Nos últimos anos, a estética avançou a passos largos. O laser, antes restrito a tratamentos médicos e procedimentos específicos, se tornou um dos recursos mais populares para quem busca resultados rápidos na pele — seja para depilação, rejuvenescimento, manchas ou poros dilatados. Mas junto com essa popularização, um sinal de alerta vem chamando a atenção de dermatologistas de todo o país: o aumento de complicações após sessões mal indicadas ou mal conduzidas com tecnologias a laser.
Segundo a dermatologista Dra. Renata Castilho, o laser é uma
ferramenta poderosa e eficaz quando bem aplicada, mas não é um procedimento
inofensivo, como muitas pessoas ainda acreditam. “Lasers atuam emitindo calor
controlado em camadas específicas da pele. Dependendo do tipo de equipamento,
da intensidade e da profundidade, ele pode promover desde estímulo de colágeno
até a destruição de folículos pilosos. Mas se for utilizado de maneira inadequada,
o que era para ser benéfico pode gerar danos difíceis de reverter, como queimaduras,
manchas e até cicatrizes.”
O que está por trás do aumento de complicações com lasers?
Boa parte dos casos está ligada à realização do procedimento sem avaliação dermatológica prévia, uso de equipamentos sem registro na Anvisa ou manipulação por profissionais não habilitados para lidar com os diferentes tipos de pele, fototipos e sensibilidades cutâneas.
“A pele negra ou bronzeada, por exemplo, exige cuidados redobrados, pois há maior risco de hiperpigmentação. Peles com acne ativa, uso recente de ácidos ou exposição solar intensa também não são indicadas para muitos tipos de laser. E o que vemos é uma crescente banalização desse cuidado, com clínicas oferecendo pacotes promocionais sem qualquer protocolo de segurança”, explica a Dra. Renata.
Tipos de lesões mais comuns após o uso inadequado do laser
- Queimaduras
térmicas de primeiro ou segundo grau
- Hiperpigmentação
pós-inflamatória
- Manchas
escuras ou claras na pele
- Cicatrizes
atróficas ou hipertróficas
- Irritações severas, coceira e ardência prolongadas
Muitas dessas reações não surgem imediatamente. Em alguns casos, o dano se manifesta dias ou até semanas após a aplicação, e infelizmente, nem sempre são reversíveis com tratamentos simples.
Laser não é tudo igual — e nem todo laser é para você
Existem diversas tecnologias com aplicações específicas: diodo, alexandrite, Nd:YAG, CO2 fracionado, Erbium, entre outros. Cada um age em uma profundidade da pele e possui indicações e contraindicações distintas.
“É essencial que o profissional conheça não apenas o equipamento, mas também o histórico clínico do paciente, o tipo de pele, o tempo de exposição solar recente e a rotina de cuidados em casa. Só assim é possível minimizar os riscos e entregar um resultado realmente seguro e eficaz”, reforça a dermatologista.
O que deve ser avaliado antes de realizar um procedimento com laser?
- Tipo
e tonalidade da pele (fototipo)
- Histórico
de acne, melasma, rosácea ou outras doenças dermatológicas
- Uso
atual de medicamentos ou ácidos tópicos
- Exposição
solar recente
- Se
há cicatrização atrófica ou queloidiana
- Estado de hidratação da pele
Após a sessão, o acompanhamento é indispensável. Hidratação
adequada, uso rigoroso de protetor solar, e em alguns casos, prescrição de
calmantes ou clareadores tópicos são etapas fundamentais do pós-procedimento.
E se houve uma reação adversa? O que fazer?
A Dra. Renata Castilho reforça: vermelhidão, ardência e leve descamação são esperadas em alguns tratamentos, mas sintomas como bolhas, dor intensa, escurecimento persistente da pele ou manchas irregulares exigem atenção imediata.
“Interrompa qualquer produto agressivo e procure um dermatologista para avaliação. Quanto antes o tratamento correto for iniciado, maiores as chances de reversão dos efeitos indesejados.”
O avanço da tecnologia é um grande aliado da dermatologia moderna — mas não deve ser tratado como um atalho para resultados rápidos sem riscos. O laser, quando usado com critério, pode trazer ganhos expressivos para a qualidade da pele. Mas quando negligenciado, pode deixar marcas que vão muito além da estética.
“O problema não é o laser em si. É o uso desinformado,
impessoal e, muitas vezes, comercial, que desconsidera a complexidade da pele
humana. Em tempos de promessas instantâneas, o que realmente protege o paciente
é o conhecimento e o cuidado técnico”, finaliza a Dra. Renata Castilho.
Palavra da Dra:
“Procuro com meu
trabalho postergar o envelhecimento e manter a pele bonita e saudável, mas
gosto de beleza natural e sem excessos, cada rosto é único, e as características
individuais devem ser sempre valorizadas”.
Dra. Renata Castilho - CRM/SP – 197372 - Dermatologista e Tricologista . Graduação em Medicina pela Universidade São Francisco (USF). Especialização em Dermatologia pela Faculdade Instituto Superior de Medicina e Dermatologia (ISMD -São Paulo). Mestre em estudos do Envelhecimento pela Pontifícia Universidade (PUC/SP).


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