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No entanto, com a Revolução Agrícola e o
crescimento das civilizações, os desafios mudaram. O homem deixou de temer
presas naturais para lidar com leis, normas e sistemas econômicos.
Esses novos critérios de sobrevivência substituem a
luta contra predadores por uma batalha constante contra a exclusão social e a
insegurança financeira. O medo de ser devorado deu lugar ao medo da falência,
do desemprego e do fracasso.
Moldamos uma sociedade que promove dívidas
impagáveis, exigências de produtividade inatingíveis, precarização do trabalho
e a redução do valor humano à capacidade de gerar lucro. Assim, o Homo sapiens
eliminou seus predadores naturais apenas para se tornar caçador de si mesmo.
A busca incessante por eficiência nos transformou
em peça de uma engrenagem que jamais pode parar. Sob o capitalismo, qualquer
momento de descanso se torna um risco, e a exaustão é naturalizada como parte
do caminho para o sucesso. Quem nunca se viu obrigado a participar dessa
cultura de hiperprodutividade apenas para garantir o mínimo de segurança
financeira?
A predação não desapareceu, apenas mudou de forma.
O novo predador não tem presas afiadas ou garras cortantes, mas se manifesta na
forma de uma nova cadeia alimentar, baseada na dominação financeira e na
concentração de poder.
Entretanto, essa lógica não é inevitável. Se
desacelerarmos e questionarmos as estruturas que nos governam, veremos que é
possível reformular a economia para que sirva às pessoas, e não o contrário.
Isso exige a criação de um sistema mais equilibrado,
que respeite os limites humanos e naturais, reduzindo a dependência do
crescimento ilimitado como única medida de progresso.
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Afinal, qual o sentido de dominarmos o planeta se,
no processo, nos tornarmos escravos de nossas próprias criações?
João Carlos
Orquiza – pesquisador teórico-conceitual e autor de O
Preço da Vida: seu trabalho, sua energia - o verdadeiro motor da economia
mundial
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