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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Falta de sono, ansiedade e depressão: quais são os nutrientes que podem te tirar desse labirinto?

Problemas para dormir são generalizados no mundo moderno. As consequências podem passar despercebidas por um tempo, mas cedo ou tarde se manifestam. Quadros como ansiedade e depressão estão relacionados à falta de sono.  

Nas próximas linhas, a nutricionista Priscila Gontijo, da Puravida, explora as diversas consequências da falta de sono, trazendo algumas dicas para solucionar o problema  com  alimentação e suplementação. 


O que é a falta de sono? 

A falta de sono, ou privação de sono, refere-se principalmente à condição em que uma pessoa não obtém a quantidade adequada de repouso necessário para manter um funcionamento saudável do corpo e da mente. O sono desempenha um papel crucial em diversas funções fisiológicas e cognitivas, sendo essencial para a restauração e regulação do organismo.

Podemos estender seu significado para incluir também um sono de qualidade inadequada, no qual, embora as horas de sono estejam dentro do recomendado, os benefícios plenos de um repouso profundo não são atingidos. Esses dois problemas, sono insuficiente e de qualidade ruim, podem se somar e causar prejuízos devastadores, especialmente a longo prazo.


O que a falta de sono pode causar? Além das olheiras

“Os efeitos da falta de sono vão muito além do cansaço e sonolência durante o dia. Apenas um dia de sono ruim já é o suficiente para prejudicar o humor, desregular o apetite e até mesmo enfraquecer o sistema imune”, explica a nutricionista da Puravida. 

A falta de sono prolongada também pode contribuir para:  

  • Aumentar o risco de infecções; 
  • Atrapalhar a recuperação em caso de doenças;  
  • Diminuir a capacidade de concentração; 
  • Prejudicar a memória; 
  • Gerar irritabilidade; 
  • Aumentar do risco de acidentes; 
  • Enfraquecimento do sistema imunológico; 
  • Ganho de peso (na forma de gordura);
  • Aumento do risco do desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares; 
  • Aumento do risco de depressão e doenças neurodegenerativas;  
  • Envelhecimento precoce;  
  • Desequilíbrio hormonal;  
  • Diminuição da libido;  
  • Ganho de peso e flacidez;  
  • Inflamação sistêmica crônica;  
  • Perda de produtividade.

Enfim, causa uma bagunça metabólica em todos os níveis, e o pior, as consequências da falta de sono não podem ser corrigidas com remédios, alimentação, suplementação ou atividade física. A única maneira de corrigi-la é melhorando a qualidade do sono e dormindo as horas necessárias. 


Como solucionar a falta de sono? 

Resolver a falta de sono envolve a adoção de práticas saudáveis, também conhecidas como higiene do sono. Estas incluem estabelecer uma rotina de sono consistente, criar um ambiente propício para o descanso, limitar a exposição a dispositivos eletrônicos antes de dormir, e evitar o consumo de estimulantes, como cafeína, nas horas que antecedem o repouso.


Quantas horas de sono é o ideal? 


A quantidade ideal de sono varia de acordo com a idade e as necessidades individuais. Em média, adultos devem buscar de 7 a 9 horas de sono por noite para garantir um funcionamento ótimo. Crianças e adolescentes geralmente necessitam de mais horas de sono para sustentar um crescimento saudável e suportar as demandas do desenvolvimento. 

Períodos de mais estresse e de recuperação de doenças geralmente pedem mais horas de sono. 


A conexão entre falta de sono, ansiedade e depressão 

Quase 19 milhões de pessoas no Brasil sofrem com transtornos graves de ansiedade. Número que rendeu ao país a primeira colocação no ranking do distúrbio psiquiátrico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Quando se trata de depressão, o Brasil também está em primeiro lugar no ranking latino-americano e em quinta posição no mundial. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na lógica em que uma coisa leva à outra, um levantamento da Associação Brasileira de Sono revelou que mais da metade da população tem dificuldade para dormir ou tem o sono interrompido frequentemente.  

A ansiedade está intimamente ligada a quadros de depressão. Juntos, os diagnósticos agravam a dor em doenças crônicas.   


A alimentação e a qualidade do sono – Do prato para a cama   

A relação entre alimentação e sono é complexa e multifacetada. Certos alimentos e bebidas podem influenciar positiva ou negativamente a qualidade do sono.  

Refeições pesadas antes de dormir, alimentação pobre em nutrientes e rica em produtos ultraprocessados, o consumo de cafeína e álcool são fatores que podem prejudicar o sono.  

Mas, será que a alimentação exerce algum papel na qualidade do sono e, consequentemente, na qualidade de vida? Sim. Para o relaxamento e o descanso pleno, inúmeros nutrientes são necessários.   

“Uma alimentação baseada em produtos naturais, minimamente processados, alimentos ricos em triptofano e magnésio, por exemplo, podem contribuir para uma melhor qualidade de sono. Esses e outros nutrientes, inclusive a própria melatonina, chamada de hormônio do sono, estão presentes em alimentos como carnes, peixes, ovos e queijos, frutas vermelhas, cereja, nozes, grão de bico e kiwi”, explica Priscila Gontijo, nutricionista da Puravida.   

Suplementos também podem ser uma ótima opção. Abaixo, a especialista cita alguns: 

  1. Magnésio: o mineral é considerado essencial para o relaxamento neuromuscular, para os movimentos peristálticos do intestino e para a descontração do coração a cada batimento cardíaco.   Além disso, o magnésio contribui para a síntese da serotonina e da melatonina – hormônios reguladores do sono.  A quantidade pode variar de 250 a 500 miligramas ao dia. Dê preferência para as formas queladas do suplemento, como bisglicinato de magnésio, taurato de magnésio e magnésio dimalato, que são mais facilmente absorvidas pelo organismo.   
  2. Taurina: o aminoácido, geralmente associado à cafeína para equilibrar seu efeito estimulante em bebidas energéticas, também pode ser adicionado a outras composições para atingir o efeito relaxante. Isso porque a taurina atua como neurotransmissor ao modular a atividade neuronal, possibilitando a calma e o relaxamento.  
  3. Triptofano: necessário para a síntese da serotonina, neurotransmissor que gera conforto e bom humor e da melatonina, que sinaliza o corpo para o repouso noturno, o triptofano é ideal para quem quer dormir mais rápido e por mais tempo.  A suplementação de triptofano pode trazer benefícios para pessoas com quadro de ansiedade, falta de sono, depressão e sintomas de tensão pré-menstrual.  
  4. Melatonina: por último, vem o hormônio bioidêntico desenvolvido para que dar uma ajuda extra ao organismo para que possa adormecer e se aprofundar nos estágios do sono regenerativo. Apesar de a melatonina ter ganhado popularidade pela capacidade de induzir o sono, o ideal é começar com a alimentação, complementar com a suplementação e verificar se isso já é suficiente. Caso necessário, você pode complementar com baixas doses de melatonina. 


