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| Damián Ortega, Cosmic Thing [Coisa Cósmica], 2002. Vista da exposição Casino, no Malmö Konsthall, Suécia. Foto: Helene Toresdotter/Malmö Konsthall |
Exposição abrange 30 anos de produção do artista mexicano e, pela primeira vez no Brasil, exibe a obra Cosmic Thing, na qual todas as partes de um fusca parecem flutuar no ar
15 de maio a 13 de setembro de 2026
O MASP — Museu de Arte de São
Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 15 de maio a 13 de
setembro, Damián Ortega: matéria e energia, primeira exposição
panorâmica do artista na América do Sul. Com 35 obras, a mostra leva o
visitante para um universo onde a gravidade parece suspensa e objetos são
desmontados e ressignificados. Um dos nomes centrais da arte contemporânea de
sua geração, Damián Ortega (Cidade do México, México, 1967) propõe ao
público reexaminar nosso cotidiano e os objetos que nos cercam para refletir
sobre questões diversas, como trabalho, consumo, tempo e linguagem.
Com curadoria de Adriano
Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo
Moura, curador independente; e Yudi Rafael,
curador assistente, MASP, a exposição reúne mais de três décadas de produção do
artista, articulando fotografia, vídeo, escultura e instalação. A mostra também
será apresentada no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile, de 12 de
novembro de 2026 a 28 de março de 2027.
O artista conta que concebe a escultura
como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade,
aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem
escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de
energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos
físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e
investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro,
entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.
Inédita no Brasil, a obra Cosmic
Thing [Coisa cósmica], 2002, consiste em um fusca completamente desmontado,
suspenso como um diagrama espacial em que todas as peças parecem flutuar. Mais
do que revelar o interior do veículo, Ortega evidencia um objeto industrial que
já foi o automóvel mais popular no Brasil e no México, assim como um símbolo da
industrialização na América Latina. Essa nova apresentação convida o público a
refletir sobre diferentes camadas de sentido — afetivas, históricas e
econômicas— que o automóvel carrega: promessas de modernização, expectativas de
ascensão social, mas também obsolescência e questões latentes nas grandes
metrópoles da região.
Já em Controller of the Universe [Controlador do universo], 2007, serrotes, pás, marretas e machados tornam-se elementos de uma explosão que parece ter sido congelada no tempo. A instalação feita de ferramentas é uma releitura do mural El hombre controlador del universo [O homem controlador do universo], 1934, de Diego Rivera (Guanajuato, México, 1886—1957 Cidade do México, México). Com um trabalhador no centro operando uma máquina, a obra de Rivera celebra o desenvolvimento tecnológico e a indústria. Ao utilizar ferramentas desgastadas que se projetam para o espaço, Ortega retoma esse imaginário questionando o tom heroico e épico da obra de Rivera.
Ortega também aproxima a arte da arquitetura moderna e vernacular. Observa pilhas de tijolos acumuladas em frente às casas, à espera de futuras ampliações, e as transforma em esculturas que revelam uma energia em estado de latência: um projeto que ainda não se realizou, mas que existe como potencial. A escultura Monster [Monstro], 2019, é uma das figuras formadas por restos de materiais de construção, como estrutura metálica, pedaços de azulejos, tijolos de barro e peças de concreto. Ao lidar com esses materiais, tão presentes em cidades latino-americanas, o artista chama atenção para modos de construir que emergem de forma espontânea nas grandes cidades.
Expoente da cena artística mexicana da
década de 1990, Ortega faz parte de uma geração que procurou renovar a
linguagem da arte por meio de iniciativas coletivas que contribuíram para a
transformação de seu meio artístico local. A partir de diálogos com a história
da arte e com a experiência social latino-americana, o artista desenvolve uma
linguagem escultórica e conceitual capaz de reposicionar histórias regionais em
uma narrativa internacional, identificando-se com temas como globalização e
circulação de mercadorias.
Damián
Ortega: matéria e energia integra a programação anual do MASP
dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras
de Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra
Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Carolina Caycedo,
Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús
Soto e uma exposição coletiva internacional.
SOBRE O ARTISTA
Damián Ortega (Cidade do México, 1967)
iniciou a sua carreira como cartunista político em jornais como o La Jornada,
desenvolvendo um olhar satírico e crítico que ainda atravessa a sua produção
escultórica. Em 2006, fundou a Alias, editora dedicada a traduzir e publicar
textos fundamentais de artistas contemporâneos (incluindo nomes brasileiros
como Hélio Oiticica e Lygia Clark), democratizando o acesso ao conhecimento
artístico para leitores de língua espanhola. Ortega participou de bienais e
exposições em instituições como Bienal de Veneza (Itália), Centre Pompidou
(França), Guggenheim Bilbao (Espanha), Kunsthalle Basel (Suíça), Museo Jumex
(México), Museum of Contemporary Art de Los Angeles (Estados Unidos) e White
Cube (Inglaterra), além de ter seus trabalhos em importantes coleções privadas
e públicas.
ACESSIBILIDADE
Todas as exposições temporárias do MASP
possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com
deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou
descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br,
além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com
audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão
disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por
pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não
alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas
pela equipe MASP.
CATÁLOGO
Será publicado um catálogo bilíngue, em
português e inglês, reunindo imagens e textos sobre a obra do artista. O livro
tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Yudi Rafael e conta com textos
de Damián Ortega, Graciela Speranza, Rodrigo Moura, Roselin Rodríguez Espinosa,
Tiago Mesquita e Yudi Rafael. O livro apresenta uma visão panorâmica da trajetória
de Ortega, abordando sua relação com a cena artística mexicana, com o Brasil e
com a história da arte latino-americana.
LOJA MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP
apresenta produtos especiais de Damián Ortega: matéria e energia, que
incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
REALIZAÇÃO
Damián
Ortega: matéria e energia é realizada por meio da Lei Federal de
Incentivo à Cultura e PROAC-ICMS, e tem patrocínio master da Vivo. O ano de
Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.
SERVIÇO
Damián
Ortega: matéria e energia
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor
artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador convidado; e Yudi Rafael, curador
assistente, MASP.
15.5 — 13.9.2026
Edifício Lina Bo Bardi, 1º e 2º subsolo
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista,
São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h
(entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada
até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com
patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado
às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo
link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42
(meia-entrada)
Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.
Site oficial
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