Nos mais de 100 dias do governo Trump, um assunto se mantém em alta: a guerra comercial. No centro desse conflito, estão os Estados Unidos e China, duas grandes potências econômicas. Ambas têm o poder de afetar diretamente o comércio exterior em setores cruciais como, por exemplo, manufatura e tecnologia. Por sua vez, mesmo diante de um cenário de instabilidade, também é preciso estar atento às oportunidades que podem beneficiar países emergentes, entre eles, o Brasil.
Desde o início do mandato, o presidente americano
já dava sinais de que iria impor a guerra comercial. Em seu discurso, o
republicano justificou que o tarifaço seria aplicado em busca de promover a
economia norte-americana – mas, quem pagará a conta serão, ao todo, 185 países.
A China, que está no olho desse furacão, chegou a ter uma taxa de 145% e,
recentemente, após um acordo de redução por 90 dias, caiu para 30%. A União
Europeia ficou com uma tarifa de 20% e, o Brasil, com uma taxação de 10%.
No atual contexto de globalização, o tarifaço, sem
dúvidas, provoca uma desaceleração no comércio exterior, indo desde a redução
de investimentos até, consequentemente, a diminuição do crescimento econômico
global. Contudo, as tarifas impostas por Trump têm impulsionado a
diversificação dos mercados de exportação, beneficiando países como Índia,
Vietnã e, até mesmo, a Europa, que se posicionam como alternativas estratégicas
em cadeias de suprimentos globais.
O Brasil também não fica de fora dessa, uma vez que
o momento pode ser visto como uma oportunidade de ampliação na exportação de
commodities, especialmente, considerando o fato de que os países buscam por uma
maior diversificação. Além disso, é importante destacar que essa não é a
primeira vez que o nosso país se beneficia em meio a instabilidades econômicas.
No agronegócio, como exemplo, em conflitos
comerciais anteriores entre China e EUA, houve um aumento significativo de
exportações para os chineses. Outros setores nacionais que também podem se
beneficiar são a indústria de minerais, metais e energia renovável – este
último no qual, segundo o ranking mundial, o Brasil se destaca globalmente,
ocupando a 3ª posição em capacidade instalada. Além disso, a economia
brasileira também pode utilizar esse cenário para fortalecer sua liderança em
negociações comerciais na América Latina, expandir suas exportações de
serviços, atrair novos investimentos e reforçar sua posição estratégica no
cenário global.
É importante destacar que o redirecionamento das
cadeias de suprimentos e ampliação para novos mercados alternativos tornam-se
alternativas para países que tiveram uma taxação menor – como é o nosso caso.
Contudo, mesmo diante de uma realidade que aponta oportunidades em cenários de
incertezas, só conseguirão aproveitá-las empresas que já possuem uma gestão
eficiente embasada, principalmente, no uso da tecnologia.
Isso porque empresas que não investem em tecnologia
enfrentam desafios significativos em momentos de mudanças no cenário econômico,
seja nacional ou global. Enquanto organizações preparadas com sistemas de
gestão robustos e fluxo de caixa saudável, conseguem identificar e aproveitar
oportunidades como aquisições estratégicas ou expansão para novos mercados,
mantendo sua competitividade.
Na prática, de nada adiantará uma empresa ter
potencial para investir na exportação, sem um software de gestão que suporte
operações em multimoeda. Enquanto isso, aquelas que já utilizam recursos como a
IA e sistemas integrados ganham agilidade na tomada de decisões, maior precisão
nos indicadores e resiliência para adaptar-se rapidamente a novas condições de
mercado.
Cabe enfatizar que essa preparação não só fortalece
a sustentabilidade do negócio, como permite que ele prospere, mesmo em cenários
adversos. E, considerando que a tendência é que tenhamos pela frente um cenário
cada vez mais dinâmico e desafiador, é primordial que as organizações, desde
já, adotem uma gestão financeira combinando a estratégia e a aplicação correta
de tecnologias que ajudem a manter sua relevância.
A gestão de Donald Trump tem encabeçada o slogan “Make America Great Again”. Sendo assim, podemos esperar ainda mais medidas que visem beneficiar o país, refletindo impactos globalmente. Em períodos de incertezas, é preciso pensar fora da caixa e identificar pontos de escape que garantam a sobrevivência do negócio. Quanto a isso, deixar “a casa em ordem” é o primeiro passo a ser dado, e a tecnologia se manterá sempre como uma aliada. Afinal, quando se fecha uma janela, abre-se uma porta.
Glaucia Vieira - sócia-proprietária da G2.
G2
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