Tema foi amplamente discutido durante o encontro de revendas e distribuidores da Lindsay, em Campinas/SP
O Brasil está entre os 10 maiores irrigantes do
mundo. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), entre 1960 e 2015 a
área irrigada no País aumentou expressivamente, passando de 462 mil hectares
para 6,95 milhões de hectares (Mha), e pode expandir mais 45% até 2030,
atingindo 10 Mha. A média de crescimento estimado corresponde a pouco
mais de 200 mil hectares ao ano, enquanto o potencial efetivo de expansão da
agricultura irrigada aqui é de 11,2 Mha.
Estes números comprovam o quanto a irrigação é
fundamental para ampliar a produção de alimentos no mundo. Além de garantir
segurança ao produtor, reduzindo os impactos climáticos, a técnica ainda é um
importante instrumento no uso racional da água. Suas tecnologias possibilitam
irrigar apenas no momento certo, no lugar correto com a quantidade necessária
para que a planta não tenha estresse hídrico gerando economia do recurso e
maior produtividade da lavoura. “Por todos esses benefícios, acreditamos que a
irrigação entra como a quarta revolução agrícola do Brasil”, disse Eduardo
Navarro, diretor geral da Lindsay do Brasil, durante encontro com as revendas e
distribuidores da marca, que reuniu mais de 70 pessoas no dia 06 de abril, em
Campinas/SP.
Segundo Navarro, a primeira grande revolução no
agro foi o calcário. O insumo foi o principal responsável pela recuperação de
áreas degradadas. Os produtores passaram a fazer uso do produto para alcançar
níveis maiores de produtividade. Na sequência veio o plantio direto, que
protegeu o solo da degradação, ou seja, conseguiu manter uma unidade e proteção
na seca, isso também aumentou muito a produtividade.
A técnica também foi responsável pela redução de
custo de máquinas, afinal não era mais necessário gradear ou arar a terra para
poder plantar. Após isso veio a biotecnologia que agregou muita produtividade,
reduzindo o uso de inseticidas e herbicidas, soja e milho geneticamente
modificados trouxeram muito mais produtividade e redução de custo para o
produtor. “A quarta revolução é o advento da agricultura irrigada, a única
tecnologia hoje capaz de agregar de 20% a 40% de produtividade, possibilitando
até cinco safras a cada dois anos”, destacou o diretor da Lindsay.
Momento de transição para o Brasil
Para José Luís Coelho, consultor de agronegócio e
um dos palestrantes no encontro da Lindsay, estamos vivendo um momento de
transição que será um grande divisor de águas para a agricultura brasileira.
Segundo ele, se olharmos para a competitividade que temos no agronegócio
brasileiro em relação às outras regiões do mundo, devido aos fatores naturais,
de cara já saímos em vantagem.
Isso primeiro pelo fato de estarmos em uma
agricultura tropical em 70% da nossa área conseguir fazer duas safras por ano,
coisa que nenhum outro país no mundo consegue, mas ainda não é o suficiente,
precisamos crescer ainda mais. “O mundo deve chegar em 2050 com aproximadamente
10 bilhões de habitantes e para isso precisaríamos aumentar em 75% a produção
de alimentos que existem no planeta. E só tem dois lugares no mundo que é
possível fazer isso: na África e na América do Sul”, disse o consultor.
A África, devido aos problemas sociais e outros
entraves, ainda vai ter dificuldade. Mas, aqui na América do Sul, o Brasil está
usando apenas 9% do seu potencial agrícola para fazer essa expansão. “Com isso
esse crescimento mundial passa por aqui, será de forma verticalizada e a
irrigação tem um grande diferencial, pois é a única tecnologia onde é possível
aumentar em algumas culturas até 100% da produtividade”, destacou Coelho. “Com
isso vejo de forma muito otimista, pois o agronegócio brasileiro já é o futuro
e a irrigação é o principal elemento desse futuro”, acrescentou.
Um olhar para o futuro
O tema central do encontro que reuniu 21
distribuidores que abrangem uma área de atendimento de 28 regiões de
foi: “Somos o futuro”, a escolha representa muito o quanto a Lindsay se
preparou e onde quer chegar. De acordo com Giovana Simioni Calazans,
responsável pela área de supply chain, especialmente nestes dois
últimos a empresa tem se dedicado às melhorias de processos internos, visando
garantir o abastecimento de matérias primas nas melhores condições aos
clientes. “A pandemia foi um dos momentos mais críticos para nossa área, eu
acredito que a gente nunca enfrentou uma crise tão grave, mas dentro da Lindsay
nos preparamos, nos dedicamos muito e não desistimos em nenhum momento”,
lembrou.
Uma das estratégias foi manter o foco e buscar
novas parcerias. Além disso, se concentraram nas melhores alternativas de
abastecimento, trabalhando uma política muito intensa de estoque de segurança e
também contratos firmes junto aos fornecedores para que pudessem manter a
operação rodando, garantindo atendimento a todos os clientes. “O grande
aprendizado que ficou da pandemia foi que podemos contar com a força das
pessoas, um ponto forte que marcou foi a maneira que a gente vem preparando o
time para que todos estejam prontos para superar qualquer desafio. É importante
ter em mente o quanto é importante planejamento e uma estratégia com visão de
futuro”, disse a profissional.
Tração na retomada
Além das mudanças de estratégia e posicionamento,
também foram realizadas muitas melhorias na fábrica da Lindsay. Todas elas
foram vistas de perto pelos representantes das revendas que tiveram a
oportunidade de conhecer a unidade durante a visitação, em Mogi Mirim/SP. Para
Cristiano Trevizam, diretor de vendas da Zimmatic, by Lindsay, o sentimento que
ficou após o encontro foi que todos voltaram para casa ainda mais otimistas
para a retomada do mercado este ano.
Segundo ele, essa tração vem das melhorias realizadas
nos últimos dois anos e que todos puderam ver na fábrica e nas apresentações da
equipe. “Estamos com um time de vendas muito mais preparado, uma cobertura
muito melhor, muitos dos distribuidores aqui ampliaram suas áreas, além da
parceria com quatros novos revendedores. Ou seja, melhoramos a fábrica e a
distribuição, e o pessoal está preparadíssimo”, reforça Trevizam.
Para Gabriel Corrêa, economista e gerente
financeiro, a empresa entra agora em um novo momento, muito mais próxima do
produtor e do mercado. “Estamos nos preparando para ajudar nos financiamentos
dos equipamentos. Os produtores, clientes e revendas podem esperar uma área
financeira muito mais ativa”, destacou.
Após esse período de insegurança do mercado
mundial, para Corrêa, agora o momento é de reconquistar a confiança dos
clientes. A estratégia passa pela entrega dos pivôs equipamentos no prazo,
fazendo uma venda bem amparada em financiamentos, auxiliando tanto o produtor
quanto as revendas. “Vamos continuar crescendo de maneira estruturada
aproveitando as oportunidades de mercado, investindo muito mais dentro de casa,
na fábrica, estrutura comercial, operacional para sempre atender melhor”,
finaliza.
Lindsay América do Sul

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