Puravida


Verão à vista: especialistas apontam riscos e dão recomendações para uma vida saudável na estação

Intoxicação alimentar, câncer de pele, golpe de calor estão entre os perigos ocasionados pelo o clima quente


O verão inicia em 22 de dezembro e encerra-se em 20 de março de 2024. Cuidar-se durante os períodos de clima quente é essencial para preservar a saúde. No calor a transpiração aumenta levando o organismo a perder naturalmente uma quantidade significativa de água e sais minerais. Diante desse cenário, informa a nutricionista Tuane Rodrigues de Carvalho, é ideal aumentar a ingestão de líquidos, visando não apenas evitar a desidratação, mas também repor de maneira eficaz as perdas hídricas. 

A enfermeira Angely Alencar explica que a desidratação pode levar a tonturas, dores de cabeça, fadiga e resultar em insolação. Ela alerta também para a exposição excessiva ao sol, que pode provocar queimaduras solares, envelhecimento precoce e risco de câncer de pele. “Além disso, condições como micose, dermatites e outras infecções cutâneas podem ser mais comuns em ambientes quentes e úmidos. Se possível, faça suas atividades físicas ou passeios em lugares climatizados ou sombreados”, disse.  

Em casos mais graves, destaca Angely, a exposição prolongada ao calor intenso pode causar golpe de calor, que é o aumento da temperatura corporal para além dos 40 °C. “Isso ocorre quando o corpo não consegue resfriar-se adequadamente, resultando em sintomas como confusão mental, pele quente e seca, e, em casos extremos, perda de consciência. Idosos e crianças pequenas são mais suscetíveis”.  

Os grupos vulneráveis, como aqueles com condições de saúde crônicas, são os mais sensíveis aos problemas. “Aqueles que tomam medicamentos devem continuar usando conforme prescrito ou consultar o médico para ajustar as medicações e obter orientações específicas. Alguns remédios podem ter efeitos diferentes em temperaturas extremas”, orientou a enfermeira. 

Angely Alencar, que também é professora do curso de Enfermagem da UniFTC de Juazeiro, informa que é importante que as pessoas estejam cientes desses riscos e adotem medidas preventivas: “Mantenha-se hidratado, use protetor solar e roupas leves, evite a exposição excessiva ao sol durante as horas mais quentes e proteja-se contra picadas de insetos, que provocam reações alérgicas graves ou transmitem doenças como dengue, malária e infecção pelo vírus Zika”, disse.                                                                                                                                     

Cuidados com a alimentação 

A nutricionista Tuane Rodrigues de Carvalho, que também é docente do curso de Nutrição na UniFTC, esclarece que as temperaturas mais elevadas propiciam um ambiente propício para o desenvolvimento microbiano, tornando essencial a adoção de cuidados especiais no preparo e armazenamento dos alimentos. Segundo ela, a higienização adequada e a manutenção rigorosa das condições de temperatura e refrigeração são medidas essenciais para mitigar os riscos de contaminação e intoxicação alimentar. 

Saiba mais: Segurança dos alimentos: do que se trata? 

Tuane ressalta que, ao realizar refeições fora de casa, é importante avaliar as condições de higiene do estabelecimento e dos manipuladores de alimentos. “Além disso, a atenção deve se estender às condições de temperatura nas quais os alimentos são comercializados, bem como à verificação da data de validade do produto, eventuais alterações na aparência ou no odor característico”.

 

O que comer e evitar?

·       Preferir alimentos in natura, dando preferência a alimentos mais leves, refrescantes, ricos em água, para aumentar a hidratação corporal e diminuir a sensação de calor; 

·       Boas opções para garantir uma hidratação e nutrição são: frutas, sucos da fruta, água, água saborizadas, água de coco, chás gelados, verduras e saladas frescas.

·       Varie entre grelhados, cozidos e assados e evite alimentos industrializados, gordurosos, frituras e com alto teor de sódio e açúcares;

·       Evite refeições muito volumosas que costumam deixar a digestão mais lenta, piorando sintomas como mal-estar e fadiga, sensação que tende a ser intensificada devido ao calor;

·       Respeite os horários das refeições e evite longos períodos sem a ingestão de líquidos.



As especialistas afirmam que a comunicação regular com profissionais de saúde para relatar qualquer preocupação ou alteração no estado de saúde é relevante. “Em casos de intoxicação alimentar ou qualquer intercorrência por conta do calor, procurar uma unidade de saúde para que sejam realizados os cuidados necessários e os encaminhamentos adequados”, adverte a nutricionista e professora da faculdade em Juazeiro 

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Dor de cabeça: saiba quando é hora de procurar um médico

Mais conhecida como dor de cabeça, a cefaleia é uma condição que afeta cerca de 140 milhões de pessoas no País, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe). O alto número comprova que esse é um sintoma bastante recorrente no dia a dia dos brasileiros - dificilmente será possível encontrar uma pessoa que não teve dor de cabeça ao menos uma vez na vida. Por ser tão comum, e surgir esporadicamente até mesmo por motivos de estresse ou alimentação, por exemplo, pode ser difícil decidir quando é hora de procurar um médico. 

Segundo o neurocirurgião Dr. Otávio Turolo, do Hospital Evangélico de Sorocaba, as dores de cabeça são divididas em dois grupos: primárias e secundárias. Elas possuem características e causas distintas, porém, têm um ponto de atenção em comum. "Quando a dor de cabeça impacta na atividade cotidiana e prejudica a qualidade de vida do paciente, ela necessita de atenção e tratamento especializado", explica ele.  

