transparência, ética e
empatia, sempre priorizando a humanização do atendimento”, orienta a Dra.
Marise.
O
futuro da reprodução assistida aponta para mais avanços tecnológicos e maior
democratização do acesso. “Acreditamos que até 2035 a ciência vai transformar a
maternidade e a paternidade, ampliando o acesso e respeitando a diversidade”,
conclui
Sobre a Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do
Brasil (AMCR)
AMCR – Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil – é
uma organização formada apenas por mulheres, pós-graduadas da área da saúde e
reprodução humana, que compartilham o mesmo propósito: disseminar o
conhecimento científico em ginecologia e reprodução humana, através de uma comunicação
clara e acessível à todas as mulheres, além de lutar pela igualdade de
oportunidade entre gêneros, reconhecimento e valorização da atuação das
mulheres da ciência em saúde feminina. A associação foi fundada em março de
2021, pela Prof. Dra. Marise Samama. Atualmente possui 50 associadas,
distribuídas em todas as regiões do Brasil. Para saber mais informações, acesse
o site.

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