Especialista explica que, com o avanço tecnológico, já é possível planejar o tratamento e o acompanhamento do bebê ainda no pré-natal
Cerca de 29 mil bebês nascem com cardiopatia congênita no Brasil, de
acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Desse total, 6% morrem no
primeiro ano, sem diagnóstico ou tratamento necessário. Em uma forma mais
grave, aproximadamente 30% morrem no período neonatal, ou seja, logo após o
nascimento. A doença é uma das maiores causas de mortalidade infantil na
primeira infância e pode desencadear transtornos severos na fase adulta.
Para o ginecologista obstetra e coordenador do setor de Medicina
Materno-fetal da Maternidade Brasília, Evaldo Trajano, a palavra-chave é
planejamento do parto e continuidade depois do nascimento. “Muitas pessoas
descobrem que o bebê tem a doença apenas no momento do parto e, a depender da
evolução, isso pode ser tardio”, explica o especialista.
A cardiopatia congênita é uma anormalidade cardiocirculatória. Pode
ocorrer nas primeiras oito semanas de gravidez, momento em que é formado o
coração do bebê. Entre as causas, há fatores maternos, como infecções, rubéola,
diabetes e hipertensão. Quando o pai ou a mãe possuem a condição, há mais
chances de gerarem um filho cardiopata.
Foi o que aconteceu com Susane, que teve um diagnóstico no pré-natal,
por meio de ecocardiograma de rotina. A suspeita de coartação de aorta é
condição de difícil diagnóstico, principalmente após o nascimento. No
acompanhamento na Maternidade, a mamãe já havia descoberto que a filha
necessitaria da UTI neonatal para ser monitorada. De acordo com Susane, o
atendimento da cardiologia pediátrica foi de extrema importância.
“O que eu achei importante na Maternidade Brasília foi a integração da
equipe. A minha obstetra já entrou em contato com o pessoal da UTI pediátrica e
com a cardiologista. Nós tivermos uma consulta com a cardiologista clínica,
repetimos o ecocardiograma, também na maternidade, e então, com tudo
confirmando, fizemos todo o tratamento antes do parto. A minha filha teve todo
o suporte necessário depois que nasceu”, destaca Susane.
Por isso, o serviço de cardiopediatria é importante, para acompanhar o
tratamento dentro e fora do útero. “Muitas gestantes fazem ecografia
morfológica em clínicas diferentes e o acompanhamento nem sempre é o mesmo. Com
isso, a chance de descoberta e tratamento precoce da cardiopatia congênita
diminui e as chances de sobrevida também. A cardiopediatria é um serviço
fundamental para o diagnóstico precoce, planejamento do parto e seguimento do
tratamento depois do nascimento”, explica o especialista.
Susane ainda conta que ela e o marido ficaram junto com a filha na UTI,
momento que ela destaca como muito importante na jornada. “Eu e o meu marido
ficamos com ela na UTI pediátrica. Isto é muito importante para gente também,
não ficar separado dela depois que nasceu. O suporte da cardiologia pediátrica
é essencial, os profissionais estavam muito bem preparados para receber e fazer
o atendimento”, finaliza.
Acompanhamento de perto
A Maternidade Brasília é o único hospital no Distrito Federal que
realiza o acompanhamento integral da mãe e do feto antes, durante e depois do
parto. Todas as ecografias são realizadas dentro do hospital e, quando é
diagnosticada a cardiopatia congênita, a mãe é encaminhada para o ambulatório
de cardiopediatria.
O tratamento é feito de
forma linear: diagnóstico ainda dentro da barriga, acompanhamento e tratamento,
muitas vezes cirúrgico. Após o parto, o acompanhamento também será realizado
por uma equipe multidisciplinar.
Maternidade Brasília
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