 

Dores primárias e secundárias 

Menos graves, as dores primárias são aquelas em que a dor não pode ser atribuída a alterações estruturais ou metabólicas. Geralmente, caracterizam-se por uma dor pulsátil, uni ou bilateral, ou dor opressiva e contínua, do tipo tensional. Essa dor de cabeça tem de quatro a 72 horas de duração e pode estar associada a náuseas, vômitos e intolerância à luz, sintomas característicos da enxaqueca, por exemplo. 

“Já as cefaleias secundárias, consideradas mais preocupantes, são decorrentes de outras comorbidades, como tumores, meningite ou hemorragias. Por isso, são detectáveis por exames complementares. Os sinais de alerta (red flags) são febre, perda de força, visão turva ou dupla, resistência à analgesia (medicamentos analgésicos), espasmos ou convulsões, alterações comportamentais, despertar do sono pela dor e dor com início na terceira idade. Estes casos necessitam de investigação, se necessário em ambiente hospitalar”, afirma o médico.

 

Gatilhos 

Fatores como excesso de álcool, estresse, cigarro, sono irregular, abuso de alimentos como chocolate e café, problemas oftalmológicos e longo período em jejum podem causar crises de dor de cabeça. As mulheres são mais acometidas pela cefaleia em comparação aos homens, em especial na meia-idade. No caso delas, as cefaleias primárias são mais frequentes do que as secundárias.

 

Automedicação 

Muitas das pessoas que sofrem com cefaleia recorrem à automedicação, o que representa riscos à saúde. Essa prática pode mascarar os sintomas, dificultando o diagnóstico de uma cefaleia secundária. Além disso, a automedicação pode desencadear um tipo específico de cefaleia que é justamente causado pelo abuso de analgésicos. Essas situações demandam tratamento específico, que muitas vezes inclui internação.

 

Prevenção 

Para evitar a dor de cabeça é ideal adotar uma rotina saudável, que inclui dieta equilibrada, sono regular e manejo do estresse. “No caso da enxaqueca, existem vários tratamentos preventivos, por isso, é necessário consultar um especialista para indicar o que é mais recomendado para o perfil de cada paciente”, finaliza Turolo.

 

Hospital Evangélico de Sorocaba


Alimentos também podem causar alergias respiratórias

 Comidas e bebidas muito quentes ou muito condimentadas podem desencadear quadros repentinos de rinite gustativa; médica do Hospital Paulista detalha os sintomas e as formas de tratamento


Seu nariz escorre ou fica entupido enquanto você está se está se alimentando? Caso afirmativo, é bastante provável que isso decorra de uma rinite gustativa.
 

Pouca gente sabe, mas há alimentos que também provocam reações alérgicas no aparelho respiratório. Embora mais comum em pessoas acima de 60 anos, a rinite gustativa pode ocorrer em qualquer idade e costuma estar associada ao consumo de alimentos muito quentes ou muito condimentados. 

"Eles podem estimular as terminações nervosas presentes nas papilas gustativas da língua e nas cavidades nasais, desencadeando uma resposta do sistema nervoso autônomo, que inclui a dilatação dos vasos sanguíneos nas mucosas nasais. Ou seja, ao mesmo tempo em que a salivação começa, o nariz também começa a produzir secreção ou mesmo obstruir, estimulado pelo início da alimentação e da mastigação", explica a Dra. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista e especialista em alergias respiratórias. 

A especialista explica que esse tipo de rinite é causado por um desequilíbrio neural, que faz as ações do sistema parassimpático acontecerem “fora de hora”, gerando os sintomas descritos. "Geralmente, as irritações são mais discretas do que as da rinite alérgica e se resumem à coriza e obstruções nasais eventuais. Mas a intensidade varia de pessoa para pessoa.” 

Quanto ao tratamento, a médica explica que é importante, em primeiro lugar, buscar uma avaliação profissional. Isso porque os remédios que costumam ser utilizados dependem de prescrição, e a automedicação pode ser ineficaz ou mesmo arriscada. 

"Os tratamentos para a rinite gustativa se dão a partir da conciliação dos sintomas com medicamentos anticolinérgicos, anti-histamínicos, corticoides de ação local ou mesmo com medicamentos em forma de spray. A maioria exige a prescrição de receita e, de qualquer forma, é importante que o médico avalie qual a melhor linha de ação a seguir, conforme o perfil de cada paciente", finaliza.



Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Hormônio do crescimento também tem efeito na regulação da ansiedade em grupo específico de neurônios

 

Estudo demonstrou que o hormônio do crescimento muda
a sinapse, alterando estruturalmente os neurônios
que secretam o hormônio do crescimento
Wikipedia

 Estudo demonstrou que o hormônio do crescimento muda a sinapse, alterando estruturalmente os neurônios que secretam o hormônio do crescimento (imagem: Wikipedia)


Pesquisadores da USP identificam, em testes realizados em camundongos, quais neurônios estão relacionados com o efeito ansiolítico do hormônio do crescimento. Achado abre caminho para o desenvolvimento de novas classes de medicamentos para tratar transtornos neuropsicológicos.

Conhecido por seu papel no crescimento de todos os tecidos do corpo humano, o hormônio do crescimento (GH, da sigla em inglês growth hormone) é também um poderoso ansiolítico. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) aprofundou o entendimento sobre a capacidade do GH em reduzir a ansiedade e, pela primeira vez, identificou a população de neurônios responsável por modular os efeitos do hormônio em doenças neuropsiquiátricas, como o transtorno de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

No trabalho, apoiado pela FAPESP, os pesquisadores observaram que, ao retirar o receptor de GH de células neuronais que expressam o peptídeo somatostatina (um antagonista do hormônio de crescimento), houve um aumento do comportamento semelhante à ansiedade em camundongos machos. Os testes demonstraram ainda uma redução da memória do medo em animais de ambos os sexos. A descoberta pode permitir que no futuro novas classes de medicamentos ansiolíticos sejam desenvolvidas.

