Muito se fala sobre a velocidade com que a inteligência artificial
(IA) vem evoluindo e sobre o impacto que terá em todos os setores da sociedade.
No campo da educação, por exemplo, essa discussão é ainda mais sensível.
Afinal, se a IA já é capaz de escrever textos, resolver problemas complexos e
até tomar decisões autônomas, por que continuar robótica nas escolas e cursos
extracurriculares?
A resposta pode parecer contraintuitiva, mas é simples: quanto
mais a IA avança, mais essencial se torna o ensino de robótica. A robótica
educacional não é apenas um primeiro contato com máquinas e sistemas
automatizados, ela é um verdadeiro laboratório de habilidades humanas e
tecnológicas indispensáveis para o presente e futuro.
De acordo com um estudo do Centro Universitário Eniac, a sinergia entre IA e robótica tem se mostrado uma das
frentes mais potentes da transformação digital. No entanto, esse mesmo estudo
também aponta que, sem o fator humano, ou seja, sem o desenvolvimento de
pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolução de problemas, a
tecnologia perde parte de seu propósito.
A robótica, nesse contexto, vai muito além da construção de
dispositivos com sensores e motores. Ela ensina como pensar de forma crítica,
estruturar soluções, trabalhar em equipe e, principalmente, como programar e
controlar tecnologias que, assim como a IA, operam a partir de dados e lógica.
Quando uma criança monta e programa um robô, ela está não só aprendendo
conceitos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, mas também
desenvolvendo uma visão de mundo orientada para inovação e protagonismo.
É fundamental entender que a IA é uma ferramenta. E como qualquer
ferramenta poderosa, ela precisa de operadores preparados, éticos e
conscientes. A educação é um dos primeiros passos para formar essa nova geração
de operadores: pessoas capazes de compreender, criar e melhorar tecnologias de
forma ativa e não apenas consumi-las passivamente.
Na Ctrl+Play, rede de escolas de tecnologia especializada em
programação e robótica para crianças e adolescentes, por exemplo, é possível
identificar que alunos que aprendem sobre tecnologia desenvolvem autonomia e
pensamento computacional desde cedo. Eles serão os futuros profissionais que
vão trabalhar lado a lado com sistemas de IA, contribuindo com uma perspectiva
humana que nenhuma máquina é capaz de oferecer sozinha.
Além disso, as aulas favorecem um aprendizado “mão na massa"
e lúdico, estimulando o engajamento e a curiosidade natural dos estudantes. Em
vez de apenas falar sobre algoritmos e teorias, eles podem vê-los em ação, em
vez de apenas estudar lógica, eles a aplicam para resolver problemas reais. E
esse processo, mais do que técnico, é profundamente pedagógico.
Em um mundo onde a inteligência artificial avança a cada dia, a
robótica educacional é o treinamento que prepara as mentes humanas para
comandar essa tecnologia — e não apenas segui-la. Enquanto a IA simboliza o
salto tecnológico, a robótica garante que haja pessoas capazes de dar direção a
esse salto. Ignorar seu ensino seria como abrir mão de ensinar leitura em uma
sociedade que vive de interpretar códigos. O futuro da educação será,
inevitavelmente, tecnológico — mas, acima de tudo, continuará sendo humano. E é
nessa interseção que a robótica se torna indispensável.
Henrique Nóbrega - diretor da Ctrl+Play, franquias de tecnologia e inovação que oferece cursos de robótica e programação para o público a partir de 7 anos. Há 10 anos no mercado, a rede faz parte do grupo educacional CNA+ desde novembro de 2023 e, atualmente, conta com mais de 150 unidades em operação.
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