Especialista fala sobre critérios médicos, preparo emocional e riscos da
banalização dos procedimentos pós-emagrecimento
A
popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, e
o aumento na realização de cirurgias bariátricas têm impulsionado uma nova
demanda nos consultórios de cirurgia plástica: os procedimentos reparadores
após grande perda de peso. A remoção do excesso de pele e a recuperação da
autoestima tornaram-se passos importantes no processo de reabilitação desses
pacientes. Mas quando, de fato, é o momento certo para realizar esse tipo de
cirurgia?
“O excesso de pele, que muitos consideram apenas um detalhe estético, pode
gerar assaduras, dores nas costas, dificuldade para se movimentar, vestir
roupas e um sofrimento emocional silencioso”, explica o cirurgião plástico
Raphael Alcalde, especialista em cirurgia reparadora e contorno corporal. “A
cirurgia entra justamente nesse ponto: para resgatar o conforto, a mobilidade
e, principalmente, o bem-estar emocional que muitas vezes não veio com a perda
de peso”.
O cirurgião explica que o sucesso da intervenção depende de uma avaliação
criteriosa, tanto do ponto de vista físico quanto emocional. “O paciente
precisa ter o peso estabilizado há pelo menos seis meses, estar em boas
condições clínicas e ter expectativas realistas sobre os resultados. Só assim é
possível garantir um procedimento seguro e com benefícios duradouros”, explica
o médico.
Procedimentos como abdominoplastia, lifting de braços e coxas e mastopexia
estão entre os mais indicados nessa etapa. Mas, segundo o médico, é fundamental
que o processo seja conduzido com responsabilidade “Esses pacientes que
perderam muito peso já passaram por uma grande mudança. Agora é hora de dar
mais um passo, mas com segurança. A avaliação médica correta, a escolha do
melhor momento, o preparo físico e emocional, tudo isso faz diferença no
resultado”, reforça.
Nesse sentido, o envolvimento de nutricionistas, psicólogos e médicos de outras
especialidades é essencial. “Não basta querer a mudança no espelho. É preciso
garantir que o corpo e a mente estejam prontos para o processo cirúrgico e o
período pós-operatório, que pode ser delicado”, reforça o especialista.
Com a crescente busca por emagrecimento rápido, o médico alerta para os riscos
da banalização das cirurgias reparadoras. “Trata-se de um procedimento com
indicação médica precisa. Quando feito de forma prematura ou sem avaliação
adequada, os riscos aumentam e os resultados podem ser frustrantes”, explica.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os
procedimentos pós-bariátricos representaram cerca de 8% das cirurgias plásticas
realizadas no Brasil em 2023, com tendência de crescimento. As diretrizes da
Associação Médica Brasileira (AMB) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
indicam que o paciente deve apresentar IMC abaixo de 30, peso estabilizado por
no mínimo 6 meses e ausência de deficiências nutricionais para ser considerado
apto à cirurgia reparadora.
“Estamos falando de um paciente em reconstrução, que passou por mudanças
drásticas e agora busca qualidade de vida, funcionalidade e bem-estar. O
cirurgião precisa compreender os aspectos emocionais e psicossociais envolvidos
nessa fase e atuar com ética, cuidado e responsabilidade”, conclui Alcalde.
Dr. Raphael Alcalde - Cirurgião plástico com mais de quinze anos de experiência, especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Atua com foco em contorno corporal e cirurgia reparadora, com MBA em Gestão Hospitalar e sólida experiência em urgência e emergência. É reconhecido pela precisão cirúrgica e pela abordagem ética e humanizada em seus atendimentos.
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