“A descoberta sobre o mecanismo envolvendo o efeito ansiolítico do GH abre caminho para uma possível explicação – meramente química – sobre esses distúrbios e por que em situações com maior ou menor secreção do hormônio do crescimento os indivíduos apresentam maior ou menor prevalência desses distúrbios”, afirma José Donato Júnior, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e autor do artigo publicado no The Journal of Neuroscience.

No estudo, os pesquisadores utilizaram três tipos de experimentos com os camundongos (campo aberto, labirinto em cruz elevado e caixa claro-escuro) para testar a capacidade dos animais de explorar o ambiente e de se colocar em risco. “São experimentos bem estabelecidos e que medem o comportamento do animal semelhante à ansiedade e à memória de medo (que está por trás dos movimentos de estresse pós-traumático). Com isso, foi possível verificar os efeitos do hormônio GH nesses animais”, explica Donato.

O pesquisador afirma que ainda não se sabe por que no estudo não houve aumento de comportamento semelhante à ansiedade em camundongos fêmeas. “Acreditamos que seja pelo fato de haver um dimorfismo sexual. Sabemos que a estrutura nessa área do cérebro onde estão os neurônios que estudamos é um pouco diferente entre machos e fêmeas. Não por acaso, alguns transtornos são diferentes entre homens e mulheres”, diz.

A parte química

Milhares de pessoas sofrem de doenças neuropsiquiátricas em todo o mundo. Embora ansiedade e depressão estejam entre os transtornos mais comuns, ainda não está totalmente esclarecido quais são as causas exatas para estes problemas. Acredita-se, inclusive, que possa ser uma combinação de fatores entre estresse, genética, pressões sociais, econômicas, de gênero, entre outros que possam contribuir para a ocorrência desses transtornos.

Evidências crescentes sugerem que os hormônios também podem desempenhar um papel importante na regulação de diversos aspectos neurológicos, modificando assim a predisposição a esses distúrbios. Alterações nos níveis de hormônios sexuais como o estradiol, por exemplo, afetam comportamento semelhante à ansiedade ou depressão e memória de medo em roedores e humanos. Outros estudos, ainda preliminares, demonstraram que os glicocorticoides (hormônios sintetizados a partir do cortisol) podem estar envolvidos no surgimento de doenças neuropsiquiátricas.

Pelo menos no caso do GH ainda não havia sido identificado o mecanismo de regulação do hormônio em neurônios associados a doenças neuropsiquiátricas. “Demonstramos que o hormônio do crescimento muda a sinapse alterando estruturalmente os neurônios que secretam somatostatina”, relata o pesquisador.

No estudo, os pesquisadores comprovaram ainda que transtorno de ansiedade, memória de medo e estresse pós-traumático são faces diferentes de um mesmo circuito neuronal.

Vale destacar que a ansiedade pode ser definida como um medo excessivo (falta de confiança). Já a memória do medo, explica Donato, está relacionada a algum evento negativo que gera uma resposta (uma alteração no cérebro) e toda vez que o animal ou o indivíduo é exposto novamente à mesma situação há uma reação exagerada de medo, podendo haver paralisia ou outros sintomas, como choro excessivo ou tremedeira.

“Tudo isso acontece na mesma população de neurônios. São eles que expressam o receptor de GH e quando, no nosso experimento, desligamos esse receptor os animais tiveram uma redução na formação de memória do medo. Isso significa que a capacidade de formação dessa memória de medo fica prejudicada. Pode ser que em situações de estresse pós-traumático o GH seja um fator que contribua para o desenvolvimento desses transtornos”, diz.

Isso porque uma sucessão de estresse crônico eleva outro hormônio denominado grelina – um potente estimulador da secreção de GH. “A grelina já vem sendo estudada no estresse pós-traumático há bastante tempo e alguns estudos demonstraram que é justamente essa secreção de GH induzida pela grelina que está aumentada no estresse crônico. Isso favorece o desenvolvimento da memória de medo e estresse pós-traumático no cérebro do animal.”

Hormônio e prevalência de transtornos

Em humanos, o hormônio do crescimento é secretado pela hipófise e liberado na corrente sanguínea, promovendo o crescimento de tecidos em todo o corpo humano por meio de formação proteica, multiplicação celular e diferenciação celular. Trata-se de um hormônio indispensável durante o período de crescimento. Ele é secretado principalmente durante a infância e adolescência. Há também um pico de secreção durante a gravidez. Depois, na velhice, há uma queda natural de GH.

Problemas em sua secreção acarretam o nanismo, por exemplo, que se manifesta principalmente a partir dos 2 anos de idade, impedindo o crescimento e desenvolvimento durante a infância e adolescência.

“Estudos anteriores realizados em seres humanos deficientes em GH já haviam demonstrado maior prevalência de depressão e ansiedade nesses indivíduos. Mas a causa disso ainda não foi estabelecida. Alguns autores atribuíam essa alta prevalência a problemas de imagem e bullying provenientes da baixa estatura”, conta Donato.

O pesquisador ressalta que o estudo realizado em camundongos permite verificar o papel-chave do hormônio do crescimento no problema, sem o impacto de outras variáveis, como, por exemplo, problemas de imagem. “Nosso estudo permitiu saber até que ponto se trata de um efeito direto do hormônio e até que ponto é uma ação indireta do déficit de crescimento. Como conseguimos identificar o mecanismo envolvendo o GH, sabemos que ele é uma causa direta do problema de transtorno de ansiedade e, assim, fica mais fácil começar a pensar em terapias”, afirma.

Donato conta que o grupo agora vai direcionar os estudos do GH para o período da gravidez. “É durante a gestação que ocorre um boom do GH. E é também após esse período que ocorre uma alta na prevalência de casos de depressão – a depressão pós-parto. É claro que existem pressões sociais, econômicas e outras relacionadas a esses tipos de transtornos. No entanto, não podemos esquecer que são períodos de um boom hormonal que podem desregular o funcionamento do cérebro, acarretando esses transtornos”, diz.

O artigo Growth Hormone Action in Somatostatin Neurons Regulates Anxiety and Fear Memory pode ser lido em: https://www.jneurosci.org/content/43/40/6816.



Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/hormonio-do-crescimento-tambem-tem-efeito-na-regulacao-da-ansiedade-em-grupo-especifico-de-neuronios/50455


Acidente vascular cerebral: saiba quais são os sintomas e como diferenciar os tipos de AVC

 Doença é uma das mais letais e tirou a vida de quase 110 mil brasileiros em 10 anos

 

Os acidentes vasculares cerebrais (AVC) estão entre as principais causas de internações, incapacitações e óbitos no mundo. Só no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, foram quase 110 mil vidas ceifadas em 2022, um crescimento estimado em 6% em uma década.

O AVC se divide em dois tipos distintos: isquêmico e hemorrágico, cada um apresentando características únicas relacionadas aos mecanismos que prejudicam a circulação sanguínea no cérebro. “Ambos exigem tratamento urgente para reduzir o risco de sequelas e desfechos mais drásticos” afirma Alex Baeta, neurologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, um dos principais hubs de saúde de excelência.

O primeiro deles, o AVC isquêmico, corresponde a cerca de 80% dos casos e é caracterizado pela interrupção da irrigação sanguínea em determinadas áreas do cérebro. Trombos (coágulos), placas de gordura e inflamações arteriais estão entre as principais causas de obstrução das artérias. Também podem ocorrer inflamações nas paredes das artérias (arterites), que causam o estreitamento dos vasos.

“Pessoas com hipertensão ou diabetes não controlados, colesterol e triglicérides elevados, sobrepeso/obesidade, fumantes e sedentários têm mais risco de sofrer um AVC isquêmico”, explica o especialista. Em indivíduos com menos de 50 anos, os motivos mais comuns são trombos gerados por disfunções no coração, arterites autoimunes ou infecciosas e trombofilia, isto é, o aumento da coagulação do sangue provocado por outras doenças de base, entre elas a anemia falciforme e outras condições genéticas.

Já o AVC hemorrágico, popularmente chamado de derrame, deriva da ruptura de uma ou mais artérias, desencadeando hemorragias intracranianas. Entre as causas, estão a hipertensão arterial, o rompimento de aneurismas (dilatação dos vasos), a malformação arteriovenosa cerebral (MAV) e até lesões decorrentes de acidentes.
 

Sintomas

Os sintomas do AVC variam conforme a localização e a extensão da região cerebral afetada. Geralmente eles surgem de forma abrupta, sendo fundamental reconhecê-los. “Quanto antes o paciente procurar ajuda médica, maiores são as chances de reverter os danos causados”, alerta Baeta. Entre os sintomas mais comuns dos dois tipos de acidente vascular estão a perda de força dos membros, formigamento e alterações de sensibilidade, desequilíbrio, boca torta, visão dupla, perda visual, dificuldade na fala, tontura e vertigem. No caso do hemorrágico, o indivíduo também sente uma dor de cabeça que lembra a sensação de “formigamento” e aumenta a pressão craniana.



Diagnóstico e tratamento

De acordo com o especialista, a tomografia computadorizada é um exame essencial para identificar áreas afetadas e determinar o tipo de AVC. No caso do tratamento isquêmico, o foco é a desobstrução das artérias a partir de duas frentes que podem ser combinadas: via administração de medicamento trombolítico endovenoso, visando a dissolução dos coágulos(útil no caso de pequenas obstruções), e a trombectomia, (que só é indicada em casos de vasos de grande espessura) procedimento realizado via cateterismo em que um tipo especial de tubo chamado stent é introduzido nos vasos e conduzido até a região afetada para aspirar o trombo e restabelecer o fluxo sanguíneo.

“Para obtenção de melhores resultados, é importante que o trombolítico seja administrado em até 4 horas e 30 minutos após o aparecimento dos sintomas. Já a trombectomia pode ser feita até em 24 horas”, explica Baeta. No caso hemorrágico, o foco do tratamento é a causa do sangramento, como a hipertensão. Diante de um aneurisma rompido ou sangramento em uma malformação arteriovenosa, é preciso, na maioria dos casos, realizar uma intervenção cirúrgica ou endovascular para impedir um novo acidente.

No tratamento clínico, são usados medicamentos para controlar a pressão arterial e intracraniana, além de complicações como convulsões. Alguns casos podem exigir a realização de cirurgia para remover o sangue do tecido cerebral. “Seja qual for o tipo de AVC, quanto mais rapidamente as intervenções ocorrerem, maiores as chances de evitar sequelas”, finaliza o médico.
 


BP –Beneficência Portuguesa de São Paulo

 

Butantan pede à Anvisa autorização para uso no Brasil de vacina contra Chikungunya

A pesquisa e produção do imunizante é resultado de um acordo de transferência de tecnologia firmado pelo Instituto com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, em 2020


O Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, enviou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta terça-feira (12), um pedido de registro definitivo para uso no Brasil da sua candidata a vacina contra a chikungunya, desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. O imunizante se mostrou seguro e imunogênico em dois ensaios clínicos de fase 3, sendo o segundo coordenado pelo Instituto Butantan em voluntários adolescentes no Brasil. O estudo mostrou que a vacina induziu a produção de anticorpos neutralizantes em 98,8% dos voluntários. Em novembro, a vacina foi aprovada para uso nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.

 “Os resultados dos nossos ensaios clínicos foram muito positivos. Isso nos deu segurança para entrarmos com o pedido de registro junto à Anvisa. Assim, damos mais um passo para disponibilizar esse importante imunizante para a população”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. 

De acordo com Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, até o início de setembro foram confirmadas 82 mortes por chikungunya no Brasil, com uma taxa de letalidade de 0,06%, e notificados 143 mil casos prováveis, com incidência de 67,4 casos a cada 100 mil habitantes.   

Um grande diferencial desta avaliação da Anvisa é que ela será realizada conjuntamente com a European Medicines Agency (EMA), agência reguladora da União Europeia (UE). A análise conjunta faz parte da iniciativa OPEN (Opening Procedures at EMA to Non-EU Authorities), por meio da qual autoridades regulatórias parceiras podem avaliar o uso de um imunobiológico em paralelo à EMA, compartilhando informações com a agência europeia. Essa é a primeira vez que Anvisa e EMA atuarão em conjunto na avaliação de um imunobiológico.

