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sábado, 16 de agosto de 2025

“Canetas emagrecedoras” impulsionam busca por cirurgia reparadora: Quando é o momento certo para operar?

Especialista fala sobre critérios médicos, preparo emocional e riscos da banalização dos procedimentos pós-emagrecimento
 

A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, e o aumento na realização de cirurgias bariátricas têm impulsionado uma nova demanda nos consultórios de cirurgia plástica: os procedimentos reparadores após grande perda de peso. A remoção do excesso de pele e a recuperação da autoestima tornaram-se passos importantes no processo de reabilitação desses pacientes. Mas quando, de fato, é o momento certo para realizar esse tipo de cirurgia?

“O excesso de pele, que muitos consideram apenas um detalhe estético, pode gerar assaduras, dores nas costas, dificuldade para se movimentar, vestir roupas e um sofrimento emocional silencioso”, explica o cirurgião plástico Raphael Alcalde, especialista em cirurgia reparadora e contorno corporal. “A cirurgia entra justamente nesse ponto: para resgatar o conforto, a mobilidade e, principalmente, o bem-estar emocional que muitas vezes não veio com a perda de peso”.

O cirurgião explica que o sucesso da intervenção depende de uma avaliação criteriosa, tanto do ponto de vista físico quanto emocional. “O paciente precisa ter o peso estabilizado há pelo menos seis meses, estar em boas condições clínicas e ter expectativas realistas sobre os resultados. Só assim é possível garantir um procedimento seguro e com benefícios duradouros”, explica o médico.

Procedimentos como abdominoplastia, lifting de braços e coxas e mastopexia estão entre os mais indicados nessa etapa. Mas, segundo o médico, é fundamental que o processo seja conduzido com responsabilidade “Esses pacientes que perderam muito peso já passaram por uma grande mudança. Agora é hora de dar mais um passo, mas com segurança. A avaliação médica correta, a escolha do melhor momento, o preparo físico e emocional, tudo isso faz diferença no resultado”, reforça.

Nesse sentido, o envolvimento de nutricionistas, psicólogos e médicos de outras especialidades é essencial. “Não basta querer a mudança no espelho. É preciso garantir que o corpo e a mente estejam prontos para o processo cirúrgico e o período pós-operatório, que pode ser delicado”, reforça o especialista.

Com a crescente busca por emagrecimento rápido, o médico alerta para os riscos da banalização das cirurgias reparadoras. “Trata-se de um procedimento com indicação médica precisa. Quando feito de forma prematura ou sem avaliação adequada, os riscos aumentam e os resultados podem ser frustrantes”, explica.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os procedimentos pós-bariátricos representaram cerca de 8% das cirurgias plásticas realizadas no Brasil em 2023, com tendência de crescimento. As diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões indicam que o paciente deve apresentar IMC abaixo de 30, peso estabilizado por no mínimo 6 meses e ausência de deficiências nutricionais para ser considerado apto à cirurgia reparadora.

“Estamos falando de um paciente em reconstrução, que passou por mudanças drásticas e agora busca qualidade de vida, funcionalidade e bem-estar. O cirurgião precisa compreender os aspectos emocionais e psicossociais envolvidos nessa fase e atuar com ética, cuidado e responsabilidade”, conclui Alcalde.



Dr. Raphael Alcalde - Cirurgião plástico com mais de quinze anos de experiência, especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Atua com foco em contorno corporal e cirurgia reparadora, com MBA em Gestão Hospitalar e sólida experiência em urgência e emergência. É reconhecido pela precisão cirúrgica e pela abordagem ética e humanizada em seus atendimentos.


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