Nas próximas linhas, a nutricionista Priscila
Gontijo, da Puravida, explora as diversas consequências da falta de sono,
trazendo algumas dicas para solucionar o problema com alimentação e
suplementação.
O que é a falta de sono?
A falta de sono, ou privação de sono, refere-se
principalmente à condição em que uma pessoa não obtém a quantidade adequada de
repouso necessário para manter um funcionamento saudável do corpo e da mente. O
sono desempenha um papel crucial em diversas funções fisiológicas e cognitivas,
sendo essencial para a restauração e regulação do organismo.
Podemos estender seu significado para incluir também
um sono de qualidade inadequada, no qual, embora as horas de sono estejam
dentro do recomendado, os benefícios plenos de um repouso profundo não são
atingidos. Esses dois problemas, sono insuficiente e de qualidade ruim, podem
se somar e causar prejuízos devastadores, especialmente a longo prazo.
O que a falta de sono pode
causar? Além das olheiras
“Os efeitos da falta de sono vão muito além do
cansaço e sonolência durante o dia. Apenas um dia de sono ruim já é o
suficiente para prejudicar o humor, desregular o apetite e até mesmo
enfraquecer o sistema imune”, explica a nutricionista da Puravida.
A falta de sono prolongada também pode contribuir
para:
- Aumentar
o risco de infecções;
- Atrapalhar
a recuperação em caso de doenças;
- Diminuir
a capacidade de concentração;
- Prejudicar
a memória;
- Gerar
irritabilidade;
- Aumentar
do risco de acidentes;
- Enfraquecimento
do sistema imunológico;
- Ganho
de peso (na forma de gordura);
- Aumento
do risco do desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes,
hipertensão, doenças cardiovasculares;
- Aumento
do risco de depressão e doenças neurodegenerativas;
- Envelhecimento
precoce;
- Desequilíbrio
hormonal;
- Diminuição
da libido;
- Ganho
de peso e flacidez;
- Inflamação
sistêmica crônica;
- Perda
de produtividade.
Enfim, causa uma bagunça metabólica em todos os
níveis, e o pior, as consequências da falta de sono não podem ser corrigidas
com remédios, alimentação, suplementação ou atividade física. A única maneira
de corrigi-la é melhorando a qualidade do sono e dormindo as horas
necessárias.
Como solucionar a falta de
sono?
Resolver a falta de sono envolve a adoção de
práticas saudáveis, também conhecidas como higiene do sono. Estas incluem
estabelecer uma rotina de sono consistente, criar um ambiente propício para o
descanso, limitar a exposição a dispositivos eletrônicos antes de dormir, e
evitar o consumo de estimulantes, como cafeína, nas horas que antecedem o
repouso.
Quantas horas de sono é o ideal?
A quantidade ideal de sono varia de acordo com a idade e as necessidades
individuais. Em média, adultos devem buscar de 7 a 9 horas de sono por noite
para garantir um funcionamento ótimo. Crianças e adolescentes geralmente
necessitam de mais horas de sono para sustentar um crescimento saudável e
suportar as demandas do desenvolvimento.
Períodos de mais estresse e de recuperação de
doenças geralmente pedem mais horas de sono.
A conexão entre falta de sono,
ansiedade e depressão
Quase 19 milhões de pessoas no Brasil sofrem com
transtornos graves de ansiedade. Número que rendeu ao país a primeira colocação
no ranking do distúrbio psiquiátrico, segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS).
Quando se trata de depressão, o Brasil também está
em primeiro lugar no ranking latino-americano e em quinta posição no mundial.
Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na lógica em que uma coisa leva à outra, um
levantamento da Associação Brasileira de Sono revelou que mais da metade da
população tem dificuldade para dormir ou tem o sono interrompido
frequentemente.
A ansiedade está intimamente ligada a quadros de
depressão. Juntos, os diagnósticos agravam a dor em doenças
crônicas.
A alimentação e a qualidade do
sono – Do prato para a cama
A relação entre alimentação e sono é complexa e
multifacetada. Certos alimentos e bebidas podem influenciar positiva ou
negativamente a qualidade do sono.
Refeições pesadas antes de dormir, alimentação
pobre em nutrientes e rica em produtos ultraprocessados, o consumo de cafeína e
álcool são fatores que podem prejudicar o sono.
Mas, será que a alimentação exerce algum papel na
qualidade do sono e, consequentemente, na qualidade de vida? Sim. Para o
relaxamento e o descanso pleno, inúmeros nutrientes são
necessários.
“Uma alimentação baseada em produtos naturais,
minimamente processados, alimentos ricos em triptofano e magnésio, por exemplo,
podem contribuir para uma melhor qualidade de sono. Esses e outros nutrientes,
inclusive a própria melatonina, chamada de hormônio do sono, estão presentes em
alimentos como carnes, peixes, ovos e queijos, frutas vermelhas, cereja, nozes,
grão de bico e kiwi”, explica Priscila Gontijo, nutricionista da
Puravida.
Suplementos também podem ser uma ótima opção.
Abaixo, a especialista cita alguns:
- Magnésio: o mineral
é considerado essencial para o relaxamento neuromuscular, para os
movimentos peristálticos do intestino e para a descontração do coração a
cada batimento cardíaco. Além disso, o magnésio
contribui para a síntese da serotonina e da melatonina – hormônios
reguladores do sono. A quantidade pode variar de 250 a 500
miligramas ao dia. Dê preferência para as formas queladas do suplemento,
como bisglicinato de magnésio, taurato de magnésio e magnésio dimalato,
que são mais facilmente absorvidas pelo organismo.
- Taurina: o aminoácido, geralmente
associado à cafeína
para equilibrar seu efeito estimulante em bebidas energéticas, também pode
ser adicionado a outras composições para atingir o efeito relaxante. Isso
porque a taurina
atua como neurotransmissor ao modular a atividade neuronal, possibilitando
a calma e o relaxamento.
- Triptofano: necessário para a síntese da
serotonina, neurotransmissor que gera conforto e bom humor e da
melatonina, que sinaliza o corpo para o repouso
noturno, o triptofano é ideal para quem quer dormir mais rápido e por
mais tempo. A suplementação de triptofano pode
trazer benefícios para pessoas com quadro de ansiedade, falta de sono,
depressão e sintomas de tensão pré-menstrual.
- Melatonina: por último, vem o hormônio
bioidêntico desenvolvido para que dar uma ajuda extra ao organismo para
que possa adormecer e se aprofundar nos estágios do sono regenerativo.
Apesar de a melatonina
ter ganhado popularidade pela capacidade de induzir o sono, o ideal é
começar com a alimentação, complementar com a suplementação e verificar se
isso já é suficiente. Caso necessário, você pode complementar com baixas
doses de melatonina.
Puravida