 

Sobre a vacina

A pesquisa e produção da vacina de vírus atenuado da chikungunya é resultado de um acordo de transferência de tecnologia firmado pelo Butantan com a Valneva em 2020. Se a Anvisa autorizar seu uso no Brasil, ela poderá futuramente ser disponibilizada à população após discussão com autoridades de Saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).  

Os ensaios clínicos de fase 3 do imunizante, realizados no Brasil e nos Estados, mostraram que ela possui bom perfil de segurança e alta imunogenicidade. Entre os 4 mil voluntários adultos e idosos de 18 a 65 anos avaliados nos Estados Unidos, 98,9% produziram anticorpos, com níveis que se mantiveram robustos por pelo menos seis meses de acompanhamento. Os resultados do estudo norte-americano foram publicados em junho na revista científica The Lancet.  

Já no Brasil, o estudo foi feito em 750 voluntários adolescentes de 12 a 17 anos que residem em áreas endêmicas nas cidades de São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Laranjeiras (SE), Recife (PE), Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Boa Vista (RR). Entre os indivíduos sem contato prévio com o vírus da chikungunya, 98,8% apresentaram anticorpos; já para o grupo que tinha histórico de infecção prévia, a positividade de anticorpos foi de 100%. 

 

Sobre a doença

A chikungunya é uma doença viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Alguns casos podem ser assintomáticos e outros podem causar febre acima de 38,5° e dores intensas nas articulações de pés e mãos, além de dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. O principal impacto de saúde pública são as sequelas deixadas pela doença – as fortes dores articulares podem se tornar crônicas e durar anos. Há casos de morte registradas associadas à doença. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus chikungunya já foi identificado em 110 países na Ásia, África, Europa e nas Américas. No Brasil, os casos aumentaram mais de 100% entre 2021 e 2022. 

Ainda não existe tratamento específico para a infecção e a principal forma de prevenção é o controle dos vetores, assim como no caso da dengue. Isso inclui esvaziar e limpar frequentemente recipientes com água parada, como vasos de plantas, baldes, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e descartar adequadamente o lixo.

 


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Calor excessivo e os cuidados com a saúde

Especialista da Klini Saúde revela os bastidores do cenário, das tecnologias aos perigos dos excessos


O ano de 2023 tem sido marcado por recordes de calor em todo o mundo, e as previsões para 2024 indicam que podemos enfrentar temperaturas ainda mais elevadas. Em meio a essa onda de calor, é essencial compreender os riscos associados e adotar medidas preventivas para proteger a saúde, especialmente de crianças e idosos. Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva da Klini Saúde, compartilha insights valiosos sobre os impactos do calor extremo e oferece conselhos práticos para enfrentar essa realidade.

 

Hidratação em foco: 

O calor excessivo pode desencadear desidratação, um problema sério que tem aumentado e muitos nos hospitais. "Com as altas temperaturas, o corpo perde mais líquidos através do suor, e é crucial manter-se hidratado. A desidratação pode causar desde tonturas e fadiga até complicações mais graves, como insolação. Temos visto um aumento considerável de casos de desidratação nos hospitais que são confundidos com outras enfermidades”, destaca o especialista que lembra que crianças e idosos são mais suscetíveis aos efeitos adversos do calor e, por isso, é importante monitorar de perto esses grupos. 

"Eles têm mais dificuldade em regular a temperatura corporal, tornando-os propensos a insolação e exaustão pelo calor. Os pequenos ainda estão desenvolvendo seus mecanismos de controle térmico, enquanto os idosos podem ter uma capacidade reduzida de enfrentar as demandas do calor. Vigilância constante é a chave. Mantê-los hidratados é essencial, além de evitar a exposição prolongada ao sol. Água é vida, não adianta beber só suco, refrigerante e outros líquidos, é essencial uma ingestão considerável de água."

 

Riscos e quando procurar ajuda médica: 

Os sinais de problemas relacionados ao calor e que são motivos de alerta incluem náuseas, confusão, pele seca e vermelhidão. "Se você ou alguém ao seu redor apresentar esses sintomas, é fundamental procurar ajuda médica imediatamente. A insolação e a desidratação podem evoluir rapidamente e requerem intervenção médica."

 

Cinco dicas para enfrentar o calor com saúde:

Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva, da Klini Saúde, reforça que não é para deixar de curtir o sol, pode-se ir à praia, brincar na piscina, estar com amigos e família neste verão, mas é importante tomar alguns cuidados. Para te ajudar a aproveitar o calor e o sol com saúde, o especialista compartilha cinco dicas!
 

Hidratação:

"Beba água regularmente, mesmo se não sentir sede. Evite bebidas alcoólicas, refrigerantes e cafeína, que podem contribuir para a desidratação. Se for beber, intercale com água e, claro, não dirija."
 

Proteção Solar:

"Use protetor solar e roupas leves para proteger sua pele dos raios solares. Evite exposição direta ao sol nas horas mais quentes do dia."
 

Ambientes climatizados:

"Procure locais climatizados, como shoppings ou bibliotecas, para se refrescar. Se não tiver acesso a um ambiente fresco, use ventiladores e tome banhos frios."
 

Atenção especial a crianças e idosos:

"Mantenha os pequenos e idosos em ambientes frescos, ofereça líquidos regularmente e evite atividades ao ar livre nas horas mais quentes."
 

Alimentação leve e balanceada:

"Opte por refeições leves e ricas em água, como frutas e vegetais. Evite alimentos pesados, que podem aumentar a sensação de calor."

"O calor intenso requer atenção redobrada à saúde. Com cuidados preventivos e atenção aos sinais do corpo, podemos enfrentar as altas temperaturas de forma segura e saudável, desfrutando do verão sem comprometer nosso bem-estar.", encerra Matheus Serra Marschhausen, coordenador médico da Medicina Preventiva, da Klini Saúde.


Natal e Ano Novo: nutricionista explica como aproveitar as festas sem prejudicar os rins

 

Nutricionista da Lótus Nefrologia conta como pacientes renais crônicos podem curtir as festas de fim de ano, sem interferir na evolução do tratamento

 

A época de festas está iniciando. Sempre que chegam o Natal e o Ano Novo, há a expectativa de celebrações repletas de banquetes pra comemorar o fim de um ciclo e o início de outro. No entanto, para os pacientes que estão em tratamento, há a preocupação de como festejar, sem interferir nos procedimentos.

