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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Combate ao fumo: tabagismo em idosos amplia risco de doenças respiratórias graves

Reabilitação pulmonar, suporte psicológico e nutrição adequada estão entre as estratégias indicadas para enfrentar os efeitos do cigarro

 

Na semana em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), além das campanhas de prevenção, é importante ressaltar também os principais problemas que o tabagismo traz, assim como os tratamentos existentes para melhorar a qualidade de vida das pessoas fumantes que foram acometidas por alguma doença por conta do vício. E quando se trata de idosos, a situação é ainda mais complexa. 

O fato é que o tabagismo é reconhecido como um dos fatores de risco mais relevantes para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente as que afetam o sistema respiratório. “Entre as consequências mais observadas, destaco manifestações inflamatórias importantes nas vias aéreas, que comprometem a função pulmonar e a qualidade de vida e, dentro desse cenário, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se sobressai como uma das condições mais frequentes e desafiadoras no cuidado dessas pessoas”, comenta a fisioterapeuta, Carolina Nanque, especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria de Gerontologia (SBGG). 

Segundo ela, os impactos do tabagismo de longa data vão muito além do comprometimento pulmonar. No caso da DPOC pode haver comprometimento da musculatura, o que reduz força, resistência e capacidade funcional. “Na prática, isso significa que atividades simples, como tomar banho, subir alguns degraus ou caminhar até a padaria, podem se tornar muito cansativas e limitar a autonomia da pessoa.”

 

Tratamentos

Dentro da área de fisioterapia, os idosos, principalmente, podem fazer a chamada reabilitação pulmonar, onde os programas podem ser divididos em convencionais ou alternativos. Carolina explica que os convencionais são direcionados para pacientes com perfis clínicos e sintomas mais leves com uma maior tolerância aos esforços. Já os alternativos, são destinados a pacientes com perfis clínicos e sintomas mais intensos e limitantes das atividades do cotidiano. “Independentemente do formato, os programas se estruturam em quatro bases fundamentais: treinamento específico da musculatura responsável pela respiração; treinamento dos músculos dos membros superiores e inferiores; treinamento aeróbico sistemático onde se pratica, de forma regular, exercícios como caminhar, pedalar na bicicleta ergométrica ou usar a esteira, para melhorar as funções do coração e pulmão; e assim melhorar a disposição no dia a dia e educação em saúde, visando o processo como todo”, revela, ao comentar que considera essa última a estratégia mais eficaz para a saúde da pessoa idosa. “Ela precisa entender a necessidade de parar de fumar, reduzindo o seu comportamento sedentário, e aderindo a um programa de reabilitação. Fazendo isso, certamente terá resultados positivos nessa jornada”. 

De acordo com Carolina, o tratamento, com programas bem estruturados, pode começar a impactar de maneira significativa, como a melhora da capacidade de realizar tarefas cotidianas que exigem maior esforço, da capacidade funcional e da qualidade de vida do paciente a partir de 12 semanas. “No entanto, o recomendável é que o paciente tenha um acompanhamento longo e longitudinal. Após esse período, a supervisão direta pode ser gradualmente reduzida, utilizando estratégias, como teleatendimento, orientando o paciente de como seguir o tratamento sozinho”, diz a fisioterapeuta, ao afirmar que a cessação do tabagismo é uma das metas sugeridas ao paciente para melhoria da saúde, mas sempre de forma gentil e acolhedora. “O fato é que o paciente necessita de cuidados integrados, nos quais a psicologia atua como protagonista junto aos demais profissionais.”

 

Dicas importantes

Para complementar o tratamento, Carolina explica que é importante a pessoa idosa adotar hábitos saudáveis. Confira as dicas:

 

Acompanhamento nutricional

Garantir uma ingestão adequada e realizar, se necessário, suplementação nutricional para suportar tanto a musculatura ventilatória quanto a musculatura esquelética.

 

Suporte psicológico

Prover acompanhamento psicológico direcionado às necessidades do paciente ao longo de todo o tratamento, garantindo o suporte emocional para aumentar a adesão às intervenções propostas.

 

Treinamento físico e performance muscular

Trabalhar em conjunto com educadores físicos para otimizar a performance física do paciente e estar integrado com o geriatra e o pneumologista para garantir os cuidados contínuos.

 

Mudanças de comportamento e estilo de vida

Melhorar a qualidade do sono e aumentar de maneira progressiva a mobilidade diária, montando estratégias para melhorar a alimentação, a participação social e o engajamento em atividades físicas, promovendo um envelhecimento saudável e integral.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

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