Especialista em comunicação faz alerta em relação a expressões corporais que 'falam mais do que muitas palavras' e podem ser desabonadoras no ambiente de trabalho; ela também destaca 7 dicas para melhorar o desempenho nas reuniões virtuais
Que as
videoconferências são extremamente fatigantes, isso todo mundo já sabe.
Pesquisas recentes, aliás, apontam que essas reuniões virtuais provocam
desconforto, irritabilidade e potencializam o estresse. Ou seja, coisas que a
gente não gosta de demonstrar em público, sobretudo, por educação.
Mas o que fazer para
não transparecer esse tipo de 'emoção', sobretudo, no ambiente corporativo,
onde lidamos com pessoas que merecem toda a nossa gentileza e atenção?
A resposta, segundo a
especialista em comunicação corporativa, Juliana Algodoal, está não apenas na
expressão oral, mas principalmente na expressão corporal. "Afinal, o corpo
também fala!", destaca ela, que é professora PhD em Análise do Discurso em
Situação de Trabalho e tem mais de 30 anos de experiência na prestação de
consultoria a executivos, políticos e gestores de grandes empresas.
Coisas que não podem
ficar evidentes
Se até mesmo num papo
informal, com velhos amigos, pega mal demonstrar impaciência, pressa ou
qualquer outro tipo de incômodo, imagine então com um cliente, com um chefe ou
uma autoridade?
"Geralmente,
nesse tipo de situação, as pessoas instintivamente ficam atentas com a própria
fala (ou seja, com o tom de voz, a eloquência) para não demonstrar sono,
desinteresse, raiva etc. O que elas esquecem, contudo, é que o corpo também se
comunica! - e, igualmente a voz, evidencia nossos sentimentos, mesmo quando
queremos (ou temos que) escondê-los. Ou seja, assim como a fala, as expressões
corporais também devem ser verificadas com atenção. Especialmente agora, que as
relações estão cada vez mais digitais", explica a especialista.
Ela lembra que,
diferentemente das reuniões presenciais, onde os participantes geralmente
observam quem conduz o encontro e isso centraliza o público, nas reuniões
virtuais as pessoas olham para você o tempo todo e, pior, você se enxerga o
tempo todo, o que acaba provocando um excesso de autoavaliação e,
consequentemente, estresse.
"Essa questão foi
alvo de um estudo recente da Universidade de Stanford, que concluiu que o
usuário normalmente tem a sensação de prisão diante da tela e pouco se mexe ao
longo das videoconferências. Trata-se de um problema vinculado diretamente à
expressão corporal e que pode ser facilmente trabalhado a partir de técnicas
simples, largamente utilizadas, além, claro, do descanso que é recomendável a
todos - embora nem sempre possível".
Mesmo diante da tela e
de tantos expectores, ela garante que é possível interagir de forma mais leve e
natural, harmonizando a fala e o gestual, ainda que o cansaço e o estresse
sejam latentes. Tudo, claro, em nome do profissionalismo e das boas relações
corporativas.
Dicas
Para ajudar o público
nessa difícil missão, Juliana Algodoal separou sete dicas que incluem cuidados
com o corpo, com a fala e condutas mais aconselháveis para o ambiente
corporativo, durante as reuniões virtuais. Veja aqui:
• Assim como a voz, o corpo também transmite nossas emoções, portanto, controle o seu gestual para usá-lo de forma suave e calma. Evite, por exemplo, ficar mexendo a cabeça, esfregar/coçar o rosto, olhar para os lados. Tente, na medida em que a tecnologia permitir, olhar nos olhos das pessoas com quem conversa virtualmente, para criar conexão.
• As mãos também expressam muito dos nossos sentimentos. Mostrá-las não é algo ruim, mas sem exageros. Gestos suaves demonstram calma, confiança e engaja melhor quem assiste você. Do contrário, demonstram nervosismo.
• Evite marcar uma reunião virtual se o assunto puder ser resolvido por e-mail ou com um telefonema, pois reuniões virtuais são mais cansativas.
• Fazer reuniões de, no máximo, 30 a 40 minutos. Se forem mais longas, conciliar com pequenos intervalos
• Buscar ter espaços de trabalho em casa confortáveis minimiza o estresse e ajuda na produtividade
• Pausas sonorizadas como: ãhn e humm poluem sua fala e tiram o foco do conteúdo que está transmitindo.
• Usar o headset ou
fones de ouvido nas reuniões aumenta o foco e reduz o ruído ambiente.
Experimente!
Juliana Algodoal - Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação
Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação
de Trabalho - Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fundadora da
empresa Linguagem Direta*. Acumula mais de 30 anos de experiência no
desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente
empresarial - tendo como clientes grandes companhias, como Novartis, Pfizer,
Aché, Itaú, Citibank, Unimed, SKY, Samsung, Souza Cruz, dentre outras. Também é
presidente do conselho administrativo Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.
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