Pensando nisso, a Dra. Jaqueline Corsi, nutricionista da Lótus Nefrologia, renomado grupo de clínicas de nefrologia premium especializado em hemodiafiltração (HDF), explica como os pacientes renais crônicos em tratamento podem aproveitar as festas sem prejudicar o processo que já passou. Confira a entrevista completa!

 

Como as festas de fim de ano podem impactar a saúde, especialmente para pacientes renais crônicos? 

Pensando na complexidade do tratamento e nos cuidados nutricionais desse público, a mudança de rotina e alimentos típicos dessa época podem interferir no tratamento do paciente. Considerando desde a quantidade de líquido ingerida até ingredientes típicos que podem causar alterações de exames.

 

Quais são os desafios comuns que os pacientes enfrentam ao tentar manter hábitos alimentares saudáveis durante as festas?

O grande desafio é a sequência de eventos em um curto período, em que se acumulam confraternizações, amigo-secreto, Natal, virada de ano, somados o fato de que sempre há variedade e fartura em relação às comidas. A mudança de rotina, somada às opções de alimentos e bebidas, pode ser um fator de preocupação e que cause impacto na saúde, se não houver moderação.

 

Quais são algumas estratégias gerais que você recomenda para aproveitar as festas de fim de ano de forma saudável?

É recomendado organizar a alimentação como um todo, quanto à rotina para não ficar muitas horas sem comer e ao mesmo tempo não haver episódios de exagero na quantidade de ingestão de alimentos. Aqui, vale uma regrinha muito prática que é mencionada no Guia alimentar da População Brasileira: “Descascar mais e desembalar menos”. Ou seja, preferir alimentos in natura ou comer processamento e evitar os alimentos ultraprocessados que têm acréscimo de substância que impactam na saúde como um todo, por exemplo, açúcar, sódio, gordura, edulcorantes, entre outros.

 

Como equilibrar a tradição festiva com escolhas alimentares mais saudáveis?

Gosto da ideia de consumir receitas típicas, porque aparecem só nessa época do ano, mas vale a orientação do consumo com moderação. No meu ponto de vista, consumir os alimentos típicos dessa época não é um motivo para excluir os alimentos ditos como saudáveis, como saladas, frutas, legumes, verduras, grãos ou manter o equilíbrio entre as principais fontes de macronutrientes: carboidrato, proteína e gorduras.

 

Quais são algumas substituições saudáveis para ingredientes comuns em pratos festivos que beneficiaram pacientes renais crônicos?

Algumas trocas valem a pena. Por exemplo, optar pelas frutas in natura ao invés das frutas secas ou em calda. Evitar itens fritos e preferir assados, como a tradicional rabanada. Para o preparo de peru, chester, pernil o ideal é comprar a versão sem tempero e fazer o próprio tempero com ingredientes naturais para evitar o excesso do consumo de sódio, potássio e fósforo, facilmente encontrados nesses produtos. As famílias que não dispensam farofa acrescentada ao peru, é interessante produzi-la do que consumir uma versão pronta com sódio. Aos fãs de peixe, sugiro o consumo de peixes brancos que possuem menos teor de fósforo.

 

Existem receitas específicas ou modificações que você sugere para tornar os pratos tradicionais mais adequados para quem tem problemas renais?

Sim, há algumas estratégias que podem amenizar o impacto da alimentação para quem convive com a insuficiência renal como:

Dessalgar bem os alimentos para a diminuição do teor de sódio.

Evitar preparações com legumes enlatados e preferir as versões in natura.

Para diminuir o teor do potássio dos legumes, verduras e leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão-de-bico etc), utilizamos a técnica de cocção onde indicamos que os legumes sejam descascados e picados, cozidos em fervura, seguido do descarte de água, já que ele é um eletrólito solúvel em água.

E para amenizar o consumo de fontes de fósforo, preferir bolos e tortas sem calda à base de lácteos.

 

Você tem dicas práticas para evitar excessos, especialmente quando se trata de alimentos que podem ser desafiadores para a saúde renal?

Sim, tenho dois exemplos práticos:

O uso de utensílios menores, como pratos, copos, talheres para o porcionamento dos alimentos e bebidas, pois a percepção que temos com a sensação visual impacta na saciedade de cada refeição;

Antes de cada momento de comemoração, parar alguns segundinhos para perceber a intensidade de fome e durante a refeição perceber bem os sabores, cheiros e texturas dos alimentos, aproveitando cada pedacinho mordido e a avaliar a necessidade ou não de repetir algum alimento.

 

Como as escolhas de bebidas podem afetar a saúde renal e que opções você sugere para substituir bebidas menos saudáveis durante as festas?

Para uma pessoa saudável as bebidas alcoólicas sobrecarregam a função renal e afetam outros órgãos, o que impacta na saúde como um todo. As bebidas açucaradas (sucos industrializados e refrigerantes), podem ser substituídas por suco natural, água saborizada, chá gelado, por exemplo. Pensando a longo prazo, o açúcar em excesso pode contribuir para o surgimento da obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes. E claro, a hidratação  diária é fundamental nesse período, considerando a rotina das festas e o clima no verão, quando as temperaturas tendem a ficar mais elevadas.

 

Qual é a importância da hidratação adequada durante eventos festivos, especialmente para pacientes renais crônicos?

Aos pacientes em tratamento conservador, a hidratação é fundamental. Aconselho optar por água, água de coco, porque sucos, bebidas isotônicas ou bebidas industrializadas podem contribuir com a alteração de exames. Já aos pacientes em diálise é válida a mesma orientação, seguindo a restrição hídrica prescrita para não ocorrer impacto no tratamento!

 

Quais são os principais nutrientes ou elementos que os pacientes renais crônicos devem prestar atenção durante as festas?

