Segundo
a Organização Mundial da Saúde, doenças cardíacas matam mais do que câncer,
guerras e álcool
Em agosto acontece o Dia
Nacional de Combate ao Colesterol. Neste mês, um estudo publicado no Circulation:
Cardiovascular Quality and Outcomes[1],
demonstrou que indivíduos com alto risco de cardiovascular tiveram mais
infartos do miocárdio (“ataque cardíaco”) e acidentes vasculares cerebrais
(AVC), quando não receberam intervenção terapêutica ou abandonaram o tratamento
para equilibrar o colesterol “ruim”, também conhecido como LDL-C.
Os dados reforçam a importância do acompanhamento deste fator de risco e fator
causal da doença aterosclerótica, que pode ocasionar doenças fatais como:
infarto, AVC, complicações renais, síndrome coronariana aguda, angina e
trombose[2].
Doenças cardíacas matam mais
que câncer, guerras e álcool, de acordo com os dados da Organização Mundial da
Saúde - o órgão define as doenças cardiovasculares como causa de 31% de todas
as mortes no mundo, e dessas, 85% são devido a ataques cardíacos e derrames.
Outro dado importante apontado pela instituição é que mais de 75% dos óbitos
causados por essas patologias ocorrem em países de baixa e média renda, como é
o caso do Brasil.[3] De acordo com o Ministério
da Saúde, cerca de 300 mil brasileiros sofrem de infarto agudo do miocárdio por
ano, que acaba sendo fatal em 30% dos casos.[4]
O levantamento foi realizado
pela Familial Hypercholesterolemia Foundation (FH Foundation), entidade
internacional que apoia pacientes com hipercolesterolemia familiar, uma doença
genética e hereditária, caracterizada por elevados níveis de colesterol que aumenta
as chances de doenças cardiovasculares em idade precoce. A publicação do estudo
nessa data é uma oportunidade de evidenciar a importância do controle dos
níveis de LDL-C no organismo e da prevenção das doenças cardiovasculares.
Embora fatores de risco como histórico
familiar da doença, idade, sexo ou fatores genéticos, não possam ser alterados,
o colesterol LDL-C elevado é um dos fatores de risco modificáveis mais
importantes e impactantes[5] para a
doença cardiovascular.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC) constatou que os altos níveis de colesterol atingem 60 milhões de
brasileiros. “A desigualdade de acesso à informação sobre as novas
possibilidades de prevenção faz o paciente ficar vulnerável às consequências
das doenças cardíacas, esteja ele em qualquer país. Infartos e AVCs além de
terem grande impacto financeiro e social, são situações irreversíveis que
poderiam ser prevenidas.” José Francisco Kerr Saraiva, professor titular da
disciplina de cardiologia da Faculdade de Medicina da PUC – Campinas.
O estudo, realizado nos
Estados Unidos, analisou os pacientes que tiveram a prescrição de um
medicamento para o controle de colesterol, mas que - por conta da autorização
das operadoras de seguro - não obtiveram acesso ao tratamento adequado. A
conclusão foi que o baixo acesso à medicação torna mais suscetível a infartos e
AVCs esta população de alto risco cardiovascular que não tem renda para arcar
com os custos do tratamento. Para o levantamento, a Familial
Hypercholesterolemia Foundation (FH Foundation) analisou 139.036 adultos.
[1] K. Wilemon, Dr Gidding,
and N. Farboodi are employees of the FH Foundation; K.D. Myers, Drs Mwamburi,
Howard, and Staszak are paid consultants for the FH Foundation; Drs Baum and
Rader are unpaid advisors to the FH Foundation.
[2] Sociedade
Brasileira de Cardiologia – Prevenção, COLESTEROL. Acessado em 05/08/2019:
http://prevencao.cardiol.br/fatores-de-risco/colesterol.asp
[3] World Health Organization,
Cardiovascular diseases (CVDs), Key facts
[4] 2018,
Biblioteca Virtual em Saúde, Ministério da Saúde.
[5] Yusuf S, Hawken S,
Ounpuu S, et al. Effect of potentially modifiable risk factors associated with
myocardial infarction in 52 countries (the INTERHEART study): case-control
study. Lancet. 2004;364:937-952.
Nenhum comentário:
Postar um comentário