Teste prevê risco de desenvolvimento da pré-eclâmpsia e está em processo de análise para ser incorporado ao SUS
A pré-eclâmpsia ganhou destaque na imprensa nesses últimos dias depois do
triste falecimento da filha da cantora Lexa, que apresentou complicações
graves da doença. Diante da triste notícia, informamos que já há no
Brasil um exame que avalia, de forma rápida, o risco de desenvolvimento da
pré-eclâmpsia, o que muda a dinâmica hospitalar, pois permite rapidez,
segurança e assertividade na conduta médica. O teste é da Thermo Fisher
Scientific, líder mundial a serviço da ciência, que pode ser solicitado pelo
médico para o laboratório de preferência da gestante.
A detecção avançada de pré-eclâmpsia foi aprovada
em 2023 pela FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos e foi eleita
uma das 200 melhores invenções do ano pela conceituada revista norte-americana
Time. A empresa é a única que tem o FDA aprovado e fornece suporte em todas as
etapas da PE (triagem, diagnóstico e prognóstico). No Brasil, o teste está
disponível na rede privada e aguarda avaliação da CONITEC para incorporação no
SUS.
Contamos com uma fonte disponível para falar sobre
o tema:
- Tatiana
Zanareli, especialista
de produto da Thermo Fisher Scientific.
Sobre o exame: a Thermo Fisher Scientific possui biomarcadores que podem ser
realizados em dois momentos da gestação, como triagem (detecta o risco antes
mesmo de aparecer os primeiros sintomas), e diagnóstico/prognóstico. O plgf
deve ser realizado no 1º trimestre da gestação (entre a semana 11 a 14) e
avalia o risco da gestante para desenvolvimento da pré-eclâmpsia ao longo da
gestação. Caso a mesma seja considerada de alto risco, o médico deve iniciar a
profilaxia antes da semana 16. Já o diagnóstico e o prognóstico são realizados
no 2º e 3º trimestre da gestação (a partir da 20ª semana – que é o caso da
cantora Lexa) com a razão dos testes sflt-1/plgf. permitindo melhor acurácia no
diagnóstico e uma melhor análise do prognóstico e da estimativa da gravidade.
Ambos representam uma ferramenta crucial para a triagem e diagnóstico e estão
disponíveis na rede privada.
Sobre a doença: a pré-eclâmpsia é um problema grave que possui relação com o aumento da
pressão arterial de pacientes gestantes. Todos os dias, cerca de 810 mulheres
morrem em todo o mundo por complicações relacionadas à gestação ou parto.1
A doença consiste no aumento da pressão arterial e a perda de proteínas na
urina, ocorrendo principalmente após a 20ª semana de gestação. Ela impede que o
bebê receba a quantidade de nutrientes e de oxigênio necessários para seu
desenvolvimento adequado. Já na gestante, as complicações podem ser
neurológicas, renais, insuficiência cardíaca e descolamento prematuro da
placenta. Complicações da pré-eclâmpsia, como a eclâmpsia, quando se associam a
convulsões, aumentam os riscos para a gestante e o bebê. Ainda, é importante
ressaltar que existem estudos que mostram que o risco de desenvolver doença
isquêmica do coração aumenta em 30% ao longo da vida para a mãe e o bebê que
desenvolveram pré-eclâmpsia.2
A melhor forma de se evitar estes transtornos é
através do rastreamento (triagem) dos grupos de risco e do diagnóstico precoce.
É nesse momento que os exames de sangue desempenham papel de grande relevância.
Um teste simples, preditivo eficaz para a pré-eclâmpsia facilita o diagnóstico
precoce, a vigilância direcionada e o parto no melhor momento para a mãe e o
bebê.
Referência:
- Prevenção
da mortalidade materna por hipertensão. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/prevencao-da-mortalidade-materna-por-hipertensao/
Acesso em 22/01/2025
- Crump
C, Sundquist J, McLaughlin M A, Dolan S M, Govindarajulu U, Sieh W et al.
Adverse pregnancy outcomes and long-term risk of ischemic heart disease in
mothers: national cohort and co-sibling study. BMJ 2023
Nenhum comentário:
Postar um comentário