Os principais nutrientes que impactam no tratamento e exames laboratoriais dos pacientes em tratamento são:

O sódio, ou seja, sal que pode alterar a pressão dos pacientes, usado para temperar os preparos encontrado em temperos prontos, molhos industrializados, embutidos, enlatados e queijos mais amarelos; 

O fósforo, que é encontrado nas fontes de proteína como carnes, queijos, ovos e laticínios; as castanhas, nozes e avelãs; alimentos industrializados e refrigerantes à base de cola, quando não controlado, pode impactar na saúde óssea. O potássio, existente nas frutas, verduras e legumes; castanhas, nozes, avelãs e nos alimentos industrializados, pode influenciar nos batimentos cardíacos. 

Aos pacientes em tratamento conservador, o consumo de proteína em excesso pode sobrecarregar a função renal e aos dialíticos a falta impacta no estado geral do indivíduo, cujo excesso pode aumentar a ureia assim como o fósforo sérico.

 

Existem alimentos específicos que devem ser evitados ou consumidos com moderação por essas pessoas?

Sempre destaco a proibição do consumo da carambola, pois ela tem uma substância tóxica chamada “camboxina” que pode se acumular no corpo e causar uma mal-estar. Além disso, o consumo de embutidos, que são fontes de sódio, potássio e fósforo, bem como o de nozes, castanhas, sementes e chocolate, por serem fontes de potássio e fósforo, devem ser consumidos com moderação, podendo, se possível, preferir a opção sem acréscimo de sal. Frutas secas, como ameixa, damasco e uvas passas também merecem uma atenção para evitar exageros, já que são utilizadas em diferentes preparações e petiscos.

 

Lótus Nefrologia


Dezembro Vermelho: Um olhar compassivo sobre crianças que enfrentam o HIV

ONGs Desempenham um papel fundamental no apoio a famílias afetadas pela doença

 

O mês de dezembro marca o início da campanha "Dezembro Vermelho", dedicada a sensibilizar a sociedade sobre a importância da prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), com ênfase especial naquelas causadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Este vírus compromete o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, resultando na síndrome da imunodeficiência humana, mais conhecida como AIDS. 

Em 2022, conforme dados do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI) do Ministério da Saúde, foram registradas 1.034 gestantes infectadas pelo HIV. Além disso, 4.873 crianças foram expostas ao vírus, sendo que 4.554 delas tinham menos de 7 dias de vida, o que representa 93,8% do total de notificações. 

A luta contra o HIV vai além das estatísticas. Organizações exemplares, como o Projeto Criança Aids, desempenham um papel vital no apoio a famílias que vivenciam o impacto do HIV/Aids, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. A presidente do Projeto Criança Aids, Adriana Galvão Ferrazini, enfatiza a persistência dos desafios globais relacionados ao HIV/AIDS. 

"A nossa ONG conta com uma equipe interdisciplinar dedicada, composta por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, uma farmacêutica e estagiários. Nossa casa é um espaço de pertencimento para essas pessoas, que enfrentam não apenas os desafios da doença, mas também a carga adicional do estigma. Nosso time acolhe, oferece suporte e acompanha o desenvolvimento dessas crianças e suas famílias. Não apenas na adesão ao tratamento com antirretrovirais, mas também no apoio e aceitação do diagnóstico, além de enfrentar a culpa que algumas mães carregam pela transmissão vertical da infecção aos filhos. Nosso compromisso vai além, ajudando, quando solicitado, na delicada revelação do diagnóstico para essas crianças e adolescentes", destaca Ferrazini.

 

Sinais de alerta para crianças 

A Dra. Daniela Vinhas Bertolini, infecto pediatra e médica colaboradora do Projeto Criança Aids (PCA), destaca que a infecção pelo HIV pode ser assintomática ou apresentar manifestações inespecíficas, como perda de peso, dificuldade de ganhar peso, baixa estatura, infecções de repetição como sinusites, amigdalites, otites, pneumonias e diarreia. Outras possibilidades incluem aumento de gânglios, do fígado, baço, "sapinho" ou monilíase oral, febre sem motivo aparente, entre outras.

 

Transmissão do HIV pela amamentação 

A transmissão do HIV pela amamentação é uma das formas de transmissão vertical. “A transmissão vertical pode acontecer em qualquer fase do aleitamento materno, no começo, no meio ou no fim, e em aleitamentos que são de curta ou de longa duração", diz Daniela. 

Mulheres com HIV recebem a orientação médica de que a amamentação pode acabar infectando o bebê, porém ainda há alguns casos de mulheres que acabam amamentando e transmitindo o vírus para a criança. 

Outro caso bem comum é o de mulheres que são infectadas durante o período em que estão amamentando, momento em que não são testadas e, assim, transmitem o vírus para seus filhos. “A mulher fica com a carga viral muito alta e a chance de transmissão pelo leite materno pode chegar até 40%”, pontua a infectopediatra. “Para essa prevenção, o ideal é que a mulher faça testes de rotina e saiba da sua situação de infecção antes mesmo de engravidar, podendo dessa forma ser tratada e engravidar bem estável do HIV. Se isso não for feito, ela deve fazer exames logo no início da gestação. Tendo esse diagnóstico de HIV, ela será tratada com antirretrovirais, ficará indetectável e somando a isso a não amamentação, a criança tem toda chance de nascer sem o vírus”, alerta Dr. Daniela. 

Além disso, para evitar infecção por via sexual, especialmente entre adolescentes, temos a estratégia de prevenção com medicação (chamadas PEP e Prep) que reduz a possibilidade de se tornar infectado a quase zero, devendo essa ser orientada em conjunto com o uso de preservativos e testagem regular. Investir em educação, em todos os níveis, incluindo temas de saúde sexual e reprodutiva e HIV, é sempre uma excelente estratégia de prevenção.

 

Tratamento 

“Toda pessoa que vive com HIV, crianças e adultos, é tratada com antirretrovirais o quanto antes possível após termos o diagnóstico. Temos opções de medicações antirretrovirais, nem todas possíveis para crianças, devendo ser usadas apenas aquelas liberadas por estudos científicos para as devidas faixas etárias. Além disso, alguns medicamentos existem em solução líquida, outros em grânulos para serem dissolvidos e outros apenas em comprimidos. Essa apresentação também deve ser ajustada à capacidade da criança de deglutir cada uma delas, o que é relacionado à idade. O médico infectopediatra será a melhor pessoa para definir qual esquema é o ideal para cada criança”, finaliza a infectologista.

 

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