O ômega-3 é um grupo de ácidos graxos essenciais para o funcionamento adequado do organismo, sendo amplamente reconhecido por seus benefícios para a saúde cardiovascular, cerebral e pelo seu efeito anti-inflamatório. De acordo com a nutricionista Letícia Gabriele Damasceno Santos, do São Cristóvão Saúde, esses ácidos graxos podem ser obtidos por meio da alimentação ou, em alguns casos, via suplementação.
Estudos indicam que o ômega-3 desempenha um papel crucial na modulação da inflamação e na proteção do coração. "O ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA) têm ação anti-inflamatória, ajudando a reduzir marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR)", explica Letícia. Além disso, a American Heart Association (AHA) recomenda o consumo regular de peixes ricos em ômega-3 para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, pois esse nutriente está associado à redução dos triglicerídeos, melhora da função endotelial, menor risco de arritmias e efeito hipotensor moderado.
O ômega-3 pode ser
obtido a partir de fontes animais e vegetais. "Os peixes de águas frias,
como salmão, sardinha e atum, são ricos em EPA e DHA, que são as formas
biologicamente ativas desse nutriente", destaca a nutricionista. Já as
fontes vegetais incluem alimentos como linhaça, chia e nozes, que contêm ácido
alfa-linolênico (ALA). No entanto, a taxa de conversão do ALA em EPA e DHA no
organismo é baixa, variando entre 5% e 15%, o que torna necessário um alto
consumo dessas fontes ou a suplementação com DHA de microalgas.
Ômega-3 e saúde mental
Estudos mostram que o ômega-3 pode contribuir para a saúde mental e a prevenção de doenças neurodegenerativas. "O DHA é um componente essencial do cérebro, ajudando na plasticidade neuronal e na comunicação entre os neurônios", explica a nutricionista.
Pesquisas sugerem
que a deficiência de ômega-3 pode aumentar o risco de depressão e declínio
cognitivo. Um estudo publicado no Journal of Clinical Psychiatry apontou
que a suplementação de EPA pode ter efeitos positivos no tratamento da
depressão, especialmente em pessoas com baixos níveis desse nutriente. Além
disso, há evidências de que a ingestão adequada de ômega-3 ao longo da vida
pode reduzir o risco de Alzheimer devido ao seu efeito neuroprotetor e
anti-inflamatório.
Suplementação: Necessidade ou
opção?
A suplementação de ômega-3 não é obrigatória para
todas as pessoas. "Quem consome regularmente peixes ricos em EPA e DHA
pode suprir suas necessidades apenas pela alimentação", afirma Letícia. No
entanto, alguns grupos podem se beneficiar da suplementação, como:
- Indivíduos
com baixa ingestão de peixes;
- Vegetarianos
e veganos;
- Pessoas
com doenças inflamatórias crônicas;
- Gestantes
e lactantes, devido ao papel essencial do DHA no desenvolvimento fetal.
A decisão de suplementar deve ser baseada em uma
avaliação individualizada, considerando a dieta e o estado de saúde.
Quantidade ideal de ômega-3
As recomendações diárias variam conforme a idade,
sexo e condição de saúde. Segundo diretrizes:
- Adultos
saudáveis:
250 a 500 mg de EPA + DHA por dia;
- Gestantes
e lactantes:
Pelo menos 200 mg de DHA por dia;
- Pessoas
com doenças cardiovasculares: Até 1.000 mg de EPA + DHA por dia, sob
orientação médica.
Para monitorar a ingestão, recomenda-se avaliar a
alimentação e realizar exames de sangue para medir os níveis de ômega-3 no
organismo.
"Nem todos os suplementos são iguais, e é
importante observar alguns critérios", alerta Letícia. Os principais
pontos são:
- Proporção
de EPA e DHA: O
ideal é que a soma desses ácidos graxos seja significativa (500 mg ou mais
por dose);
- Pureza
e ausência de metais pesados: Escolher produtos com certificações de
qualidade que garantam a isenção de mercúrio e outros contaminantes;
- Forma
do ômega-3: O
formato de triglicerídeos é melhor absorvido do que o de éster etílico;
- Presença
de antioxidantes:
Suplementos de qualidade costumam conter vitamina E para reduzir o risco
de oxidação.
“O ômega-3 é um nutriente essencial para a saúde,
com efeitos benéficos para o coração, cérebro e processos inflamatórios. Embora
seja possível obter quantidades adequadas por meio da dieta, algumas pessoas
podem precisar de suplementação. Para garantir sua eficácia, é essencial
escolher suplementos de qualidade, considerando sua composição e pureza. Com a
ingestão adequada, seja pela alimentação ou suplementação, é possível prevenir
diversas doenças e promover uma melhor qualidade de vida”, finaliza a nutricionista.
Grupo São Cristóvão Saúde

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