O avanço desenfreado da pandemia de coronavírus no Brasil fez o número de atos de transferências de bens disparar no Brasil. Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil – Seção Rio de Janeiro, somente no estado fluminense, foram mais de 10 mil solicitações no segundo semestre de 2020, 4,5 mil pedidos a mais do que no semestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2019, o aumento é de 80,4%. Em Belo Horizonte, o crescimento no mesmo tipo de serviço foi de 53,78% no segundo semestre de 2020, em relação aos primeiros seis meses do ano. O especialista em gestão de risco e planejamento financeiro Hilton Vieira explica que as incertezas provocadas pela pandemia levaram as pessoas a se preocuparem com a gestão e a sucessão de patrimônio. “Geralmente, as pessoas se esforçam muito para construir um patrimônio com bens e aplicações financeiras que apresentem boa rentabilidade e liquidez. Entretanto, um dos pontos mais importantes no planejamento financeiro sempre foi deixado de lado, o planejamento sucessório. Mas isso está mudando por causa da pandemia”, avalia.
Quando uma pessoa morre, a família precisa lidar com inventário em um
caro e burocrático procedimento judicial. É preciso dispor de dinheiro para o
pagamento de impostos e advogados. “Os dois maiores problemas para a conclusão de um
inventário são as despesas envolvidas e as disputas judiciais entre os
herdeiros. Quando os herdeiros não apresentam o montante necessário para a
quitação, podem fazer uma solicitação ao juiz para que um dos bens seja
disponibilizado para a venda. Nesse momento, muitas famílias passam a vender o
patrimônio em um valor abaixo do mercado para quitar dívidas”,
afirma Vieira.
![]() |
| Sucessão patrimonial pode custar caro se não for bem planejada (Freepik) |
O especialista explica que há várias formas de fazer a sucessão. Cada
uma delas apresenta custos que, muitas vezes, podem consumir entre 10% e 20% do
patrimônio. Além da transferência de bens em vida, o mercado oferece opções
como a previdência privada, testamento e holding, que permite uma excelente
organização patrimonial, pois você já consegue efetuar a divisão das cotas no
momento presente, mas também possui a incidência de impostos, e o seguro. “Essa
última opção é a mais vantajosa, pois é livre de ITCMD, é impenhorável e
apresenta liquidez imediata, assim a família não precisa se desfazer de parte
do seu patrimônio para dar prosseguimento ao processo de inventário”,
afirma Vieira.
Antes de escolher a melhor opção para a sucessão, é preciso fazer
contas. “Muita gente quer se prevenir e deixar a família protegida, mas é
preciso ter em mente que o procedimento de transferência, holding e testamento
requerem a aplicação imediata de recursos para pagamentos de impostos e
despesas de cartório, dependendo da escolha. A previdência privada não entra no
processo de inventário e traz alguma liquidez para a família conseguir iniciar
o processo de transferência de bens, mas é preciso somar o montante adequado
para iniciar o processo. O aporte de recursos é maior. Analisando os números, a
opção menos onerosa é o seguro”, observa.
O seguro consegue trazer um montante de capital alto e de forma muito
rápida, com o pagamento de uma fração do prêmio. “Esse
recurso poderá ser utilizado no pagamento do inventário e na manutenção do padrão
de vida até que os bens sejam distribuídos”, finaliza.
Hilton Vieira - especialista em gestão de risco e planejamento financeiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário